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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tem dia que de noite é assim mesmo



No último episódio, nosso errante herói (eu) havia deixado documentos, cartões e alguma plata no banco traseiro de um táxi argentino.

Pensei que nada mais de ruim poderia acontecer na viagem, afinal faltavam menos de 24 horas para voltar ao país mais lindo do mundo. Mas nunca se deve subestimar a capacidade da Aerolíneas Argentinas de fazer m...

Animado, pulei da cama às 7h15 e parti para o Aeroparque, que equivale ao nosso Santos Dumont, porque fica mais perto do centro que o distante Ezeiza (acho que é esse o nome), o outro aeroporto de Buenos Aires. O voo estava marcado para 10h35. Ao chegar lá, às 8h40, fui lépido e fagueiro ao chcek in, onde uma gentil atendente me informou que o meu voo tinha sido remanejado para... Ezeiza!

Não havia tempo para ir de táxi ao outro aerporto e a solução que me apontou a moça foi esperar o voo que sairia dali às 16h30.

Pela madrugada. A ideia de ficar mofando por oito horas naquele aeroporto não era nada animadora, mas, que jeito?

Ainda otimista, pensei:

_ Poderia ser pior, se o próximo voo fosse às oito da noite...

Despachei a bagagem e voltei para a cidade, onde fui conhecer um museu fantástico de artes plásticas. Preocupado com a hora do voo, passei correndo por Rodins, Manets e Toulouse Lotrecs. Almocei um macarrão com molho de tomate e cheiro de alicci num restaurante metido a besta e voltei para, enfim, embarcar para o Rio.

Qual nada.

O tempo passava e nada de o meu voo aparecer no placar eletrônico. De volta ao check in, a má notícia. Aquele voo da tarde fora cancelado. Sairia um outro às... 20h45! Pensei em cometer um atentado terrorista, mas, acalmado pelo vale de lanche que a atendente me deu, encarei como uma penitência. Passei o resto da tarde jogando forca e conversando com a minha filha, o que, aliás, foi delicioso.

O sol se pôs atrás do Rio da Prata, tão grande que nem dá para ver o Uruguai do outro lado...

Na hora do embarque, uma fila imensa. Como sempre faço, deixei todo mundo entrar para só então tomar meu lugar. Só que no meu lugar havia um simpático senhor brasileiro, a quem foi dado o mesmo número de poltrona. Idem para a da minha filha e ficamos nós (e mais três ou quatro azarados) parados no corredor esperando a decisão do tribunal de comissários. Tinha um até que era gentil, mas a chefe do grupo parecia nâo estar no melhor de seu humor e, ante à minha reclamação, foi logo ameaçando chamar " el trafico", que, pela entonação dela, concluí ser a segurança armada do aeroporto.

Por sorte, ainda havia uma poltrona vaga no corredor e me livrei de passar duas horas e meia ensanduichado num assento do meio. Minha filha não teve a mesma sorte e já se preparava para virar salsicha quando um senhor ao seu lado se propôs a trocar de lugar comigo. Assim, fiquei eu no corredor, ela no meio e uma moça na janela.

_ Muchas gracias _  caprichei.

_ De nada _ respondeu o bom samaritano com sotaque inglês. Mundo, vasto mundo...

O voo transcorreu sem intercorrências, a não ser o fato de eu estar na primeira fileira e ficar de cara para a tal comissária da gestapo.

Tudo bem, eu estava voltando pra casa.

À meia-noite e meia, pisei em solo carioca e desta vez prometo cumprir minha promessa de nunca mais sair do Brasil. O homem é uma criatura cujo passo não excede os 50 centímetros. Querer bater perna a 3 mil quilômetros de distância é anti-natural, só pode dar problema...

Então vou seguir o ensinamento da minha bisavó:

"Boa romaria faz, quem em sua casa fica em paz"

As fotos ficam para o fim de semana. Até!

Aliás, sobre viagens, leia
Tem gente que viaja para o exterior só pra "se amostrar", pra "se aparecer"

7 comentários:

  1. Não sei qual o juizado mais próximo da sua casa, mas você pode e DEVE tirar uns trocados da Aerolíneas, para eles deixarem de ter agentes da gestapo em suas fileiras, TEM que respeitar o consumidor, sem overbooking e sem transferir o vôo para o raio-que-o-parta à revelia, e todo o constrangimento e perda de tempo devem ser indenizados.

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  2. Não vou perder mais tempo com eles, Uatu. Abraço

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  3. Agora eh tarde mas pode ser util para futuros turistas: meu filho esta morando em BUE ja faz um ano. Logo que se mudou teve que retornar ao Brasil. Por duas vezes veio pela "AAiii" e esses dois voos foram dois testes de stress... Foi tudo errado, demorado, cansativo. Dai, ele procurou por opcoes e descobriu uma empresa aerea arabe (creio que eh a Emirates) que voa no horario, tem bom preco e bom servico de bordo. A dificuldade fica por conta de entender o ingles/arabe das comissarias. O bom eh que, por ser uma empresa arabe voce nunca tera que se preocupar com terrorista a bordo (pelo menos "a trabalho"). Eles preferem as empresas aereas dos infieis...
    Ariel

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  4. Boa dica, Ariel, mas não pretendo voltar.

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  5. Oi Marcelo,
    Muito bom ler o que vc escreve e ver suas fotos. Na verdade eu vim procurar seus comentários sobre o rock in rio que está acabando hoje e é 'o acontecimento' aqui na cidade. Imaginei seus comentários irônicos e me perguntei se vc teria ido ao primeiro, em 85, quando éramos 'tão jovens', e quais seriam suas lembranças, tão poéticas(?) legais, quando tratam da infância e adolescência na urca. Pelo visto (o rock in rio)agora virou uma franquia.
    Bom, me surpreendi com as noticias (e fotos) de Buenos Aires, mas gostei, talvez até mais.
    Eu e o Luca passamos uma semana em BA em janeiro e gostei de rever os lugares e paisagens, através do seu olhar e e seus comentários.
    bj, Lourdinha

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  6. Oi, Lourdinha, eu não fui no primeiro Rock in Rio, porque na época só enfrentava multidão para ver futebol. Hoje, nem isso. Mas abri uma exceção para o show do Prince, acho que no segundo, que foi no Maracanã. Um beijo.

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  7. Aerolíneas Argentinas nunca mais. No dia 17/10/11 a empresa deixou os passageiros de 2 vôos Aeroparque-Guarulhos esperando por 8 horas. O pior não foi a espera. Nos deixaram sem notícias, não havia guiche nem funcionários na área de embarque internacional para dar nenhuma notícia. Os passageiros não podiam sair e a única forma de comunicação era um terminal telefônico direto com a companhia no qual o funcionário não informava nada, tratava os passageiros muito mal e frequentemente desligava na cara de quem ligava. Todas as outras companhias decolavam no horário sem problemas e no meio desse calvário decola um avião da Aerolíneas de BsAs para o RJ no horário sendo que os passageiros para Guarulhos estavam com um atraso de mais de 6 horas. Quando apareceram funcionários na área de espera internacional, percebeu-se que não tinham a menor educação e condição psicológica para atender clientes. Além de diversas grosseirias, eu presenciei 2 funcionários mandarem 2 mulheres em momentos diferentes calarem a boca, inclusive com dedo em riste e ar ameaçador, sendo que uma delas era uma idosa.
    Depois disso eu até esqueci os aviões velhos e comissários mal-humorados.

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