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domingo, 14 de abril de 2013

Desaparecido

Procura-se uma criança
Quem procura é um velho

Não foi a criança que se perdeu
Foi o velho que a deixou

Na época ainda era moço
Achava que podia tudo

E que a criança tomava seu tempo
Que, sem ela, ele seria mais forte

Queria deixar pra trás suas fraquezas
e enfrentar o mundo sem medo

Achava-se forte, achava-se muito forte
Tinha todas as armas para nunca mais chorar

"Choro é coisa de criança"

Acreditou que podia viver sem tristeza
E que alegria se comprava pronta

Mas o tempo passou
Suas armas falharam

Todas elas

Hoje o velho chora sozinho
Pede socorro, sabe quem poderia salvá-lo

Mas não consegue mais achar a criança perdida dentro de si

14 comentários:

  1. Por isso é que o amor é fundamental ou... o cheiro de flor de laranjeira.
    Um abraço comovido da sua sempre admiradora,

    Wanda Rodrigues

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  2. Esse belo poema me fez lembrar um dos 1º livros que li, "Os belos contos da eterna infância".
    Hoje o dia me convida a ler um bom livro deitado na rede que coloquei na sala.
    Mais uma vez, deixarei a TV de lado.

    Cury

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    1. Belo poema. Considero a poesia como necessidade da alma , pelo menos da que precisa, conscientemente, de transcendência. Refiro-me aos verdadeiros poetas, aos que nasceram com este dom, os escolhidos das Musas, afinal, segundo Platão, o grande poeta é porta-voz de um Deus.

      Ato contínuo, à guisa de compatilhar e , na minha desimportante conceituação, um Mário Quintana e um Baudelaire, nesta ordem, dão conta demais da conta, né???

      ”Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...”

      "É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.
      Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.
      E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira'."
      Marcos Lúcio

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  3. Como foi dito acima, belo poema. É desses que gosto de reler. Também gostaria de permissão para salvar e repassa-lo.
    Bom domingo.
    Sergio.

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  4. Lindo poema, porém muito triste. Y.R.

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    1. Tristeza também faz parte da vida...

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    2. Aliás..."A felicidade perderia seu significado se la não fosse equilibrada pela tristeza".
      Carl Jung

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  5. Alguém já citou o Quintana, mas foi exatamente nele que pensei quando li o poema.

    Pensei também que tristeza e solidão são ponto e vírgula para os grandes poetas.

    E que o velho vai encontrar a criança assim que colocar seus óculos de raios x.

    Poema (Mario Quintana)

    Oh! aquele menininho que dizia
    "Fessora, eu posso ir lá fora?"
    Mas apenas ficava um momento
    Bebendo o vento azul...
    Agora não precisa pedir licença a ninguém
    Mesmo porque não existe paisagem lá fora
    Somente cimento
    O vento não mais me fareja a face como a de um cão amigo
    Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.

    ARM




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  6. Quando morremos a criança que nos existe, a vida torna-se sombria. Sem GRAÇA.

    O poema é muito bonito. Naturalmente triste.

    ANTONIO CARLOS

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  7. Simplesmente, lindo

    Bj, denise coutinho

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