Translate

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Grandes encontros da História LXXII






50 anos da Globo? Então parabéns ao Shazan e ao Xerife, dois heróis infantis que nunca viram a criança como mercado consumidor. Mas isso foi há muito tempo...

Gozado, tanta gente com lembranças boas mas pra mim foi uma época muito traumática. Eu tinha 8 anos, a gente não podia sair junto na rua, juntava gente sempre. E eu era sempre identificado como "o filho do Xerife". "Você vai ser ator igual ao seu pai?", foi a pergunta que mais ouvi durante anos. Acho que fiquei meio traumatizado...

Uma vez, na festa da chegada de Papai Noel,  no Maracanã, os dois personagens foram aclamados no gramado do estádio. Na saída, porém, eu, meu pai e a minha mãe ficamos presos dentro do carro, envoltos por uma multidão que batia na lactaria e gritava, "Xerife!", "Xerife!". Ficamos todos apavorados, morrendo de calor ali dentro (imagine o bairro do Maracanã no mês de dezembro). Não podíamos nem abrir os vidros e o carro não andava. Nunca me esqueci do momento em que um cara colocou a boca no quebra-vento e gritou:

_ Orgulho mata, heim!

O carro foi andando devagar até se desvencilhar da turba. Foram os 200 metros mais longos e dramáticos da minha vida.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A conversa do surdo

Há um tipo novo nesse gigantesco supermercado humano que conta com mais de 7 bilhões de itens. Trata-se daquele que fala contigo ao mesmo tempo em que conversa no WhatsApp do celular. Costuma aparecer no retrovisor do seu carro, sentado no banco de trás, onde aproveita que você está de costas para manter aquele diálogo fraudulento, em que ele fala mas não presta atenção em nada do que você diz. E há ainda os mais ousados, ou adictos terminais, que não se acanham de cometer essa descortesia mesmo quando estão frente a frente com você.

Aconteceu comigo recentemente. Não uma, algumas vezes.

Uma vez foi um cara a quem eu dava carona no banco traseiro do carro. Tentei entabular uma conversa, afinal ele era a visita. Deixei-o introduzir um assunto de sua preferência. Ele escolheu o par de chifres que uma garota lhe plantou no alto da cabeça. Tudo bem, fui educado, achei que ele precisava desabafar. Disse-lhe que quem não passou por isso ainda vai passar, que ele ainda era novo, poderia participar ainda de muitas touradas... brincadeira.

Foi aí que notei que eu falava sozinho naquela minha ladainha consoladora. Ele apenas jogava algumas frases e, na minha vez de cumprir a parte que me cabia no diálogo, o infeliz lia e digitava mensagens no WhatsApp dele. Ou seja, o que eu falava ficava sempre sem uma resposta, sem um comentário do meu pseudo interlocutor. Quando ele percebia que minha fala havia acabado, erguia a cabeça e falava mais alguma coisa, dentro do mesmo assunto mas sem relação nenhuma com o que eu havia acabado de dizer. Isso ocorreu duas vezes: novamente eu dizia meu texto e novamente vinha lá de trás um silêncio que durava até ele perceber que era a vez dele falar. Na terceira vez, incomodado com aquilo, olhei pelo retrovisor e vi que ele ignorava minhas assertivas, cabeça baixa, olhos enterrados no maldito celular.

Desisti da conversa e seguimos em silêncio pelo restante do trajeto. Eu dirigindo e ele às voltas com seus chifres e seu celular.

Minha filha, outra adicta do WhatsApp, também costuma fazer isso quando está no banco de trás. Finge que conversa, mas na verdade me deixa no vácuo até que eu canse e me cale.

É um mal destes novos tempos, diferente da infidelidade, que vem de longe.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Nas asas das borboletas

Já mostrei aqui como é bela a Baixada Fluminense, dependendo do lugar, claro... e hoje convido o leitor a continuar essa viagem pelas belezas de um recanto bucólico do município de Magé.

Desta vez, o que me encantou foi o que parecia uma convenção anual de borboletas. Para minha surpresa, elas se reuniram em torno de uma única planta. Tão doce que foi capaz de fazê-las conviverem em harmonia, com suas delicadas asas de todas as cores e tamanhos, durante boa parte daquele dia agradável de outono.

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

v

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Iluminismo

Chinês é um povo fantástico mesmo. Descobriu a pólvora, a tinta, o papel, a bússola, a seda, a homeopatia; inventou a pizza, o macarrão...
E agora revoluciona novamente, criando o primeiro híbrido de pastel e cachorro quente!

Foto: Marcelo Migliaccio

terça-feira, 14 de abril de 2015

Capital x Sem Trabalho

Não havia nenhum mauricinho ou patricinha de verde e amarelo para dar apoio. Invasão é palavrão no capitalismo, e aquela gente toda, suja, mal alimentada, sem instrução, já havia sido expulsa de um terreno do governo do Rio há alguns meses. Expulsar invasor é uma especialidade da casa. Ocupar um imóvel, mesmo que abandonado e pertencente a alguém que possua dezenas de outros, é crime. Agora, eles haviam ocupado um arranha-céu na Praia do Flamengo, arrendado pelo empresário Eike Batista. Falido, o ex-Midas, o self-made man tupiniquim, abandonou o prédio em ruínas, assim como fez com o Hotel Glória, localizado não muito longe dali. 

Foto: Marcelo Migliaccio


Lá dentro, famílias que a mídia trata como invasores. Idosos sem honra, jovens sem futuro e crianças que desde cedo precisam se acostumar com as grades...

Foto: Marcelo Migliaccio


Acho que essa não é a varanda com a qual eles sonharam. Ninguém é invasor por opção, hobby, esporte...

Foto: Marcelo Migliaccio


Sem contar que a vista aqui é a pior possível.

Foto: Marcelo Migliaccio


Do lado de fora, a única coisa que o sistema se propõe a oferecer a quem não faz parte do mercado consumidor: tropa de choque.

Foto: Marcelo Migliaccio


A classe média que fica indignada com o telejornal da noite não está nem aí, muito menos os emergentes que vestem as cores do Brasil para pedir a cabeça da presidente que a maioria escolheu. Só param para olhar, e mesmo assim atrás dos ombros largos dos soldados do capital.

Foto: Marcelo Migliaccio


Antes do embate iminente, a turma da gravata e do salto alto tenta uma última solução negociada...

Foto: Marcelo Migliaccio


Eis os chefes da assistência social do governador traçando as diretrizes do seu mais novo programa de exclusão.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas a coisa parece difícil. Às vezes mocinhos e bandidos se confundem. Quem é vândalo, afinal?

Foto: Marcelo Migliaccio

A grande imprensa está lá, para produzir seus noticiários viciados.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas as pequenas mídias de guerrilha também marcam presença.

Foto: Marcelo Migliaccio


Difícil é achar alguém que aja com o coração nessas horas...

Foto: Marcelo Migliaccio


Quem riu por último na história?

Foto: Marcelo Migliaccio


Adivinhe?

Foto: Marcelo Migliaccio




"E assim nos tornamos brasileiros."

Foto: Marcelo Migliaccio








domingo, 12 de abril de 2015

Procura-se vivo ou morto

Sem ter a quem recorrer, o morador daquele pacato bairro da Zona Sul do Rio decidiu ameaçar um suposto exterminador de felinos com o simbolismo religioso africano.


Há suspeitos. Um segurança da rua e um flanelinha que há alguns meses trocou os cultos da Universal pelos pagodes da vida. Ah, um ancião também aparece, como azarão. Teria ele agilidade para agarrar o gato? Ou usou sua experiência de vida para armar uma arapuca?

Também existe a possibilidade de fuga, já que o corpo nunca foi encontrado.

Difícil especular.

Resta saber se o criminoso, que, segundo as suspeitas do dono da vítima deve andar pelas redondezas, vai acusar o golpe. E se Exu Caveira vai vingar a morte do bichano...