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domingo, 11 de março de 2012

Outono, ou nada

Mudou. Reparou?

O calorão já não é tão avassalador, apesar das explosões solares batendo às portas da atmosfera terrestre.

O vento que ainda é brisa se faz sentir, sorrateiramente, anunciando a chegada da mais bonita das estações do ano _ o outono. Enquanto um transatlântico retardatário emoldura o horizonte na sua partida discreta, é possível ver as nuanças do mar, seus brilhos que aparecem e somem, como está sumindo mais um delicioso e abrasador verão carioca.

Na Avenida Atlântica, duas amendoeiras apressadas despiram-se das folhas antes do tempo. Deviam estar indóceis para acabar com as sombras e escancarar-se ao sol, que agora se mostra amigo e não o inimigo que nos derreteu impiedosamente de dezembro a fevereiro.

Bem-vindo, outono, alegria dos fotógrafos e cinegrafistas. Estação ideal para iniciar as filmagens de um documentário, ou para passear de bicicleta à beira-mar. A claridade não nos cega mais, podemos ver as belas paisagens e as belas na paisagem.

O outono é discreto, equilibrado, humilde em sua grandeza. 

Não é a estrela da companhia _ o verão _ época em que todos tiram férias para curtir o calorento campeão de popularidade. 

Não é a primavera, virgem tímida, florida, enfeitada, mas sem sal. 

E nem o inverno, vilão cinzento, carrasco naquelas segundas-feiras chuvosas, dignas da filme de Drácula, em que é difícil encontrar ânimo para sair de casa.

Eu amo o outono, e você?

Árvore no outono, Foto de Marcelo Migliaccio


9 comentários:

  1. Ouso discordar do Marcelo, acho que não há estação mais bonita que a primavera.
    É o tempo das flores, é o tempo em que a natureza se enche de verde, de flores, de cantos dos pássaros, dos jardins floridos.
    Nela os poetas se inspiraram para fazer lindas poesias
    Até o nome da bela estação foi usado na famosa Primavera Árabe, onde até agora já cairam três déspotas derrubados pelo povo.
    Cury

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  2. Eu também! E sabe, seus textos estão cada vez mais poéticos e próximos do leitor, cada vez mais te colocando ao lado dos melhores cronistas brasileiros.

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  3. Bromélia Rodrigues11 de março de 2012 10:10

    Lembrança de um menino, essencialmente outono:

    " Oh, aquele menininho que dizia
    Fessora, eu posso ir lá fora?
    Mas apenas ficava um momento
    Bebendo o vento azul...
    Agora não preciso pedir licença a ninguém
    Mesmo porque não existe paisagem lá fora
    Somente cimento
    O vento não mais me fareja a face como um cão amigo...
    Mas o azul irreversível persiste em meus olhos"

    Mario Quintana

    Tempo de outonear.

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  4. Mauro Pires de Amorim.
    A natureza continua resistindo às alterações climáticas provocadas no planeta por nós humanos, os supremos predadores vorazes e insaciáveis, ou melhor seria dizer, os supremos depredadores vorazes e insaciáveis. Essa é a linguagem, expressão, mensagem inteligível da natureza, como sempre foi, mas nossa raça, no topo soberbo do pedestal do Templo da Idiossincrasia, vez que, no geral, só entendendemos a linguagem que queremos entender, inclusive, na convivência entre nós mesmos. Por esse motivo, nem entre nós, conseguimos nos entender e encontrarmos pontos de equilíbrio, razoabilidade.
    Você me fez lembrar de minha infância, quando tinha por volta dos 10, 12 anos, lá pelos idos de 1975, 1977.
    A família de minha mãe é de São Gonçalo/RJ. Nessa época, meus avós maternos eram vivos e moravam lá numa casa que hoje em dia seria considerada de classe média, com sala, 3 quartos, cozinha, 1 banheiro e área de serviço. Onde minha mãe, seus 2 irmãos e mais 1 irmã foram criados e onde eu costumava passar férias escolares, já que a maior atração para uma criança da cidade grande era o quintal com diversas espécies de árvores frutíferas, tal como, mangueiras, sapotí, caquí, mamoeiros, goiabeiras, bananeiras, limoeiro e laranja da terra, além de abacaxí, cana de açúcar, bambuzal e claro, das roseiras, margaridas e outras flores que nem me lembro o nome e que meus avós carinhosamente cuidavam. Isso sem falar nos 2 cachorrinhos, também muito queridos, com quem eu me divertia brincando.
    Apesar dessa diversidade, não chegava a haver uma produção para o comércio, apenas para consumo próprio da família, como é tão comum em áreas mais rurais. São Gonçalo/RJ, nessa época, seguramente tinha 1/3 ou menos da densidade numérica populacional de hoje em dia. Lembro-me também, que havia sereno à noite, de modo que, pela manhã, as plantas estavam molhadas de orvalho.
    Hoje em dia, isso são apenas memórias, nada disso mais há e as gerações mais jovens que lá vivem, sequer devem disso saber. Mesmo São Paulo/SP, a maior cidade brasileira, já foi chamada de Terra da Garôa. Isso também é passado, apenas memórias e provavelmente, as novas gerações também sequer devem ter conhecimento disso. Vários lugares e cidades em nosso país e no planeta estão sofrendo alterações semelhantes.
    Tenho certeza que você também tem suas memórias e que concorde comigo de que, antigamente, as estações do ano eram mais características, personalizadas e pontuais do que hoje em dia. Nos tempos atuais, aquí no Rio de Janeiro/RJ e arredores, no genérico, temos calor e menos calor.
    Felicidades e boas energias.

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  5. Meu caro Marcelo, para de tempo, você é 10, para defender o partido dos trambiqueiros e seu chefe maior, você é o...
    vê se acorda rapaz, o pior cego é aquele que não quer ver!

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  6. Há tempo para tudo. Tempo para apontar os erros e tempo para elogiar. Tempo para falar e tempo para calar. Tempo para trabalhar incansavelmente, sem deixar de sonhar e desejar coisas boas, sempre.
    O tempo tem muitos tempos. Simultâneos, conflitantes ou concordantes.
    O tempo neste instante é perceber o que à nossa volta nos diz: como é bonito, cmo é bom. A liuz do outono no rio.

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  7. Mudou sim, eu tinha reparado já no inicio de março.
    Uma brisa mais fresca, um sol menos intenso,noites mais bonitas. Um prenuncio do outono que se aproxima.
    O outono nos ensina o equilíbrio de forças da natureza.
    Sem duvida um texto/poesia de tirar o chapéu. Muito oportuno.
    Peço sua permissão para copiar ou imprimir.

    Sergio.

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  8. Acho que o Marcelo jamais fechou seus olhos e pode ver muito bem tudo o que aconteceu é que nos remeteu à essa situação. Ao contrário de você, que parece estar abrindo os seus somente agora, num dos piores momentos da nossa história recente.

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