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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Solução para o Brasil: cadeia

Leio que o homem que matou John Lennon, em 1980, pede perdão, diz que foi um "idiota" e tenta mais uma vez sair da cadeia. Ele está preso até hoje.

Se fosse no Brasil, dois anos depois, no máximo, ele estaria livre.

Não vi até agora nenhum candidato falar na mudança do nosso Código Penal, da Lei de Execuções Penais. A cultura de ladroagem, de malandragem do povo brasileiro só vai mudar depois que muita gente começar a pegar cana de verdade. Nas ruas é comum dizer que político é ladrão, que policial é corrupto, mas de onde vêm os políticos e os policiais? Nosso povo em geral é assim: ladrão e corrupto, transgressor, mal educado. No mínimo, trata-se de um malandro que fura o sinal vermelho ou estaciona em cima da calçada. Sim, eu sei que você é honesto, tô falando do resto...

Até no futebol nossa índole aparece. Os jogadores europeus, especialmente os alemães, odeiam a mania de simular faltas que os nossos atletas têm. O alemão não tolera o Macunaíma de chuteiras. Se a brincadeira tem regras, vamos competir dentro delas, e não tentar ludibriar o juiz.

Enquanto em países decentes corruptos flagrados se suicidam, aqui eles somem até o escândalo esfriar e depois saem desfilando de Land Rover por aí. Cadê o ex-secretário da prefeitura do Rio que recentemente confessou em gravação ter conta na Suíça e receber R$ 100 mil por mês de propina? A Justiça o deixou pra lá e a imprensa convenientemente o esqueceu.

Não há tradição de punição aqui. Quem vai para a prisão, mais cedo ou mais tarde, acaba saindo. Pode ser o assaltante de padaria ou o ministro, passando pelo diretor do hospital e pelo fabricante de leite com amônia. Também saem logo o estuprador, o estelionatário e o pistoleiro de aluguel. O assassino do trânsito? Esse sai até dirigindo da delegacia.

Nos países que cultivam a cultura da honestidade, muita gente apodrece na cadeia. É assim que se ensina a um povo que roubar é feio, e não uma esperteza.

Não é questão de ideologia, nem de política partidária. A solução transcende a isso e é muito mais simples.

Cadeia. Essa é a solução para o Brasil evoluir. Enquanto a Justiça não for efetiva e o crime continuar compensando, não temos futuro.

E nunca o brasileiro vai respeitar o Brasil. Continuaremos a ser um país de patriotas de Copa do Mundo.




terça-feira, 26 de agosto de 2014

Domingo no parque

É muito candidato. Todos vão investir na educação e na saúde. Todos prometem olhar para o pobre. Nunca mais governar ou legislar só para os ricos. Todos juram honestidade. Todos exibem seu melhor sorriso. A delegada, o pastor, o zé da padaria, o tio fulano.


A mim, só resta embarcar numa nave espacial e sumir daqui…

  Foto: Marcelo Migliaccio


Rumo a uma cidade diferente, com gente diferente. Só gente verdadeiramente feliz! Se a felicidade são momentos, é aqui que eles moram.

Foto: Marcelo Migliaccio


Aqui, todo mundo tem tempo de sobra para navegar nos seus sonhos


Foto: Marcelo Migliaccio


Pois, afinal, vivem numa cidade onde a luz brilha mais que as trevas

Foto: Marcelo Migliaccio


Onde cada um tem o bastante para viver, onde acumular não é uma lei nem pisar no outro uma ordem.

Foto: Marcelo Migliaccio


Sim, eu sei que existe um lugar assim.

Foto: Marcelo Migliaccio


 Onde até um engarrafamento é motivo de alegria.

Foto: Marcelo Migliaccio


Onde chacoalhar o cérebro não é crime, nem contravenção.

Foto: Marcelo Migliaccio


Se a vida é um jogo, eu quero jogar aqui nesse lugar...

Foto: Marcelo Migliaccio


 Onde mais alguém que usa chupeta pode domar um animal feroz?

Foto: Marcelo Migliaccio

Montar um cavalo mágico...

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Bem-vindo!

Foto: Marcelo Migliaccio

domingo, 24 de agosto de 2014

Cuidado com o "fato novo"

Na TV, Aécio Neves tenta manter a animação. Diz que vai aumentar os benefícios no Bolsa Família (que sua turma chamou de Bolsa Esmola até se tocar que não dava pra criticar). O candidato do PSDB quer ganhar votos no Nordeste, onde a coisa para ele está bem difícil. Em Pernambuco, por exemplo, não passa de 5%. Prometeu também aumentar a aposentadoria. Candidato que promete isso é porque está no desespero. Aliás, você não acha estranho que o horário eleitoral tenha começado na terça-feira e  até hoje, domingo, nenhuma pesquisa tenha sido divulgada pelos grandes institutos?

Aécio faz de conta que a entrada de Marina no jogo não mexeu com ele. Logo, porém, terá que atacá-la. Prova disso foram as capas das revistas semanais da imprensa tucana. Todas estamparam a nova postulante à Presidência e o enfoque foi bem parecido. "Até onde ela vai?", "limites de sua candidatura", "radical", uma "incógnita", "banqueira bilionária comanda a campanha" etc.

Disseram até que um tal de Fábio Capilé será seu ministro da Cultura...

Ou seja, acabou a lua-de-mel. Falta pouco mais de um mês para a eleição e chegou a hora de escolher alguém para polarizar com Dilma. Aécio, claro, é a primeira opção.

Se o tucano não decolar (não será por falta de aeroporto e pode ser no jato caixa 2 do PSB), o movimento anti-PT vai de Marina mesmo. O problema é que ninguém entende o que ela fala e tão pouco o que ela quer. Os direitaços a acham radical, e os radicais de esquerda temem que, se chegar lá com o apoio dos conservadores, ela vá colocar nos dedos alianças para eles inadimissíveis. A que ponto chegou a oligarquia brasileira: está a um passo de ver o PSB, aliado histórico do PT, como sua tábua de salvação.

Os colunistas papagaios fazem coro com os analistas-amigos-da-casa-e-da-onça para difundir a idéia de que a entrada de Marina afeta mais Dilma, que estaria em queda.

Tudo conversa fiada. Pra mim, a reeleição é inevitável, e isso se torna um perigo num país como o nosso, porque vão querer inventar um fato novo na última hora para derrubar o PT a qualquer custo. Uma denúncia, um acidente, uma comoção, uma gravação, um vídeo, um crime…  a história nos mostra que a coleção é vasta. Fora o mar de lama na imprensa, semelhante ao que levou Getúlio Vargas ao suicídio.

O PT está no poder há 12 anos mas ainda é tratado como oposição pela elite brasileira. Oposição por matar a fome, chaga que permite ao explorador ser mais perverso no arrocho ao assalariado. Oposição por aumentar a classe média, algo que afronta o egoísmo e a vaidade dos devoradores de novela. Dizem que, desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu a Presidência, banqueiros e empresários lucraram muito mais, no entanto estes mesmos capitalistas jamais engolirão o PT, como mostram os relatórios públicos e privados de instituições como o Banco Santander.

No fundo, o que queriam mesmo é fazer com Lula o que fizeram com Antonio Conselheiro, Lamarca, João Cândido _ o Almirante Negro _, e tantos outros.

Fuzilar.



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A eleição acabou

Não acreditei na manchete que li.

"Marina será entrevistada no Jornal Nacional"

Êpa, mas o Eduardo Campos já foi!

Isso é justo? Foi previsto no acordo com os partidos que se um candidato morresse e já tivesse dado a entrevista seu substituto teria o mesmo direito?

Pelo princípio da igualdade da cobertura jornalística, todos os outros _ Aécio e Dilma, no caso _ deveriam ter uma nova rodada diante dos âncoras do telejornal de maior audiência da TV. Além deles, eu queria ver lá também a Luciana Genro, musa dos black blocs.

Mas minha cota mensal de leituras no site estava esgotada e não pude ler a íntegra da notícia. Fazer o quê?

O casuísmo jornalístico, no entanto, é uma faca de dois "legumes". Quanto mais deixarem a Marina falar pior pra ela. Prolixa e sem objetividade, ela quase sempre nada diz. Quais são seus projetos? Com quem vai formar maioria? Como responderá aos ataques que virão do PSDB?

O horário eleitoral fatalmente fará Dilma ganhar, talvez até no primeiro turno. Se as próximas pesquisas já não mostrarem isso o prestígio dos institutos estará novamente arranhado. Pela primeira vez em quatro anos, o governo tem a chance de mostrar na televisão, em horário nobre, o que vem fazendo. Há quatro anos a mídia martela na cabeça dos incautos que o PT é um partido de ladrões. Mas a legislação eleitoral permite  que, agora, os incautos conheçam o outro lado da moeda. Os preconceituosos não vão mudar de opinião, mas muita gente vai.

A obra que leva água do Rio São Francisco até o sertão emociona um brasileiro de verdade. Pela primeira vez, pude ver as imagens, porque a imprensa nunca mostrou. Só foi lá pra dizer que certo trecho estava atrasado. E como não se orgulhar de Belo Monte, a usina que levará energia a 60 milhões de pessoas? Se foi para aprovar obras como essas que compraram os votos da direita no Congresso, até que saiu barato.

Some-se a isso o fato de o PT ter o dobro do tempo do PSDB e quase cinco vezes mais que o... qual o partido da Marina mesmo?

Aécio está visivelmente abatido. Foi a vítima tardia do acidente que matou Eduardo Campos. Do outro lado, uma chapa que tem Marina como candidata e Erundina como coordenadora certamente vai dar chabu. Já tem cacique do PSB dizendo que não reconhece Marina como candidata.

E tem mais uma coisa: quando o Lula entra, é pra decidir o jogo. Como deve haver gente por aí que rezou para que ele perdesse a voz, me arrepio só de pensar...

Lula é como a tropa de choque da PM e o Neymar: chegam pra decidir a parada.

E olhe que muita marola ainda vai passar debaixo da ponte até o dia 3 de outubro. Antevendo mais uma derrota das oligarquias que mandaram no Brasil de 1500 até 12 anos atrás, a revista semanal que pensa que o leitor é cego, na certa, virá com "grande escândalo capaz de abalar o governo".

Provavelmente um cara qualquer jurando que viu Dilma colocar um trilhão na bolsa. Alvaro Dias, o repercutidor geral da oposição, dirá que é um absurdo e pedirá uma CPI. E o âncora que pensa que todo mundo é Hommer Simpson falará com ar grave na TV que a corrupção tomou conta do governo.

Mas, três dias depois, as páginas da revista bombástica estarão forrando gaiola de passarinho por aí. Ou embrulhando um peixe na feira.

No Rio, Lindberg e Crivella foram os melhores na sabatina no telejornal local da Globo. Aliás, três dos principais candidatos apontaram erros em perguntas feitas pela apresentadora Ana Luiza Guimarães, que, aliás, é ótima. Culpa do staff... Garotinho estava nervoso e se embaraçou com as perguntas sobre a prisão da cúpula da Polícia Civil no governo dele. Lindberg passou sinceridade no olhar e entusiasmo. Crivella manteve a calma e abandonou as falas decoradas da eleição passada. Pezão foi agraciado pela emissora parceira com uma sabatina em banho-maria. Perguntaram sobre a farra do guardanapo dos amigos de Sergio Cabral na Europa.

E o Pezão:

_ Cabral não foi fotografado de guardanapo na cabeça.

Ah, bom.

Lembrei na hora do Collor, que, depois de ser alvo de uma penca de denúncias de corrupcão feitas pelo irmão Pedro, foi à TV e só negou uma coisa:

_ Não fiz vasectomia _ garantiu seríssimo.

Lindberg vai ganhar a eleição no Rio. Fácil. Sou capaz de apostar. Vencerá Garotinho ou Crivella no segundo turno, porque não há tantos evangélicos assim por estas bandas.

Taí, vai dar Dilma lá e Lindberg aqui.

Alguém duvida?



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Jogo truncado

Hoje começa o horário eleitoral no rádio e na TV, e a eleição de fato. Agora, pelo menos numa fração do dia, o que se fala de política não será enviezado pela ótica dos interesses inconfessáveis dos monopólios dos meios de comunicação. A entrevista dos dois apresentadores do telejornal de maior audiência com a presidente Dilma, ontem, foi patética. Os dois truncaram as falas da entrevistada, interrompendo as respostas dela com novos questionamentos agressivos, uma animosidade tremenda que contraria todos os princípios de uma entrevista isenta e esclarecedora para quem assiste. Lamentável.

Isso não é jornalismo, é falta de educação mesmo. Sabe aquele chato que não deixa você falar? Pois é...

Na suas perguntas, os dois apresentadores nada mais fizeram do que repetir a ladainha do PSDB e dos comentaristas papagaios de patrão que abundam nos jornais, revistas e emissoras de TV. O apresentador chegou ao cúmulo de desfiar um corolário de supostos escândalos, muitos deles apenas marolas feitas pela mídia nos últimos meses sem respaldo algum no Judiciário, como, por exemplo, o que provocou a saída do ex-ministro dos Esportes.

Para sua audiência imbecil e lobotomizada por anos de exposição à televisão aberta, a mais perfeita invenção para emburrecimento em massa, a entrevista de ontem teve apenas o intuito de reforçar a marca da corrupção que tentam atrelar ao Partido dos Trabalhadores.

Dilma, prejudicada pelas frequentes e inoportunas interrupções de seus pseudo-entrevistadores, na verdade adversários políticos a serviço da oligarquia que dominou o país desde 1500 até 12 anos atrás, mostrou que precisa urgentemente melhorar sua retórica e sua comunicação com o público.

Ou melhora, ou perderá a eleição. A sorte da presidente é que Marina é incapaz de ser objetiva. Cada frase da complicada ecologista acreana tem em média 1.200 palavras.

Na ânsia de justificarem seus salários, os comentaristas da grande imprensa apressaram-se em malabarismos canhestros para fazer crer que Dilma perderá votos com a troca de Eduardo Campos por Marina Silva, último oásis de honestidade na cabecinha dos teleguiados.

A verdade é que Aécio ficou fora do páreo. Só terá os votos da direita mais egoísta _ a paulista _  dos cariocas devoradores de novela e dos fazendeiros mineiros e goianos. Agora, na hora do desespero, todos veremos do que o neto de Tancredo é capaz.

Marina, a alardeada alternativa impoluta a tudo que está aí, precisa reforçar seu sistema de defesa antiaéreo contra os kamikazes tucanos.

A mim, basta ela responder a apenas uma pergunta: com quem vai contar no Congresso Nacional para aprovar os projetos de seu governo, caso seja eleita? Com quem fará alianças para ter maioria?

Só isso.




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Ainda bem que vai começar