Translate

terça-feira, 30 de abril de 2013

Esse Homem de Ferro é um cara-de-pau

Caí na asneira de entrar num cinema para ver Homem de Ferro 3. Antes que a projeção completasse a primeira hora eu levantei e saí fora. O filme é literalmente uma bomba. Insuportável, não tem história _ o argumento não vai além do batido "um-gênio-do-mal-quer-dominar-o-mundo". É só correria e efeitos de computador que me fizeram ter saudades das maquetes de Terremoto e Inferno na Torre, clássicos do cinema catástrofe dos anos 70.

Juro que eu fui sem a menor pretensão, só queria entretenimento, mas nem isso consegui.

Claro, pagaram milhões de dólares para três excelentes atores se sujeitarem a papéis que qualquer manequim de vitrine faria sem problemas. Roberto Downey Jr, está simplesmente ridículo na falta de substância do seu cínico personagem. Com o corpo desfigurado pelos anabolizantes (ou será efeito de Macintosh?), esse grande ator se perde ao lado da bela Gwyneth Paltrow e do versátil Guy Pearce. Ficam os três reproduzindo aquele jeito de ser americano que, de tão arrogante e fútil, nos tenta a dar razão aos que, mundo afora, abominam o american way of life...

Tudo no filme é falso, forçado e sem conteúdo. Gwyneth passa o tempo todo fazendo caras e bocas e desfilando roupas de grife na mansão do milionário Tony Stark. No mais, é a explosão pela explosão, a estética da beleza, da truculência e da opulência a serviço da imbecilização das periferias. De um canto a outro do planeta, miseráveis subnutridos vão se juntar a mauricinhos e patricinhas nas salas escuras para babar diante de mais uma ignomínia da indústria do cinema.

É mais um prato cheio para a geração shopping center saborear comendo um Big Mac e tomando um Red Bull.

E eu que gastei sete reais com essa porcaria...

O pior de tudo foi que dias depois decidi ver algo mais cabeça. Ledo engano. Saí no meio também do chatérrimo e sem graça Aconteceu em Sant-Tropez, exibido na mostra de cinema francês.

E Homem de Ferro, pra mim, sempre foi e sempre será esse aqui:

domingo, 28 de abril de 2013

Romântico

Catar umas pedrinhas na beira da praia de Trindade, perto de Parati, não é para qualquer um... o incrível Hulk, talvez, consiga levar algumas pra presentear a namorada...


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Até o deus do amor fez plástica

Jamais faria, mas não condeno quem se submete a uma operação plástica com fins unicamente estéticos. Tem gente que não gosta do nariz, vai lá no médico e serra. Ou tá se achando meio acabada e providencia aquela meia-sola. Como não sou chegado a hospital, fico fora dessa.

O Brasil, por sinal, é o líder mundial em cirurgias plásticas. Só que a preocupação do ser humano com a aparência parece ter chegado às raias do Olimpo.

Veja o caso de Eros, o Deus do Amor na mitologia grega. Sempre o vejo, pois ele costuma fazer ponto ali na entrada do túnel que separa Copacabana de Botafogo. Fica ali, olhando as ciclistas, de vez em quando dá um tiro certo...

Até já contei aqui que ele perdeu a cabeça uma vez por causa de uma formosura moradora da Rua Siqueira Campos, lembra?

(Se não lembra ou não leu, clique aqui)

Bom, depois de uns tempos sumido, o garanhão imortalizado nos filmes de Walter Hugo Khoury, reapareceu na área. E, pasmem, garanto que passou por uma recauchutagem geral na clínica do Ivo Pitanguy. O renomado mago dos bisturis, soberano de caras alheias, não cobra barato. Mas grana nunca faltou ao playboy Eros, que vive dos royalties pagos por cada vez mais sex shops mundo afora.

Mas que ele entrou na faca, entrou. Só pode! O cara era assim, como mostra essa foto tirada há cerca de cinco anos:


E reapareceu assim!


As pessoas deveriam aceitar e curtir a passagem dos anos, mas é difícil ver no espelho diariamente o próprio envelhecimento.

O que não impede que muitas plásticas fiquem simplesmente ridículas...

No caso de Eros, pelo menos, serviu para ele se animar e voltar a colocar as asinhas de fora. Embora fosse mais bonito antes (esse permanente no cabelo ficou de doer).



Agora, falando sério. A impressão inicial é de que a equipe de restauração da prefeitura do Rio ignorou a escultura original da fonte Adriano Ramos Pinto, inaugurada em janeiro de 1906 no bairro da Glória e transferida para a entrada do Túnel Novo em 1935.

Só que há outra versão: a de que o novo rosto é, este sim, o original da estátua e que o anterior havia sido feito aleatoriamente após uma depredação, sem uma foto da fonte, só agora encontrada, no livro Fonte Adriano Ramos Pinto _ O vinho do Porto e a arte da Belle-époque no Rio de Janeiro, de Ana Filipa Correia.

A obra em estilo neoclássico era belíssima, mas foi mutilada por vândalos durante décadas.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Salve-se, Jorge!

Como estamos no Rio de Janeiro, tudo aqui acaba em samba, cerveja e confusão.


Foto: Marcelo Migliaccio



Até uma pretensa celebração religiosa pelo dia de São Jorge. Passando de bicicleta pelo Centro do Rio vazio no feriado, eis que me deparo com o que, pelo vermelho-e-branco dominante na paisagem, parecia um encontro de confraternização entre as torcidas do Internacional, América, CRB, Sergipe e a rapaziada da escola de samba do Salgueiro.


Foto: Marcelo Migliaccio

Olha só o tamanho da fila para entrar na igreja, isso por volta das sete da manhã. Muitos acordaram cedo, outros nem dormiram, viraram a noite ali mesmo, nas barraquinhas.

Foto: Marcelo Migliaccio


Só que na hora de entrar no templo, a fila se transformava num fenomenal empurra-empurra. Todo mundo esquecia a fraternidade e até pisoteava seu semelhante nas barbas do santo guerreiro. Nem dragão levou boa vida...





A emissora oficial dos católicos estava lá, com link ao vivo. Já a dos evangélicos ignorou solenemente o evento.

Foto: Marcelo Migliaccio

Um senhor (parcialmente encoberto na foto abaixo) não conseguiu entrar na igreja e reclamou com os guardas municipais. Disse que chegou às quatro da matina e, na hora H, foi excluído com a família pelos furões de fila. Mal disfarçando o ar de deboche, os GMs disseram que o problema era da PM e não deles. É incrível como os agentes públicos sentem um prazer inconfessável em negar ajuda ao cidadão que, em última análise, paga seus salários.


Foto: Marcelo Migliaccio



O pobre homem foi então até um carro da Polícia Militar, alertando para o tumulto na frente da igreja, mas, assim como os agentes municipais, os estaduais também, como se diz aqui no Rio, "cagaram e andaram" para o velho e sua denúncia.


Foto: Marcelo Migliaccio


Melhor fizeram essas crianças, que, em meio a sapatos e calças brancas e camisas em todos os tons de vermelho, aprontaram uma guerra particular de isopor esfarelado.


Foto: Marcelo Migliaccio



E salve-se quem puder, Jorge!


Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sem embargo

Copacabana, Rio de Janeiro. Brasil

Linkindim de iá iá

Assim como tinha feito no Facebook, decidi encerrar minha conta recém-criada numa rede social depois de receber um perfil profissional mais ou menos assim:

NOME

Alisandro Cresci (nome artístico)

PROFISSÃO

Figurante de TV

EMPRESA

Agência Novos Talentos e Velhas Desculpas

ÊXITOS PROFISSIONAIS

Numa cena da novela Amor com sexo se paga, junto com populares, xinguei o personagem do Francisco Cuoco quando ele passava de carro.

FORMAÇÃO

Curso de atores Canastra Real

OCUPAÇÕES ANTERIORES

Técnico de futebol

CONQUISTAS

Classifiquei o Vasquinho de Irajá para a semifinal do Torneio da Linguiça, em 1978, e revelei o Paulinho Dorme Sujo, que depois jogou no Bonsucesso e no Galícia da Bahia.

OUTROS CURSOS

Programador Cobol no CEOP

CARGOS QUE JÁ EXERCEU

Encarregado

EMPRESAS

Amigos dos Amigos da Onça LTDA.

Pomba Gira Incorporações

ASPIRAÇÃO SALARIAL

Sim, todo mês aspiro meu salário inteirinho.

ATIVIDADES PARALELAS

Piloto de fuga e salva-vidas de piscina de plástico. Também choro em velório mediante cachê.

PERFIL PROFISSIONAL

Pró-ativo extremamente agressivo (joguei uma máquina de escrever em cima de um produtor uma vez porque ele cortou um close meu).

RESUMO DOS SEUS OBJETIVOS NA CARREIRA

Quero aparecer na Revista Caras e ser entrevistado pelo Jô Soares. Ah, também quero que o Faustão rasgue seda pra mim num Arquivo Confidencial.

ESPORTES QUE PRATICA

Atletismo de alcova, arremesso de guimba (bituca) e levantamento de copo

IDADE

Sub judice: aguardando resultado do teste de Carbono 14

ESTADO CIVIL

Ah... eu tenho um montão de história...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Pagando a conta com a vida

Até quando os norte-americanos vão sofrer por causa da política externa adotada por seus governantes há décadas?

Talvez pelo mesmo período de tempo que os brasileiros penarão por conta dos governantes, deputados e senadores que, salvo honrosas exceções, elegeram e elegem desde a proclamação da República.

Ou seja: a culpa, nesse caso, é de quem sofre, porque os americanos é que legitimam seus mandatários arrogantes, assim como nós fazemos com nossos legisladores incompetentes e corruptos.

As bombas na maratona de Boston, que vitimaram homens, mulheres e crianças reunidos num dia festivo, certamente não explodiriam se os Estados Unidos abrisse mão da posição de polícia planetária que vêm assumindo. Curiosamente, são eles mesmos que se dizem os guardiões das liberdades dos povos. Liberdade desde que rezem pela sua cartilha?

E, para os que precisam de tudo dito com todas as letras, friso que não estou justificando nem muito menos defendendo barbáries como a de Boston ou das Torres gêmeas, mas quem semeia rancor e ressentimento não pode esperar colher flores.

Lembram-se do Vietnã? Os vietnamitas certamente ainda se lembram. E as mães e pais dos americanos que morreram do outro lado do mundo a troco de nada também.

Tensão entre as Coréias? Lá vão os porta-aviões dos EUA fazer manobras do outro lado do mundo.

Conflitos entre judeus e palestinos? Lá estão, firmes, os americanos a apoiar Israel incondicionalmente, ignorando a fome a sede a opressão que assola as famílias palestinas.

Cuba optou pelo comunismo? Eis os filhos do Tio Sam a liderarem um boicote comercial desumano na esperança de que o regime de Fidel Castro seja derrubado por um povo que vive em privações. E até que está demorando...

Ocupar o Iraque? Isso é coisa de criança. Colocaram uma UPP gigante lá depois de forçar o ditador Saddam Russein a se esconder num buraco de rato.

Na Líbia, o esquadrão da morte correu para eliminar Muamar Kadafi sem direito a julgamento.

Na América do Sul, financiaram e sustentaram ditaduras por muitos anos. Sorte deles que no cone sul o povo em geral é mais pacífico, ou apático...

Só não se metem com os desmandos de Vladmir Putin na Rússia, nem com a potência chinesa porque ali o buraco é bem mais embaixo...

Que se dane a soberania afegã se uma força tarefa pode violar suas fronteiras para caçar Bin Laden.

E, assim, árabes de todos os matizes continuam alimentando seu ódio.

Bushs e Bushs depois, Reagans e Reagans depois, os cidadãos americanos continuam pagando a conta da prepotência republicana e da fraqueza democrata. Ambas as correntes seguem, aliás, legitimadas pelos votos de muitos dos que ontem voaram pelos ares em mais um espetáculo de selvageria humana transmitido via satélite para o mundo assistir.

É por isso que hoje todos os americanos é que deveriam sair às ruas e gritar:

_ Yankees, go home!!!

domingo, 14 de abril de 2013

Desaparecido

Procura-se uma criança
Quem procura é um velho

Não foi a criança que se perdeu
Foi o velho que a deixou

Na época ainda era moço
Achava que podia tudo

E que a criança tomava seu tempo
Que, sem ela, ele seria mais forte

Queria deixar pra trás suas fraquezas
e enfrentar o mundo sem medo

Achava-se forte, achava-se muito forte
Tinha todas as armas para nunca mais chorar

"Choro é coisa de criança"

Acreditou que podia viver sem tristeza
E que alegria se comprava pronta

Mas o tempo passou
Suas armas falharam

Todas elas

Hoje o velho chora sozinho
Pede socorro, sabe quem poderia salvá-lo

Mas não consegue mais achar a criança perdida dentro de si

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Anos de chumbo e batom

Terminei a leitura do interessantíssimo livro Um gosto amargo de bala, escrito pela jornalista Vera Gertel, também uma atriz de carreira construída principalmente no teatro.

Vera permeou sua própria biografia com a história política e social do Brasil dos anos 30 até 1974, quando a ditadura militar brasileira começou a dar os primeiros sinais de queda (sacramentada só dez anos depois, com a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República).

Com um texto objetivo e muito informativo, como é próprio dos bons jornalistas, e, além disso, cheio de sensibilidade, característica da alma dos artistas, Vera produziu um documento histórico fundamental para quem viveu e para quem não viveu aqueles anos. Recomendo a leitura principalmente aos jovens, aos adolescentes, porque além de suas próprias descobertas íntimas, a autora conta as angústias e os absurdos da vida sob uma ditadura, fosse a de Getúlio Vargas ou a dos militares pós-1964.

Filha de comunistas, ela mesmo se tornou militante na juventude. Arriscou a vida mas sobreviveu para contar a história. E o faz de forma dinâmica e atraente, desde sua iniciação sexual numa época de extrema repressão moral ao nascimento de seu filho num tempo de repressão política. Narra a dificuldade dos artistas com a censura, as delações e torturas, as fugas para o exílio, as lutas de resistência. Traça ainda um panorama da onda libertária de 1968 pelo mundo e das ditaduras que tomaram conta da América do Sul nos anos 60 e 70.

Um trecho:

Quando eu fazia Pequenos burgueses, de Górki, com o grupo Oficina, na Maison de France, em 1965, uma noite o presidente (general) Castello (Branco) foi nos assistir (...) No intervalo entre o segundo e o terceiro atos, pediu para cumprimentar a equipe no palco, com as cortinas fechadas. Fui contra, junto com uma gaúcha guerreira também do elenco. Sentadas nos degraus à porta dos camarins, eis que o presidente e seu ajudante de ordens passam por ali inesperadamente para atingir o palco pelos fundos. Castello passou entre nós duas e cumprimentou:

_ Boa noite.

Silêncio.

O restante do elenco, enfileirado no palco com o diretor, foi cumprimentado com um aperto de mão e agradeceram. Nenhuma reação. Raros são os resistentes a cumprimentos, venham de onde for.

Ao final, fica difícil saber qual parte do livro é mais enriquecedora, se a história particular de Vera Gertel ou a trajetória social e política do Brasil.

Reprodução
Bilhete escrito pelo revolucionário Carlos Marighella para a autora do livro


Um gosto amargo de bala (Editora Civilização Brasileira, 271 págs.)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O lixo ocidental

A prefeitura do Rio decidiu multar quem for flagrado jogando lixo no chão.

Tudo bem, já que não se consegue educar um povo, é preciso pegá-lo pelo bolso mesmo. E a pessoa que suja as ruas é a mesma que reclama das enchentes causadas por bueiros entupidos... de lixo.

Mas que multa merece essa prefeitura por recolher o lixo reciclável separado por tanto esmero pelos moradores do meu bairro e jogar num caminhão que prensa tudo?

Foto: Marcelo Migliaccio
Enigma: isso é coleta seletiva?
De que adianta separar alumínio de vidro e de papel se tudo vai virar uma massaroca só no caminhão? E pilhas e baterias misturadas a embalagens retornáveis?

Esse é o procedimento correto? Como separam tudo depois? Uma esteira inteligente e sensível? Isso é que é esteira!

E ainda tiveram a cara-de-pau de pedir, em folhetos distribuídos, que cada material fosse separado por nós em sacos transparentes...

"O material ofertado para a Coleta Seletiva deve ser acondicionado em sacos plásticos transparentes para que o Gari possa visualizar o seu conteúdo bem como detectar a possível presença de material orgânico, contundente e perfurante no seu interior."

Para quê?

O pior não é a Companhia Municipal de Limpeza Urbana fazer isso. O pior é ela fazer isso ainda na rua, diante dos nossos olhos sem maiores explicações.

Divulgação

Pra mim, o caminhão é esse...



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Jornalismo de supermercado

Seria gozado se não fosse revoltante.

Apesar de o governo ter cortado os impostos federais dos ítens da cesta básica que ainda não eram isentos, os preços da maioria dos produtos subiram em 16 dos 18 estados pesquisados pelo Dieese.

A grande imprensa trata o caso como uma derrota do governo, uma medida econômica que se mostrou inócua.

Nenhum telejornal ou jornal ou revista foi em cima dos produtores rurais nem das grandes redes de super-hiper-mercados. Aliás, palmas para os pecuaristas nesse momento já que a carne bovina foi um dos poucos produtos cujo preço caiu. Mas as reportagens não se aprofundam, não buscam as raízes do fato, os responsáveis pela carestia extemporânea.

Sabe por quê?

A resposta está na quantidade de anúncios de supermercados nas páginas dos jornais, revistas e nos intervalos dos programas de rádio e TV. Com o rabo mais do que preso, os corneteiros da oligarquia encarregam-se de fazer a cortina de fumaça na mídia: "culpa da chuva, da alta do frete, da demanda aquecida"...

Isso pode afetar um produto ou outro, mas tanto assim cheira mais a efeito mentira do que a efeito cascata.


Aguarda-se uma reação governo, não contra o noticiário manipulado, evidentemente, pois este não tem cura, mas contra a afronta do setor agropecuário e do comércio varejista. Manter os mesmos preços depois da redução de impostos já teria sido um acinte; aumentá-los, então, foi absurdo! Embolsaram o lucro inesperado e, como sempre, o povo que se dane. Dilma chamou seus ministros para analisar a alta geral, vamos ver o que farão. É bom lembrar que os suspeitos são grandes doadores de recursos para campanhas políticas.

Entre balcões e prateleiras inatingíveis, o consumidor, a parte teoricamente mais interessada, também não fez nada, afinal o brasileiro é campeão mundial de apatia. Se tiver uma cervejinha pra tomar e uma novela pra assistir, tá tudo certo...


Foto: Marcelo Migliaccio

domingo, 7 de abril de 2013

Homenagem

Falam muito em gênios por aí. De quinze em quinze minutos, a imprensa elege um gênio pra vender pôster e um judas pro povo malhar.

A última foi dizerem que Steve Jobs, o dos computadores, foi um gênio. Gênio assim, com "Gê" maiúsculo, houve poucos. Entre eles, está, sem dúvida, Antônio Franscisco Lisboa (1738-1814), apelidado de Aleijadinho numa época que o políticamente correto era ensinado no pelourinho...

Escultor fenomenal a despeito da grave doença que o acometeu, chegava a pedir que lhe amarrassem as ferramentas de entalhe ao que lhe restava dos braços para continuar trabalhando. Mesmo nessas condições, produziu obras eternas, como essa, exposta num museu do Rio. 


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Experimenta!

Não gosto de ficar repetindo temas aqui, mas...

...  a publicidade abaixo me chamou a atenção pelo evidente apelo que tem junto a crianças e pré-adolescentes.

Mais uma aberração no país onde as grandes corporações podem tudo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Dizem que Cuba vive sob a ditadura dos irmãos Castro, e a Coréia do Norte sofre com aquele líder baixinho gorducho que estudou na Suíça e agora está chamando os americanos para a briga.

E nós, que vivemos sob o jugo do poder econômico? Estamos em pior situação que cubanos e norte-coreanos? A julgar pela permissividade do Judiciário, pela complacência do Executivo e pela inoperância do Legislativo, melhor não estamos. O ditador aqui é o dinheiro.

E a imaginação dos executivos da indústria cervejeira não tem limites quando se trata de "conquistar novos mercados".

Olhe o que lançaram agora!

Sorvete de cerveja, com álcool, claro.

Foto: Marcelo Migliaccio



Leia também:


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Caos

O desastre com um ônibus ontem na Avenida Brasil tem vários culpados.

O motorista estressado e mal educado que não esperou todo mundo descer no ponto e dirigia em alta velocidade.

O universitário troglodita que não conseguiu descer e resolveu agredir o motorista com o veículo em movimento, causando o acidente. Segundo testemunhas, foram quatro chutes contra a cabeça do condutor.

Aqueles que, na mídia ou fora dela, contribuem para a glamourização do chute na cara.

A Justiça, que deveria ter punido esse jovem, de 25 anos, nas duas vezes em que ele foi parar na delegacia (por agredir o cunhado e uma senhora que fora lhe cobrar o aluguel).

A empresa de ônibus, que colocou um veículo na rua mesmo com o licenciamento vencido há quase dois anos e que obrigava motoristas a trabalharem até 19 horas seguidas, alguns ainda fazendo o trabalho de cobrador. E, se mantém motoristas que desrespeitam passageiros e as leis de trânsito, deveria ser responsabilizada, pois o empregado é a cara da empresa.

A prefeitura, que não fiscaliza nada e parece comer na mão das empresas de ônibus.

O governo do estado, que permitiu que um veículo com 46 multas, sendo 14 por excesso de velocidade, continuasse nas ruas.

Eu e você, que aceitamos tudo passivamente, tornando-nos cúmplices por acomodação.

Só não têm culpa os sete mortos e 10 feridos, quatro deles em estado grave.

Ah, para completar o festival de absurdos, o delegado encarregado do caso, inexplicavelmente, também indiciou o motorista por homicídio doloso. Ou seja, o cara leva um chute na cara de um passageiro celerado e é considerado culpado também. A família dele está indignada e com razão.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Texto publicado em 1922

Vê-se coisas vergonhosas,
É difícil de se comprehender,
Nestes políticos manhosos,
Que tudo querem vender

Vendem terras e navios,

Vendem tudo, até estradas,
Porque os cofres estão vasios
Das immensas tratantadas

O Brasil está vendido

Por governo passado
Eu já vi até o recibo
Por alguém mostrado


Autor: Benjamim Costallat

(cronista da época)