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sábado, 17 de agosto de 2013

Esse cara é o cara

Não sei se é porque eu acabei de fazer 50 anos, mas a verdade é que resolvi cumprir minha obrigação de brasileiro e fui, enfim, assistir a um show de Roberto Carlos. Eu já sabia, mas ao vivo a gente tem a certeza de que esse cara é um produto que deu certo. Foi um tiro certeiro no coração do público alvo. Não é sandália havaiana, mas todo mundo usa. Suas muitas imitações são intragáveis como as da Coca-Cola. E a Coca-Cola é tão simples (como diz um amigo meu, "é açúcar com bolinhas de gás"). Tudo nele é simples, das rimas às mensagens, dos gestos aos sorrisos, das palavras às canções. Tudo nele foi feito pra dar certo, e dá, há décadas. Seu nome não é estranho como o de Caetano Veloso, nem modernoso como o de Lulu Santos. Seu nome é Roberto... Carlos.

A voz suave, afinada, gostosa resiste ao peso dos anos, é a mesma (mas os cabelos, quanta diferença...). O olhar fundamentalmente triste cria empatia imediata, ainda mais num país como este. Um exemplo de sucesso mercadológico.

Suas letras são fáceis mas nem por isso rasteiras se você considerar que as coisas simples da vida são as que mais importam, suas melodias colam como chiclete na gente porque adoramos o previsível, seu segredo é falar sobre nossos sentimentos mais intuitivos. Sua decisão de nunca se manifestar publicamente sobre política, nem mesmo durante a ditadura _ o que sempre me incomodou _ também explica em parte a ampla e longeva aceitação.

No show, ele encarna o personagem do início ao fim, em nenhum momento ele se desvia. É só mais um show, no entanto seu personagem quer fazer crer que a noite é única também para ele e não só para o público extasiado. E talvez seja especial também pra ele.

Eu sei, esse papo tá meio tiete. Vamos aos fatos. A entrada não é barata mas também não é tão cara se você considerar que custa o mesmo que andam cobrando por um ingresso no Maracanã. Mesmo assim, a platéia no Forte de Copacabana estava praticamente lotada. Tudo organizado, sem tumulto nos bares nem xixi no chão do banheiro (pelo menos no início...). A média de idade do público ajuda. Já o frisson no ar é de um frescor adolescente. O súditos vieram ver o Rei.


Foto: Marcelo Migliaccio


Nos figurinos, oncinha é item de série, nem que seja no detalhe do salto. Bengalas e cadeiras de rodas também fazem parte da paisagem. Fidelidade é isso.


Foto: Marcelo Migliaccio


Antes de o show começar já tinha gente com os olhos marejados. Confesso que fiquei com um certo receio de que ele, notório carola, empolgado com a visita recente do papa Francisco, incluísse uma interminável sequência com suas canções cristãs. Mas cantou só Jesus Cristo e Nossa Senhora, que devem ter sido suficientes para garantir nosso lugar no céu.


Foto: Marcelo Migliaccio


Ih, ó o cara aí! Muitas emoções, tantas que uma mulher passa mal e sai carregada. No palco, Roberto nem nota. Continua contando a história do cachorro que sorriu latindo alheio ao corre-corre dos médicos de plantão.


Foto: Marcelo Migliaccio


Lá estava ele, livre da tela da TV, em carne e osso, o astro entre as estrelas.


Foto: Marcelo Migliaccio


Algumas nem precisam vê-lo,  basta apenas ouvi-lo...


Foto: Marcelo Migliaccio


Roberto parece não ser muito íntimo do violão, mas o personagem é. Com incrível habilidade, ele disfarça seu difícil dedilhar enquanto canta muito melhor que João Gilberto.




A indústria em torno desse fenômeno de comunicação de massa não pára. "Parceiro"de três das maiores multinacionais do planeta, ele anuncia um disco com remixagens de clássicos de seu repertório feitas por DJs renomados. No palco, canta a versão de Fera Ferida remarcada por um bate-estaca e assinada por um tal de Memê. O hit, aposto, vai fazer a cabeça da molecada nas raves dentro em breve. Ou não, né?


Foto: Marcelo Migliaccio


E no final do show, o momento mais esperado por elas. O cantor mais famoso do Brasl beija rosas e dá às fãs que se aglomeram diante do palco.


Foto: Marcelo Migliaccio


Para cada uma que entrega ou joga, ele dirige um olhar sedutor, apaixonado, como se ela fosse única. Todos somos únicos e um só diante de Roberto Carlos.


Foto: Marcelo Migliaccio



25 comentários:

  1. Será que é isso que esta reservado para a gente depois dos 50...tô fora!!!

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    1. Eu dizia mais ou menos isso até a semana passada.

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  2. Assim como o Clistenes...tô fora. Meus respeitos a quem admira "reis", cafonas ou não. De minha parte, nunca, nem adolescente, gostei, e, menos ainda ...idolatrei cantores/as populares (não sei?! o motivo).Sou mais, desde sempre, das exceções realmente artísticas.Meus artistas admirados não colocaram mel na boca do povo e sempre tiveram público menor.Nem por isto, penso como o Nelson Rodrigues que toda a unanimidade é burra (há exceções). Já passei dos cinquentinha (tenho mais de 20 e menos de 200rs..) e pretendo chegar, com saúde, aos cenzinho...se o TODOPODEROSO ajudar, e sem ser súdito, seja lá de quem for. Sou rês contentemente desgarrada.O importante e o que vale é que você apreciou.Você mereceu o prazer de assisti-lo.
    Marcos Lúcio

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    1. Marcos, se você assistir ao vivo não terá como sair falando mal dele. Abraço

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    2. Prezado...eu não falei mal dele, o que seria uma leviandade (sem levar em consideração , inclusive , ele e a ditadura rs). É que música de excelência para mim... é território sagrado , ouço todos os dias. Não seria o Roberto a contradizer-me.Já fui "obrigado" a vê-lo até em Natal na casa da minha mãe. Pareceu-me panetone (não gosto).

      Penso que você assistiu em ótima e feminina companhia (paixões são cegas), ou, talvez, pela idade, você voltou a ser o que sempre foi:um romântico que se disfarçou de rebelde na adolescência rs, o que não é nenhum demérito, diga-se "en passant".
      Bom proveito robertocarliano, então.
      Bom finde
      Abraço
      M.L.

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    3. É que ver ao vivo é diferente de ver na TV Globo, na programação de Natal... coloquei um adento no texto sobre a postura dele durante a ditadura. Valeu!

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    4. No documento emitido pelo Centro de Informações do Exército são revelados alguns desses “colaboradores”, considerados pelos militares como amigos, aliados do regime. Segundo o documento, certos órgãos de imprensa estariam publicando matérias denegrindo a imagem de determinados artistas que se “uniram à revolução (sic) no combate à subversão e outros que estiveram sempre dispostos a uma efetiva colaboração com o governo”.
      São citados Wilson Simonal, Roberto Carlos, Agnaldo Timóteo, Clara Nunes, Wanderley Cardoso e Rosemary.

      Ato contínuo, faço minhas as palavras do Urariano Mota que indagou:
      "
      Que música seria mais representativa do golpe militar ? Quais canções, que músico seria mais representativo daqueles anos inaugurados em um primeiro de abril?
      Num estalo me veio que Roberto Carlos deve ter sido o compositor mais representativo da ditadura.


      “O Rei não tem culpa...”, diz-nos um senhor encanecido, ex-jovem guarda (e como envelheceu a jovem guarda!). Sim, compreendemos: quem assim nos fala quer apenas dizer, RC não teve culpa de fazer o medíocre, de falar aos corações da massa jovem daqueles anos. À juventude alienada, mas juventude de peso , em número, que ganha sempre da minoria de jovens estudiosos. Que mal havia em falar para a sensibilidade embrutecida mais ampla?
      Mas é sintomática a passagem de cantor da juventude para o “romântico”. Essa passagem se deu na medida em que os jovens de todo o mundo deixaram de ser apenas um mercado de calças Lee e Coca-Cola, e passaram a movimentos contra a guerra do Vietnã, até mesmo em festivais de rock, como em Woodstock. Ou, se quiserem numa versão mais brasileira, o Rei Roberto se torna um senhor “romântico” na medida em que as botas militares pisam com mais força a vida brasileira. Ora, nesses angustiantes anos o que compõe, o ex-jovem, que um dia desejou que tudo mais fosse para o inferno? - Eu te amo, eu te amo, eu te amo...
      É claro que a passagem do RC Jovem Guarda para o senhor “romântico” não se deu pelo envelhecimento do seu público. De 65 a 70 correm apenas 5 anos. O envelhecimento é outro. Nesses 5 correm sangue e raiva da ditadura militar, no Brasil, e crescimento da revolta do público “jovem”, no mundo. Enquanto explodem conflitos, a sua canção que toca nos rádios é “Vista a roupa, meu bem” (e vamos nos casar). Se projetássemos curvas de repressão política e de “romantismo” de RC, veríamos que o ápice das duas curvas é seu ponto de encontro.
      Enfim, o namoro do Rei com o regime não foi um breve piscar de olhos, um flerte, um aceno à distância.Ele não compôs só a música permitida naqueles anos de proibição; não foi só o “jovem” bem-comportado, que não pisava na grama, porque assim lhe ordenavam. Ele não foi apenas o homem livre que somente fazia o que o regime mandava. Não.Foi capaz de compor "pérolas", "diamantes", que levantavam o mundo ordenado pelo regime. Enquanto jovens estudantes eram fuzilados e caçados, na televisão e telas dos cinemas, exibia-se a brilhante propaganda “Brasil, ame-o ou deixe-o”, o que fez o nosso Rei? Irrompeu com uma canção que era um hino, um gospel de corações ocos. Ora, ora, o Rei ora: “Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui”.
      Os brasileiros executados sob tortura não estavam com Jesus. Nem Jesus com eles.
      Também por isto e por conceituar que a sua "arte" é meio rasa...ele não é meu Rei...
      e ninguém será.

      Quanto à arteira Ivete (artista é outra coisa), sempre digo: evite a Ivete rs.
      Abraços
      M.L.

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    5. Putz, chamar a canção Jesus Cristo de "um gospel de corações ocos" pouco depois de evocar o TODOPODEROSO é bem contraditorio. Aí vale lembrar quando Chico Buarque falou que ate quem broxava queria culpar a ditadura. Confesso que RC não é meu idolo musical e tambem nao tenho nenhum... Só q é inegavel a sua contribuição a nossa cultura musical. E se for pra meter o pau, que tal Geraldo Vandre, cantando, Fabiana, albergado na FAB? Tudo bem, ainda da pra refletir... O que seria do vermelho se todos gostassem do verde?

      Torelly

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    6. Prezado Torely...relendo as palavras que reproduzi, do Urariano Mota, não vi a palavra TODOPODEROSO.Ato contínuo, onde está a contradição do Uraniano??? Repito-as ,então, independentemente de concordar ou não com elas e... para não ficar dúvida:" Enquanto jovens estudantes eram fuzilados e caçados, na televisão e telas dos cinemas, exibia-se a brilhante propaganda “Brasil, ame-o ou deixe-o”, o que fez o nosso Rei? Irrompeu com uma canção que era um hino, um gospel de corações ocos. Ora, ora, o Rei ora: “Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui”.
      Os brasileiros executados sob tortura não estavam com Jesus. Nem Jesus com eles. No mais, concordo com você., lembrando que há inúmeras cores além do vermelho e verde, nesta vida constituída somente de diferenças e diversidades (cada qual com sua impressão digital rs), como sabemos alguns mais atentos de nós.
      Marcos Lucio

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    7. Em 17/08 - e pretendo chegar, com saúde, aos cenzinho...se o TODOPODEROSO ajudar
      Taí a contradição amiguinho...
      Já se passaram 2ooo anos que um jovem simples, chamado Sebastião, dedicou tudo que tinha, até a propria vida pelo que acreditava...
      Com certeza a historia nao terminou nas flexas que atravessaram seu corpo.
      E, muito mais q ter seu nome imortalizado entre nós, o seu feito maior foi ter alcançado ainda nesse plano da existencia limitada e imperfeita na qual vivemos, a unidade com o criador. E isso foi feito pela fé...
      Esses q tão recentemente morreram lutando pelo q acretitavam, nao o fizeram pela notoriedade barata de servir de referencia a aqueles que nao tem fé nem no ser humano, quanto mais em Deus...

      Torelly

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    8. Alguém lembra da novela O Todo-Poderoso, com Eduardo Tornaghi no papel título...?

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    9. É essa ate q dá pra rever na telinha, tenho certeza q vc encontra farto material para um documentario com o João de Deus, lá em Abadiania Goias.
      Aquele Abraço, Saúde

      Torelly

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    10. O coleguinha Torelly é a prova viva de que "conversa que não entende, não se estende". Como já dei aulas...não me incomodo de repetir pela pentelhésima vez rs. Não pode existir - por questão de lógica - , UMA CONTRADIÇÃO, entre argumentos utilizados por DUAS PESSOAS ABSOLUTAMENTE DIFERENTES. Estou somente exercendo neuróbica rs...sei que de nada adiantará mas, pelo menos, civilizados que somos, estamos divergindo sem conflitar.

      Quem utilizou TODOPODEROSO foi o Marcos Lúcio, em outro comentário de outro teor...no dia 17/08.

      Quem disse :"Irrompeu com uma canção que era um hino, um gospel de corações ocos. Ora, ora, o Rei ora: “Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui”...foi o Urariano Mota(Escritor e jornalista) , em comentário reproduzido do dia 18/08 e em outro contexto absolutamente diferente. Alhos não são bugalhos e as aparências enganam. Não podemos esquecer de que há pessoas da mais ilibada reputação rs...que acreditam somente em Deus ...e não em Jesus Cristo. Outras há que não crêem nem e Um, nem Noutro. Outras ainda que se referem a Eles, mesmo Deles descrendo. Dentre inúmeras outras opções, destaco mais esta: "Cada homem cria o seu próprio deus para si mesmo, seu próprio céu, seu próprio inferno" . E la nave va.
      Marcos Lúcio

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    11. Rssssss, nao sei onde e nem a quem vc deu aulas lucio marco, mas até aqui só vi mesmo foram contradições e falta de um minimo bom senso ao querer se dissociar das coisas q vc mesmo cita enquanto tenta respaldar tua posição contra Roberto Carlos, que, quer queira, quer nao, é referencia incontestavel em cultura musical.
      RSSSSS, entao vc tambem se utiliza do TODOPODEROSO, mas isso só quando fala de si mesmo na terceira pessoa?
      Sei lá entende...
      Acho q acabei de conhecer a verdadeira quimera virtual,
      patropi me socorra

      Torelly

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    12. Rsrs...conforme previ, tollyre rs, pois figueira só pode dar figos rssss...você que se vê como alguém a quem não falta um minimo de bom senso rsssssssssss... discorda de mim e a recíproca , naturalmente, é absolutamente verdadeira .Não vejo problema algum nisto, até acho interessante.Acontece.Ato contínuo, repito o que digitei anteriormente:"Estou somente exercendo neuróbica rs...sei que de nada adiantará mas, pelo menos, civilizados que somos, estamos divergindo sem conflitar. Valeu. Também conheci mais uma quimera virtual , diverti-me e o patropi me socorreu rs.
      lucio marco, segundo você rsssss..

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  3. Gosto do Roberto. Duro é ver o The New York Times comparar Ivete Sangalo a Tina Turner e Janis Joplin. Parabéns pelo blog.
    Cesar Ribeiro

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    1. Repito: evite sempre a IVETE kkkkkk

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  4. Marcelo, parodiando o que alguem famoso ja disse, estou chegando nos 50 e nao vou de jeito algum passar a gostar de RC, mas respeito-o como artista, assim como o seu direito de gostar dele. Seria bem pior se fosse a Ivete Sangalo...

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  5. Gosto muito das musicas de RC, principalmente as mais antigas que sei muitas de cor e salteado, pois vivi muitas emoções amorosas nessa época..
    Nos anos 80, ele até gravou um disco em inglês, para tentar lançar carreia internacional, mas parece que não deu certo. Muitos o comparavam a Julio Iglesias, que também tinha lindas canções de amor.

    Pena que ele foi muito omisso durante a ditadura.

    Cury

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  6. E ai? Ganhou uma rosa?? Rsrsrs
    "Falando serio"... Fui num show do RC, faz uns 25 anos, no Canecao: adorei! Tambem tive o prazer de estar com ele duas vezes: uma num voo do Rio para SP e outra, num de Brasilia para o Rio. Um gande cara, mora!

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  7. Parabens Marcelinho e obrigado por existir

    Torelly

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  8. Compartilho da admiração pelo Roberto, suas músicas embalaram minha adolescência. Até hoje gosto das músicas dele que fizeram sucesso nos anos 60 e 70. depois disso, uma ou outra boa. O RC é um grande cara.
    Sergio.

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  9. Já fiz 50 e acabei de fazer 60 e, nunca, mas nunca mesmo, alguém me verá em um show do RC ou assistindo a qualquer programa de tv. Nunca o achei grande coisa. Para mim é um cantor medíocre e um compositor muito sem graça. Suas letras são bem chatas, previsíveis.

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