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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Crivella trucidou Pezão na Globo

Assisto a debates entre políticos desde 1989, quando, maravilhado depois de uma longa ditadura militar (todas são longas), vi lado a lado Brizola, Maluf, Lula, Ronaldo Caiado, Aureliano Chaves, Mario Covas, Ulysses Guimarães, Afif e Collor.  Foi lindo ver figuras tão representativas das diferenças da sociedade brasileira ali, discutindo idéias depois de tão tenebroso período de obscurantismo.

Mas a surra verbal que Marcelo Crivella deu ontem à noite em Luiz Fernando Pezão para mim não tem comparativo. Talvez só a que Sergio Cabral deu na inconsistente Denise Frossard se aproxime desta. Foi uma lavada. Dono de uma das melhores oratórias do cenário político brasileiro, o senador e candidato ao governo do Rio, pra mim, ganhou ontem a eleição. Se eu fosse vidente, acertaria os números da Mega Sena, claro, mas acho que Crivella será eleito, quebrando assim o paradigma de que candidato evangélico não ganha eleição majoritária no Rio.

Nervosíssimo, Pezão perdeu cedo as estribeiras. Já na segunda ou terceira pergunta, chamou Crivella de  "bispo" e, logo depois, de mentiroso. Seu adversário, no entanto, não se abalou. Contestou firmemente a acusação _ como Dilma deveria ter feito com Aécio no debate da Record _ e seguiu em frente. Lívido, em certos momentos Pezão mal conseguia falar.

Ah, lembrei de outra descompostura histórica em debates: Mario Covas desancando Guilherme Afif, na mesma eleição histórica de 89. Isso, Pezão ontem ficou com cara de Afif.

Crivella desviou-se com maestria quando Pezão o chamou de "testa de ferro" do bispo Edir Macedo, o líder da Igreja Universal e tio do senador. Disse que sua campanha foi mais modesta que a do pupilo de Sergio Cabral, citando inclusive a palavra mágica que marcará para sempre o atual governo estadual: helicóptero. Numa das muitas jogadas de mestre feitas durante a noite, afirmou que, enquanto doentes no interior do Estado morrem por falta de transporte aéreo para a capital, aeronaves foram usadas para levar pra lá e pra cá o cachorrinho da mulher do ex-governador.

Isso sem falar na triste lembrança, mencionada oportunamente, de Cabral e sua curriola de empresários "em Paris, dançando na boquinha da garrafa com guardanapos na cabeça".

Quando conseguia articular alguma resposta à saraivada de críticas, Pezão levava outro toco. Como quando disse que a PM, cuja cúpula está envolvida num escândalo de propinas, será um espelho dele se vencer.

_ Mas ele já é o governador. A PM já é um espelho dele _ rebateu o "bispo".

Nem a propalada atuação durante as enchentes na região serrana, um dos pilares de seu discurso, Pezão conseguiu salvar do desastre de uma noite que ele jamais esquecerá.

Crivella tem uma capacidade invejável de citar números. Não gagueja, não se confunde, mescla ironias com questionamentos embasados. Pezão ficou atordoado. Tentava repetir seu discurso do horário eleitoral, só faltou pedir: "bença, mãe; bença, pai". Tinha diante de si, no entanto, um adversário disposto a aproveitar a audiência da emissora líder para ganhar a opinião pública.

Acho que Crivella está eleito.

Se governará bem ou mal é outra história. Só o tempo dirá. Mas que ontem ganhou de goleada, é indiscutível.

Foto: Marcelo Migliaccio
Pezão quase perdeu a cabeça...

Uma correção: disse no início do texto que acompanho debates políticos desde 89, mas comecei antes, em 82, ano em que vi Sandra Cavalcanti obrigar Miro Teixeira a assinar, diante das câmeras, uma declaração em que a acusava de ter atirado mendigos no Rio da Guarda, quando foi secretária de Carlos Lacerda. Enquanto ele a acusava no debate, ela escrevia num papel. Tão logo foi lhe dada a palavra, ela estendeu o papel para Miro assinar. Ele assinou e ela prometeu processá-lo.

Até hoje não sei no que deu. Provavelmente, em nada.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Cadê?

Naquele dia, o Rio amanheceu diferente. Nada grave, só que a paisagem sumiu…

Foto: Marcelo Migliaccio



A praia sumiu… O casal foi curtir um sol, mas cadê o mar?

Foto: Marcelo Migliaccio


Vai ser difícil conferir o troco.

Foto: Marcelo Migliaccio



Para os turistas, uma lástima. Fotos com fundo infinito na Cidade Maravilhosa não dá.

Foto: Marcelo Migliaccio



Não é bem isso que eu chamo de descansar à sombra de um coqueiro.

Foto: Marcelo Migliaccio


Na ciclovia, luz baixa ao cruzar veículo.

Foto: Marcelo Migliaccio



E, na pista, agora é assim que caminha a humanidade.

Foto: Marcelo Migliaccio



Que cidade é essa?

Foto: Marcelo Migliaccio



Copacabana Palace ou London Palace?

Foto: Marcelo Migliaccio


Quem mora lá no alto, acordou nas nuvens.

Foto: Marcelo Migliaccio

E o Altíssimo, então, nem se fala.

Foto: Marcelo Migliaccio


Ir a Roma e não ver o Papa ainda vá lá, mas subir ao Corcovado e mal ver o Cristo, ninguém merece.

Foto: Marcelo Migliaccio


Pelo menos, tinha alguém de braços abertos.

Foto: Marcelo Migliaccio


Vale tudo pra fazer um programa furado valer a pena, até um salto ao estilo Barishnikov.


Foto: Marcelo Migliaccio


Bela vista!

Foto: Marcelo Migliaccio


Uma fresta de paisagem é motivo de festa.

Foto: Marcelo Migliaccio

Um close do fotógrafo arrojado.

Foto: Marcelo Migliaccio


Olha o passarinho...

Foto: Marcelo Migliaccio

Depois dessa, só resta o caminho do aeroporto...

Foto: Marcelo Migliaccio


terça-feira, 21 de outubro de 2014

O bicho vai pegar

Os institutos de pesquisa vinculados às empresas privadas de comunicação (já famosas por seu anti-petismo) começam a esvaziar seus balões de ensaio e já dão Dilma à frente de Aécio, lugar onde ela sempre esteve a despeito da tradicional manipulação de dados em períodos pré-eleitorais.

Isso torna o debate de sexta-feira, na Globo, a última chance para o candidato do PSDB atirar lama sobre a presidente. O Aécio Paz e Amor do debate da Record não estará presente. Podem esperar aquele candidato agressivo e injurioso que fez Dilma passar mal após o encontro no SBT.

As últimas denúncias do envolvimento de tucanos nos esquemas do doleiro Yousseff também contribuem para o desespero no ninho do PSDB.

Dilma tem a obrigação de ser forte, manter a serenidade, mas reagir firmemente quando for chamada de "leviana" ou "mentirosa". Ela não pode entrar no jogo de Aécio e se descontrolar. Deve, no entanto, estar preparada para um embate desleal, onde sua tranquilidade será a arma mais eficaz.

Como está perdendo a luta por pontos, o tucano vai para o tudo ou nada. Sua única esperança é tentar um nocaute. Dilma só tem que ficar calma, pois as balas de seu adversário são de festim.

No debate da Record, quando os dois candidatos centraram suas falas nos planos de governo e nas realizações passadas, a superioridade de Dilma ficou patente, tanto que sua vantagem nas pesquisas teve que ser admitida pelo Datafolha um dia depois. Sem chamar a presidente de mentirosa e classificar o PT como um partido de ladrões, sobra pouco no discurso de Aécio. Só promessas sem consistência que o próprio passado tucano e as características de seus aliados se encarregam de esvaziar.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A tática de Aécio

Aécio descobriu como desestabilizar Dilma, que ontem até passou mal após o embate no SBT. Ele usa a tática da criança de cinco anos. Qual? Dizer que tudo "é mentira". Aí, não dá pra discutir. Ele acusa o PT sem parar e breca todas as discussões sobre seu passado ao dizer que a adversária mente.

Todos nós já nos deparamos com uma pessoa assim, seja no bar ou na fila do supermercado. É aquela pessoa com a qual simplesmente não dá pra discutir.

Às vezes, o menino de cinco anos faz cara de coitadinho e diz que se arrependeu. De dirigir alcoolizado, por exemplo. Quando as acusações na Petrobrás espirram no colo do seu partido, ele desvia e logo volta ao ataque:

_ Então agora o denunciante tem crédito?

Aécio, como um lutador que não quer lutar, apela ao clinche para cansar o adversário. E quando este está esgotado de tanto tentar se livrar dos agarrões, ele parte para a sessão de golpes. Há ladrões do lado dele também, mas isso não importa, o que vale é dizer que o PT assalta o país. A imprensa faz eco. Nem na queda de pressão dela ao vivo, diante das câmeras, o jornal que tem nome de biscoito acredita ("Dilma diz que tem queda de pressão", é a manchete). O Tribunal de Contas de Minas tira do ar a página com o rombo de Aécio na saúde. É o turbihão para mover milhões de cabeças. Exatamente como foi com Collor em 1989.

Cheio de energia, Aécio demonstra que vai manter a pressão até o dia da eleição.

_ É mentira! Vocês assaltam o país!

 Dilma está, como ele mesmo disse, à beira de um ataque de nervos. Não sabe mais se apresenta suas propostas ou mostra as contradições adversário. Ela já repetiu seus argumentos à exaustão. Mas do outro lado vem sempre a mesma ladainha:

_ É mentira! Vocês assaltam o país!

Dilma precisa se indignar ao ser chamada de mentirosa. O que é isso, candidato? É uma ofensa moral repetida a todo momento. E não pode aceitar que ele diga que seu partido rouba. A generalização tem que ser contestada com ênfase. Ela tem que dizer quantas vezes for necessário. Seu adversário não tem vergonha de repetir afirmações, então Dilma também não pode ter.

Não dá pra discutir com um cara assim. Mas também não dá para deixar um cara assim sem resposta.