Translate

sexta-feira, 24 de março de 2017

O petróleo é deles

No governo do PSDB, a Petrobras afundou a maior plataforma de petróleo do planeta.

No governo do PT, a Petrobras encontrou a maior reserva de petróleo inexplorada do planeta.

No governo do PT, o esquema de corrupção na Petrobras iniciado nos governos do PSDB foi desbaratado, inclusive com a punição de petistas, e com juízes e promotores simplesmente ignorando as muitas delações contra tucanos.

Derrotado em quatro eleições, apesar da campanha diária da mídia empresarial contra o PT, o PSDB liderou um golpe e colocou na Presidência Michel Temer, testa de ferro que deu aos tucanos os ministérios mais importantes e a direção da Petrobras. Os golpistas começaram então a implementar o programa de exclusão social e concentração de renda rejeitado pela maioria do eleitorado nas urnas.

A primeira riqueza nacional entregue pelos corruptos apátridas aos estrangeiros depois do golpe foi justamente a maior reserva de petróleo inexplorada do planeta, cuja renda o PT havia determinado que fosse direcionada para a saúde e para a educação.

Apoiado nas ruas por algumas centenas de milhares de teleguiados que pensam e agem como personagens de novela das oito, o golpe contra a democracia agora atinge mais de 200 milhões de brasileiros, que perderam direitos fundamentais e em breve perderão a própria dignidade.



Foto: Marcelo Migliaccio
Derrotado nas urnas quatro vezes, o modelo que aumenta a exclusão social foi imposto pelos golpistas

segunda-feira, 20 de março de 2017

"Palavras chulas no telex de O Globo"

Início dos anos 70. O jornalista Luarlindo Ernesto é mandado às pressas para a Argentina cobrir um golpe de estado. Com a imprensa censurada pelos militares, ele envia um telex em código para O Globo. Mas Roberto Marinho não gostou dos termos usados e mandou chamá-lo para uma conversa na volta...
A série Fora de Pauta convida a partir da semana que vem novos jornalistas para contarem histórias marcantes da profissão. É publicada também no site Conexão Jornalismo.

Duração: 8m19
Entrevista a Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Produção: Conexão Jornalismo e MCE

terça-feira, 14 de março de 2017

O ônibus das baratas

Em 1980, topei viajar com meu primo, de ônibus, do Rio até Florianópolis (aos 16 anos, o que são 16 horas de viagem?). Ao chegarmos na rodoviária Novo Rio, que na época já era velha, nos despedimos das nossas mães e entramos no coletivo da viação Penha, empresa da qual nunca mais eu me esqueceria.

Lá dentro, logo notamos uma profusão de baratas que saíam de todas as frestas, talvez despertadas de seu descanso pela quantidade de passageiros que entrava e pela perspectiva de muitos farelos de biscoito. Eram artrópodos daqueles pequenos, se não me engano chamados carinhosamente de francesinhas. Apesar do alívio momentâneo por não se tratarem das medonhas gigantes voadoras, logo um mal estar tomou conta do ambiente.

_ Mãe, o ônibus tá cheio de barata _ disse eu com a cabeça para fora da janela, meio baixinho, já temendo o barraco que minha genitora, decana das reivindicações de qualquer ordem, armaria naquela rodoviária.

Dito e feito. Pós-graduada em reclamação, minha mãe fez sua voz ecoar pelos quatro cantos da Novo Rio. Em altos brados, e com apoio mais comedido da minha tia, ela dizia que aquilo era um absurdo e que ninguém viajaria naquele ônibus imundo. Lá dentro, eu e o meu primo, timidamente, tentávamos conclamar os outros passageiros a protestarem também. 

Havia, no entanto, uma pasmaceira geral. Incrivelmente, as pessoas que pagaram passagem não protestavam. Um homem que sentava perto de nós, com um sorriso amarelo, chegou a comentar:

_ Com barata é que é bom...

Era o cúmulo da resignação, confesso que tive mais pena do que raiva dele. Uma mulher com um bebê de colo também relutava em juntar-se nós nas reclamações ao fiscal da empresa e ao motorista.

Algum tempo depois, eu entendi que aquele conformismo era resquício dos anos de ditadura militar que chegavam já ao seu final. Durante quase duas décadas, o povo brasileiro havia aprendido a aceitar tudo sem reclamar. E o que era um ônibus com barata diante de tudo a que aquela gente já fôra submetida.

Com o apoio de um ou outro passageiro, minha brava mãe conseguiu que a empresa trocasse o ônibus. Quando um veículo novinho encostou na baia, todos aplaudiram, inclusive os que já estavam conformados em viajar 16 horas com baratas passeando sobre seus corpos.

Hoje, 37 anos depois, vendo tudo que esse governo golpista já fez contra os brasileiros e contra seus direitos adquiridos em tão pouco tempo, fico a me perguntar por que só uma minoria protesta, por que a maioria da população não sai às ruas e coloca para correr todas essas baratas que assaltaram o poder.

Acho que vou chamar a minha mãe pra resolver isso.



Foto: Marcelo Migliaccio





Amigo do bandido e do mocinho

Você está num restaurante com sua amante quando entra a quadrilha do bandido mais procurado da cidade para assaltar. Pior, o bandido reconhece você de outros carnavais. Só o jornalista Luarlindo Ernesto poderia protagonizar uma história como essa. Além deste blog, a série Fora de Pauta também é veiculada no site Conexão Jornalismo.

Entrevista aos jornalistas Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Duração: 3m33
Produção: Conexão Jornalismo e MCE

segunda-feira, 6 de março de 2017

A morte do Cara de Cavalo

Na primeira entrevista da série Fora de Pauta, o jornalista Luarlindo Ernesto faz uma surpreendente revelação sobre sua participação numa das maiores caçadas policiais da História. Além deste blog, a série também é veiculada no site Conexão Jornalismo.

O
Entrevista aos jornalistas Fábio Lau e Marcelo Migliaccio
Duração: 16 minutos
Produção: Conexão Jornalismo e MCE

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A estátua do ditador

O Rio é a capital mundial das estátuas. Do jeito que a coisa vai, um dia todo mundo terá uma estátua na Cidade Maravilhosa, até eu e você. Não sei de onde vem essa mania dos governantes daqui de plantar totens de bronze em quantidade. Só sei que os cachorros e os pombos agradecem. Também digo "muito obrigado", porque adoro fotografar estátuas. Só que outro dia, escondida num canto do bairro do Leme, descobri uma que é diferente de todas as outras. Uma estátua isolada, impopular, condenada à solidão eterna.

Foto: Marcelo Migliaccio

Nem de longe, o homenageado ali tem a popularidade de Carlos Drummond. Pudera, nunca foi poeta.

Foto: Marcelo Migliaccio

 Não convida a um aperto de mão como Dorival Caymmi...


Foto: Marcelo Migliaccio



.. nem a um trago como Ari Barroso.

Foto: Marcelo Migliaccio

Não é famoso mundialmente como o Cristo Redentor, eleito uma das maravilhas do mundo moderno.




Não está no coração do povo como as músicas de Tom Jobim.

Foto: Marcelo Migliaccio

Ele jamais celebrou a cultura...

Foto: Marcelo Migliaccio

Ou a fraternidade...

Foto: Marcelo Migliaccio

Não, ele não foi um pensador.

Foto: Marcelo Migliaccio


Ele foi um ditador. O primeiro presidente militar após o golpe de 1964. Talvez por isso esteja eternamente em posição de sentido.


Foto: Marcelo Migliaccio

Pode ser que o papel em sua mão direita seja o Ato Institucional número 2, que extinguiu o pluripartidarismo no Brasil.

Foto: Marcelo Migliaccio

Na sua cabeça, ele se achava no direito de cassar mandatos de parlamentares, de abolir as eleições diretas e de seguir as determinações do governo dos Estados Unidos. E fez mesmo tudo isso.

Foto: Marcelo Migliaccio

Hoje, só os cachorros se aproximam dele, para sujar seu nome ainda um pouco mais.

Foto: Marcelo Migliaccio


Assista:
Um poeta mineiro perdido em Copacabana