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domingo, 1 de janeiro de 2012

O paranóico

Bom dia, feliz ano novo! (o ponto de exclamação é de festim)

Ei-nos aqui em 2012. Acordei cedo para pedalar e, depois de três quilômetros... o pneu furou. Outros achariam um mau presságio, mas eu acho apenas... que um pneu furou. Voltei pra casa empurrando o camêlo em meio à multidão que deixava Copacabana após uma noite de fogos e de fogo. Na certa, um caco de vidro de uma das muitas garrafas de espumante quebradas frustrou meu primeiro passeio do ano.

Tudo bem, voltei contemplando as mulheres carregando o sapato de salto nas mãos e com a maquiagem borrada, os pitboys acesíssimos graças ao energético com vodca e os catadores de latinha chafurdando nos restos da festa mais idiota que existe. Sim, porque a contagem do tempo é uma convenção criada pelo homem e, portanto, não significa absolutamente nada. Não existe nem mês, nem ano. O que há é dia e noite se alternando até que a morte nos separe para sempre do sol e da lua. Criaram o calendário apenas e tão somente para diferenciar o Zé da Silva que veio ao mundo em 28/3/1942 do Zé da Silva nascido em 13/7/2003.

Por falar em morte, faleceu o jornalista Daniel Piza. Fui contemporâneo dele no Estadão no início dos anos 2000. Nunca trocamos uma palavra. Sua concepção de mundo e de vida era completamente diferente da minha. Lamento a tristeza de seus familiares. Diferentes nas ideias, somos igualados pela condição humana.

Sou o cara mais impressionável do mundo quando se trata de doença. Talvez seja pelo pavor que tenho de médicos e de hospitais. Basta eu ouvir falar de uma enfermidade para já ficar imaginando que sofro daquele mal. Só no último mês, "tive" um câncer na garganta, um infarto e uma hepatite B de sobremesa. Hoje, foi um AVC como o que matou Daniel Piza aos 41 anos. Até agora, escapei ileso de todos.

Sempre fui assim. Detesto programas ou reportagens sobre saúde porque começo a ficar grilado. Sei que é uma coisa esquisita, mas todo mundo tem seu lado personagem de Woody Allen.

Bom, para uma doença virtual e paranóica, posso ir a um culto do "apóstolo" Valdemiro Santiago, onde as pessoas jogam cadeiras de rodas para o alto e, dizem, até ressuscitam. O cara não é fraco, não...

9 comentários:

  1. Desculpe-me Marcelo, mas irei usar seu espaço para protestar.
    Ontem incidi em uma cilada. Fui à festa de aniversário de um grande amigo e morador de Copacabana. Final de festa, às 2h da manhã um caos total nas ruas, a prefeitura retirou os ônibus e os taxis cobravam até 300 reais para levar os incautos turistas acidentais até o centro (Lapa). Dezenas de milhares de pessoas caminhavam a esmo pelas ruas: Barata Ribeiro, Nossa Senhora de Copacabana, Av. Princesa Izabel, etc.
    Temi pelo pior, bastava uma simples briga de rua para uma tragédia sem precedentes começar. Ontem o povo Carioca foi tratado como nunca vi em minha vida. Estive em vários países pobres, mas nunca me deparei com tanta impotência do poder público. Deixo aqui algumas perguntas: quem irá responder por tanta incompetência? Quem terá a coragem de assumir os erros cometidos hoje? Qual o motivo dos jornais ignorarem o caos total? Quem audita a Prefeitura e lhe confere a capacidade de gerenciar eventos de grande porte?
    Em tempo: 12h de sábado dia 31/12, uma adolescente sofreu um acidente com seu skate e bateu com a cabeça no meio-fio da Av. Atlântica, posto 5. A pobre criança padeceu por 1 (uma) até a chegada do socorro. Não sei se ela sobreviveu.

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  2. Esse é o autêntico programa de índio. Sobre o silêncio da imprensa, lembre-se que o governador e o prefeito são considerados amigos. Se fossem do PT, do PSOL ou do PC do B, imagine o escândalo.

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  3. Também nunca entendi o silêncio da mídia em torno deste caos. É só ligar a tv em qualquer canal para ver a "festa do povo". Sem falarem uma linha sobre a anarquia que tomou conta da cidade. Há muitos anos caí na besteira de ir a este evento,pra nunca mais. Isso já não é programa de índio,é a FUNAI toda. Estou d e pleno acordo com você de que o tempo é mera convenção criada por nós. Como minha avó já dizia,"boa romaria faz quem em sua casa fica em paz"...

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  4. Sobre a virada de ano, estamos errados em comemorar a chegada de 2012 à meia noite, pois se estamos no horário de verão, até 00h59 ainda é 31/12. rsrs
    Quando os amigos me chamam para ir no Flamengo ou em Copacabana ver os fogos, eu sempre respondo " me inclui fora " !!
    Cury

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  5. É...Ainda existem muitos idiotas que acreditam que a tal passagem de ano tenha algo místico. Na noite de 31 para 1º fui obrigado a receber no meu barraco diversas pessoas que eu não conhecia, pois minha mulher insistiu em comemorar a data. É mole !?!?

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  6. Mauro Pires de Amorim.
    Algo para se refletir.
    O Ano Novo é um conceito e como todo conceito, possuí uma consciência.
    Então vamos lá: novo ano, ano novo, novos 365 dias até o próximo evento. E dentro desses 365 dias? Bem, são sub-divididos em 12 meses. Que por sua vez, são sub-divididos nas semanas de cada mês. Que são sub-divididas nos dias da semana. Que são sub-divididos nas horas do(s) dia(s). Que são sub-divididos nos minutos da(s) hora(s). Que são sub-divididos nos segundos do(s) minuto(s). Que são sub-dividos na(s) fração(ões) do(s) segundo(s).
    Aí você vai dizer: disso eu já sei! Isso é óbvio!
    Se é tão óbvio, e você já sabe, possuí essa consciência. Então por quê continua cometendo os velhos erros de sempre, que te acompanham desde anos passados?
    Está certo, que o conceito de certo e errado, para se ter realmente consciência dele, não precise ser ditado pelos outros, embora todos saibamos do desconforto e atribulações que a reprovação social possa causar.
    Então, ao invés de ser mais um na multidão a engrossar a turba de linchamento. Tenha um momento de reflexão, encarando-se à si próprio, tal qual um exercício diante do espelho, com sua imagem e semelhança. Afinal o espelho existe também para instigar-nos a descobrir quem realmente somos, embora seu uso mais comum seja o de dar corda em nossas vaidades e megalomanias. Muitas vezes, corda demais, para nos enforcarmos.
    Portanto, descubra dentro de sí mesmo, se o(s) outro(s) realmente merecem o linchamento.
    Só adquirimos maturidade e a fazemos evoluír constantemente, quando descobrimos diante de nós mesmos, quem realmente somos. E isso tem que ser feito, a cada instante de tempo, fazendo aprimorar o raciocínio e a cognição. A partir daí, estaremos mais aptos a percebr o mundo que nos cerca, bem como, suas coisas e situações certas e erradas, boas e ruins.
    Experimente fazer essa jornada interna, para vivenciar a vida externa. Nunca é tarde para se começar, afinal, o tempo ainda está ao nosso favor.
    Felicidades e boas energias.

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  7. Mauro Pires de Amorim.
    Sei que em meu comentário anterior, escreví o mesmo sentido que você em seu texto. Apenas coloquei com minhas palavras e metáforas, afinal, não sou você(risos).
    Tenho certeza que você e outros que lerem o seu texto e meu comentário vão enter. Podem até não assumir externamente, explicitamente, mas o mais importante, é internamente, implicitamente.
    Mais uma vez, felicidades e boas energias.

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  8. Marcelo,para mim um Réveillon em casa,com a família e alguns amigos próximos,não tem prêço!
    E vc,apague essa paranoia de doenças,coloque uma coisa na sua cabeça,tudo só acontece quando o homem lá de cima quer.E aproveito o momento,para lhe fazer um convite:Pegue o seu remo,eu pego o meu,e vamos juntos remar este Barco por mais um ano se Deus quiser.(E ele vai querer.) Abs.

    Monica.

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