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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Diário do álcool

O álcool pode ser muito bom quando bem usado mas é uma droga tão pesada quanto a cocaína.

Em Roraima, uma menina de 13 anos foi encontrada desacordada numa estrada. Tinha sido estuprada por três outros adolescentes depois de, juntos, terem consumido muita bebida. Em sua defesa, os acusados dizem que a menina, bêbada, começou a insinuar-se para eles.

No interior de São Paulo, um garoto, também de 13 anos, entrou em coma alcoólico depois de ingerir quatro copos cheios de vodca e mais um de uísque, além de quantidade não informada de energético. Ele estava com um amigo numa festa com bebida liberada e presença de dezenas de adolescentes. De vinte em vinte minutos, todas as luzes da festa eram apagadas e os participantes podiam "fazer o que quisessem".

Apesar dos níveis alarmantes de consumo por menores, segue a orgia de propaganda de bebida alcoólica na televisão, a qualquer hora do dia.

Quando esse crime será interrompido?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O ídolo, pessoalmente

Nunca li nenhum livro do Monteiro Lobato, não que eu me lembre. A série da TV, também não vi, preferia o Batman do Adam West. Portanto, o lendário Sítio do Picapau Amarelo não faz parte das minhas referências. Mas o desenho do Pica-pau, vi muito. Aquele condor malandro (ou seria um urubu?) sempre levava a pior... dizem que o Picapau foi até proibido em alguns países por não ser, digamos, um bom exemplo para as crianças. Agora, que aquele sacana era bonitinho, isso era. 

O que eu nunca tinha visto mesmo é um Pica-pau de verdade. Uma vez, até ouvi o barulhinho compassado das bicadas numa árvore próxima à minha casa, mas as folhas encobriam seu autor.

Ontem, porém, em mais um domingo curtindo as maravilhas da Baixada Fluminense, a sorte bateu na lente da minha máquina. Um genuíno Picapau do Campo bem diante de mim.


Foto: Marcelo Migliaccio


Lá estava ele, fazendo um buraco num poste de madeira à beira da estrada. Lindo, corpo rajado e topete vermelho, este uma característica dos machos na espécie. Sensação semelhante só quando eu vi pela primeira vez um João de Barro na porta de sua casa. Mas o Pica-pau dá de dez em matéria de beleza. E que poder têm essas garras para sustentá-lo durante a dura jornada de trabalho... 

Foto: Marcelo Migliaccio


Seu bico, então, é de uma potência invejável. Uma pequena britadeira natural capaz de feitos admiráveis. Uma olhadinha lá dentro pra ver se está tudo nos conformes...

Foto: Marcelo Migliaccio

Pronto, "lar, doce lar", e que venha a conta do IPTU...

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Biografia não autorizada.

Quem é você para escrever sobre mim se eu mesmo nem sei direito quem sou?

E se você tão pouco sabe quem é você, como tem a pretensão de dizer quem eu sou?

Como quer contar coisas que eu há muito tempo deixei de lembrar para que os pesadelos parassem de me atormentar?

E você nem sequer estava lá...

Coisas que eu fiz questão de esquecer, outros vão certamente contar por mim. Talvez alguém que também nem estava lá, mas que vai inventar alguma coisa só para aparecer. E os que estavam lá não estavam dentro de mim para conhecer qualquer razão ou desatino.

E, por seu intermédio, alguém que está ainda mais longe vai me julgar como se tivesse esse direito. Não, minha história não é uma estória.

Não venha querer fotografar minha alma como se eu fosse uma estátua de praça qualquer. E depois pregar um selo qualquer embaixo do meu nome para me colocar numa prateleira medonha. Fascista, comunista, santo, sacana, honesto, ladrão, sábio, burro... qual será meu rótulo no fim das contas se eu posso ser tudo isso e muito mais.

Isso sim é ser obscurantista: querer transformar um ser humano numa estátua.

Minha vida não é para principiantes.


Foto: Marcelo Migliaccio





sexta-feira, 17 de julho de 2015

Isso é que é!

A primeira droga que eu experimentei me acompanha até hoje num caso de amor irremediável. Revendo esse comercial, eu voltei aos meus 10 anos, quando já viajava no sabor e nas bolhinhas da Coca-Cola. Eu era feliz e sabia. Coca-Cola, a única multinacional pra quem eu tiro o chapéu.