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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Alguém já salvou sua vida?

Hoje de manhã, eu estava numa praia aqui em Pernambuco e um salva-vidas parou para nos avisar (a mim e à metade da laranja) que ali era perigoso por causa das valas e correntezas.

Lembrei imediatamente da vez em que fui salvo de um afogamento, na Barra da Tijuca, uma praia também de mar aberto no Rio.

Eu devia ter uns 23 anos e tinha ido sozinho até a Barra. O mar estava de ressaca, mas, na autosuficiência dos vinte e poucos anos, fui me aventurando, furando as ondas enormes, cada vez mais afastado-me da areia.

De repente, me vi no meio de uma correnteza poderosíssima. Eu nadava, nadava e não saía do lugar. Ao mesmo tempo, tinha que ir mais para o fundo, para não levar uma daquelas ondas enormes na cabeça.

Exausto, a certa altura eu apenas tentava não entrar em pânico, mas via que não aguentaria muito tempo.

Olhava a praia cheia, pequenininha de tão longe e alheia ao meu drama. Achei que iria morrer ali mesmo.

Foi quando vi, ao longe, um surfista. Acenei desesperadamente para ele, que veio ao meu encontro. Era um garoto de uns 15 ou 16 anos. Calmamente, aquele adolescente ofereceu metade da prancha para que eu me debruçasse. E me levou até a praia.

Com o peito quase explodindo de tanto esforço, lembro que agradeci muito ao garoto, que, acho, procurou não me constranger valorizando a boa ação que tinha feito. Sem esboçar um sorriso sequer ele se foi, me deixando ali na areia a reavaliar todos os meus conceitos de vida. Creio que ele também estava impressionado com o episódio.

Acho que quando, em desespero, avistei o surfista ao longe, ainda vi a sombra da mão de Deus que acabara de colocá-lo justamente ali, onde pudesse salvar a minha vida.

Uns dizem que é Deus, outros atribuem tais episódios meramente ao acaso.

Acho que o acaso não seria tão benevolente, tão preciso, tão salvador.

Melhor agradecer ao cara lá de cima, que, pelo menos, tem endereço conhecido.

Porto de Galinhas (PE)/Foto: Marcelo Migliaccio


22 comentários:

  1. Sim, já salvaram minha vida uma vez. Também estava me afogando, mas foi em um rio. É uma sensação muito ruim, desesperadora. Só sei que, do nada, apareceu um japonês e me puxou pelos cabelos. Pior foi a bronca que levei do resto da família por estar me afogando. Depois disso levei um tempão pra criar coragem para entrar em um rio ou no mar outra vez.

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  2. Já presenciei muitos salvamentos na praia, a maioria deles teve ajuda de algum surfista, que estando mais próximo da vítima, não se fez de rogado.
    Sem a ajuda deles, muitos banhistas morreriam.

    Cury

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  3. Sim. Tinha em torno de doze anos. Havia aprontdo na escola ,reslvi retardar o retorno à casa, para evitar bronca certa de minha mãe. Morava e estudava no Grajaú e fui com dois colegas de turma a um açude que havia uma fábrica têxtil desativada, chamada América Fabril, onde há algum tempo, funciona um Hiper-mercado. Pois bem, eu, nadador campeoníssimo no estilo CHUMBO, mergulhei, intrépido no açude, submergindo pr três vêzes, sendo resgatado na última, pelos amigos. Bebi grande quantidade de água rica em elementos químicos utilizados pela fábrica. o que causou-me problemas estomacais por alguns dias. Quando cheguei em casa, fim de tarde, além da bronca, levei algumas palmadas de minha mãe, aquela altura, preocupadíssima com meu desaparecimento.
    ANTONIO CARLOS

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  4. Se a morte é certa, melhor é, acreditar que existe um Deus.
    Quem vai estar melhor quando desencarnar não é o mais religioso.
    É o menos cínico, menos materialista, menos corrupto, menos preconceituoso
    menos violento...etc. Você esta no caminho certo Marcelo. Boa sorte.
    Sergio.

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  5. "Causos" de infância, nem sempre são divertidos. Quando crianças, no interior das Gerais, costumávamos no verão, os cinco irmãos, brincar em barricas cheias d'água, no quintal de casa. A canícula, quase senegalesca, era então abrandada e fazíamos a festa.

    Aconteceu uma disputa entre minha irmã_mais velha e mais esperta_ e mim...para ver (imagine só!) quem conseguiria ficar mais tempo debaixo d'água. Na vez dela, natural e inocentemente contei: um , dois, três...
    Quando foi a minha vez ela contou assim: ummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm,
    doissssssssssssssssssssssssssssssss,
    trêsssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss.
    Percebi a maldade e, para não perder _nem a pose_ resolvi, infantiloidemente, ainda assim ganhar. Deu só no que poderia dar.

    A sorte é que minha mãe não era desatenta. De onde ela estava, ao ouvir como a "irmãzinha" contava, "matutou" logo: coisa boa não era. Desceu correndo as escadas, ao tempo de retirar-me já sem fôlego e quase desfalecido. Foi a minha salvação, MAS com o auxílio luxuoso do "PODEROSÍSSIMO"... "marrelógico".
    Abraço
    Marcos Lúcio

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  6. Respostas
    1. Marcos Lúcio, a metodologia de contagem utilizada por sua irmã me fez lembrar a forma como meu irmão (mais velho e com mais força do que eu, óbvio) contava quando me dava um determinado prazo para fazer alguma coisa, só que a dele era ao contrário, era bem rápida. Funcionava assim: ele mandava eu fazer alguma coisa e dizia que ia contar até dez pra eu começar a fazer, mas a contagem até dez já começava pelo oito: 8, 9 e 10. hehehe!

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  7. É Marcelo, também já fui salva por um surfista, quando tinha uns 13 ou 14 anos. Se não me engano, foi na praia de Ipanema e, se não me engano, eu estava com a Patrícia Lacerda ou a Eliane, que também tentava voltar, em vão, para a areia, e lá se vai chão...

    Beijos, Denise.

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  8. Sabe que acho que lembro de uma de vocês contando isso para o resto da turma. E ainda dizem que surfista eh vagabundo... Beijo

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  9. Shiii Marcelo...

    Acho seus textos bastante interessantes, mas neste, você acabou apelando para a "mão de Deus". Confesso que esperava mais criatividade em sua forma de entender a vida rsrsrs...
    Já passei um sufoco parecido no Arpoador, mas como nado muito mal, não estava muito longe e me joguei na primeira onda grande que passou, indo parar na areia num caldo sensacional. Talvez se eu tivesse ficado esperando a "mão de Deus" talvez hoje fizesse parte da estatística dos afogamentos, onde estão aqueles que deus não estendeu a mão!!!

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  10. Tudo bem, Alexandre, tem umas horas que eu sou ateu, mas naquele momento acho que foi Deus mesmo (ou o acaso, como está dito no texto). Abraço.

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    1. E tem mais uma coisa, Alexandre: as pessoas morrem, todas elas. Mais cedo ou mais tarde. Abraço.

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    2. "...tem umas horas que eu sou ateu..." Eu também. Acho que é o que chamam 'agnóstico', não é negação nem crença total, mas apenas dúvida sobre A Existência. E já fiz, inclusive no Rio Acima, alguns comentários sobre o tema espiritualide etc dos quais me arrependo muito. A culpa foi do JFO das Abóboras que me irritou (rs).
      Certa vez tendo um pesadelo terrível e muito real, eu não conseguia me mexer e a voz presa, até que consegui balbuciar "Meu Deus, me ajuda!"...e o pesadelo se transformou no sonho mais bonito que já tive: o céu escuro se abriu como duas comportas, clareou, mas continuou estrelado (!), lá de cima apareceu uma luz que veio descendo e se transformando na imagem de Cristo, cara...Ele, Jesus, chegou ao meu lado, segurou na minha mão e aí eu cresci pra cima da parada que estava me amedrontando, rondando ao meu redor e mandei totalmente destemido: - Vem agora, agora pode vim qualquer p***(ñ tenho jeito: falando palavrão do lado de Cristo..), vem, quero ver! E não é que o coiso ruim saiu correndo, olhei p o lado, Ele não mais estava, de novo quase borro as calças e o sinistro voltando e eu acordei sobressaltado no meio da madrugada e não consegui mais dormir, fiquei esperando meu pai acordar pra contar o lance. Drum

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    3. É isso aí, Drum, Deus é um estado de espírito. O diabo também. Perguntado sobrte a existência de Deus, Buda deu três respostas diferentes no mesmo dia, dependendo de quem perguntava.

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  11. Na hora do desespero é normal se agarrar a mão de Deus. Mas a Ciência está ai, não só para explicar as coisas, mas também para permitir que viavamos mais.

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  12. Um surfista também salvou a minha vida este fim de semana, estavamos em um grupo de 4 amigos na praia, não estavamos longe mas derepente um dos nossos amigos que não sabia nadar começou a pedir ajuda pq não etava dando pé, logo fomos tentando aproximar dele traze-lo mas não conseguiamos chegar perto o suficiente e percebemos que para nos tambem estava cada vez mais dificil de voltar a praia, então começamos a gritar por socorro, havia muitas pessoas na praia, mas não obtivemos sucesso de imediato, este nosso amigo q foi o primeiro a sentir que não estava conseguindo voltar, desistiu de tentar nadar e tomou a decisão de começar a boiar, neste momento não havia mais como irmos até ele, pois ele ficou muito distante de nós, então um de nos conseguiu sair da aguá, eu continuiei tentando a nadar, mas estava muito dificil sair e pensar que os outros dois ficavam, foi neste momento que um quinto amigo nosso q haviamos esquecido, com sua prancha se aproximou pediu calma para mim e para outro amigo, e nos conseguimos chegar até a prancha, demos algumas pernadas e pegamos algumas ondas a favor e chegamos em um local menos turbolento, pedimos pra ele voltar logo pois ainda havia o outro amigo boiando e distante e ele foi busca-lo e com muito esforço conseguiu traze-lo de volta a praia, foi um momento de grande emoção todos nos em segurança na areia. Este surfista é um namorado da amiga da minha namorada era a primeira vez q ele viajava conosco...foi demais salvou 4 vidas. Viva aos surfistas. (herois do cotidiano)

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