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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A natureza resiste

Em uma das praias mais poluídas do Rio, elas apareceram para reafirmar que sempre resta uma esperança...


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Paulo Julio Clement

Há uns dez dias, nos encontramos no batizado do filho de um grande amigo comum. Chovia quando eu cheguei e, ainda nas imediações da igreja, encontrei o Paulo Julio. Ele só havia achado  vaga para o carro longe dali e sua camisa estava encharcada. Dei lugar a ele debaixo do meu guarda-chuva. Paulo foi padrinho do filho desse nosso amigo, o também queridíssimo André Balocco. A certo momento da cerimônia, com a blusa molhada colada ao corpo, ele me perguntou:

_ Você acha que vou ser um bom padrinho?

_ Claro _ eu disse. Lógico que vai!


Paulo Julio Clement foi um dos jornalistas mais brilhantes que conheci. Foi bem na mídia impressa, no rádio e na TV. Sabia tudo de esportes, futebol principalmente. Lembrava de tudo e este era um dos meus motivos preferidos para encontrá-lo. Ficávamos horas lembrando de jogadores e jogos dos quais ninguém lembra mais. Agora que a fatalidade levou o Paulo, com quem vou falar do Fanta, obscuro meio-campista do Fluminense no início dos anos 80?

Trabalhamos juntos pela primeira vez no Globo, mas em editorias diferentes. Anos depois, no JB, ficamos mais próximos e pude comprovar o excelente caráter desse colega. Era justo como chefe, sabia cobrar e comandar com generosidade e gentileza.

Me chamava de "ponta recuado", aquele que ajuda o meio-campo.

Politicamente, era meu companheiro na esquerda. No Facebook, no auge do tiroteio, não ficava em cima do muro, embora fosse sempre muito mais ponderado do que eu. Descia a lenha no prefeito elitista, combatia o golpe, os preconceitos de toda ordem.

Há alguns meses, depois de várias caipirinhas, mandei-lhe uma declaração de afeto pelo Facebook. Era tarde da noite e ele estranhou. Perguntou por que aquele repente.

Envergonhado, de início culpei as caipirinhas. Mas depois lhe disse que amizades verdadeiras são raras e é preciso celebrá-las.

É difícil acreditar que nunca mais o verei. Até saber que ele estava na lista, a tragédia para mim era distante, televisiva. Mas, por volta das nove horas, soube que Paulo Julio, tão próximo, tão parecido comigo, estava naquele avião.

Quando penso nas fotos dele com o filho Theo, na declaração de amor que fez outro dia para a esposa Flávia, tudo perde a graça, nada faz o menor sentido. Espero que os dois tenham força e luz para seguir em frente.

E que um dia eu possa reencontrar o meu grande amigo Paulo Julio Clement.

Hoje, da forma mais triste, eu descobri o porquê daquelas caipirinhas.


Um amigo a gente identifica no olhar




domingo, 27 de novembro de 2016

Primavera vermelha

Era uma vez a primavera vermelha. Alegria, respeito, democracia, pluralidade, comida no prato, casa, luz pra quem sempre foi escravo. O povo feliz disse sim quatro vezes para a estação das flores.

Aí, os barões tentaram acabar com a primavera. A pretexto de arrancar algumas flores mortas, transformaram todo o vale fértil numa floresta de ervas daninhas.  Puro egoísmo. De nada valem seus carrões blindados se não há um menino miserável fazendo malabarismo no sinal.  


Mas o dinheiro não consegue mudar a natureza. Nem com a ajuda dos que se mantiveram indiferentes à grande festa de cores e de fertilidade.

E um dia a primavera volta. 


Rindo das pernas curtas da mentira.

Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Dias melhores virão

Com o governo Temer já caindo de podre, dizem que os tucanos vão assumir, referendados pelo nosso maravilhoso colegiado de deputados e senadores.

Aécio e companhia, porém, assumirão sem moral, sem terem vencido eleição direta, pela janela, no tapetão.


Como o Fluminense quando subiu direto da terceira para a primeira divisão.


No outro braço do golpe, Moro está fulo da vida porque oito delatores inocentaram Lula.


E no terceiro pilar, os papagaios dos donos da mídia já não sabem mais o que falar para convencer o Hommer Simpson, desempregado, de que as coisas vão melhorar com a camarilha golpista.


O jogo está virando, devagar mas está.


Dias melhores virão, até porque piores será impossível.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Banquete em Piabetá




Neste filme de pouco mais de 11 minutos, Tia Cléia ensina os segredos do preparo de iguarias suínas como bucho, bofe, fígado, tripa, torresmo e chouriço, atrações de todos os domingos na sua barraca na Feira de Piabetá, na Baixada Fluminense.

E saiba mais sobre a incrível Feira de Piabetá e suas delícias em:
Figado, tripa, bucho, bofe e chouriço

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A celebridade fascista

Era um lindo dia de feriado em Copacabana. Data da proclamação da República, boa para celebrar a democracia. A orla cheia de famílias convidava à boa convivência. Mas eu tive medo quando vi um carro de som em cima do qual uma mulher que se dizia "professora civil do Colégio Militar" pregava contra a orientação sexual nas escolas.

Em meio aos manifestantes, uma figura bastante conhecida se destacava e era tratada como celebridade. Em volta dele, os fascistas pareciam mais encorajados a exibir publicamente sua intolerância. O líder dizia que a cartilha de orientação sexual nas escolas é pretexto para pedofilia. Destilando seu ódio pedia a prisão de Lula em Bangu 1. 

_ Ele não tem que ir para Curitiba nem para a Papuda. Como ele sempre se gabou de não ter curso superior, tem que ficar junto com a galera em Bangu, porque lá é muito confortável.

Era chamado de "mito" por seus seguidores e saudado como "presidente". Ficou claro que se candidatará em 2018. Apesar da adulação, não era uma manifestação festiva, o ódio estava no ar, os sorrisos eram de esgar, com dentes trincados, veneno escorrendo no canto das bocas. Jovens brucutus tatuados se misturavam a aposentados que tiraram o pijama para curtir aquela micareta da segregação. Todos cheios de razão. A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos lhes deu ainda mais moral.

Para o "mito", a "ideologia de gênero" nas escolas tem um objetivo camuflado:

_ Eles querem é legalizar a pedofilia e usam as minorias para isso. Querem esculhambar a família _ dizia ele pna Avenida Atlântica, para quem quisesse ouvir.

Do alto do carro de som, a professora do Colégio Militar anunciava a presença de pais de alunos do Colégio Pedro II que não aceitam as medidas adotadas pela direção.

_ Pergunta para um idiota desses meninos que vestem saia se ele sabe quanto é 6 vezes 7. Não sabem nada, vão viver nas tetas do governo no futuro.

Sem disfarçar sua alegria ao ver tantos fascistas com coragem para sair dos armários, o líder se empolgava: chamava os estudantes que ocupam escolas de idiotas que "nem sabem quanto é 7 vezes 8" e dizia que eles vão viver dos programas assistencialistas da esquerda no futuro. Até PMs fardados se aglomeravam em torno dele para pedir selfies.

Só uma pergunta ficou sem resposta: caso acabe eleito na onda de intolerância que varre o planeta, será este o seu ministro da Defesa?


Foto: Marcelo Migliaccio