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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Repórter descobre que a desgraça é com ele

O jornalista Nelson Carlos de Souza tem quase 40 anos de profissão e nunca esquece a reportagem mais difícil de sua vida. Escalado para cobrir o assassinato de um adolescente por policiais no Morro do Juramento, descobriu, ao chegar que a vítima era seu afilhado. A série Fora de Pauta é uma produção do site Conexão Jornalismo e do Blog Rio Acima.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Um dia num táxi

Há mais de 30 anos, o cearense José Luis Esteves dirige táxi no caótico trânsito carioca. Neste curta-metragem de 17 minutos, ele conta suas aventuras e mostra como os motoristas se viram para sobreviver.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O dia em que Ayrton Senna saiu do sério

Em 1991, o fotógrafo Fernando Rabelo foi incumbido pela Folha de S. Paulo de fazer plantão perto da casa do piloto Ayrton Senna, em Angra dos Reis (RJ). O campeão de Fórmula não gostou e perseguiu o jornalista, incidente que teve repercussão internacional. A série Fora de Pauta é publicada por este blog e pelo site Conexão Jornalismo.


Duração: 5m24
Entrevista Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Produção: MCE/Blog Rio Acima e Conexão Jornalismo

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A falsa versão do caso Carlinhos

O jornalista Domingos Meirelles conta como desmascarou uma falsa versão da polícia para o sequestro do menino Carlinhos, crime que abalou o Brasil na década de 1970. A série Fora de Pauta é veiculada no site Conexão Jornalismo e no Blog Rio acima.

Duração: 5m30
Entrevista a Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Produção: MCE e Conexão Jornalismo

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Existe esquerda dentro da PM

Entro no uber numa tarde de sábado. Vejo que o motorista é um homem muito forte, de pele negra. Sempre bato um papo com os motoristas mas naquele dia não estava a fim de conversar. Ele segue naquela velocidade de cruzeiro que às vezes irrita quem está com pressa. Para não ficar muito antipático, uns 300 metros adiante puxo assunto.

_ O pessoal come muito essas balas aqui?

Com uma voz mansa e uma entonação gentil e atenciosa de quem fala com a própria avó de 90 anos, o homem com braços de alterofilista responde:

_ Mais é criança que gosta. Ou então o pessoal que vem da madrugada...

Não lembro como a conversa chegou até a profissão dele.

_ Sou capitão da Polícia Militar. Completo a minha renda aqui no uber.

A associação foi imediata diante daquele corpanzil.

_ Você é do Batalhão de Choque, né?

_ Sim, senhor _ respondeu o motorista no mesmo tom gentil e manso que agora contrastava com as imagens na minha mente dos homens do choque distribuindo cassetada nas manifestações populares.

Tomei coragem.

_ Sabe, amigo, eu sempre quis encontrar algum de vocês num lugar que não fosse uma zona de conflito onde pudéssemos conversar com calma. Às vezes, vejo seus colegas fazendo ginástica na praia e penso que seria o momento ideal, mas nunca tentei, fiquei sem graça de abordar.

Ele está interessado, vejo pelos seus olhos no retrovisor. E prossigo:

_ Acho que seria muito legal se vocês do choque e os estudantes universitários pudessem conversar numa boa, trocar ideias com calma, porque muitos são da mesma faixa etária e vivem a mesma realidade no Brasil. O problema é que os dois grupos só se encontram na hora do conflito. No dia em que o choque mudar de lado nós consertamos esse país, nesse dia o povo coloca essa corja de ladrões para fora e toma o poder.

_ É verdade. Mas é difícil. A Polícia Militar tem uma hierarquia muito rígida.

_ Você sabe o que aconteceu com aquele policial do choque que se recusou a reprimir a manifestação de professores estaduais?

_ Não foi só um, foram 15, e eu era um deles. Ficamos 15 dias presos no quartel.

_ Sério!?

_ Como é que eu vou bater em professor? Não dá.

É difícil descrever a emoção que senti vendo um policial dizer aquilo. Ele prosseguiu, com a mesma fala mansa:

_ Agora não nos escalam mais para manifestações. Quando tem alguma coisa assim, mandam a gente para outros trabalhos, reforçar UPPs por exemplo. É um absurdo nós, funcionários públicos, reprimirmos nossos colegas que protestam para receber salários, estamos todos com salários atrasados por causa desses políticos que acabaram com o estado do Rio.

_ Qual é a porcentagem de pessoas que pensam como você dentro da Polícia Militar? Chega a 10%.

Ele pensa um pouco.

_ Acho que uns 20%. Mas é difícil politizar a tropa, a maioria dos soldados nunca leu nada na vida. Eu costumo sempre mandar os soldados lerem, lerem qualquer coisa para ver se pegam o hábito. Indico até livros de guerra porque pelo menos eles estarão lendo. Mas é muito complicado.

_ Você já pensou em entrar na política, ampliar seus horizontes, tentar mudar as coisas, ser um contraponto ao Bolsonaro entre os militares?

_ Não sei... já pensei mas... não sei. Detesto esse Bolsonaro. Outro dia, na véspera da eleição passada, participei de um debate em que estava o filho dele, candidato a prefeito. Eu sabia que ele e o pai recebem dinheiro da Taurus (fabricante de armamento que fornece ao governo do Rio). Perguntei então o que ele achava da péssima qualidade das armas usadas pela polícia, que falham e provocam a morte de muitos policiais. Ele ficou todo embaraçado diante de uma platéia cheia de policiais. Foi engraçado.

_ E você não está marcado entre os oficiais por ser de esquerda?

_ Estou sim, querem me mandar até para o morro do Alemão comandar uma UPP.

_ Mas isso é mandar você para a morte! Estão atacando a polícia direto lá.

_ É, mas não sei o que vai acontecer. Talvez até as UPPs acabem antes disso...

A corrida chega ao final e me despeço do capitão. Desço do carro com uma ponta de esperança, ainda que seja uma pontinha tão pequena que quase não dá para enxergar.


Foto: Marcelo Migliaccio





segunda-feira, 3 de abril de 2017

Quando a multidão enfurecida escolhe você

No novo depoimento da série Fora de Pauta, a jornalista Hilka Telles conta dois episódios dramáticos de sua carreira. Por duas vezes, ela e os fotógrafos que a acompanhavam quase foram linchados por uma multidão enfurecida. Fora de Pauta é publicada simultaneamente no site Conexão Jornalismo e neste blog.

Duração: 9m11
Entrevista a Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Produção: MCE e Conexão Jornalismo