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terça-feira, 21 de outubro de 2014

O bicho vai pegar

Os institutos de pesquisa vinculados às empresas privadas de comunicação (já famosas por seu anti-petismo) começam a esvaziar seus balões de ensaio e já dão Dilma à frente de Aécio, lugar onde ela sempre esteve a despeito da tradicional manipulação de dados em períodos pré-eleitorais.

Isso torna o debate de sexta-feira, na Globo, a última chance para o candidato do PSDB atirar lama sobre a presidente. O Aécio Paz e Amor do debate da Record não estará presente. Podem esperar aquele candidato agressivo e injurioso que fez Dilma passar mal após o encontro no SBT.

As últimas denúncias do envolvimento de tucanos nos esquemas do doleiro Yousseff também contribuem para o desespero no ninho do PSDB.

Dilma tem a obrigação de ser forte, manter a serenidade, mas reagir firmemente quando for chamada de "leviana" ou "mentirosa". Ela não pode entrar no jogo de Aécio e se descontrolar. Deve, no entanto, estar preparada para um embate desleal, onde sua tranquilidade será a arma mais eficaz.

Como está perdendo a luta por pontos, o tucano vai para o tudo ou nada. Sua única esperança é tentar um nocaute. Dilma só tem que ficar calma, pois as balas de seu adversário são de festim.

No debate da Record, quando os dois candidatos centraram suas falas nos planos de governo e nas realizações passadas, a superioridade de Dilma ficou patente, tanto que sua vantagem nas pesquisas teve que ser admitida pelo Datafolha um dia depois. Sem chamar a presidente de mentirosa e classificar o PT como um partido de ladrões, sobra pouco no discurso de Aécio. Só promessas sem consistência que o próprio passado tucano e as características de seus aliados se encarregam de esvaziar.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A tática de Aécio

Aécio descobriu como desestabilizar Dilma, que ontem até passou mal após o embate no SBT. Ele usa a tática da criança de cinco anos. Qual? Dizer que tudo "é mentira". Aí, não dá pra discutir. Ele acusa o PT sem parar e breca todas as discussões sobre seu passado ao dizer que a adversária mente.

Todos nós já nos deparamos com uma pessoa assim, seja no bar ou na fila do supermercado. É aquela pessoa com a qual simplesmente não dá pra discutir.

Às vezes, o menino de cinco anos faz cara de coitadinho e diz que se arrependeu. De dirigir alcoolizado, por exemplo. Quando as acusações na Petrobrás espirram no colo do seu partido, ele desvia e logo volta ao ataque:

_ Então agora o denunciante tem crédito?

Aécio, como um lutador que não quer lutar, apela ao clinche para cansar o adversário. E quando este está esgotado de tanto tentar se livrar dos agarrões, ele parte para a sessão de golpes. Há ladrões do lado dele também, mas isso não importa, o que vale é dizer que o PT assalta o país. A imprensa faz eco. Nem na queda de pressão dela ao vivo, diante das câmeras, o jornal que tem nome de biscoito acredita ("Dilma diz que tem queda de pressão", é a manchete). O Tribunal de Contas de Minas tira do ar a página com o rombo de Aécio na saúde. É o turbihão para mover milhões de cabeças. Exatamente como foi com Collor em 1989.

Cheio de energia, Aécio demonstra que vai manter a pressão até o dia da eleição.

_ É mentira! Vocês assaltam o país!

 Dilma está, como ele mesmo disse, à beira de um ataque de nervos. Não sabe mais se apresenta suas propostas ou mostra as contradições adversário. Ela já repetiu seus argumentos à exaustão. Mas do outro lado vem sempre a mesma ladainha:

_ É mentira! Vocês assaltam o país!

Dilma precisa se indignar ao ser chamada de mentirosa. O que é isso, candidato? É uma ofensa moral repetida a todo momento. E não pode aceitar que ele diga que seu partido rouba. A generalização tem que ser contestada com ênfase. Ela tem que dizer quantas vezes for necessário. Seu adversário não tem vergonha de repetir afirmações, então Dilma também não pode ter.

Não dá pra discutir com um cara assim. Mas também não dá para deixar um cara assim sem resposta.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Bobão e os Ronaldos

Gosto de várias músicas do Lobão, a mais recente delas deve ter uns 20 anos. De lá para cá, aquele ícone de rebeldia da minha juventude transformou-se numa pessoa de opiniões, digamos, esquizofrênicas. Chamou Dilma de assassina, disse que vivemos numa ditadura e que vai sair do país por temer um atentado contra sua vida louca vida. Ah, disse ainda que os partidários de Aécio Neves não podem manifestar sua opinião livremente.

Dilma foi militante de esquerda contra a ditadura, fato que, na minha opinião, engrandece seu currículo. Não me consta que tenha matado ou contribuído diretamente para a morte de alguém. Pior fizeram os torturadores, que ainda estão por aí a desafiar as comissões que apuram crimes cometidos naquele período.

Também discordo do Lobão quanto a vivermos numa ditadura. Quer dizer que quando o PT vence seguidamente três eleições limpas e diretas é ditadura?

Quanto ao atentado de que o ex-roqueiro transgressor teme ser alvo, posso creditar a uma mera paranóia. Só isso.

Mas o mais ridículo da sua declaração é dizer que os tucanos não podem se manifestar. Toda a grande imprensa privada faz campanha aberta para Aécio. Falar mal do PT virou uma regra nas redações. Quem não reza na cartilha, como meu ex-colega Xico Sá, da Folha, é convidado gentilmente a pedir demissão pelo método do constrangimento. O próprio Lobão, aliás, por conta de sua percepção vesga da realidade, virou colunista da revista semanal que pensa que o leitor é cego, ao lado de baluartes como o ex-ministro Maílson da Nóbrega, aquele da inflação de 80% ao mês.

No Facebook, só vejo gente xingando Lula e o PT e aclamando Aécio, o salvador da classe média que se acha personagem de novela e dos magnatas saudosos dos arrochos salariais de outros tempos. Nossa brilhante Justiça, até agora, só prendeu gente do PT ou de sua base aliada. Escândalos como a corrupção tucana nos trens e metrôs de São Paulo, por exemplo, não sensibilizam a imprensa nem o Judiciário.

Criou-se uma tal atmosfera antipetista que as pessoas já estão votando no Aécio mesmo sabendo não se tratar de flor que se cheire. Querem simplesmente tirar o PT do poder, não importa se quem vai assumir é melhor ou pior.

Ao contrário do que enxerga o delirante Lobão, vivemos sob a ditadura dos monopólios da mídia. E ela chegou a tal grau de agressividade que pode até ganhar esta eleição.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

O golpe do fim da reeleição

Em meio a essa eleição presidencial onde a grande imprensa assumiu descaradamente a opção por Aécio Neves, político derrotado no primeiro turno em seu próprio estado, uma coisa me salta aos olhos: o compromisso dele em acabar com a reeleição para o cargo de presidente.

Por quê?

Qual seria o motivo de a candidatura que representa a elite apregoar o fim do direito do povo de reconduzir ao cargo um presidente de cujo governo tenha gostado. A quem interessa a impossibilidade de um novo mandato para líderes populares?

Ouso dizer que o motivo responde por quatro letras: Lula. Temem que ele volte em 2018 e cumpra mais dois mandatos. Esse é o grande medo por trás dessa onda de fim da reeleição, pregada por Aécio Neves e também por Marina Silva, que dá tanta importância ao tema a ponto de colocá-lo como condição fundamental para apoiar o tucano no segundo turno.

Lula foi reeleito e fez sua sucessora. Por conta da aprovação popular ao seu governo, essa mesma elite, que vinha no poder desde Pedro Álvares Cabral, está há 12 anos alijada das grandes decisões. Os grandes grupos econômicos que patrocinam candidaturas como a de Aécio Neves, devem estar sedentos para voltar a dirigir os rumos do país através de um fantoche, já que por décadas tiveram um office boy ocupando o Palácio do Planalto. A possibilidade concreta de mais três governos com distribuição de renda e de oportunidades causa arrepios aos reis dos monopólios.

Dizem que Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo ficou de bobeira. Mas nem Ele consertaria as mazelas centenárias deste enorme país em quatro anos. Nos últimos 12, só começamos a atacar os problemas. Começamos, por exemplo, a investigar e prender corruptos. Quem sabe, no futuro, políticos que não sejam do PT ou de sua base também sejam levados aos tribunais. A brincadeira de cumprir a lei só tem graça se valer para todos.

Os tucanos e sua imprensa aliada agora só falam na importância da "alternância de poder", mas isso deve ser opcional e não obrigatório. Quem deve decidir se dá mais quatro anos ao presidente é o eleitor. Não tenho nada contra a alternância de poder se ela se der entre pessoas honestas.

Sim, a população deve ter o direito de reeleger o presidente, pelo menos uma vez, se assim o desejar. É hora de dizer não a mais esse golpe em gestação.