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segunda-feira, 28 de março de 2016

Na trilha de Lampião


Não vejo agência de viagem nenhuma promover o turismo em Sergipe. Nos cartazes pendurados nas vitrines, incensam Porto de Galinhas, Jericoacoara, Caribe, Punta del Este... talvez por isso consegui passagens a R$ 160 para a pouquíssimo badalada Aracaju. Chegando lá, uma supressa. Atalaia, a Ipanema deles, parece a orla de Arraial do Cabo. Poucos prédios, muitas casas, bem diferente de Boa Viagem, no Recife, onde os tubarões imobiliários tomaram conta das calçadas.

Foto: Marcelo Migliaccio

A principal praia da capital sergipana é uma beleza, imensa...

Foto: Marcelo Migliaccio

Pena que a educação dos frequentadores não esteja à altura, ainda mais numa época de greve dos garis locais. Eis o quadro numa manhã de segunda-feira.

Foto: Marcelo Migliaccio

Quem aproveita a sujeira são os gaviões.

Foto: Marcelo Migliaccio

Mas o que a gente queria mesmo era conhecer o sertão nordestino. Então foram quatro horas de viagem rumo ao interior. Na paisagem, enquanto o agreste se transformava em caatinga, muitas cabras e bodes, animais fortes o bastante para viver por aqui. Dizem que comem até pedra e areia.

Foto: Marcelo Migliaccio

E jumentos, claro, uma tradição. Às vezes, se estranhando na beira da estrada.

Foto: Marcelo Migliaccio

Um lixão assustador a caminho da terra onde reinou Lampião. Aqui gaviões, urubus e, infelizmente, pessoas sobrevivem das sobras da festa nacional do consumo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Miséria e beleza misturadas, assim é o sertão, onde o Brasil é mais Brasil. Onde o Brasil é Brasil de verdade.

Foto: Marcelo Migliaccio

O sol nasce para todos, para o bem e para o mal.



Emoção e reverência são os sentimentos ao chegar ao lendário Rio São Francisco.

Foto: Marcelo Migliaccio

Com suas pequenas praias e sua água límpida que paradoxalmente banha o semi-árido nordestino.

Foto: Marcelo Migliaccio

No lago artificial criado pela Usina Hidrelétrica de Xingó, canions viraram atração turística.



Foto: Marcelo Migliaccio


 Construções históricas estão por toda parte.

Foto: Marcelo Migliaccio

Principalmente na simpática cidade de Piranhas, onde a escadaria para a pequena igreja perdem para as da Penha por apenas cinco degraus.


Foto: Marcelo Migliaccio

Uma mistura de Paraty sem praia com Visconde de Mauá sem Mata Atlântica... essa é Piranhas.

Foto: Marcelo Migliaccio

E, enfim, entramos a pé na caatinha, uma floresta quentíssima, meio acinzentada. Com suas mais de 800 espécies plantas e que exala a história do povo nordestino.


Casas com paredes de barro, tão simples que nem dá pra acreditar, algumas conservadas desde o tempo do cangaço.

Foto: Marcelo Migliaccio

Aqui, a 800 metros do rio caatinga a dentro, Lampião e parte de seu bando foram mortos por uma patrulha da volante em 1938. Sempre há um traidor na história.

Foto: Marcelo Migliaccio

Seculares habitantes do maravilhoso ecossistema observam os forasteiros com olhares de poucos amigos. Parece que as escaramuças dos tempos dos cangaceiros ainda estão no ar.


Foto: Marcelo Migliaccio

Hora de voltar para o litoral. A fauna e a flora vão mudando novamente. A lei da natureza, no entanto, é irrevogável.

Foto: Marcelo Migliaccio

Mais e mais provas da força do nordestino.


Foto: Marcelo Migliaccio

No acampamento dos Sem Terra, certamente ninguém apoia o golpe contra Dilma Rousseff. 

Foto: Marcelo Migliaccio

É hora de rezar pelo Brasil.

Foto: Marcelo Migliaccio



3 comentários:

  1. Sou suspeito pra falar dessa terra,pois, como já disse sou filho de Sergipanos e viajo para lá desde meus 4 anos de idade. Por algum tempo Aracaju foi eleita a cidade de melhor qualidade de vida no nordeste. Hoje não sei como anda essa pesquisa, mas talvez, por não ter a água do mar azul como a de Maceió, por se localizar próxima a desembocadura de rios, Aracaju sempre investiu muito em sua orla, que por isso é muito bem organizada e com muitas atrações gratuitas, inclusive pra crianças. Talvez seja bom a cidade não constar entre os roteiros turísticos, isso a torna mais barata para quem souber aproveitar. Ainda não decidi se volto para o Rio depois que me aposentar na Bahia, mas certamente Aracaju está nos meus planos futuros. Espero que você volte também.

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  2. O problema de voltar é que o Brasil tem muitos lugares pra conhecer. Abraço

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  3. Belíssimas , todas as fotos, com destaque para "o sol nasce para todos". Tenho uma querida afilhada que mora em Aracaju -e olha que já morou no Rio comigo- e adora a cidade...e o Nordeste (eu também) que conseguiu conhecer, por enquanto. Sobre a sujeira da praia principal, também por conta da greve dos garis, deixa Ipanema, por exemplo, com inveja. Sem greve de garis, as prais do Rio são muiiito mais sujas, evidentemente.Frequento-as, há mais de 40 anos e não "tapo sol com peneira" rs, ou não fecho os olhos para as evidentes mazelas dos muitos cariocas mal educados ou esculachados, lamentavelmente.

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