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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Nem Freud explica

O advogado e ex-preso político André de Paula fala de sua paixão pelo America durante o jogo que marcou a volta do tradicional clube à primeira divisão do futebol do Rio de Janeiro.



Assista também aos documentários: 
Paixão Rubra  
O Outro Lado da Bola

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A igreja dos escravos

No interior do Maranhão, um neto de escravos apresenta aos turistas a igreja construída pelos negros para rezarem suas missas no tempo da escravidão. A travessia no mar revolto que separa Alcântara de São Luís, no entanto, é feita em barcos precários, o que torna o programa um desafio.



Leia:
Por dentro do Maranhão

domingo, 20 de agosto de 2017

Chacrinha póstumo

Divulgação

A idade é fogo. Não sou tão velho quanto esse chavão mas a cada dia sinto com mais força que o tempo passa. Pode ser ao me deparar com as rugas na frente do espelho (por isso nunca olho com os óculos de leitura), na falta de fôlego para praticar esportes (inclusive o de alcova), ao ouvir os estalos implacáveis das articulações ou até vendo televisão.

Isso mesmo, vendo TV. Outro dia, o zapear me colocou frente a frente com um programa do Chacrinha, já na fase da Globo, sua última emissora. Assistindo àquela zorra pré-histórica, me dei conta de que quase todo mundo ali já havia morrido. A começar pelo apresentador, o Velho Guerreiro, que deu sua última buzinada em 1988. Entre as suas atrações naquele dia, estava o cantor Agepê (morto em 1995). No júri, o cabeleireiro Silvinho (1989), Jece Valadão (2006), Elke Maravilha (este ano). Isso sem falar no ajudante de palco, o Russo, que também morreu em 2017.

Adesista que era, Chacrinha promovia na época o então presidente José Sarney, aquele da inflação a 80% ao mês, hoje um cadáver político. Nem os anunciantes da atração escaparam, já que as empresas do merchandising não existem mais.

E não me dei ao trabalho de especular sobre as garotas que se espremiam no auditório. Claro, eram jovens mas a "indesejada das gentes", como dizia o finado Manoel Bandeira (ido em 1968), não escolhe idade. Poeta ou político, rico ou pobre, atleta ou sedentário, homem, mulher, gay, ninguém escapa. Não deixa de ser um consolo.

Só é de se estranhar que no intervalo do programa reprisado não houvesse um único anúncio de plano funerário...

Ah, o nome do canal?

Viva.


LEIA TAMBÉM:


Ao terminar esta crônica fico sabendo que hoje morreu Jerry Lewis, que tanto me deu um dos maiores prazeres da vida, o riso.





sábado, 12 de agosto de 2017

Por dentro do Maranhão

Cinco horas viajando pelo interior do Maranhão rumo aos deslumbrantes lençóis, paisagem única no planeta e que atrai turistas do mundo inteiro. Mas dessa maravilha vou falar nos próximos posts. Primeiro, o Brasil que encontrei pelo caminho. Um povo extremamente pobre, com a desesperança no olhar.


Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Um chinês ou japonês poderia dizer que os maranhenses têm todos a mesma cara. De fato, o tipo físico moreno predomina. É um povo cafuzo. O triste olhar também. E pensar na opulência da família Sarney, com suas propriedades infinitas e suas pensões milionárias. A fortuna calcada na fome e na falta de oportunidades para a maioria. O que mais choca é a dificuldade que muitas pessoas têm de se expressar e de compreender. 

Foto: Marcelo Migliaccio

Claro, mulheres são mulheres em qualquer lugar.

Foto: Marcelo Migliaccio

E a mais antiga arte humana continua, também aqui, aproximando corações.

Foto: Marcelo Migliaccio

A bagunça urbana me lembrou Caruaru ou Duque de Caxias.

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Com tanta carne dando sopa nos açougues sem refrigeração de Morros...


Foto: Marcelo Migliaccio


 ... não é estranho que os urubus passeiem pelas ruas contemplando artigos de luxo. 



Foto: Marcelo Migliaccio

O ônibus escolar cumpre sua missão com honras mas sem glamour.

Foto: Marcelo Migliaccio

E a beleza desfila se protegendo do sol abrasador do inverno maranhense.

Foto: Marcelo Migliaccio

Hora de partir para Barreirinhas, próxima parada.

Foto: Marcelo Migliaccio

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

"Pô! Que mentira, pai!"

O jornalista Nelson Brandão conta como, por duas incríveis coincidências, foi testemunha ocular do desabamento do elevado Paulo de Frontin e do naufrágio do Bateau Mouche. A série Fora de Pauta é veiculada por este blog e pelo site Conexão Jornalismo.


Duração: 18m32
Entrevista a Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Produção: MCE/Blog Rio Acima e Conexão Jornalismo

domingo, 30 de julho de 2017

Até o Manequinho parou de fazer xixi

A semana não foi boa para o Botafogo. Dois ex-jogadores morreram, Max e Perivaldo, e o time levou uma virada histórica do São Paulo em casa, 4 a 3. Talvez por isso, o tradicional Manequinho tenha interrompido sua micção mítica.

Foto: Marcelo Migliaccio

Eu poderia ser torcedor do Botafogo. Cresci perto da sede da Rua General Severiano, vendo Marinho Chagas, Carbone e Nei Conceição de perto. Mas quando mudei pra lá meu coração já havia sido arrebatado por Félix, Lula, Manfrini e outros craques do Fluminense. O que não me impedia de admirar a suntuosa sede do alvinegro.


Foto: Marcelo Migliaccio


E seus ídolos imortais... meus também.


Foto: Marcelo Migliaccio

Claro que durante toda a adolescência eu gozei meus amigos botafoguenses por causa do jejum de títulos que durou 21 anos. Contava em coro e depois cantava "parabéns pra você" antes dos confrontos no Maracanã. Foi um tempo difícil, quando até a histórica sede de General Severiano foi vendida por um presidente, inclusive, cujo pai é homenageado no pé da estátua do Manequinho.



Pés, aliás, muito tem trabalhados pelo artista plástico Belmiro de Almeida. Seu original foi roubado em 1990 e esta réplica foi feita por Amadeu Zani. O time não poderia ficar seu seu mascote desde 1957 e a cidade sem um de seus mais tradicionais símbolos. Se bem que Belmiro se inspirou numa escultura semelhante, na Bélgica. Mas, se o hino do America é um plágio feito por Lamartine Babo, por que o mascote do Botafogo também não pode ser cópia?
A obra belga
O mascote alvinegro


Há divergências quanto à data, 1908, como diz a Wikkipédia, ou 1911, como está no pedestal? Há coisas que só acontecem com o Botafogo...


Foto: Marcelo Migliaccio

Há quem diga que o Manequinho lembra Garrincha quando criança. É, pode ser. Garrincha nasceu em... Pau Grande, afinal. E Manequinho foi retirado de seu lugar original, a Praça Marechal Floriano, no Centro, em 1927, por "afrontar os bons costumes", coisa que Garrincha fazia com seus marcadores dentro de campo.


Foto: Marcelo Migliaccio

A fonte quase sempre generosa refresca turistas no verão, dá banho em mendigos e também pode alimentar mosquitos da dengue. Ninguém é perfeito.

Foto: Marcelo Migliaccio

Talvez, nesta semana de luto para o Glorioso, o Manequinho, interrompendo seu xixi histórico, tenha prestado uma comovida homenagem aos ex-ídolos que foram para a morada do sol.

Foto: Marcelo Migliaccio