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sábado, 21 de abril de 2018

"Tira ele"

Um ex-presidiário de 38 anos tenta dar sentido a uma vida, marcada pela infância difícil, pela ilusão do tráfico e pela falta de oportunidades. É o novo episódio da série Brasileiros da Gema, publicada no Blog Rio Acima.

domingo, 15 de abril de 2018

Meu debut na arquibancada

Amigos, não sei se vai interessar a alguém, mas essa foto é do primeiro jogo no Maracanã a que eu assisti da arquibancada. Foi no dia inesquecível de 21 de setembro de 1975. O America carioca venceu por 3 a 0, gols de Bráulio, Cléber (contra) e Ailton, o "Negrinho do Pastoreio". E logo contra o America mineiro, meu time em Minas e que tem o uniforme mais bonito do mundo.

Graças aos Deuses do futebol, o amigo americano Marcelo Eliane Lemos achou essa foto, em que o gigante Marcão disputa a bola com o meia Renato, irmão de Amarildo, o Possesso da Copa de 1962.

Fui ao Google pesquisar sobre esse jogo perdido na minha memória e lembrei que estavam em campo o velho Fidélis pelo America do Rio e Buglê, Afonsinho e Éder Aleixo pelo homônimo mineiro. Éder brilharia na Copa da Espanha, sete anos mais tarde.

Se bem me lembro, fui com meu amigo Vitor Izecksohn, na época companheiro de jornadas esportivas, ambos no ônibus amarelinho da extinta linha 442 (Lins-Urca). E décadas depois descobri que outro amigo, Duilio Fedele, também debutou no maior estádio do mundo neste dia, numa excursão do colégio em que estudava.


Eu completara 12 anos um mês antes e um dos presentes que recebi foi a premisão de ir aos jogos menos cheios com meus colegas, sem sacrificar meu pai, que me levava nas cadeiras azuis numa prova de amor inesquecível, já que depois que eu cresci ele nunca mais foi aos estádios. O salvo-conduto, porém, só valia para partidas de pouco público, quase sempre jogos do America, time que passei a amar a partir daquela fase.

O campo visto da arquibancada era completamente diferente do que eu via das cadeiras azuis, onde não havia vibração. Lá de cima, sim, tinha-se uma visão ampla do jogo. E a miscelânea de tipos humanos me encantou. Gente de todas as classes sociais misturada naquela platéia democrática. Bem diferente de hoje, quando negros e pobres foram praticamente banidos dos estádios de futebol.

Talvez eu fosse o mais extasiado dos 7.677 pagantes daquele sábado ensolarado de céu azul sem nuvens.

Do jogo pouco me lembro. O que ficou marcado na minha memória foi a imagem do meu ídolo Orlando Lelé, com aquela camisa vermelha linda, caminhando sobre a grama verde do velho e lendário Maracanã, destruído anos depois pela quadrilha de Sergio Cabral para dar às emissoras de TV uma fria e elitista arena-estúdio.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Teatro do absurdo

Líder em todas as pesquisas de intenção de voto, Lula está preso por receber como suborno um apartamento que nunca esteve em seu nome nem de nenhum parente ou amigo. Quem nunca pisou no tal triplex do Guarujá hoje está trancado numa cela, condenado com base em fofocas de porteiros. O homem indicado para o Prêmio Nobel da Paz.
O mundo está com uma certa dificuldade para entender isso.

O Brasil hoje é uma vergonha! As pessoas com um mínimo de discernimento daqui e do exterior estão chocadas com esse absurdo jurídico, esse ódio, esse fascismo insuflado criminosamente pela mídia.

Cadê você?!

Pensa nos teus filhos. Toma uma atitude!

Não é mais com Lula, não é mais com o PT, não é mais com a esquerda! É com seus filhos e netos! Nem a eles você tem amor?

Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O olhar de Lucas

A visão e as explicações de um menino de 8 anos sobre a natureza que o cerca na zona rural do Rio de Janeiro.


domingo, 18 de março de 2018

De onde surgiu tanto fascista?

Para mim, a resposta é simples. As crianças dos anos 1990 e 2000 cresceram. Cresceram vendo televisão, na maioria das vezes sem alguém por perto que as esclarecesse sobre absurdos veiculados em horários matutinos e vespertinos. Quem tem filhos sabe que a TV funciona para eles como uma cartilha do comportamento e dos valores do mundo adulto, para o bem e para o mal. Pois milhões de pessoas cresceram entregues unicamente à educação que a babá eletrônica lhes dava em troca de audiência fácil e anúncios milionários.

Em vez de Vila Sésamo, viram desenhos violentos com muito tiro, porrada e bomba.

Em vez de Mundo Animal, viram a agressividade animalesca de Datena e Ratinho.

Em vez de Capitão Aza e Capitão Furacão, viram a maledicência nos programas de fofoca.

Em vez do Sítio do Picapau Amarelo, a sexualização precoce de Xuxa e suas Paquitas arianas.

Em vez do Meu Pé de Laranja Lima e a Pequena Órfã, viram Malhação, feita para adolescentes mas vista por crianças de cinco, seis anos.

Em vez das comédias de Jerry Lewis, viram Máquina Mortífera e Duro de Matar na Sessão da Tarde.

Em vez de Batman, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes, viram pastores evangélicos picaretas.

Em vez de Os Três Patetas, viram lutas de UFC, com gente sendo espancada e chutada mesmo caída no chão.

Em vez de Shazam e Xerife, viram novela das oito reprisada com uns poucos cortes às duas da tarde.

O resultado é essa turba de idiotas capazes de difamar com calúnias uma pessoa que acabou de ser assassinada por defender gente pobre dos abusos de autoridade da polícia e do Exército. Gente que vai para a porta de um hospital vaiar a ex-primeira dama que acabou de sofrer um AVC.


Claro que tem gente mais velha que também apoia todo tipo de opressão e discriminação, mas essa massificação do pensamento discricionário é um fenômeno recente.

Eu sei que alguém vai dizer que viu isso tudo e não é fascista. Eu lhe digo: sorte sua.

Desde que a ditadura militar desmoralizou a palavra censura com seu arbítrio, virou pecado falar em controle da programação televisiva. Para que a indicação etária no início dos programas se tornasse obrigatória foi uma luta. Sou contra a censura no cinema, no teatro, na literatura, pintura etc. Toda a manifestação artística deve ser livre. Porém, em se tratando de televisão, um canal aberto a todo tipo de telespectador, de todas as idades, vale a pena pensar um pouco mais no que é exibido.

G.I. Joe, um dos desenhos mais violentos já feitos, está na gênese dessa geração fascista brasileira