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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Há males que vêm para o mal

Acredite se quiser: foi até bom que o Imperador Cunha tenha conseguido aprovar a redução da maioridade penal. Agora, todos verão que não vai adiantar nada. As cadeias ficarão mais cheias, as quadrilhas usarão gente ainda mais nova, as instituições para menores continuarão negligenciadas pelos governos, å educação pública seguirá uma vergonha, os pais lavarão novamente suas mãos e a nossa usina de violência continuará a todo vapor, despejando porcaria na cabeça das crianças desde cedo.

E não adianta culpar o Imperador nem seus súditos na Câmara. O Congresso é assim porque o brasileiro é assim. Eles fizeram a vontade da maioria que os elegeu e que pede a inócua redução da maioridade segundo todas as pesquisas de opinião.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

E agora, José?

A decisão tomada ontem na Câmara, apesar de apertada, foi a parte mais fácil. Agora vem a mais difícil: identificar por que crianças e adolescentes estão praticando crimes cada vez mais cruéis. É hora de combater a cultura da violência na mídia, a impunidade na Justiça e também de tornar digna a educação no Brasil.

Não dá pra continuar passando MMA, UFC e esses filmes sanguinários pra criança ver na TV. Nosso Judiciário tem que deixar de ser 3P (só prende se for preto, pobre ou petista) e é preciso investir ainda mais nos professores e nas escolas.

Senão, daqui a mais dois ou três crimes hediondos, a pressão para baixar a maioridade penal voltará ainda mais forte.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Anatomia de uma derrota

OS 7 A 1

Empresários mandando nas peneiras (Alemanha 1 a 0)
Clubes dependentes da televisão (Alemanha 2 a 0)
Federações em conluio com a CBF (Alemanha 3 a 0)
Violência das torcidas organizadas sem punição (Alemanha 4 a 0)
Ingressos caros que o povão não pode pagar (Alemanha 5 a 0)
Jogadores sem relação afetiva com clubes (Alemanha 6 a 0)
Salários e negociações fora da realidade (Alemanha 7 a 0)

Tradições do passado (Gol de honra do Brasil)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sol, lua, sol, lua...

Ainda ontem, vi um senhorzinho caminhando na rua, a passos vagarosos, cabelos brancos, meio calvo. Reparo bem nos seus olhos por trás das lentes dos óculos e sinto uma familiaridade. Examino ainda mais e vem aquela familiaridade.

Acho que conheço. Terá sido meu professor? Ou um vizinho em cujas janelas eu chutava desastradamente a bola? Avô de um coleguinha? Não sei, faz tempo e eu devia ser muito pequeno pra lembrar dele agora, com exatidão.

Quem será mesmo esse velhinho tão familiar?

Antes que eu tome coragem para perguntar, o ancião entra num táxi com dificuldade, mas é aí que vem a surpresa. Pelas pernas arqueadas para o mesmo lado, tipo Garrincha, reconheço.

É o Tunico! Sentava na carteira ao lado da minha durante todo o ginásio...

Aquele senhorzinho é da minha idade! O tempo passa e a gente não vê no espelho...