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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um time chamado América

No fundo eu sempre quis ser América, mas me faltou coragem.



Fiz esse documentário em 2006, foi exibido no SPORTV e no canal Première Internacional. Atualmente, o licenciamento para TV encontra-se disponível. O DVD, com a íntegra de 44 minutos mais extras, está à venda na Livraria da Travessa.

O jornalista Luiz Zanin escreveu uma crítica no jornal O Estado de S. Paulo. Leia

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Elton John quebrou meu coração

Em plena quarta-feira, me despenquei da Urca para o HSBC Arena, que fica onde Judas perdeu as meias, porque as botas ele perdeu um pouco antes.

Mas valeria a pena. Ver ao vivo Elton John, um virtuoso do pop e do piano, depois de tantos anos ouvindo suas músicas no rádio, na vitrola, no walkman e no CD player.

 Foto: Marcelo MigliaccioFoi dele o primeiro disco que comprei que não era uma trilha sonora de novela. O ano era 1974 e saí da Sears com Goodbye Yelow Brick Road debaixo do braço.

Agora me enturmo, pensei, ansioso por contar aos colegas do Instituto Souza Leão. Ledo engano. O primeiro skatista cabeludo para quem contei sobre minha nova aquisição desdenhou:

_ Já viu o novo disco do Elton John? _ perguntei entusiasmado.

_ Vi não, só tô ouvindo Alice Cooper _ respondeu o moleque de cabelo parafinado.

Mané. Elton tá aí até hoje e o Alice...

Nas duas horas e meia de engarrafamento até o Recreio dos Bandeirantes, ou sei lá que bairro é, eu só pensava que iria ouvir, ao vivo, pela primeira vez, Don't Go Breaking my Heart, um dos hits da minha vida. Na entrada, mais engarrafamento. Gente irritada e buzinando nas suas caminhonetes gigantes.

Mas resisti bravamente, afinal, eu iria ouvir, finalmente ao vivo, Don't Go Breaking my Heart. Otimismo sempre cai bem.

O ingresso foi uma pechincha, mais ou menos o que eu pagaria pra ver Fluminense e Bonsucesso no "novo" Maracanã.

Jóia, o lugar era pertinho do palco... otimismo é tudo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Ir a shows desses dinossauros faz bem ao ego. Com tanto tiozinho em volta, me senti o cinquentenário mascote da parada.

E, pouco depois das 22h, surgiu o baixinho famoso. Cabelos yelow como sempre, a mesma voz, mas a aparência... quanta diferença. O rosto parece o do Nelson Mota e o corpo e o andar, os do Jô Soares. O velho terno de lantejoulas também compareceu, assim como suas músicas eternas. Uma lágrima furtiva me escorreu pela face em Skyline Pigeon e logo outra a perseguiu na estrada dos tijolos amarelos.


Foto: Marcelo Migliaccio
Música vai, música vem, e nada de Don't Go Breaking my Heart. Já incrédulo, decidi fazer uma promessa incumprível: se ele tocar eu até pago o mico de dançar.

Em, vez de jogar rosas vermelhas para o público como Roberto Carlos, Elton pára tudo para dar autógrafos no meio da apresentação.

Foto: Marcelo Migliaccio

O show acabou, e eu com cara de tacho. Resta o bis, ele deixou para o final, pensei. Jô Mota voltou com a banda, sacudiu com Crocodile Rock para derrubar perucas e... e....

Foi embora.

Foram muitas emoções, bicho, valeu a pena todo o perrenque para chegar em casa às 2 da manhã, mas cheguei de coração partido.

Elton John quebrou meu coração.



Quer ouvir o clássico de 1976 que não entrou no show? Clique aqui





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cadê o mocinho da história?

Se eu fosse o pessoal do Psol (sem trocadilho) estaria preocupado. O advogado deu com a língua nos dentes e disse que a ira de seu cliente, o granadeiro dos black blocs, custava R$ 150 por manifestação. Apesar de o movimento dos camisas pretas parecer acéfalo, a única que apareceu na delegacia pra defender os presos parece ser ligada ao partido. Assessores de Marcelo Freixo também foram mencionados no imbróglio.

Garotinho é outro que deve ficar de olhos bem abertos, porque o PR já foi citado no bolo solado da imprensa. E, depois daquela reportagem ridícula da Época tentando incriminá-lo, tudo pode acontecer nas páginas e nos telejornais. Disseram que Garotinho sabota as UPPs só porque ele denunciou que o secretário de Segurança Mariano Beltrame mora de graça no apartamento de um empresário _ o que, aliás, a nossa combativa imprensa não se interessou em apurar.

Sergio Cabral, em cujos ouvidos ainda ecoam os gritos de "fora"dados em junho na portaria do prédio onde mora, aproveitou a deixa. Quer fazer crer que sua rejeição é produto de uma intriga política. Passageiros dos trens, barcas e metrô não acreditam na tese.

E o prefeito, que chamou os black blocs de filhinhos de papai? Um mora no Méier e o outro na Baixada. Este último tentou fugir para a barra da saia da avó, no sertão cearense. Filhinho de papai foge pra Paris, Roma…

E já sobrou até para o tal advogado dos black blocs. Descobriram que ele um dia foi condenado por danos morais. É o que bastou para o distinto rábula ser desqualificado por alguns debatedores de programas de rádio, naquelas tais mesas redondas. Matinalmente, reúnem-se cabeças obtusas escolhidas a dedo com o firme propósito de vilipendiar a inteligência humana com surrados chavões e clichês.

Em Brasília, o senador do Psol falou grosso (força de expressão). Disse que o partido não vai permitir que o endurecimento da legislação contra os black blocs prejudique os movimentos sociais. Acho justo. Mas o partido, parece, terá muito mais a dizer sobre o assunto.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

De Woody Allen, só quero os filmes

As acusações da filha adotiva de Woody Allen deram um nó nas cabeças da intelectualidade mundial. Até a pseudo-intelectualidade ficou boquiaberta, com cara de boba, que o que ela é. Como poderia o cineasta responsável por tantos grandes filmes abusar da própria filha adotiva? E, então, os que sempre se deleitaram com as comédias inteligentes e sensíveis de Allen ficam confusos. Serei eu um monstro por gostar dos filmes desse suposto pedófilo?

O advogado de Allen (não o cineasta) veio a público desmentir. Ok, sabemos que advogados falam qualquer coisa desde que recebam seus honorários. E Allen parece não estar nem um pouco a fim de enfrentar o batalhão de repórteres sedentos para arrancar seu coro numa entrevista coletiva. Eu também não estaria, mesmo que isso custasse minha reputação.

Dias depois, o filho adotivo de Allen e Mia Forrow, Moses, hoje com 36 anos e irmão da denunciante, disse que "é óbvio" que o cineasta não cometeu o abuso.

Sejam ou não verdadeiras as acusações, eu não estou nem aí. Vou continuar vendo os filmes de Woody Allen, embora jamais, por via das dúvidas, deixasse uma filha pequena aos seus cuidados. Sabe como é, nada pessoal, mas seguro morreu de velho...

Uma das poucas coisas que aprendi na vida é que uma coisa é o homem, outra é sua obra.

Seja ele político, artista, intelectual ou jogador de futebol, é bom que separemos as duas coisas.

Dizem que Charles Chaplin era um chato de galocha no convívio pessoal. Mas foi o maior ator cômico de todos os tempos. E Pelé? Só fala besteira há quatro décadas, mas em campo ninguém fará o que ele fez. Maradona já mostrou ser um mal educado irascível. E, no entanto, aquela perna esquerda é mágica.

Na política também é assim. Todos erram, até aquele que menos erra...

Michael Jackson devorava criancinhas? Ok, prefiro vê-lo cantar e dançar. Da mesma forma, não me interessa o discurso de Caetano Veloso, só suas músicas.

Albert Einsten era um carrasco com a mulher… tudo é relativo, diria o físico em sua própria defesa.

Exemplos não faltam de gênios grandes demais para caber em seres humanos.

Agora mesmo, Philip Seymour Hoffman ficou com a heroína num final de filme infeliz. Para a História, permanecerão as cenas que ele tão bem protagonizou.

Não quero saber da vida particular dessa turma. Se cometerem crimes, a polícia que os prenda. Na ribalta, pecados maiores são incompetência e oportunismo comercial.

Em vez de atirar pedras e de comprar as revistas de fofoca para descobrir os podres das verdadeiras celebridades (porque há os genéricos), prefiro vê-las fazendo aquilo que sabem melhor, que encanta e dignifica a Humanidade.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O beijo gay

Gays se beijam desde a Antiguidade. A TV só admitiu isso mais de 2 mil anos depois. Os evangélicos estão irados, porque nunca aceitarão a realidade. Agora, os jornais, revistas e sites que pertencem ao mesmo grupo econômico da emissora enaltecem a exibição do selinho (com os atores visivelmente constrangidos) na novela das oito. O autor foi colocado um degrau acima de Deus na rasgação de seda global. E para mim, todo o autor de novela é um carrasco, já que não gosto de ver.

Quando tem mulher na minha casa acabo vendo novela. Se eu deixar, elas assistem às três, mas eu instituí a regra de "escolha apenas uma para ver". A última que acompanhei com gosto foi Estúpido Cupido, de 1976, com 13 anos, confesso, eu era um panaca. Mas a novela, ambientada na década de 60, me encantou. Corri na Sears pra comprar o LP logo que saiu. Antes dela, aos seis anos, tinha visto, maravilhado, a primeira versão de Irmãos Coragem, que era tosca ao extremo. Hoje não consigo assistir a mais de suas cenas, mas acabei vendo alguns capítulos de Amor à Vida. O forte foram as boas atuações de Mateus Solano, interprete de um dos gays, e Tata Werneck. Poderiam ter ido além se o texto fosse melhor, mas é novela, né? Agora, o maior desafio nas carreiras de ambos será fugir dos estereótipos que a TV adora pregar na testa dos atores. No mais, achei  a novela tediosa como todas as outras (fora Estúpido Cupido e Irmãos Coragem). Se estivesse sozinho, teria mudado de canal para ver o Show da Fé, na Band, juro.

Em visita ao Brasil para dar um curso de roteiro a pedido da Globo, Robert McKee, um especialista no assunto, foi direto no problema da dramaturgia televisiva (e cinematográfica) no país. Ele declarou à Folha:

"O problema é a falta de subtexto. As séries boas têm algo que não é dito, mas somente sugerido. O espectador entende a expressão do rosto do personagem. No Brasil, não existe isso. Eles fazem os personagens explicarem os sentimentos e as ações. A inteligência do público é subestimada. Os roteiristas acham que, se não fizerem isso, as pessoas não irão entender. Quando confiarem no telespectador, a qualidade vai melhorar."
A melhor coisa da TV aberta hoje é o botão que desliga.

Bom, o que me chamou a atenção na novela foi a quantidade de vilões. Quando eu era pequeno as novelas tinham um vilão. Hoje, têm dez. Sinal dos tempos…

Outra coisa que notei é que as mulheres agora logo partem para o tapa. Inclusive as heroínas da trama. Imagine se a Regina Duarte, a mocinha do meu tempo de criança, iria sair no braço com uma rival. Imagine a namoradinha do Brasil rolando pelo chão numa cena de pugilato. Essa onda deve ser merchandising subliminar do UFC feminino, a nova sensação em lutas ao lado das academias de pancadaria para crianças com menos de dez anos de idade. Fim dos tempos...

Mas, voltando aos gays, o beijo foi enviezado _ um dos atores colocou a boca para cima e o outro, para baixo, mais um pouco e um beijaria o nariz do outro. Língua, nem morta, santa! Percebi também que eles foram os protagonistas da trama. Acho que foi a primeira novela gay da História, título que, para mim, não significa nada, a não ser pelo mérito de mostrar o quanto a TV demora para aceitar o mundo real. No Brasil, levou cinco décadas para admitir o amor homossexual.  Vamos ver quantos séculos levará para descobrir o jornalismo imparcial.