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domingo, 22 de março de 2015

Do craque galã ao velho do rio

Morreu Claudio Marzo, que foi o craque Duda na primeira versão de Irmãos Coragem. Lembro uma cena que ele levava um tiro na perna e desfalcava o Flamengo por vários jogos. As cenas no Maracanã misturavam takes de um jogo real com imagens dele conduzindo a bola gravadas em separado. Só que não tinha nem pinta de atleta. 


Uma vez, muitos anos depois, o entrevistei no apartamento em que vivia, na Gávea. Tudo muito modesto para quem esteve entre os galãs do primeiro time. Contou que nos anos 70, depois de se arriscar em protestos contra a ditadura militar, pirou com a fama e largou tudo. Deixou a barba crescer e deu o relógio para um garotinho que encontrou na rua. "Depois, acabei comprando outro relógio", comentou, rindo.

Outra lenda que cercava Cláudio Marzo era que ele não tinha a menor paciência com fãs. E que costumava brindar tietes nas ruas com desaforos em vez de autógrafos. Meu ídolo... 

Foi para a Manchete porque uma vez se recusou a gravar na Globo em apoio a uma greve do pessoal da técnica. Fez sucesso em Pantanal como o Velho do Rio e logo voltou à antiga casa. Também disse que seus problemas de saúde eram decorrentes de suas "extravagâncias" na noite durante muitos anos. Contou que tinha parado de beber por ordem médica e apontou uma garrafa de uísque na prateleira: "Mantenho aquela ali só para contemplação".


No verão passado

Aquele domingo de sol escaldante foi o dia mais feliz na vida do vendedor de guarda-chuvas que faz ponto em frente ao teleférico do Pão de Açúcar. Uma fila quilométrica, com espera de até três horas.



Acho que ele pagou todas as dívidas no dia seguinte.




domingo, 15 de março de 2015

A golpeata

O dia 15 de março de 2015 vai entrar mesmo para a História: será eternamente lembrado como o dia da primeira Golpeata (a passeata golpista).

Agora, só falta o Congresso, em vez de votar a reforma política e acabar com o financiamento privado de campanhas políticas, dizer que precisa ser sensível ao grito das ruas e iniciar as manobras para votação do impeachment. É capaz de cobrarem um troco pra não derrubar o governo. Eu contribuo com R$ 5.


Depois de muita discordância e delírios (1 milhão na Av. Paulista dá 333 pessoas por metro quadrado), a "imprensa escrita, falada e televisada" está chegando a uma conclusão sobre o número de manifestantes que estiveram nas ruas ontem: 1,8 milhão no país inteiro, segundo Folha e Uol.

Menos de 1% da população brasileira.

Nossa, que movimento pujante!


Mas o mais engraçado é ver os malabarismos verbais feitos por jornalistas que não querem ser tachados de golpistas mas também não querem desagradar seus patrões, aqueles dos milhões de dólares sonegados no HSBC suíço.

Estão cassando o seu voto, devagarinho, passo a passo, até o dia em que vai eclodir o ovo da serpente.

O último réptil agourento viveu 21 anos. Quando finalmente morreu, caiu de podre, a ditadura deixou uma concentração de renda indecente, êxodo rural e formação de favelas nunca vistos, estatais sucateadas, dívida externa gigantesca, fome, milhões de desdentados, desvalidos, educação abandonada, meios de comunicação nas mãos de meia dúzia. Sem falar nos mortos e torturados.

E, claro, corrupção em todos os níveis, como é próprio das ditaduras, de direita ou de esquerda.

Instabilidade social à vista, meus amigos. Se um presidente for derrubado no grito, outro também poderá ser. Aí vira zona.

E lá vai, Brasil, de volta para o passado.

sábado, 14 de março de 2015

Então...

Cabe agora à Receita Federal divulgar quais desses correntistas do HSBC que enviaram dinheiro ao exterior declararam isso no Imposto de Renda.

Quem não declarou cometeu crime de sonegação e não tem moral para apontar o dedo para a Petrobras. Muito menos para conspirar contra um governo reeleito pela maioria da população.

Isso é continuar mudando de verdade o Brasil.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Serviço essencial

Garis do Rio entraram em greve. Agora é que a coisa vai feder...

Candidato não falta, veja a fila para a prova de seleção da Companhia Municipal de Limpeza Urbana, há algumas semanas.

Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 12 de março de 2015

Carta ao PSOL


Meu caro, PSOL, o PT já foi assim: idealista, purista etc. Mas quando se chega ao poder a coisa muda. Como o PSOL aprovaria seus projetos no Congresso caso chegasse à Presidência da República? Como teria os votos desse parlamento fisiológico e de direita? Na base da conversa? Duvido. Acho que, na prática, o saldo do PT ainda é muito positivo, como prova o referendo da maioria da população nas quatro, eu disse quatro, últimas eleições.

 O que acontece é o seguinte: durante décadas, séculos, a roubalheira no governo foi geral e irrestrita. Aí, chega um partido que pela primeira vez dá independência à Polícia Federal pra prender até gente do próprio partido. É bom lembrar que o chefe da PF tucana era filiado ao PSDB, ia prender quem? Prender grandes empreiteiros, quando isso foi visto? Devassar a quadrilha que desde sempre saqueou a Petrobras, pela primeira vez! Aí, passam a dizer que esse partido, o primeiro a botar a pilantragem na cadeia, é um partido de pilantras. 

A oposição do PSOL é válida, necessária e respeitável, mas quando se governa um país deste tamanho, o discurso e a prática mudam, ou não se muda nada. Os aproveitadores e ladrões chegam aos montes, do porteiro do prédio da estatal ao presidente da empresa, do enfermeiro que rouba esparadrapo ao diretor do hospital que desvia milhões, passando pelo médico que frauda plantão. 

Ser estilingue é fácil, difícil é ser vidraça. E ainda têm as mentiras espalhadas na internet, tipo Dilma vai inaugurar busto para traficante executado na Indonésia. Dizem até o local e a hora. É mole?