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terça-feira, 29 de abril de 2014

Todo dia tem a hora da Sessão Coruja...

Foto: Marcelo Migliaccio

_ Dizem que eu sou uma ave de mau agouro... que sou sinal de azar...


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Coisas da imbecilidade popular. Sim, porque existe a sabedoria popular, mas também existe a burrice popular. E eu e o sapo somos vítimas dela num país que sonegou a educação por séculos... num país onde as pessoas são educadas pela TV...


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Um país que cultua cada vez mais a violência e menos a compaixão, onde acumular riqueza é uma virtude e dividir o pão, um prejuízo.


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Mas, como eu ia dizendo, acordei com um mau presságio...


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Não sei por que, mas acho que a minha hora chegou...




quarta-feira, 23 de abril de 2014

O santo e o revolucionário

São Jorge venceu o dragão e habita no coração dos cristãos...



Simón Bolívar venceu o colonizador espanhol e mora na alma dos latino-americanos...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O escorpião colombiano

Essa é a maior defesa de um goleiro em todos os tempos. E não foi numa pelada não, foi num jogo contra a Inglaterra no lendário estádio de Wembley. O nome do maluco: René Higuita.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Frente fria

Num país tropical, pode um dia cinzento ser maravilhoso?

E não um dia cinzento qualquer, pior, uma segunda-feira cinzenta.

Sim, pode...

... se você é um pássaro.

Foto: Marcelo Migliaccio

E se tem companhia pra cruzar o deserto de certezas em que vivemos...

Foto: Marcelo Migliaccio

Uma manhã cinza de segunda-feira é tudo que os pássaros precisam, já que os homens estão ocupados demais correndo para o abismo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Eu disse muitos pássaros? Muitos foi pouco para a manhã cinzenta de segunda-feira.

Foto: Marcelo Migliaccio

Fragatas e mais fragatas num balé sobre a enseada de Botafogo...

Foto: Marcelo Migliaccio


Fragatas no céu e mergulhões no mar, invisíveis aos que, engarrafados, são incapazes de olhar para o lado.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mesmo ali bem perto, não notam a paisagem diferente da manhã cinzenta.

Foto: Marcelo Migliaccio

E há muita coisa diferente no ar.

Foto: Marcelo Migliaccio

Pequenos seres, capazes até de colorir uma segunda-feira cinzenta.

Foto: Marcelo Migliaccio

Para os urubus, todo dia é dia de vitória do Flamengo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Arquibancadas lotadas de rubro-negros em festa, não num domingo de sol, mas numa segunda-feira cinzenta.

Foto: Marcelo Migliaccio

E viva a diferença!

Foto: Marcelo Migliaccio







domingo, 13 de abril de 2014

A Máquina

Com 12 anos de idade eu tinha um ídolo.


Um craque diante de quem Maradona uma vez ajoelhou para beijar-lhe os pés. Sim, Maradona, o gênio arrogante da bola, reverenciou humildemente Roberto Rivelino num camarote do Sambódromo

Rivelino jogou no melhor time do Fluminense que eu já vi. A Máquina de 1975-76. O mais importante, todos esses jogadores eram do Fluminense, não eram da Unimed. Alguns, tinham o mais verdadeiro amor à camisa, como o zagueiro Edinho, aquele que eu mais vi honrar a camisa tricolor.


Hoje, se o Fluminense ganha ou perde, não estou nem aí. Quem conheceu aquele futebol não vê graça neste de hoje, de clubes insolventes escravizados pela televisão, de estádios vazios ou cheios de mauricinhos e patricinhas, de camisas lendárias estupradas por anúncios horríveis, de jogadores sem vínculo afetivo nenhum com a camisa que vestem.

Prefiro lembrar dos gols históricos que eu vi o Rivelino fazer, como esse, contra o Vasco, depois de passar por três defensores, um deles castigado com um drible humilhante. O toque final, deslocando o excelente goleiro argentino Andrada, foi a cereja do bolo.


Isso é que era futebol.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Chutar o balde não machuca o pé

Me arrepio quando alguém me aponta um sujeito e diz:

_ Aquele ali é um cara equilibrado.

Do "centrado", então, fujo correndo. O cara que nunca sai da linha, não paga um mico de vez em quando, não mija fora do penico, esse comigo não tem ibope.

Sempre colei com os malucos, claro, mantendo uma certa distância pra não tirar a vaga de alguém no Pinel.

No tempo do colégio, era à ovelha negra da turma que eu me juntava. Se era frágil, tornava-me seu defensor (e devo confessar que ele continuava totalmente desprotegido, já que minha maior virtude numa briga sempre foi correr bem).

Mas eu não gostava dos alunos certinhos que só tiravam dez (todos de quem tive notícias depois se tornaram funcionários públicos burocratas).

Tão pouco me enturmava com os metidos a fortões (todos hoje cinqüentões obesos).

Eu gostava daquelas figuras que sempre sobravam na hora em que o professor mandava formar grupos. Quando via que todo mundo encarnava num cara gordo, feio, estrangeiro, nordestino ou de óculos, esse passava a ser o único na sala de aula que eu tratava bem.

Sempre preferi os de mente dispersa aos concentrados.

Eu mesmo era muito careta. Passei minha adolescência inteira tentando deixar de lado aquela disciplina de soldadinho de chumbo que nos incutem na cabeça desde cedo.

Descobri, depois de muito olhar em volta, que o desequilíbrio faz parte do equilíbrio. Veja um artista de circo na corda bamba, por exemplo. Inclina-se para a direita, para a esquerda e é isso que o mantém lá em cima. Se ele deixar o corpo retesado e ereto, vai cair feio.

O bom navegador sabe usar o balanço do mar e a direção do vento.

Creio que na arte da vida é a mesma coisa. A rotina modorrenta, pra mim, alimenta várias enfermidades, já que todas começam, para mim novamente, na cabeça entediada, sem desafios e sem perspectivas do imprevisível.

Enfiar um pé na jaca de vez em quando, portanto, é salutar. Chutar o balde também não machuca o pé, se você não se tornar um artilheiro compulsivo, vale dar um bico pra deixar a mesmice de lado.

Uma vez por semana, permita-se um pacote de Baconzitos com Coca-Cola.

Por que, como dizia o filósofo contemporâneo Senor Abravanel:

_ Do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar!