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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Lamento ponderado

Eu não gosto de ser radical. Verdade, detesto. É como uma droga. Você usa e depois do barato, da catarse, se arrepende. Vem uma certa ressaca moral. O radicalismo político, então, carrega, além da eterna dúvida sobre a pertinência do maniqueísmo, o risco de se colocar a mão no fogo por outrem. 

Mas quando eu leio um texto como o do Nelson Motta achincalhando a mulher do Lula, ou do Jabor, dizendo que o Lula decepou o dedo de propósito para não trabalhar, ou quando fico sabendo que o Jornal Nacional ignorou a queda do dólar e a alta nas ações da Petrobras, olho na banca a capa da Veja, ou topo com idiotas pedindo a volta da ditadura militar... me pergunto: que saída me resta?

2 comentários:

  1. Já dizia o grande Ernesto Che Guevara: "hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”
    Cury

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  2. De minha parte, aprecio e pratico, prazerosamente, o radicalismo, especificamente no conceito filosófico, pois radical, ertimologicamene, vem do latim Radix, raiz. Literalmente significa aquilo que atinge a raiz. Este termo indica a característica fundamental da Filosofia. De um lado exclui como incompletas as interpretações superficiais e medíocres da realidade, pois pretende alcançar o melhor conhecimento possível do real. De outro lado mostra que a filosofia não é intransigente, inflexível, pois levará sempre o estudioso à convicção de que o seu saber, por maior e mais profundo que seja, não é o último, muito menos o definitivo. É o melhor, o maior e o mais profundo que ele pode alcançar naquele momento. O que não admito, em hipótese alguma, é o maldito sectarismo.

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