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quarta-feira, 23 de abril de 2014

O santo e o revolucionário

São Jorge, venceu o dragão e habita no coração dos cristãos...



Simón Bolívar, venceu o colonizador espanhol e mora na alma dos latino-americanos...

domingo, 20 de abril de 2014

Fábula da eleição 2014

Foto: Marcelo Migliaccio

_ Alá, alá, alá, Marina, olha lá quem tá ali!

_ Tô vendo, Campos, não precisa você me dizer. Isso, aliás, é uma questão que nós vamos ter que discutir dentro de um planejamento futuro para novas atitudes dentro de um contexto de sustentabilidade da aliança.

_ Tá bom, Marina, tá bom. É a Dilma, alá, convencida como sempre.





Foto: Marcelo Migliaccio

_ Ahá, uhu! A Petrobras é nossa! Ahá, uhu!





Foto: Marcelo Migliaccio

_ Alá, Marina, o Aécio foi falar com ela. Aposto que ele vai zoar!

_ Ô Campos, vamos definir prioridades, você precisa se convencer de que eu não sou cega. Tô vendo, pô!





Foto: Marcelo Migliaccio


_ Aí, Dilma, a coisa vai ficar feia pro seu lado. Tá caindo nas pesquisas, leu no Globo?

_ Não leio jornal que tem nome de biscoito.

_ O bicho vai pegar. O STF, a imprensa, vai todo mundo no rolo compressor pra vocês saírem fora. Um escândalo na manchete por dia e uma CPI por mês! Cê tá ferrada, Dilma!

_ Deixa o Lula aparecer na TV pra você ver o que é subir nas pesquisas, urubu duma figa! Espera só até a gente mostrar as obras do PAC, os médicos estrangeiros trabalhando no interior. Vou ganhar no primeiro turno. Ninguém lê jornal, nem acredita na justiça do STF.





Foto: Marcelo Migliaccio

_ Porra, negada, ela sempre vem com esse negócio de Lula!

_ Tu também, não ajuda nada com esse papinho de neto do Doutor Tancredo! Não vem pro nosso lado não, andar com você é sujeira! Nem blitz de bafômetro você enfrenta, quanto mais uma CPI... tucano disfarçado de urubu!





Foto: Marcelo Migliaccio


_ Dilma, tu vai dançar, boboca!

- Vão sonhando, vão sonhando!







sexta-feira, 18 de abril de 2014

O escorpião colombiano

Essa é a maior defesa de um goleiro em todos os tempos. E não foi numa pelada não, foi num jogo contra a Inglaterra no lendário estádio de Wembley. O nome do maluco: René Higuita.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Frente fria

Num país tropical, pode um dia cinzento ser maravilhoso?

E não um dia cinzento qualquer, pior, uma segunda-feira cinzenta.

Sim, pode...

... se você é um pássaro.

Foto: Marcelo Migliaccio

E se tem companhia pra cruzar o deserto de certezas em que vivemos...

Foto: Marcelo Migliaccio

Uma manhã cinza de segunda-feira é tudo que os pássaros precisam, já que os homens estão ocupados demais correndo para o abismo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Eu disse muitos pássaros? Muitos foi pouco para a manhã cinzenta de segunda-feira.

Foto: Marcelo Migliaccio

Fragatas e mais fragatas num balé sobre a enseada de Botafogo...

Foto: Marcelo Migliaccio


Fragatas no céu e mergulhões no mar, invisíveis aos que, engarrafados, são incapazes de olhar para o lado.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mesmo ali bem perto, não notam a paisagem diferente da manhã cinzenta.

Foto: Marcelo Migliaccio

E há muita coisa diferente no ar.

Foto: Marcelo Migliaccio

Pequenos seres, capazes até de colorir uma segunda-feira cinzenta.

Foto: Marcelo Migliaccio

Para os urubus, todo dia é dia de vitória do Flamengo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Arquibancadas lotadas de rubro-negros em festa, não num domingo de sol, mas numa segunda-feira cinzenta.

Foto: Marcelo Migliaccio

E viva a diferença!

Foto: Marcelo Migliaccio







domingo, 13 de abril de 2014

A Máquina

Com 12 anos de idade eu tinha um ídolo.


Um craque diante de quem Maradona uma vez ajoelhou para beijar-lhe os pés. Sim, Maradona, o gênio arrogante da bola, reverenciou humildemente Roberto Rivelino num camarote do Sambódromo

Rivelino jogou no melhor time do Fluminense que eu já vi. A Máquina de 1975-76. O mais importante, todos esses jogadores eram do Fluminense, não eram da Unimed. Alguns, tinham o mais verdadeiro amor à camisa, como o zagueiro Edinho, aquele que eu mais vi honrar a camisa tricolor.


Hoje, se o Fluminense ganha ou perde, não estou nem aí. Quem conheceu aquele futebol não vê graça neste de hoje, de clubes insolventes escravizados pela televisão, de estádios vazios ou cheios de mauricinhos e patricinhas, de camisas lendárias estupradas por anúncios horríveis, de jogadores sem vínculo afetivo nenhum com a camisa que vestem.

Prefiro lembrar dos gols históricos que eu vi o Rivelino fazer, como esse, contra o Vasco, depois de passar por três defensores, um deles castigado com um drible humilhante. O toque final, deslocando o excelente goleiro argentino Andrada, foi a cereja do bolo.


Isso é que era futebol.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Texto publicado em 2009

O governador do Rio, Sergio Cabral, ficou atônito com a explosão de violência no último sábado. Uma de suas primeiras preocupações foi tentar tranquilizar o mundo quanto à Olimpíada e aos jogos da Copa do Mundo na cidade.

_ Avisei ao Comitê Olímpico Internacional que a coisa não é fácil, que é um trabalho de médio e longo prazo, mas que durante os eventos esportivos podemos colocar 40 mil policiais militares, civis e federais nas ruas e garantir a segurança. Vamos continuar nesta linha de enfrentamento do crime organizado.

Crime organizado? Milhares de jovens banguelas, de chinelo de dedo, viciados em cocaína e crack com fuzis na mão é crime organizado? Para mim, trata-se apenas do resultado de um país que não se preocupou com seu povo por cinco séculos. E uns ingênuos ainda dizem que a culpa é dos maconheiros, porque a necessidade de culpar alguém é maior que a razão.

O mundo pode até ter fingido que engoliu as explicações do governador, mas quem vai tranquilizar os cariocas? Vivemos aqui o ano inteiro e não apenas nos dias seguros de Copa e Olimpíada. Depois de tanta euforia midiática pela escolha do Rio como sede olímpica, eis que a realidade se mostrou novamente de forma virulenta e mais midiática ainda. Um helicóptero da PM abatido a tiros de grosso calibre, dois policiais mortos carbonizados e outros quatro feridos. Cerca de dez ônibus incendiados em vários pontos da cidade, graças a Deus, desta vez vazios. Mais de 20 horas de tiroteio no bairro onde nasceu Noel Rosa, Vila Isabel.

O discurso de que as competições internacionais trazem divisas nunca me convenceu. Eu estava quieto para não bancar o estraga prazeres, mas o Brasil precisa comer muito feijão com arroz para poder bancar o país de primeiro mundo como está querendo. Precisamos de muita escola, muito emprego, muita universidade, muito alimento, muito mais atenção com a cabeça das nossas crianças... muito mais do que tem sido feito pelos nossos governos. Foram 500 anos de baderna, exploração, egoísmo, roubalheira, discriminação. Isso não se conserta com meia dúzia de obras para uma competição que vai durar 40 dias daqui a sete anos. Vão despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas para as competições de remo? Que bonitinho... Quem mora ali vai adorar mesmo.

Mas e o lixão de Caxias, onde crianças catam dejetos para sobreviver? E as carceragens insalubres onde criminosos são aontoados sem qualquer chance de recuperação? E as milhares de adolescentes grávidas nas favelas, insufladas pelo sexisimo inconsequente da televisão? E os professores e médicos ganhando miséria? E as lan houses abarrotadas de adolescentes embotados? E os hospitais sem atendimento? É muita coisa, não dá para varrer para debaixo do tapete, como mostraram as imagens da guerra do Morro dos Macacos. Não adianta se emperequetar, nossa calça está rasgada.

As labaredas dos combates na Zona Norte do Rio nos acordaram do sonho olímpico. Vivemos sobre um paiol de pólvora e de vez em quando ele explode, cada vez menos de vez em quando. Certamente, durante os dois eventos internacionais, tudo estará em paz, milimetricamente vigiado para que quem tem direito ganhe seus milhões numa boa. Depois... bom, aí seremos nós, habitantes do Rio, novamente frente a frente com nossos fantasmas.