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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O adestrado


Se é Natal, ele compra
Se é carnaval, ele pula
Se é réveillon, ele veste branco e vai ver os fogos

Se é novela, ele assiste
Se é mulher pelada, ele baba
Se é futebol, ele briga

Se é jornal, ele acredita
Se é político, ele odeia
Se é pobre, ele passa longe

Se é diploma, ele se curva
Se é farda, ele ajoelha
Se é dinheiro, ele rasteja

Se é filho, ele estraga
Se é vizinho, ele despreza
Se é esposa, ele chifra

Se é igreja, ele cala
Se é bar, ele grita
Se é rua, ele treme

Para um chimpanzé, todos os gatos são pardos




sábado, 21 de dezembro de 2013

Assim caminha a Humanidade

Zezinho é uma criança linda. Tem só um ano e dois meses. Seu sorriso contagia, sua inocência e pureza comovem. Sua alegria não precisa de motivos.

Mas o pai de Zezinho é um idiota. Ele ama seu filho, mas, o que se há de fazer, é um perfeito idiota.

Sua forma de demonstrar amor pela criança é colocá-la ao seu lado no sofá para assistir ao seu programa preferido na TV: lutas de UFC.

Zezinho olha com atenção… seu pai, seu espelho. E para esse pequeno ser a TV é a janela para o mundo. Um mundo de murros, socos e chutes em homens já caídos ao chão. Aí estão seus heróis.

Esse é o mundo que se apresenta ao meigo e adorável Zezinho.

Depois das lutas, no colo da mãe, Zezinho simula socos no rosto dela. Essa é a maneira que Zezinho aprendeu de demonstrar carinho. No começo ela se assusta, mas depois acha normal. Hoje em dia, tudo é normal.

Zezinho está crescendo.

Talvez, daqui a 15 ou 20 anos, seja membro de alguma torcida organizada e aí vai mostrar, à sua maneira, todo o amor que sente pelo seu time.




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A cultura da violência



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Chinês herói, mas qual deles?

Reprodução da TV
Praça da Paz Celestial, Pequim, 1989


Quem foi o verdadeiro herói, o chinês que se colocou na frente dos tanques de guerra ou o piloto do primeiro tanque, que desviou e poupou a vida do manifestante?





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Grandes encontros da História LI

O Fluminense está prestes a cair para a segunda divisão, mas não é o meu Fluminense, que morreu em 1987 junto com o futebol brasileiro. O meu Fluminense é o que jogou contra o Bayern de Munique, em 1975, no Maracanã (aquele Maracanã, não a arena impessoal e elitista de agora).

O time alemão era a base da seleção campeã do mundo um ano antes. Sessenta mil pessoas no estádio numa quarta feira à noite para ver um jogo amistoso. Atualmente, isso é público de decisão de campeonato, e olhe lá, porque um ingresso chega a custar R$ 800.

Aquilo é que era futebol!

Podem me chamar de saudosista, mas ninguém é mais vítima do saudosismo que o próprio saudosista, porque ele tem consciência de que o melhor já passou. E no caso do futebol, lamento dizer aos mais jovens, o melhor já passou. Claro que ainda há jogadores muito bons, lances bonitos e até alguns jogos emocionantes. Mas a essência do futebol, o esporte mais apaixonante já inventado pelo Homem, acabou quando um tecnocrata disse "ei, nós podemos fazer muito dinheiro com esse jogo". Aí, tudo se corrompeu, os clubes faliram e as empresas compraram a festa. Não existe mais o espírito clubístico nas equipes. O jogador não cria mais raiz, fica seis meses e vai embora. Zico jogou quase 20 anos no Flamengo; Pelé, outros 20 no Santos. Hoje não ficariam dois anos.

Que identidade com a camisa e que paixões na alma dos torcedores Zico, Pelé e outros craques teriam criado se tivessem ficado tão pouco tempo nesses clubes? Os pequenos torcedores não terão mais ídolos da grandeza de Garrincha, por exemplo. Nunca mais, a menos que a engrenagem financeira que rege o futebol seja revista. Hoje os times são todos iguais, perderam a personalidade que cada um tinha nessa ciranda de jogadores mercenários.

Agora, saboreie um pouco do verdadeiro futebol! De um lado, Rivelino, Mario Sergio e Paulo Cézar Caju; do outro Beckembauer, Gerd Muller e o fantástico goleiro Sepp Maier.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Hoje só deu praia pra eles

O dia era cinza. E um domingo cinza para o carioca é a morte. Na praia, porém, havia outras duas cores, o preto e o branco. A ordem é evitar os arrastões nas areias, cujas imagens correm mundo às vésperas da Copa do Mundo no Brasil.

Foto: Marcelo Migliaccio


Tinha posto de observação aérea, que não saiu do chão.

Foto: Marcelo Migliaccio


Ninguém pra tomar um coco gelado sob a proteção divina do Batalhão de Choque.

Foto: Marcelo Migliaccio


E restou aos homens fortemente armados jogar conversa fora falando de futebol. Seria pior se estivessem sob um sol de 40 graus, com essa roupa toda, e ainda tendo que correr atrás de ladrões de celular.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas nada é pior do que o drama desses mineiros, que viajaram centenas de quilômetros e encontraram a praia dos sonhos assim.

Foto: Marcelo Migliaccio



 Talvez na próxima vez o sol e os 40 ladrões apareçam...