Sambódromo? Tô fora.

Foto Ivone Perez

 

Eu não gostava de cobrir carnaval no Sambódromo. Na verdade eu odiava. Se não me engano foram três vezes, duas pela Folha e uma pela finada revista Manchete, cuja edição carnavalesca era a única que tinha uma vendagem razoável, o resto do ano era um vexame por semana. Mas voltando à avenida, ô coisa chata e cansativa. Passar a noite pra lá e pra cá...

_ Olha, o Robert de Niro chegou no portão D!!!!!

_ Uma mulher levou uma bala perdida na arquibancada!!!!

_ Ava Gardner tá bêbada no camarote da Brahma!!!

Os repórteres correndo como doidos. Doídos. Enquanto o resto do mundo se divertia, a gente naquela tensão, com o chefe pentelhando no celular de cinco em cinco minutos.

Uma vez eu passei a noite nessa correria e, de manhã, na redação, o chefe se deu conta de que nenhum dos repórteres ficara encarregado de escrever sobre o desfile da Portela. Aquilo era um trabalho para o Homem Aranha.

_ Estão dizendo que foi boa ou foi ruim? - perguntei.

_ Que foi péssima.

Escrevi 60 linhas. Falei até que a Luiza Brunet não sabia sambar. Isso eu tinha visto. O resto foi dom divino. Até hoje ninguém da escola reclamou.





 

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