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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Atletas e boemios

Vi Ricardo Gomes iniciar a carreira no Fluminense em 1983. Ele devia ter uns 18 anos, e eu, 20. Era um zagueiro magro e alto, canhoto, que raramente fazia faltas e nunca era desleal. Visava sempre a bola, não as pernas dos adversários. Ao lado de Pinheiro (que morreu terça à noite) e Edinho, está entre os três melhores zagueiros que o tricolor do Rio já teve.

A única vez que o vi dar uma botinada foi nos minutos finais da partida contra a Argentina, na Copa de 90, quando o Brasil foi eliminado com um gol de Caniggia em jogada genial de Maradona. A seleção já perdia e, quando um argentino partia em direção ao gol brasileiro, Ricardo aplicou-lhe uma tesoura voadora. Levantou e nem olhou para o juiz. Já se dirigiu ao vestiário, pois sabia que estava expulso.

Como técnico, foi campeão na França e demorou a se adaptar ao futebol Brasileiro. Agora, amadurecido, vinha muito bem no Vasco. Ganhou a Copa do Brasil e caminhava para a liderança do Campeonato Brasileiro. Já ouvi pelo menos dois jogadores de nome _ Felipe e Petkovick _ dizerem que foi o melhor técnico com quem trabalharam em suas longas carreiras. E olhe que esses dois craques deram muitas dores de cabeça a treinadores...

Sempre equilibrado nas entrevistas, frio à beira do campo, Ricardo Gomes chega a destoar no meio futebolístico tal é seu bom senso.

Domingo, no meio de um eletrizante Vasco x Flamengo, ele teve um acidente vascular cerebral. Naquela mesma noite, faleceu em Curitiba meu ex-sogro, Paulo Dannemann,  por quem eu tinha muito afeto. Dias antes, ele havia sofrido um derrame semelhante ao do treinador.

Espero que Ricardo tenha mais sorte que Paulo e sobreviva sem sequelas.

O destino é imponderável, imprevisível, não poupa atletas nem boemios, todos são de carne e osso. Seja Gianechini ou o doutor Sócrates.

E, já que nascemos com uma única certeza, só nos resta aproveitar bem o nosso tempo no carrossel.


Torcida do Fluminense. Foto de Marcelo Migliaccio

7 comentários:

  1. WILLIAM ROBSON MATTOS29 de agosto de 2011 15:49

    Prezado marcelo
    Prazer participar de seu blog,pois acompanhava sua coluna desde aquela época.
    Q saudades do JB.
    Conheci o Ricardo Gomes no Cmapeonato Bras. de 1984 , qdo acompanhei a delegação do fluminense a curitiba , naquele jogo onde passamos a semifinal daquele campeonato.
    Torço pela sua rehabilitação, mas sendo médico infelizmente , sequels realmente existirão.
    gde abraço , ficarei fregues do espaçoe Saudações Tricolores

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  2. Engraçado Marcelo,é que antes do início do jogo,o Ricardo Gomes parecia está de bem com a vida,parecia está feliz... Mas Deus há de devolver a saúde dele. Ah,e vc por favor pare de nos lembrar dessa "única certeza," rsrs pois preciso terminar de criar os meus filhos. Abs.
    Monica.

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  3. Ricardo Gomes eh a antitese de quase tudo o que envolve o meio futebolistico: culto, educado, honesto e pouco avesso as baixarias, festinhas e marias chuteiras que rondam o jogador de futebol comum. Grande tecnico que tirou o Vasco do fundo do poco levando-o a um titulo inedito. So os adeptos do imediatismo nao percebiam isso. Sendo flamenguista e agnostico fico bem a vontade para lamentar que isso tenha acontecido a ele enquanto outros bem menos merecedores esbanjam saude e nadam em dinheiro.

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  4. Obrigado, William, abraços a todos

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  5. Grata surpresa, saber que já foste casado com a Fernanda. Abraços à vocês dois.
    Nas minhas orações lembrei do Sr. Paulo Dannemann.
    Sergio.

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  6. paulo dannemann descance em paz

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