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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os intocáveis e os paralímpicos

O filme Intocáveis é imperdível. Primeiro, porque uma comédia francesa que faça brasileiros rirem é difícil de aparecer e deve ser comemorada como um gol em final de campeonato.

E não é só isso. O filme trata um tabu de uma forma absolutamente despudorada e sem preconceitos. Um negro da periferia, de origem senegalesa e com um pé na marginalidade (Omar Sy) é escolhido como acompanhante por um milionário tetraplégico (François Cluzet).

O mais sensacional é a forma como o jovem trata o "deficiente". Nada de comiseração, nem de indulgência, só companheirismo verdadeiro e brincadeiras sem a autocensura do "isso seria politicamente correto?".

Em suma, aquele enfermeiro sem nenhuma formação acaba oferecendo ao ricaço tudo que alguém que está irremediavelmente preso a uma cadeira de rodas precisa em sua vida: leveza.

Alguns críticos vão torcer o nariz. Chamarão o filme de apelativo ou lacrimejante, mas, na verdade, são pessoas que têm vergonha de suas próprias lágrimas. Emocionar-se, para esses caras, é um demérito. Tolos.

Acho que o planejamento mercadológico fez com que o filme fosse lançado nesta época de paralimpíada, quando pessoas das quais, constrangidos, desviamos o olhar nas ruas, mostram que a deficiência física, como tudo mais nesta na vida, é relativa.

O que mais deve machucar um portador de necessidades especiais é um olhar de pena e, como, idiotas que somos, é só isso que conseguimos lhes oferecer. Isso quando não travamos aquela luta herculea para que nosso olhar não cruze com o de um deles. Parece que só adquirimos coragem quando uma dessas pessoas ostenta uma medalha de ouro no peito.

Quanto maiores as diferenças, mais dificuldades temos para nos comportar. Gritamos com um cego como se ele fosse surdo e não sabemos onde enfiar as mãos diante de um amputado. O rapaz do filme não. Põe todo mundo pra dançar diante do tetraplégico. Ele é assim. O modo como canta a secretária do chefe deixa claro que também com mulheres ele não estabelece as barreiras convencionais.

Já o brother do Senegal nos dá, nesse filme, uma lição de vida, essa sim politicamente correta, apesar de piadas como: "me espera aí, sei que você não vai sair daí por nada desse mundo"...

Vendo o filme entendi a frase de Santo Agostinho: "Conhece-se melhor a Deus na ignorância".


9 comentários:

  1. Quero muito ver esse filme. Soube que o tetraplégico retratado é o neto do dono da Moët & Chandon.

    Quanto aos portadores de deficiência é verdade o que você disse: uma vez me ofereci para ajudar um cego a descer as escadas do metrô e sem perceber eu estava falando com ele alguns decibéis acima do que o necessário.

    Ele, muito divertido e meio sem graça, me disse: "Minha filha, estou profundamente agradecido pela sua ajuda, mas veja...não é preciso você falar alto pois eu te escuto, tá? É que eu sou apenas cego e não surdo".

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  2. Marcelo, gostei muito desse filme, sem falar no lindíssimo idioma frances falado durante a projeção (acho lindo o frances, é o idioma que pretendo estudar).

    P.S. Não seria Intocáveis ? (Os Intocáveis é outro filme)

    Cury

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  3. O ator François Cluzet é sosia de Dustin Hofman, porem mais para lord do que para "perdido na noite". Minha nota: *****. Não percam!!! Yves.

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  4. Adoro cinema, porém pra mim, filme é como musica que se for realmente boa atravessa a barreira do tempo e pode ser ouvida daqui à 10 anos.
    Alguém mencionou acima "Perdidos na noite". esse filme de 1969 me emociona até hoje, ele tem uma linda trilha sonora. Isso também se aplica à textos.
    Sergio.

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  5. Tive oportunidade de citar, nesse, e no Blog da Fernanda, que devido á acidente automobilístico sofrido em 1990, mesmo tendo sido operado no Into, á época, HTO, e feito Fisioterapia No SARA , em Brasília, pois o do Rio não existia, fiquei com sequela no joelho esquerdo, que flete apenas 13graus. Tal fato, não impediu-me de , após voltar a caminhar com ajuda de muleta canadense e bengala, retomar as caminhadas de doze quilometros diários no Aterro do Flamengo. tal fato, chamava a atenção de todos, pois, de muletas, caminhava muito mais rápido que a maioria das pessoas de todas as faixas etárias. Desde de 1995, caminho sem ajuda de órteses e, também, com muita velocidade, perfazendo, diariamente, 10 quilomêtros,de segunda á sexta.
    Residi há sete anos na Região dos Lagos, no Centro da Cidade, no mesmo prédio, passando pelas mesmas pessoas, diariamente. Ainda assm, olham-me, como sse fosse um E.T, por manter, com disciplina. quase espartana, minha atividade física. O preconceito e exclusão que percebo nos olhares, são evidentes(não sou paranóico), o que, muitas vezes, deixa-me muito puto, mas seguro a onda. Para os imbecis nutridos e movidos por preconceito, eu deveria ficar em casa, desenvolver uma enorme pança e esperar a morte chegar. Como estou pelo menos, quatro vezes, por mês, no Rio(Inclusive, no último fim de semana), rola equilíbrio, pos aí, em nossa linda cidade, não percebo O tipo de olhar daqui. Quando muito, aquela surpresa inicial, citada anteriormente.
    O preconceito, sem dúvidas, é a grande ignorância da humanidade, responsável por várias atrocidades, praticadas por pessoas, contra pessoas, diferentes daquelas.

    ABRAÇO.

    ANTONIO CARLOS

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    Respostas
    1. Basta colocar uma camisa diferente e as pessoas já olham torto...

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  6. Assisti ao filme devido ao curso de francês que atualmente faco.
    Gostei muito do filme, achei sensacional e o importante e que deixou uma lição para todos nos.
    bises!

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