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terça-feira, 29 de abril de 2014

Todo dia tem a hora da Sessão Coruja...

Foto: Marcelo Migliaccio

_ Dizem que eu sou uma ave de mau agouro... que sou sinal de azar...


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Coisas da imbecilidade popular. Sim, porque existe a sabedoria popular, mas também existe a burrice popular. E eu e o sapo somos vítimas dela num país que sonegou a educação por séculos... num país onde as pessoas são educadas pela TV...


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Um país que cultua cada vez mais a violência e menos a compaixão, onde acumular riqueza é uma virtude e dividir o pão, um prejuízo.


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Mas, como eu ia dizendo, acordei com um mau presságio...


Foto: Marcelo Migliaccio

_ Não sei por que, mas acho que a minha hora chegou...




8 comentários:

  1. João do Rio escreveu sobre os burros:

    “ – É teimoso como burro! dizem , de um sujeito estúpido: - que burro! Cada bicho é um símbolo e o burro ficou sendo o símbolo de falta de inteligência. Mas ninguém quis ver no burro o que parece insuficiência de pensar é candura d’alma, e ninguém tem a coragem de notar a inocência da sua dedicação.

    Eu tenho uma certa simpatia por essa estranho sofredor. Há homens infinitamente mais estúpidos que o burro e que entretanto até chegam a ser ricos e a ter a camarote no Lírico. Há bichos muito menos dotados de inteligência e que entretanto ganharam fama. A raposa é espertíssima, quando no fundo é uma fúria irrefletida, o boi é filosófico, o cavalo só falta falar, quando de fato regula com o burro , e a infinita série de inutilidades do lar, desde os gatos e fraldiqueiros aos pássaros de gaiola, tem a admiração pateta dos homens, quando essa admiração devia pender para o caso simples e doloroso do burro.

    O burro é bom (...) O burro é resignado. Eles vem através da história prestando serviços sem descansar e apanhando as relhadas como se fosse obrigação. (...) são fatalmente féis e resignados. Não lhes perguntam se comeram, se dormiram, se estão bem. Eles trabalham até rebentar, e até sua morte é motivo de pouco caso. (...) O burro é triste. (...) O burro é pacífico.

    Pobre quadrúpede doloroso. Não tem amores, não tem instintos revoltados, não tem ninguém que os ame! Quando cai exausto, para o levantar batem-lhe; quando não pode puxar é a murros no queixo que o convencem. De fato, o homem domesticou uma série de animais para ser deles servo. Esses animais são na sua maioria uns refinados parasitas, com a alma ambígua de todo parasita , tenha pelo ou penas. Os grandemente úteis dão muito trabalho. Só o burro não dá. E ninguém pensa nele...”

    (O último burro - Melhores Crônicas João do Rio )

    Menos burros e mais corujas, antes que chegue a hora das gerações futuras.

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  2. Eu que não sou supersticioso prefiro ver a coruja como o simbolo da sabedoria, inclusive na mitologia grega (amo mitologia) a coruja era a ave preferida de Atena, a deusa da sabedoria.
    Cury

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  3. Há sempre os dois ou mais lados da questão e nada como desconstruir preconceitos sempre estúpidos, desagregadores e até fomentadores de violência.No aspecto positivo, p.ex., na Mitologia Grega, o símbolo de Atena, a deusa da sabedoria e da justiça, era uma CORUJA que possuía um mascote que, segundo a lenda, lhe revelava os segredos da noite mediante seu poder de clarividência, inspirados pela lua. Atenas corresponde a deusa Romana Minerva, deusa das artes e da sabedoria, que também era representada por uma coruja. Assim, devido à sua capacidade de ver à noite, a coruja foi invocada pelos gregos e também por nativos americanos como um oráculo do conhecimento oculto com poder de clarividência. Em outras palavras, quando os homens dormem, as corujas com seus olhos luminosos, arregalados e, sobretudo, sua visão de longo alcance, inspirada pelo luar, desvendam mistérios pois "enxergam o todo".
    Além disso, na mitologia Grega, a coruja representa a figura de Ascáfalo (quando é metamorfoseado), filho de Aqueronte e da Ninfa Orfne e Guarda de Plutão, o Deus dos Mortos. Importante ressaltar que do grego, o termo "coruja" (Gláuks) significa "brilhante, cintilante", enquanto no latim (Noctua) representa a "Ave da noite".
    Uma das divindades hindus chamada "Lakshmi", a deusa da prosperidade e da sabedoria, também é representada por uma coruja, nesse caso, branca.
    Marcos Lúcio

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  4. Li o comentário do Marcos Lúcio e, passei a admirar mais ainda essa ave de hábitos noturno.
    O por do sol hoje estava um espetáculo de cores.
    A sombra do bondinho no prédio mostra que a foto acima foi feita na urca.

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  5. O comentário de Marco Lúcio é uma aula !!
    Muito bom.
    Cury

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  6. Que bom saber que mais gente se interessou, pois considero o conhecimento fundamentado uma das mais relevantes questões da vida e o preconceito -sempre sem fundamentação alguma- tão ruim ou pior do que doença. Sabedor de que possuo infinitas ignorâncias...aprender, cotidianamente, o que considero relevante é um dos meus maiores prazeres e objetivos e, neste caso, não falto às aulas rs.Obrigado pelo incentivo e abração.

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