Translate

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Aqui, tudo fica por isso mesmo

Sabe aqueles filmes de faroeste? É, aqueles em que uma gangue de facínoras aterroriza um povoado até que um xerife macho pacas chega e acaba com a bagunça? Pois não sou daqueles que vê esse tipo de filme como retrato de um passado distante, época em que não existia lei e tudo era resolvido na bala.

Acho que ainda vivemos exatamente como nas películas de John Wayne sobre o velho oeste americano. Ou você acredita que existe justiça e que a lei é respeitada?

Tudo aqui, em pleno século 21, ainda é resolvido na bala.

Veja a tocaia para matar a juíza em São Gonçalo. E, depois da barbárie, um alto oficial da PM ainda intercedeu pelos colegas presos por passar fogo na magistrada. O crime dela? Ousou punir milicianos.

Vivemos no país onde se mata e fica por isso mesmo.

Agora, o deputado Marcelo Freixo (Psol), está sendo obrigado a sair do Brasil com a família, pois várias milícias colocaram sua cabeça a prêmio.

_ É velho oeste ou não é, auditóriooooo!? _ perguntaria o Silvio Santos.

Freixo, em quem votei para que se reelegesse no último pleito, também ousou presidir uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio que investigou o modo de agir e identificou integrantes das milícias fluminenses.

Como reconhecimento por seu trabalho, teve que passar a andar com seguranças 24 horas por dia e a aturar ameaças a sua integridade física e as de seus parentes. A coisa foi ficando tão feia para o lado dele que, nesta terça-feira, amparado pela Anistia Internacional, Freixo e família viajam para país não divulgado sem previsão de retorno.

A impunidade é o câncer do Brasil. Os jovens de hoje não querem mais saber de estudar porque vêem que aqui é o crime que compensa. Não cresceram com a ideia de que fazer as coisas certas leva a bons resultados. Isso não está no subconsciente da juventude. Os noticiários lhes mostram, desde cedo, que quanto mais se rouba, mais seguro se fica. E que quem quer remar contra a correnteza, como a juíza e esse deputado, acabam tendo que fugir para escapar dos pistoleiros, categoria profissional que virou uma autêntica instituição nacional.

Mataram Chico Mendes, mataram a freira Dorothy Stang, mataram tanta gente, e ficou por isso mesmo.

Então, só nos resta fazer um último apelo:

_ John Wayne, venha logo!

Se o capitão Nascimento não deu jeito, quem sabe esse cabra aí dá...

sábado, 29 de outubro de 2011

A garota de Ipanema



O que me chamou a atenção foi a altura do saco de latinhas, quase do tamanho da catadora e rivalizando em perspectiva com o Morro Dois Irmãos ao fundo. Era uma pilha ensacada sobre um carrinho, que ela empurrava pela paisagem paradisíaca da Praia de Ipanema.

_ Você catou isso tudo sozinha? _ fui logo perguntando (ô raça perguntadora essa de jornalista).

_ Foi _ disse ela, voz baixa, me olhando de canto de olho, visivelmente desconfiada.

Reparei que ela usava luvas, um cuidado pouco visto entre os catadores.

_ A que horas começou?

_ Ontem, às sete da noite.

Eram nove e meia de uma linda manhã de sol. A mulher havia recolhido latinhas no chão e nas lixeiras durante toda a noite.

_ Há quanto tempo você cata latinhas?

_ Eu não cato sempre, não, estou fazendo isso pra pagar a minha taxa de incêndio _ surpreendeu-me ela.

Pela roupa e o jeito de falar, percebi logo.

_ Você é crente?

_ Sou.

Não vou dizer a qual igreja evangélica ela pertence porque não tive autorização dela para identificá-la. Mas é uma igreja grande, enorme. A mulher disse frequentar os cultos há uns sete anos e, como obreira, ganhou um apartamento para morar. Só que a igreja não paga a taxa de incêndio, o que obrigou-a, aos 56 anos, a se virar no extenuante trabalho de catar latinhas, amassá-las e vendê-las.

No mercado 65 latinhas, que pesam cerca de um quilo, são vendidas por R$ 2,50, em média.

Além de passar a noite inteira andando atrás da sua taxa de incêndio, ela ainda iria amassar uma por uma e levar até um ponto de venda.

_ Mas eu faço uma coisa que Deus não gosta _ falou, causando-me nova surpresa.

_ O quê?

Ela parou por alguns segundos, como que a pensar se valia a pena mesmo contar aquilo a um estranho. Acho que ela precisava contar, então, melhor que fosse a um estranho.

_ Quando eu amasso as latinhas, coloco areia dentro para pesar mais.

_ E eles não percebem.

_ Não. É muita latinha. Agora eu vou indo.

E lá se foi ela, andar vagaroso, em meio às garotas de Ipanema mas não a caminho do mar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Amy, o resultado

Você viu o resultado final do exame no corpo da cantora Amy Whinehouse?

Não?

Eu vi, escondidinho num canto baixo de um desses sites de notícia. Nos jornais impressos, só o estadão deu na primeira página, mesmo assim com o menor tamanho de letra disponível. O Globo e a Folha, nem isso.

Não foi a heroína, a cocaína, o crack ou qualquer outra substância proibida e demonizada o agente químico que determinou o colapso fatal da melhor cantora surgida nos últimos, sei lá, 30 ou 40 anos.

O álcool a matou. Isso mesmo: overdose de álcool. Seus órgãos e seu sangue estavam encharcados de vodca.

No veredito dos legistas, está a razão para que a notícia fundamental no caso tenha sido escondida, quase sonegada pelos meios de comunicação de massa: a causa da morte.

Um contraste gritante com o alarde que fizeram quando ela foi encontrada morta, há uns dois meses. Editores salivavam nas redações imaginando o carnaval que fariam quando a substância ilícita fosse anunciada.

Agora, o anticlimax. Amy morreu de beber, aos 27 anos. Nisso, ela difere de Hendrix e Janis Joplin.

A razão de mais essa derrapada da mídia é que o álcool é parceiro. Nos cofres das emissoras de TV, por exemplo, entram bilhões direto da conta de quem produz e vende bebidas alcoólicas.

E não fica bem para um sócio tão antigo e nobre ser associado em manchetes à morte de um ícone mundial cultuado também pelos adolescentes.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O burro e o inteligente

Marcelo Migliaccio


Já xinguei muita gente de tudo que é nome. Quem não xingou, que atire o primeiro palavrão.

É salutar, desopila, se bem que é sempre bom manter a diplomacia. O fair play manda ir primeiro com os dois pés no peito do sujeito e só depois proferir o  impropério de boas-vindas.

Tenho uma amiga que é adepta da xingoterapia, uma arte milenar que consiste em passar 15 minutos mandando Deus e o mundo "praquele" lugar. Não, Deus ela não manda, não, porque é muito católica. No final, a moça garante, está novinha em folha para continuar a levar as traulitadas da vida.

Mas, falando sério, há uma coisa de que nunca se deve xingar uma pessoa.

De burro.

Ser burro é a pior das infelicidades humanas. O burro não tem futuro, nem presente, só um passado de frustrações. Quem não tem inteligência sofre muito. E, além de tudo, é uma injustiça com o burro animal, que não é mais burro que uma vaca ou um cavalo.

É o golpe baixo do xingamento: chamar de burro.

Quando se xinga alguém de FDP ou manda-se-o para a PQP, está implícito que aquilo é um mero chamamento para a briga. Ninguém conhece a digníssima genitora do oponente, quer apenas amassar-lhe a fuça o mais rapidamente possível.

Mas xingar alguém de burro cala fundo. Não há nem forças para uma reação física. O humilhado se dobra, resignado, nocauteado por sua própria condição intelectual, imutável, irreversível.

É desumano. O burro sofre dia e noite com algo que não pode modificar. O burro não fica inteligente nem se tiver dez pós-graduações. Em 26 anos de jornalismo, algumas das pessoas mais burras que entrevistei foram acadêmicos, professores universitários. Tinham vários títulos e aquele jargão que é o refúgio dos medíocres, mas era claro que não enxergavam um palmo à frente do nariz.

Faço a ressalva que tive alguns ótimos professores, mestres do conhecimento e da vida.

Os inteligentes, quando o são de verdade, muitas vezes conquistam poder e fortuna mesmo sem estudo, quando, evidentemente, se propõem a isso. Do outro lado, grandes empresas vão à falência pela burrice de seus gestores.

Silvio Santos é catedrático? Não, é um gênio da comunicação e dos negócios (ok, bajular a ditadura militar ajudou um pouco).

E Lula, o presidente que declarou não gostar de ler, mas se preocupou em construir faculdades? Sem estudo, deu bolsas a centenas de milhares de jovens carentes, para que não sofram o preconceito que ele sofre.

Isso é inteligência.

Na grande imprensa, os lacaios imortais só lembram que Lula não gosta de ler. Isso é burrice. Ou mau-caratismo.

A burrice está acabando com o planeta, Porque ser ganancioso é um sinal de limitação extrema, assim como ser egoista. O burro quer acumular porque é inseguro e tem medo de perder. Se puder, impede que seus semelhantes tenham iguais condições de desenvolvimento e concorrência. Não quer nem ouvir falar em bolsa família, por exemplo, porque ela é uma chance de um futuro melhor para muitos.

Quanta gente inteligente eu já vi condenada a limpar banheiros...

Como dizia Darcy Ribeiro, se deixarem esse povo se desenvolver, sai da frente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Eu quis, quis muito

Vou fazer uma revelação. Sei que a internet não é lugar para confidências mas é algo que não cabe mais dentro de mim. Tenho dois traumas de infância jamais superados. Não consigo aferir o tamanho das consequências dessas frustrações, embora sinta que elas estão aí e se manifestam nas pequenas decisões que tomo e nos grandes dilemas que me atormentam.

Vou falar.

Quando pequeno, eu queria ter, e nunca tive, um Pega Pega Trol e uma bicicleta Tigrão. Tive outros brinquedos, não fui uma criança pobre, mas quis muito esses dois e não ganhei. 

O Pega Pega Trol era um mini-autorama onde dois carrinhos circulavam por uma pequena pista. Quem teve infância nos anos 70 deve lembrar do brinquedo. Ei-lo:


Olha a empolgação da molecada!

Contribuiu em muito para o meu extremo querer a propaganda na TV, em que dois pirrralhos se esbaldavam diante da engenhoca colorida. A música era vibrante, dando ao brinquedo uma aparência e uma grandiosidade que certamente não tinha. No entanto eu sonhava ver aqueles carrinhos atropelando meus bonecos do Forte Apache.

Tive até um autorama, tão grande que dava preguiça só de armar (quem tinha um daqueles precisava ter um quarto só para ele ficar armado permanentemente). Desarmar então era torturante. Mas não tive o Pega Pega. Minha mãe argumentou que eu enjoaria logo daquilo, o que provavelmente era verdade mas toda vez que lembro daquele anúncio me vem o fantasma do gozo não vivido.

Também quis muito, muito, ter uma Tigrão. Era uma bicicleta moderna para a época, com um design avançado, que subvertia os padrões. Guidon comprido, banco de moto, roda da frente menor que a de trás. Veja!


Parecia aquelas motos do clássico filme 'Sem Destino' ('Easy Rider')

Tive três bicicletas durante a infância e a adolescência. Não ao mesmo tempo, claro. A primeira foi uma Monark Olé 70, modelo lançado quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial de futebol no México. Nunca me esqueço de contemplá-la. novinha e cheirosa, sentado no chão da sala e ouvindo meus pais discutirem. Tive também, mais tarde, outra Monark, modelo Jet Black, que eu achava meio espalhafatosa de tão moderninha, mas _ fazer o quê? _ ganhei de aniversário, ou de Natal, sem chance de escolha na loja. Foi surpresa. Fazer uma surpresa para alguém é sempre uma operação de alto risco. A terceira bicicleta, eu já adolescente, foi uma Caloi 10, quando esse modelo similar às de corrida, virou febre, lá pelos idos de 1978.

Mas eu quis mesmo foi uma Tigrão, como as que tinham meus vizinhos. Entretanto, minha mãe, de novo ela, esse super ego ambulante que nos protege, tutela, patrulha e frustra na primeira fase da vida, disse que eu logo ficaria maior, e a Tigrão se tornaria pequena demais. Um argumento prático e inteligente economicamente falando, mas que me deixou deveras desapontado.

E o mais incrível foi que a minha prima acabou casando, anos depois, com o garoto que fazia a propaganda da Tigrão na TV e nas revistas. Quando o conheci pude dizer ao felizardo como o invejei em cima daquela bicicleta...

Peço desculpas se meus frívolos traumas decepcionaram que esperava algo mais trágico, bizarro, estilo Nelson Rodrigues...

Mas só quem não conheceu e quis uma Tigrão e um Pega Pega Trol pode desedenhar dessa chaga.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A PM planetária apagou mais um




Já disse aqui, e é sempre bom repetir, que odeio ditaduras.

Mas só o povo pode enxotar ditadores do poder. Kadafi ficou 42 anos governando a Líbia. Mesmo nos noticiários viciados das agências internacionais, em momento algum vimos multidões de líbios nas ruas gritando contra seu "papai". Sim, ele era chamado de "papai".

Vimos a Otan guerreando as forças leais a Kadafi com tanques e mísseis. O que a Otan foi fazer na Líbia? Salvar o povo? Não creio. Ou teria que invadir dezenas de países governados com mão de ferro.

Foi atrás de petróleo, claro.

Chefiada pelos Estados Unidos, a polícia planetária acaba de cometer mais um achaque. Já havia exterminado Osama Bin Ladem como fazem os esquadrões da morte. Nem o corpo do terrorista sobrou para contar a históra.

Agora, as muitas versões para as circunstâncias que Muammar Kadafi foi morto mostram que desta vez também não haverá boletim de ocorrência.

Prendê-lo e julgá-lo numa corte internacional também seria ridículo, mas pelo menos daria uma certa aparência de legalidade à coisa.

E se um dia esses caras, de olho nas nossas reservas de água potável, resolverem que devem salvar o Brasil? É bom lembrar que temos muitas riquezas naturais, motivo mais do que suficiente para que a PM planetária venha nos "proteger".

Bom, eu disse que odeio ditaduras.

Inclusive a do dinheiro, que vigora em todos os quintais dos Estados Unidos. Se você tem a prata, pode tudo, se não tem vá lavar um banheiro de bar imundo, como teve que fazer o rapper Thaide no bom programa A Liga, da Band, em que precisou se virar com um salário mínimo.

Por isso apoio as políticas de distribuição de renda do governo brasileiro. Porque as pessoas não podem ser condenadas a viver sob o cabresto da pobreza. A todos deve ser dada a chance de se alimentar, ter uma moradia digna e estudar.

Outro dia, um jornal colocou na manchete que o governo gastou mais com programas de distribuição de renda do que com "investimentos".

No dicionário desse jornal (e da casta da qual ele é porta-voz) alimentar um povo não é investimento. Para eles, investimento é dar o dinheiro do pais a grandes conglomerados empresariais.

Investimento é café, almoço e janta para todo mundo. De barriga cheia, cada um vai à luta. Com fome é que não dá.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O petróleo é do Brasil

Os cariocas que me perdoem, afinal eu também sou daqui. Também os fluminenses me desculpem, pois, além de tudo, torço pelo tricolor (foi mal o trocadilho).

Mas eu acho muito justa essa redivisão dos royalties do petróleo. O petróleo não é do Rio, do Espírito Santo ou da Bahia. É do Brasil e, portanto, todas as unidades da federação têm o direito de beneficiar-se de seus dividendos.

Ok, estados produtores precisam ter salvaguardas já que estão sujeitos a acidentes. E um acidente com petróleo não é brincadeira. Que o digam os peixes e os pássaros... notadamente os tucanos, que deixaram afundar a P-36, a maior plataforma do mundo, quando tentaram sucatear a Petrobrás para privatizá-la.


Além do mais, quando o petróleo é extraído do mar, a área é da União e não do estado litorâneo.

Não é justo que poucos estados fiquem com a parte do leão, embora a coisa tenha se transformado numa discussão muito mais bairrista do que econômica ou ambiental.

Dizem que o Rio perderá R$ 6 bilhões com a mudança na lei, já aprovada pelo Senado. A imprensa daqui trata a coisa como uma disputa de futebol. "Senado vota contra o Rio" e coisas do gênero.


Aliás, apoiar a redivisão dos royalties é pecado mortal nas redações do Rio. Ai do jornalista que defendê-la. Vai acabar como frentista de posto de gasolina, se tiver sorte...

E, de mais a mais, o que o Rio tem feito com os recursos? Investiu em professores? Em policiais? Em escolas em tempo integral? Se investiu, ainda foi muito pouco, pelo que se vê por aí.

E Campos? E Macaé? Como gastam os milhões do petróleo? Pelo que sei, o grosso vai para a manutenção de currais eleitorais.


Até entendo a campanha que estão fazendo o governador e o prefeito do Rio em favor dos royalties, mas onde está o patriotismo deles? Não são federalistas? Como vão poder se candidatar a presidente tendo pregado privilégios a três estados em detrimento da Nação? Como comungam na missa dominical se não querem dividir o pão?

O petróleo é nosso. Dos brasileiros. E não dos cariocas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Maluco beleza

A música é linda, mas a gravação, com certeza, não é das melhores. Foi a que eu pude encontrar cantada ao vivo pelo próprio.

Maluco beleza.

"Nesse caminho que eu mesmo escolhi, é tão fácil seguir... por não ter aonde ir".

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Telejornais: aula de manipulação

Não dá mesmo pra assistir aos noticiários noturnos da TV (vi parte de dois deles nessa noite de segunda-feira e bastou para saber o tom de todos os outros).

O exemplo que tomo é o caso das denúncias de um ex-policial contra o ministro dos Esportes, Orlando Silva, publicadas pela revista-que-pensa-que-o-leitor-é-cego neste último fim de semana.

Que revista? Aquela cujo repórter tentou invadir o quarto de José Dirceu num hotel de Brasília, lembra? E dizem que Dirceu é que é o bandido...

Desta vez, o acusador, preso pela Polícia Federal no ano passado com outros quatro por fraude, diz que uma ONG de fachada recebeu R$ 40 milhões para programas esportivos com crianças carentes e desviou o dinheiro. Segundo ele, o ministro recebeu maços de notas de R$ 100 numa caixa de papelão na garagem do ministério.

Ok, a reportagem não apresenta provas, só acusações. É muito fácil acusar, basta ter um microfone oportunista por perto e nada a perder. O acusador diz ter gravações. Mas o que está esperando para mostrá-las? Por que não mostrou ao repórter? Se mostrou, por que a revista não as transcreveu?

Mas os telejornais da Band e do SBT já condenaram o ministro. Repercutem as denúncias da revista com ênfase que nem a revista deu.

A revista, muito a contragosto certamente, publica que o dinheiro desviado teria ido para o caixa do Partido Comunista do Brasil, mas pelas reportagens da TV parece que Orlando Silva gastou tudo com seu próprio bem-estar.

Se uma informação é omitida, a sujeira fica subentendida. E os verbos, cuja escolha evidencia toda a má intenção e má vontade contra uma das partes contida num texto jornalístico, também mostram que a grande imprensa já condenou mais um.

Não sei que interesses podem estar por trás dessa acusação que agora toda a grande imprensa reverbera. Mas é bom lembrar que há alguns dias um representante da Fifa esteve no Brasil e disse com todas as letras que a entidade vai passar por cima das leis brasileiras na organização do mundial. As primeiras vítimas foram estudantes e idodos, que não terão direito a meia entrada. A proibição da venda de álcool nos estádios também será solapada por causa de um dos patrocinadores da Copa. A entidade que dirige o esporte quer também, fechar todos os estabelecimentos que vendam produtos de concorrentes dos patrocinadores num raio de um quilômetro dos estádios.

Mas acho que não tem nada a ver com isso. É que os editores dos jornais e revistas são obrigados a produzir uma marola contra o governo por semana. Toda segunda-feira, é o mesmo roteiro, só muda a denúncia. Parece até que o senador Alvaro Dias faz parte do elenco, porque dá a mesma entrevista de sete em sete... Dias. E os comentaristas das emissoras, que de neutros não têm nada, vão destilando sua parcialidade numa aula às avessas para os estudantes de comunicação. Isso, meninos e meninas, assistam e aprendam como não se faz

Joelmir Beting chega ao cúmulo de comparar o princípio jurídico da presunção de inocência (a prova cabe a quem acusa) ao direito de um motorista visivelmente bêbado recusar o teste do bafômetro.

No SBT, o aspirante a Joelmir, José Nêumane, também tenta ser irônico para disfarçar o maniqueísmo e sua obrigação quase contratual de ser contra o governo de Dilma Rousseff.

O ministro pode até ser declarado culpado no futuro, mas isso nunca será jornalismo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Bela maneira de começar a semana

BILHETE (enviado por Adriana Rodrigues)

Se tu me amas, ama-me baixinho.
Não grites de cima dos telhados.
Deixe em paz os passarinhos.
Deixe em paz a mim.
Se me queres,
enfim,
tem que ser devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

(Mário Quintana)

Esse poeta maravilhoso nunca foi aceito na Academia Brasileira de Letras, mas hoje em dia a casa fundada pelo grande Machado de Assis aceita qualquer lacaio medíocre que mal sabe escrever...

sábado, 15 de outubro de 2011

Como ganhar na Mega Sena




R$ 246 milhões!

Filas e filas nas lotéricas. Todos sonhando com o que fariam com a grana da Mega da Virada. Mandar o chefe plantar batata deve ser o pensamento de mais da metade dos apostadores. Iates, mulheres, "meus bom drink" etc e tal...

Na verdade, as pessoas jogam para sonhar, e não para ganhar. Um delicioso e revigorante sonho que dura três ou quatro dias.

"Se eu ganhar, compro uma sunga nova e coloco o troco na poupança", delira um rato de praia amigo meu...

Às vezes, todos perdem, e a Mega Sena acumula mais uma vez. É um jogo dificílimo. Uma chance em mais de 50 milhões de acertar.

Há uma semana, com o prêmio acumulado, todos os meus amigos jogaram. Ouvi seus planos mirabolantes e depois testemunhei a frustração coletiva. O mais decepcionado foi um que fez a quadra. levou a migalha de R$ 483. 

Tolo que sou, joguei os mesmos seis números por anos, até o dia em que descobri a única maneira de ganhar toda semana: parar de jogar.

Desde então, na quarta e no sábado, torço discretamente para a minha combinação não sair. Agora, tenho mais de 50 milhões de chances de ficar feliz e apenas uma de me lamentar para o resto da vida.

E economizo R$ 7,50 toda semana.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A última do Alemão

Essa, você ainda não leu na grande imprensa: soldados do Exército e policiais civis trocam tiros no complexo do Alemão "pacificado". A trapalhada teria ocorrido na última terça-feira, segundo reportagem de Patrick Granja, do jornal A Nova Democracia. Como sempre, quem levou a pior foi o morador da favela da Grota, baleado na escaramuça entre as forças de segurança do Estado.

Enquanto os militares atiravam contra os policiais da 22ª DP, a quem teriam confundido com traficantes, segundo a reportagem, o operário da construção civil permanecia sem socorro no chão. A versão dele, de acordo com o jornal, foi registrada na 5ª DP e está no vídeo abaixo.



A reportagem foi reproduzida no site da Agência de Notícias das Favelas (http://www.anf.org.br/)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ira dominical

O carro mal botou a ponta do pára-choque na ciclovia, e ele já explodiu num acesso de fúria.

_ Que isso!? Tá maluco!!? Babaca!

O motorista ficou atônito e com a marca das duas solas daquele ciclista irado impressas no peito.

E o nervosinho continuou, enquanto seguia seu caminho:

_ Não tá vendo a ciclovia!? Porra! Só dando porrada num cara desses...

A manhã de domingo estava linda. Céu azul, sol, crianças por todos os lados, casais, gente correndo, caminhando para a praia. Mas o homem na bicicleta parecia a ponto de explodir a cada instante. A mulher que o acompanhava em outra bicicleta, logo atrás, tinha a fisionomia fechada, tensa.

_ Calma, estamos passeando, você está muito nervoso _ arriscou ela, baixinho, quando as bicicletas ficaram próximas.

_ Eu não estou nervoso!. Eu sou nervoso!! _ respondeu o homem grisalho, sublinhando os dois verbos com uma ênfase que tornava qualquer contra-argumentação um risco.

E, como a mulher se calou após sua resposta, certamente já esperada, ele emendou com um novo comando.

_ Vamos por ali que tem menos carros.

Fiquei pensando no que levaria aquela mulher a conviver com um homem que não fica nervoso, pois, afinal, ele é permanentemente nervoso (e autoritário). O que será que a leva a perder uma manhã mágica de domingo como aquela seguindo um tipo daqueles?

Vai saber...

Se esse cara é assim domingo, imagine na segunda-feira.

Para muita gente ainda vale aquela máxima: antes mal acompanhada do que só.

Só que o tempo que perdemos não volta jamais.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Trânsito, álcool e TV

Neste acidente, em Copacabana, felizmente, só um poste morreu



Foram mais quatro acidentes de trânsito com vítimas neste último fim de semana. Em todos, elementos comuns: pessoas embriagadas ao volante. Todos jovens, uma nem carteira de motorista tinha. A menina voltava da balada, mas, antes da chegada da polícia ao local onde matou um homem de 80 anos que caminhava na calçada, foi em casa trocar a roupa da balada por algo mais discreto. No domingo à noite, outro bêbado atropelou 21 no interior de Minas.

Então, aos que acham que a propaganda de álcool na Tv não influencia essa relação que os adolescentes têm com a bebida, alguns dados:

69% dos anúncios de álcool na TV são feitos durante a
exibição de programas esportivos.

80% da propaganda de bebida é promovida pelas marcas de cerveja durante programas com ao menos 10% de audiência de adolescentes.

Jovens entre 14 e 17 anos consomem 6% de todas as bebidas alcoólicas vendidas no país.

Os jovens com idade entre 18 a 29 anos são responsáveis por 40% do consumo. Esse grupo representa 22% (1/5) da população brasileira, segundo o IBGE.

As faixas de 30 a 39 anos e 40 a 49 anos anos bebem cada uma 20% do total consumido no Brasil.

Em uma análise de 420 horas de programação, foram
encontradas 7.359 peças publicitárias. Dessas, 438, ou 7,6%, eram de bebidas alcoólicas, o sexto produto mais
anunciado.

A partir da análise de cinco anúncios veiculados na TV no verão de 2005-2006 e na Copa de 2006, percebidos como altamente atraentes pelos adolescentes pesquisados, foram identificados diversos pontos que violam a regulamentação nacional, em especial a diretriz que visa proteger crianças e adolescentes e a orientação que proíbe conteúdo incentivando o consumo de bebidas alcoólicas de forma irresponsável.

Os dados são de dois estudos sobre o tema apresentados durante o seminário Álcool, Tabaco e a Publicidade, promovido pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), em maio, na Unifesp, em São Paulo.

Um deles entrevistou cerca de 3 mil pessoas em todo o território nacional e apontou que 5% dos bebedores brasileiros bebem 27% de todo o álcool consumido anualmente no país. E, do total de bebedores, 78% são homens.

O outro, feito pela psicóloga Ilana Pinsky, analisou os anúncios de quatro canais da TV aberta durante duas semanas e durante três períodos de elevada audiência: Carnaval e Copa do Mundo, eventos que atraem a atenção à TV, e a Páscoa, período de descanso em que a televisão também é fonte de lazer e diversão.

Raul Caetano, psiquiatra brasileiro que é diretor regional e professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas, Ronaldo Laranjeira e Marcos Zaleski participaram dos estudos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Estado de sítio

O Exército tem que sair do complexo do Alemão ontem. Ontem não, anteontem.

Além de estar fora de sua atribuição constitucional, a força verde-oliva está se desmoralizando. Suas violências e arbitrariedades contra os moradores daquelas favelas mostram muito mais que falta de tato para lidar com as pessoas dali. Deixam claro que a ditadura militar não acabou, pelo menos nessa região da Zona Norte do Rio.

Concordo que não havia outro meio de tomar aquele território dos bandidos fortemente armados que lá se concentraram. Mas a fase da invasão já passou. Os traficantes fugiram como formigas na pia da cozinha, uma imagem marcante exibida em rede nacional. Só ficaram os pés de chinelo que não tinham ficha na polícia e os 90% da população local compostos por gente que trabalha muito duro a semana inteira.

Pois é essa gente que está sendo punida. Gente que conhecemos bem. pois são os garçons que nos servem nos bares, as faxineiras que limpam nossos banheiros. A eles foi imposto um estado de exceção dentro da democracia brasileira. Não podem fazer um churrasco no fim de semana, um pagode, um baile funk, há militares sempre por perto, vigiando, interferindo. Se viram obrigados a identificar-se várias vezes por dia a soldados que estão cansados de saber quem são.

Se reclamam, é gás de pimenta, cacetete, tiro. Um homem perdeu a visão do olho esquerdo ao ser atingido por uma bala de borracha disparada por um militar. Seu crime? Reclamar de estar sendo vigiado e oprimido 24 horas por dia no local onde nasceu. Mas ele não tem voz. É pobre. Ninguém na beira da praia se importa com seu olho esquerdo. Enquanto os tanques de guerra não chegarem às areias de Ipanema, a classe média não quer nem saber.

O Exército teve recentemente uma péssima experiência no Morro da Providência, a favela mais antiga do Rio, bem no centro da cidade. Durante a ocupação, onze militares entregaram três moradores para bandidos de uma facção rival, numa favela vizinha. Todos foram mortos. Acho que nenhum militar está preso. Um, talvez...
Seria melhor que esse trabalho sujo fosse feito pela PM, que já está acostumada e foi criada para isso. Pelo menos, um dos pilares do estado não estaria jogando seu prestígio na lama com essa repressão absurda e extemporânea. Exército é para defender o país, não para oprimir brasileiros.

A última do comando foi proibir que jornalistas façam imagens dentro das favelas do Alemão. Aconteceu com uma equipe do jornal A Nova Democracia (http://anovademocracia.com.br/no-81/3635-upp-prisoes-assassinatos-e-revoltas), que vem denunciando a revolta dos moradores de favelas com UPPs diante da arbitrariedade da Polícia Militar e do Alemão frente ao Exército. E o cerceamento teria ocorrido também com jornalistas do SBT. Perguntado sobre a medida absurda e antidemocrática, o comando da força de ocupação do Alemão limitou-se a dizer que os soldados que interpelaram os jornalistas entenderam mal a ordem...

Se já espantaram os bandidos, então que policiem as favelas sem tornar a vida dos moradores um inferno ainda pior do que era no tempo de domínio dos traficantes.

Saiu o Comando Vermelho e entrou o boné azul

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Todo ídolo, no fundo, despreza os fãs

Sheila Melo, do É o Tchan, é tietada ao sair do Sambódromo do Rio. Foto de Marcelo Migliaccio
No Sambódromo, frisson em torno de Sheila Melo, do É o Tchan!, lembra?


Acho que não deve haver desprezo maior do que aquele que um astro tem por seus fãs.

Isso mesmo, falo daquele tipo de gente que pasa quatro dias e quatro noites na porta do estádio para assistir de perto a um show musical. O fã de carteirinha é simplesmente patético. Tudo bem, se a pessoa não tem mais de cinco anos de idade, a gente até perdoa, mas passou disso, acho que o caso deve ser entregue à psiquiatria.

Cheguei a essa conclusão hoje mesmo, vendo aquela horda de adolescente à espera do ídolo teen Justin Bieber. A imagem das barracas dos fãs montadas na bilheteria contrastava com a cara de tédio do artista em suas aparições públicas. Ele parecia enfastiado.

Como é chato ser venerado...

Eu também já tive ídolos, mas todos me decepcionaram em um certo momento. Era o craque da bola que se revelava um ser humano mesquinho ou o músico que, de repente, fazia um discurso político conservador ou alienado.

Uma coisa é a obra artística de alguém, outra é esse alguém-pessoa-física, repleto de defeitos e contradições como eu e você. Aprendi isso ao contar ao ex-jogador Paulo Cezar Caju que, quando pequeno, imitava seu estilo nas peladas. Minha declaração de amor entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

_ Beleza... _ limitou-se a responder o craque já então aposentado, sem nem pelo menos levantar as sobrancelhas.


Bem-feito pra mim, só eu mesmo pra tietar o Paulo Cezar Caju...

No fundo, acho que o artista despreza seus fãs porque se conhece muito bem e sabe que não merece qualquer idolatria. Sabe-se humano, apesar de seu dom, de seu talento específico, sofre das mesmas mazelas que nós. Deve pensar: esses pobres coitados amontoados aí fora, endeusando alguém como eu...

Outra coisa que contribui para essa aura em torno do artista é a sensação absolutamente falsa de que sua criação contribui para melhorar o mundo. Coisa nenhuma. Já assisti a shows emocionantes em que a multidão cantava em uníssono os valores mais nobres. No entanto, na hora da saída, todos aqueles que minutos antes estavam unidos por um mundo melhor saíram avançando sinais para chegar logo em casa.

Dia desses, lamentei não ter manifestado minha admiração pelo trabalho do Zé Ramalho quando o vi num aeroporto, mas acho que foi até melhor. Talvez ele achasse a tietagem um saco. E eu estaria sendo um tremendo egocentrico, achando que ele precisava de mais um elogio. Todo fã é um egoísta, pois se acha importante para seu ídolo. Às vezes, se vê no direito inclusive de invadir-lhe a intimidade. Mas, na verdade, o fã só é importante quando tira do bolso o dinheiro do ingresso ou para comprar o CD.

Lembram-se da devoção de Xuxa pelos baixinhos nos anos 80? Hoje, virou apenas comércio nas lojas de brinquedo.

Aliás, acho que só há uma categoria que o artista despreza ainda mais que seus próprios fãs: o jornalista que cobre cultura. Vejam uma prova disso na entrevista que Justin Bieber deu a um repórter do Globo. Só faltou o incensado pirralho chamar o entrevistador de burro...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A noite de domingo

Neste último domingo, a TV ficou ligada depois do futebol... foi sem querer querendo, eu juro!

Toda vez que assisto à programação das emissoras abertas tenho calafrios. A televisão é a maior educadora do Brasil, então é fácil entender por que as coisas estão desse jeito, por que as pessoas são como são. Com uma professora dessas...

Primeiro foi o Faustão, com a sua tradicional rasgação de seda. Todo mundo que vai lá é um "ser humano fantástico"... desta vez foi o Neymar, craque da bola transformado pelo apresentador num aspirante a madre Teresa de Calcutá ou Tiradentes.

Preferi mudar para as besteiras do Milton Neves, que entende muito de merchandising e pouco de futebol.

Não aguentei o Edmundo Animal, que escapou da prisão como escapava dos zagueiros, fazendo comentários pseudoequilibrados sobre o Campeonato Brasileiro.

Mais troca de canal e caio no Fantástico. Sempre de roupa nova mas com aquele recheio velho. Doenças, crimes, celebridades, gols... a mesma receita requentada dos anos 70. Neste domingo, o "show da vida" até foi, digamos, ousado, exibindo uma reportagem sobre obesidade na infância. Míseros três ou quatro minutos, claro, porque, nos intervalos dos programas infantis da emissora sobram anúncios de fast food, doces e daqueles salgadinhos abomináveis. Então o conveniente foi abordar o tema quase correndo, só para não dizer que não falaram dessa epidemia de crianças balofas que assola o Brasil. Mas, ao lado dos pais ignorantes e omissos, a propaganda é um dos principais agentes dessa aberração infantil.

Para a obesidade, o programa dedicou pouco tempo, mas para demonizar o cigarro, que não pode mais anunciar nos intervalos, a atração dominical da TV Biscoito programou uma longa série, conduzida pelo doutor Drauzio Varela. O cigarro agora é vilão, mas não era até a publicidade ser abolida da TV por lei. Antes, era só glamour nos anúncios e nas novelas...

Será que os princípios editoriais das Organizações Biscoito de Praia falam nisso?

Por que não fazem uma série sobre a influência da propaganda de álcool na iniciação cada vez mais precoce dos jovens no hábito de beber?

Achei melhor mudar de canal.

A Band passava filme, uma boa saída para quem quer economizar; a Rede TV! atacava de Pânico, programa humorístico que há muito tempo já ficou chato e repetitivo; a Record tentava imitar o Fantástico, mas acaba apelando para perseguições policiais que nos fazem lembrar do Datena em pleno domingo. E o SBT continua com o indefectível Programa Silvio Santos, que agora nos leva de volta aos anos 70 em alta definição.

Tento a TV paga, mas o Cartoon Network me faz duvidar do futuro. No intervalo do chatíssimo filme do Scooby Do, uma inundação de propagandas dirigidas ao público infantil.Muitos bonecos de guerra, Mc Donald's, biscoito de chocolate transgênico. Quase seis minutos de anúncios nas cabecinhas em formação.

Comprem! Comprem! Comprem, crianças, sejam iguaizinhos aos seus pais!!!! Sejam também violentos, sexistas e elitistas, afinal o show do capitalismo selvagem tem que continuar e precisa de novos atores!!!!

Tem gente que diz que eu superdimensiono a influência da TV. Mas quanto custa um anúncio de 30 segundos? Se não fosse eficaz, não pagariam tanto pelo tempo ali. E, do outro lado do tubo de imagem, há milhões de pais sem tempo, saco, bom senso ou cultura para orientar seus filhos e uma educação pública que deixa muito a desejar.

Mais uma vez, meto o dedo no controle remoto e volto à TV Biscoito, onde uma apresentadora manda um bando de idiotas comerem baratas e larvras num reality show que faz da tortura uma ótima opção de lazer para telespectadores sádicos e bossais.

Descrente de tudo, desligo a TV e vou dormir.

Boa noite!

domingo, 2 de outubro de 2011

Argentina - Final

Mas é um engano achar que a viagem à Argentina não valeu a pena. O ruim sempre fica por conta da distância e do transporte. A música, como aqui, está por todos os lugares. Assim como garotas de franja e torcedores do Boca.


Essa é a praia de Buenos Aires, que lota no domingo,com muito chimarrão.


Passeador de cachorro é uma carreira em ascensão.


Assim como malabarista de sinal.


E ladrão...


A favela de Villa 31. Sessenta mil pessoas. Muitos, muitos bolivianos.


O velho e o novo...


A arte do colombiano Cruz-Diez imita a vida.


Na terra da prata.