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domingo, 21 de dezembro de 2014

Bukowski de trenó

Quando a hipocrisia e a ferocidade do ano inteiro se transformam numa fraternidade meia boca e num consumismo esquizofrênico, Charles Bokowski nos traz de volta à realidade:

"Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos."


Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O declínio do império americano

No momento em que os EUA reatam relações com Cuba depois de um bloqueio genocida de 52 anos, vale a pena ver o excelente filme Homens, Mulheres e Filhos, que mostra a que ponto de degradação existencial chegou a sociedade norte-americana. Um caminho, aliás, que nós, brasileiros, estamos seguindo, colonizados que somos.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Paredes não têm só ouvidos

Nos filmes e nas novelas, antes que alguém faça uma confidência, sempre surge o alerta, dado pela velhinha ou pelo mordomo:

_ Cuidado, as paredes têm ouvidos…

Todo mundo sabe que têm, principalmente nas grandes empresas…

Mas uma parede que tem olhos eu nunca tinha visto. Um anônimo deixou esta obra de arte num casarão em reformas aqui no Rio.

Foto: Marcelo MIgliaccio

domingo, 14 de dezembro de 2014

Histórias da esquina

Já tinha visto virarem nome de rua políticos, artistas, militares, latifundiários, médicos, advogados, nobres, atletas… mas foi a primeira vez que vi um cara virar nome de rua por ser genro de alguém.



Que méritos teria esse genro para merecer tal honraria? Seria a filha do barão um fardo tão pesado que justificasse tal presente ao obscuro Alberto de Campos? Provavelmente nunca saberemos, porque os historiadores não costumam investigar com tanta profundidade. E a profissão do genro? Seria tão irrelevante a ponto de não constar na placa? Será que ele passava o dia na praia jogando frescobol?

Ainda intrigado com o nome daquela rua de Ipanema, saí à procura do Barão cujo prestígio era tão grande que levava até seus contraparentes à glória.

E, como estamos no Rio, fui achar o Barão de Ipanema em… Copacabana!



Lá estava ele, plantado numa esquina da Avenida Atlântica, com vista eterna para o mar. E aí vieram novas surpresas: ele não era o primeiro, mas o segundo barão, seja lá o que isso significar.  Se ele era o segundo, o vice, quem teria sido o primeiro barão? Talvez o do Rio Branco, que até teria, no futuro, o rosto estampado em cédula

E mais, segundo a placa, o Barão de Ipanema era um barão "com grandeza". Teria ele um metro e noventa de altura, dois metros?


Lapsos da História...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O guarda Tom a postos!

Nunca vi estátua de roupa, mas em se tratando de Tom Jobim, tudo é permitido. Só que não precisavam vestir o genial maestro com a farda da Guarda Municipal.

Foto: Marcelo Migliaccio


Conjuntinho cáqui sem vergonha. O Rio é uma cidade pródiga em estátuas. Daqui a alguns anos, não se dará um passo sem esbarrar num maganão de bronze. Apurei nos subterrâneos da prefeitura que o próximo a ser eternizado é o técnico Joel Santana. Sua estátua será fincada diante do consulado dos Estados Unidos, numa homenagem ao treinador pela divulgação da língua inglesa pelo planeta…

No caso do Tom, a mesma fonte da prefeitura, nada confiável, diga-se, assegurou-me que é uma estratégia para afugentar pivetes do Arpoador. Uma espécie de espantalho. Os moleques olham de longe e acham que tem um guardinha vigiando a área. E aí vão roubar celular bem longe, lá no Posto 9…

Como nem um colosso de bronze consegue carregar um piano nas costas, colocaram um violão no ombro do maestro. Em vez de descer o cassetete no pivete, o guarda Tom dará com o violão no lombo do pequeno meliante.

A inauguração teve música à beira-mar...


Foto: Marcelo Migliaccio


E os músicos, principalmente o pianista, sentiram na mufa a força do sol no verão.

Foto: Marcelo Migliaccio


Foi uma festa tipicamente carioca, ou seja, uma zona.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas, vem cá. É o Tom Jobim mesmo? Fiquei em dúvida entre Tarcísio Meira e Adam West, aquele Batman dos anos 60...

Foto: Marcelo Migliaccio



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A Lua roubou a cena

O que brilha mais que 3 milhões de lâmpadas?

Foto: Marcelo Migliiaccio


 Fui ver a árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, que este ano me parece mais modesta. Algum executivo do banco deve ter aparecido na reunião com aquele vaticínio que ninguém gosta de ouvir numa empresa:

_ Temos que enxugar os custos.

Todo mundo em volta da mesa gelou, mas ele desta vez queria podar só a árvore de Natal e não a folha de pagamentos. Ufa!

O resultado é que a variação de cores agora é menor e os desenhos logo se repetem. Também não vi o chafariz que jorrava da gigantesca construção no ano passado. Deve ser a seca em São Paulo, a locomotiva do Brasil…

A árvore mudou, mas a multidão em volta do espelho d'água continua a mesma. Muita, muita gente disparando seus celulares. Criança correndo, casais fazendo juras de amor eterno, vendedor de cachorro quente com salsicha ou linguiça. Vai?

Foto: Marcelo Migliiaccio


Mas eis que de repente…

Um assalto? Não. Não desta vez.

Sai de trás dos montes a dama da noite, nosso satélite natural preferido: a Lua, uma super-lua de verão.

Foto: Marcelo Migliiaccio


Isso sim é que é brilho. Não é jogada de marketing de banco nenhum. Um brilho genuíno ao qual infelizmente nos acostumamos, mas que deveria ser reverenciado sempre que se mostra com tal magnitude.

A multidão que só enxergava a árvore, deveria virar-se para o outro lado e dedicar uma salva de palmas à maravilhosa Lua.

Foto: Marcelo Migliiaccio