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segunda-feira, 19 de março de 2012

Menor abandonado no shopping

Se você hoje entrega seu filho à televisão, à babá ou à recreadora com a desculpa de que precisa trabalhar, prepare-se.

Daqui a alguns anos, provavelmente ele vai entregar você a um asilo usando a mesma desculpa.

Amor é companheirismo, que só vem com a convivência, a atenção e o respeito.

Fazer sexo é muito fácil, e gostoso. Criar um filho, porém, requer dedicação. Cansa, estressa às vezes, tira grande parte do tempo que os pais teriam para si. Para ter um filho, é preciso estar muito – mas muito – a fim, senão vira um martírio, uma coisa insuportavelmente trabalhosa da qual a maioria das pessoas hoje em dia se livra simplesmente ligando aquele botão do “dane-se”. Aí, fica fácil, mas a dificuldade virá depois, quando o garoto ou a garota crescer e apresentar a conta do que lhe foi negligenciado.

Há muitas maneiras de empurrar com a barriga a criação de um filho. Uma delas é submetê-lo a uma tirania. Transforma-se a casa num quartel, dita-se as ordens e o soldadinho que não cumprir ou questionar é devidamente enquadrado com penas físicas ou de efeito moral devastador. Como criança não nasce sabendo, as falhas são muitas e motivos para castigá-la não faltam a pais preguiçosos que preferem gritos e agressões ao diálogo franco e desarmado. É muito mais fácil proibir do que explicar razões e convencer. E não há coisa mais fascinante do que conversar com uma criança.


A segunda forma de sonegar a paternidade é o mimo excessivo. Há pais que trabalham a semana inteira. Deixam o filho na creche às 7h e vão buscá-lo às 19h. À noite, cansados, preferem prostrar o menino diante da TV, ou dar um presente para tentar compensar a ausência. A televisão é um alívio imediado, mas os problemas vêm anos depois, quando o jovem começa a mostrar o que a babá eletrônica lhe ensinou: individualismo, consumismo, maledicência, sexualidade precoce, egoísmo, agressividade e até racismo (até hoje esperamos uma paquita negra no Show da Xuxa).

Chega o sábado e, enfim, tempo livre para ambos. Mas o que se vê são muitos filhos da elite perambulando com babás de carne, osso e roupa branca nos shopping centers da vida. Onde estarão seus pais, me pergunto, que têm coisa mais importante a fazer do que curtir seus filhos no momento de folga?

Mas o pior é quando cismam de arrastar os filhos pequenos para os seus programas de adulto, tipo cerveja no buteco. Canso de ver crianças em bares, morrendo de sono ou dormindo no carrinho no meio daquela fumaça de cigarro, enquanto os pais bebem e conversam animadamente com a turma do funil até de madrugada.

Outro dia, num ponto de ônibus estava a mãe com uma linda menina de uns quatro anos, daquelas cheias de vida e com os olhinhos brilhando a descobrir tudo ao redor:

– Mãe, como é o ônibus?

– Quando chegar, cê vai ver.

– Que cor ele é?

– Ô menina curiosa que não para de perguntar!

Ter um filho não é coisa para se fazer porque a idade está chegando, por ser o passo seguinte ao casamento, ou porque finalmente o casal reuniu condições financeiras. Muito menos por descuido num encontro casual com alguém por quem se sente apenas atração física. Ser pai e ser mãe é desfrutar dos melhores momentos e do maior aprendizado que a vida pode nos oferecer. Mas é preciso estar a fim. Muito a fim de receber a bênção.

5 comentários:

  1. Mauro Pires de Amorim.
    Embora eu não tenha prole, apesar de ter passado mais de 12 anos da minha vida em 2 relacionamentos estáveis, que podem ser comparados com casamentos, não sentí segurança e disposição nas minhas esposas ou companheiras para darmos tal passo. Com toda certeza, esse foi um dos motivos de término dessas relações. Portanto, entendo perfeitamente o que você diz, concordo contigo e penso igual.
    Felicidades e boas energias.

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  2. Ter filho é uma coisa. É simplesmente procriação.É físicalidade. É quantitativo.
    Ser pai/mãe é outra. É gerar, com comprometimento, seres melhores. É espiritualmente evolutivo.É qualitativo.

    O que mais se vê, infelizmente, é reprodução irresponsável ou sem condições emocionais/psicológicas, no mínimo. A violência e o uso de drogas , para ficarmos spmente em dois exemplos, são apenas, resultados ou desdobramentos quase inevitáveis destes atos sexuais descompromissados ou irrefletidos , mas tudo têm ou traz consequência.

    Tanto são verdadeiras as bem traçadas linhas do blogueiro _ e assino embaixo_ , com argumentação tão lúcida... que a carapuça serviu na maioria...e, ato contínuo, os comentários escafederam-se rsrs.

    Lembrete: calaram porque consentiram, ainda bem!
    Anraço
    Marcos Lúcio

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  3. Excelente post, mas só uma pequena correção. A Xuxa teve uma paquita negra, Adriana Bombom, que foi casada com Dudu Nobre. Sei disto por causa da Revista VIP. :-)))))

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  4. Não, a Bombom não foi paquita. Assim como as gêmeas ela era assistente de palco, mas nunca se vestiu ou cantou como as paquitas.

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  5. Parabens, concordo plenamente. Abraços

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