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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Por que a Mangueira ganhou?

Foto: Marcelo Migliaccio


No carnaval da crise, tinha que ganhar a mais popular. Sem o dinheiro dos barões do bicho ou de governos e empresas a fim de promoção, a campeã foi a escola de samba mais famosa do mundo, a Mangueira.

A Mangueira é do morro da Mangueira. A Mocidade não é da favela da Mocidade, é da Vila Vintém. Sem os milhões de Castor e seus herdeiros, quase caiu.

A Portela também é tradicional, mas a Mangueira nunca rachou. E da Portela nasceu a Tradição, que por sinal, já desapareceu.

A Beija-Flor e a Imperatriz dependem dos Abraão David e do Luisinho Drummond. A Mangueira nunca teve bicheiro mecenas. Nunca teve um Miro, um Maninho, que fizeram do Salgueiro uma super escola de samba. E super não combina com samba. A Mangueira não tem dono, sempre sobreviveu nos braços da sua gente. Sua rainha de bateria mora no morro, não é uma nissei famosa importada de São Paulo. Nem a Galisteu, a Brunet, a Luma... é só a garota que arrasou no Buraco Quente.

Sobreviver assim, na raiz do samba, não é fácil. Que o diga o Império Serrano...

A Vila Isabel tem Martinho, teve Noel... que até fazem um páreo duro com Cartola e Carlos Cachaça, os intelectuais da Mangueira. Mas nenhuma escola terá um casal de mestre sala e porta bandeira como Delegado e Mocinha. 
Mocinha e Delegado


A Mangueira é tão carioca que fica colada no Maracanã. Não importa se o maior estádio do mundo virou um estúdio de TV elitista. A Mangueira continua povão.

No Estácio nasceu a primeira escola, mas a estação primeira é de Mangueira.

A Mangueira não investiu milhões em carnavalescos renomados, como Paulo Barros ou Rosa Magalhães. Entregou seu imaginário a um novato, um principiante. A Mangueira é diferente, sempre. Combina verde com rosa e fica ótimo.

Por isso, quando foi preciso alma, a Mangueira ganhou.





A vida imita a arte II

Foto: Marcelo Migliaccio


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Às vezes, a vida é que imita a arte

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Dirceu e Moro, frente a frente

Cada vez que Lula rebate uma marola como a do triplex que nunca foi dele, a inflação sobe mais um pouco. Quem vai no mercado sabe. UDR e Fiesp, unidas pela vitória. Eu fico me perguntando que praga, que tragédia natural ocorreu na cultura do alho, por exemplo, para que o quilo seja vendido a mais de R$ 22.


Tem tubarão com mais de US$ 200 milhões numa única conta na Suíça reclamando do "aumento da carga tributária. E o pior é que boa parte desse grande empresariado brasileiro, que comprovadamente aufere as maiores taxas de lucro do planeta, tem, em geral, mais de uma conta no exterior. Dá até arrepio pensar nessas fortunas que mortal nenhum é capaz de gastar em vida. Mesmo assim, colocar ar condicionado na frota de ônibus, nem pensar. Dentro dos caixas eletrônicos, que à noite parecem fornos, também não. E, na primeira quedinha no balanço, os acumuladores compulsivos aumentam logo seus preços e mandam um monte de empregados para o olho da rua.


A coisa, de tão trágica, está ficando até engraçada. Veja a última denúncia, esta Lula não vai ter como rebater...


Enquanto isso, o barbudo veleja em águas revoltas rumo à próxima eleição. O medo da sua vitória é tanto que, daqui a pouco, a Operação Lava Rato vai perguntar quem foi ao boteco comprar as três garrafas de Antártica que o Lula bebeu no almoço de domingo...

Lula nunca mais vai ter paz.

Agora, falando sério, a Polícia Federal precisa ficar de olho nos fascistas que prometem pela internet agredir Lula quando ele for depor, no próximo dia 17. Se acontecer a selvageria, devem ser responsabilizados, junto com os debilóides agressores, aqueles que plantaram ódio em seus cérebros de minhoca com essa lavagem cerebral antipetista na mídia.

E, graças às redes sociais (porque a grande imprensa, claro, ignorou), vale ver o depoimento de José Dirceu ao promotor Sergio Moro, dono da voz que faz as perguntas. Assista e tire suas conclusões:


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Crise mundial

É mendigo a rodo nos Estados Unidos, China com a menor taxa de crescimento em 25 anos, 20% de desemprego na Espanha, 15 milhões sem ter onde morar na França, energia 600% mais cara na Argentina, Dinamarca confiscando bens de refugiados de guerra, Inglaterra sem dinheiro para pagar aposentados... 

Esse PT só faz merda mesmo.

Foto: Marcelo Migliaccio

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A TV (e não a internet) é a cloaca do mundo

É comum a gente ouvir alguém dizer por aí que a internet é a cloaca do mundo, um templo de besteiras onde imbecis de todos os tipos vomitam suas verdades. Acho que confundiram as bolas, pois isso se aplica à televisão e não à web. A TV, sim, é onde se massifica o que a raça humana tem de pior.

Na internet, pelo menos, temos a parte boa, que é justamente aquilo que a TV não mostra, censura por interesses dos grupos políticos e econômicos que a controlam. Imbecilidade na internet divide espaço com inteligência, é possível escolher entre ambas. Já na televisão, onde estão as coisas e as pessoas legais?

A internet é um campo aberto à disseminação de boatos? Sim, mas eles são desmentidos, diferentemente da desinformação maquiavélica dos telejornais. Na web, nós mesmos nos encarregamos de desmentir as inverdades. No mundo televisivo, tiveram que criar uma lei para isso e, mesmo assim, o espaço do desmentido nunca é o mesmo dado antes à calúnia, à injúria, à difamação, à manipulação.

Os radicais, de direita e de esquerda, encontram espaço na grande rede, é verdade. Na televisão, porém, reina o pseudo-liberalismo, falsamente inofensivo, dissimuladamente ardiloso e oportunista. E não adianta mudar de canal, porque a confraria joga unida.

Crimes bárbaros, imagens horrendas? No computador, temos sempre a opção de não clicar; na TV, de repente, um desses programas policiais fascistas estraga nosso dia sem a menor cerimônia, inclusive sem querer saber se há crianças na sala. A web ensina a fazer drogas e bombas? Sim, se você quiser. Já a televisão introduz precocemente a vontade de beber álcool com anúncios de cerveja o dia inteiro.

Bancos, montadoras de automóveis, grandes produtores rurais, redes de supermercados, donos de hospitais e laboratórios, entre outros tubarões mandam nas emissoras de TV. As redes sociais não têm dono, igualam peixes grandes, médios, pequenos e miúdos dentro dos limites de uma postagem padrão.

Nos blogs, no Facebook etc temos toda a diversidade humana, da besta ao bestial. É só escolher. Na TV, nos impingem Ratinho, Faustão, Luciana Gimenez, Datena, João Kléber, Luciano Huck, Marcelo Rezende, Xuxa...

São eles que educaram e educam as bestas da web.

Na TV, só dá opinião quem for papagaio do patrão. A rede social é democrática, basta se conectar e dar seu pitaco. Quem gostou, gostou, quem não gostou bloqueia e pronto. Ninguém precisa passar pela seleção do Big Brother para participar da festa no ciberespaço.


É fato que muita gente usa as redes sociais para fingir que é um personagem idílico de novela das oito, no entanto muitos outros dizem sem rodeios o que pensam e o que sentem. Na TV não há o contraponto, tudo é fake, todos representam personagens, sempre.

A internet é revolucionária justamente por ser um ringue autêntico; a TV dedica-se a embotar o telespectador com sua previsibilidade doentia, seu eterno jogo de cartas marcadas, sua indigência mental crônica, seu mercantilismo sem limites. Onde a televisão coloca suas garras nada mais viceja. Veja o futebol e o carnaval, por exemplo. Viraram eventos televisivos sem alma, o povo foi banido, as agremiações perderam sua essência.

A televisão persegue determinados políticos e protege outros. Na internet é cada um por si. Na TV, só tucanos reinam; na web, para cada Bolsonaro há um Jean Wyllys, para cada FHC, um Lula; para cada Ronaldo Caiado, um Eduardo Suplicy.

Na internet, todos nós temos voz. Na TV, só temos olhos e ouvidos.


Foto: Marcelo Migliaccio