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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ted Boy Marino

Depois do goleiro Félix e do astronauta Neil Armstrong, morreu outro herói da minha infância: Ted Boy Marino, lutador de telecatch, uma pancadaria fake exibida na TV quando eu tinha uns cinco ou seis anos de idade.

Os lutadores eram alegóricos e a luta, combinada. Tudo pensado e ensaiado para que nenhum dos acrobáticos artistas se machucasse durante o show. Ted era o mocinho, e se deparava com adversários medonhos como o Verdugo, que não dobrava braços e pernas, andava todo duro, e o Múmia, todo enfaixado, recém-saído do seu sarcófago. Os vilões, por sinal, eram sempre figuras estranhas com nomes curiosos, como Rasputin, Demônio Cubano, Cavaleiro Vermelho, Tigre Paraguaio...

A dinâmica do show nunca mudava. Ted Boy Marino era torturado por seu adversário durante quase toda a luta e, no final, com uma recuperação impressionante, acabava vencendo. Em casa, eu imitava aqueles golpes, todos com nomes sugestivos, como o tacle, que consistia em voar com os dois pés no peito do oponente.

Tudo de mentirinha, faço questão de frisar nesses tempos em que tirar sangue do rosto do adversário virou o "esporte" que mais ganha adeptos no Brasil. Triste ver a luta livre, o vale tudo, massificando a violência quase sem regras. E incentivando jovens lutadores irresponsáveis, movidos a vodca e energéticos, a fazerem das boates ringues para extravasar gratuitamente essa violência, que atualmente é cultural e endêmica. Agredir com socos e pontapés um oponente caído vai contra os princípios de todas as artes marciais genuínas.

Bons tempos em que os atletas do telecatch treinavam para dar um espetáculo e não para machucar seus   companheiros. Ted Boy Marino me impressionava não só por sua agilidade e destreza, mas também pelos cabelos loiros.

Acho que ele foi o primeiro cara loiro que eu vi na vida, numa minúscula TV preto e branco, em cuja tela passou boa parte da minha infância.






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14 comentários:

  1. Também me diverti muito com Ted Boy Marino e cia.

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  2. Lembra que uma vez escrevi que dei de cara com o Raul Seixas no elevador do predio onde morava?
    Tinha saido de SP e morava no apto. dos meus tios no 290 da Atlantica, no Leme, no sexto andar.
    Pois bem... No quarto andar morava o Ted Boy Marino, que acabei conhecendo.
    Tambem foi um "heroi" para mim. Apanhava, apanhava e depois cobria os viloes de porradas. Quando o conheci, creio, ja nao lutava mais e participava do programa dos trapalhoes.
    Uma pessoa simples, agradavel, que sempre parava para um curto papo quando este chato, entao com 18 anos, o encontrava e -sempre- tinha algo para falar...
    Mais um -que curti na infancia e adolecencia- que se foi.
    Quando encontramos nomes de amigos ou conhecidos em obituarios temos a confirmacao de que estamos ficando velhos, Marcelo.

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    1. Que sorte! Vizinho de Raul Seixas e Ted Boy Marino!

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  3. Menos, Marcelo. Encontrei o Raul 2 vezes no elevador mas ele nunca morou la. Ia no apto de alguem. (Mas que foi uma tremenda emocao, foi!)

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  4. Bela homenagem ao Ted e ao entretenimento ingênuo, circense, sadio, não violento e muito mais divertido q o sangue derramado sob deprimentes aplausos. drum

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  5. Não perdia um "Astros do Ringue", eu me reunia com meus amigos para podermos assistir e torcer juntos.
    Uns gostavam do estilo do Diabo Louro, do Múmia ou do Fantomas, mas o meu ídolo era sempre o Ted Boy Marino.
    Hoje não tenho a menor vontade de assistir ao vale tudo.

    Cury

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  6. Walcar eu gostava de ver seu pai lutar, ele era o mais forte dos lutadores, o Ted Boy tinha mais agilidade, mas o Diabo Loiro tinha força.
    Ontem estava revendo algumas lutas, e a do Aquiles com o Diabo Loiro deixou os fãs assustados.

    Lembro-me do Beto Anjo Loiro que era filho do Diabo Loiro.

    Grande abraço,
    Cury

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  7. Sempre achei o telecatch uma bobagem e totalmente sem graca. Entretanto, era feita de forma quase inocente e ninguem via uma gota de sangue no palco. Hoje, diante da popularidade do UFC e da quantitade de sangue apresentada quase ao vivo na globo, preciso mais uma vez, rever conceitos e admitir que naquele tempo era bem melhor. Ja tive que rever meus conceitos em relacao a musica, ao futebol, ao cinema...Sintoma de velhice...talvez, afinal tambem nasci em 63 rsrsrs...

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  8. e mais,marcelo,torcia para o nosso tricolor.abs!roberto vianna

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  9. Pois é, acabou de nos deixar a simpática Hebe Camargo. Eu acredito que o espirito sobrevive, e após o fenômeno da morte, recuperado, ele se sente surpreso quando se descobre vivo.
    Sergio.

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