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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A nova era infernal

Camelô se protege do sol em Copacabana/ Foto: Marcelo Migliaccio


Termômetros marcando 44 graus. O dia mais quente do ano no Rio foi ontem. Em pleno inverno!

Meteorologistas preveem um calor infernal até março. E que o próximo verão será cinco graus mais quente do que a média! Veja bem: cinco graus a mais em um ano. Antes, a temperatura subia um grau a cada 50, cem anos...

E ninguém coloca ponto de exclamação!?

Raul Seixas, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, cantou uma vez:

"Buliram muito com o planeta
O planeta como um cachorro eu vejo
Se não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo"

Pode ser que não seja apenas por causa da ganância, da ignorância, da maldade e do egoísmo do bicho homem, mas que a Terra está esquentando não há quem negue.

Ontem as ruas estavam uma estufa. Era praticamente impossível ficar exposto ao sol, mesmo na praia. A beldade-esultural-estonteante sai da água depois de um refrescante mergulho e, antes de chegar na cadeira, já está sequinha de novo. Nossa sorte é que o ser humano se acostuma com tudo (vide a criminalidade que, de tão banalizada, não surpreende mais ninguém). A epidemia de Síndrome do Pânico só perde para a de crack e ainda assim a maioria das pessoas continua vivendo normalmente, apesar dos programas policiais que nos dizem diariamente que o ser humano já era. A frase "o inferno é aqui", pronunciada sempre diante das atrocidades do dia a dia, nunca foi tão literal, basta olhar os termômetros.

Agora esse calor infernal. Posso até estar na andropausa, mas nunca vi o Rio tão quente e abafado como ontem. Frente fria? Dura pouco. Inverno? Ano que vem vai cair no dia 10 de julho... Eu achava incrível pessoas morrerem de calor naquelas tragédias climáticas européias. Hoje, depois de sentir na pele a canícula de ontem, já não acho mais.

E cheguei a uma conclusão: casacos são um artigo em extinção. Isso mesmo, no futuro, não haverá mais casacos na Terra. Parece uma idiotice, mas essa constatação prosaica nos diz exatamente para onde estamos indo (nós todos e não só os fabricantes de moletons): para um brejo pra lá de calorento.


11 comentários:

  1. Aqui em Curitiba, que historicamente tem um inverno rigoroso, praticamente não sentimos frio durante a estação. Fez muito calor aqui, ontem que deu uma aliviada. Quanto ao planeta cobrar a conta, isso é uma questão de lógica e de tempo. Ou o homem está achando que vai fazer o que bem entender pelo tempo que quiser e vai ficar tudo por isso mesmo? E ainda tem gente que diz que o homem é o único animal (ou ser) racional que existe na terra.

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  2. Essa é mais uma das ações deletérias da direita reacionária que busca, a partir da alteração radical das CNTPs, inviabilizar as reformas ptistas.Atento, o Planalto já prepara um pacote criando a bolsa ar-refrigerado e, para aumentar a oferta de empregos, planeja uma nova estatal que irá coordenar a construção de piscinões comunitários por todo o país.Mas por favor, sem topless.Alguns comissários são avessos!
    Cyro Gondim Pereira.

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    1. Cyro, Pedroza ou seja lá como se chame, adoro seus comentários, porque eles mostram que tipo de gente demoniza o PT e os partidos de esquerda em geral. Continue prestando esse desserviço aos seus pares da direita. Obrigado

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    2. A verdade incomoda...
      Cyro Gondim Pereira

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  3. Se a ideia de Cyro, Pedroza não fosse tão anti ecológica (mais ar refrigerado, mais uso de energia...)seria fantástica. Por que só pobre tem que passar calor? É com deboche que devemos responder a esse tipo de pensamento.

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    1. Essa é a idéia....debochar para não chorar.
      Cyro Gondim Pereira

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  4. Eh soh acontecer alguns terremotos bem fortes, alguns tsunamis e algumas erupcoes e o planeta, rapidinho, rapidinho, bota tudo em ordem novamente...

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  5. Vem para B.H.
    Aqui venta à noite e os bares de calçada são deliciosos (apesar do Márcio Lacerda e seus cerceamentos).

    Um abraço,

    Wanda Rodrigues

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    1. Passei três dias uma vez em BH e choveu sem parar... fiquei traumatizado

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    2. Da próxima vez, siga o conselho de uma viajante inveterada, olhe o serviço metereológico.

      O convite continua de pé. Precisamos voltar a ser uma cidade acolhedora.

      Um abraço,

      Wanda Rodrigues

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  6. Estou lendo, Depois da Morte. Do filósofo espirita, Leon Denis.
    Na introdução ele fala que todos os impérios antigos desapareceram.
    O império do consumo exagerado também vai passar, por isso é bom ir se desapegando. A boa noticia é que o espirito sobrevive à morte.
    Sergio.

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