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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Desagravo a 2015

Repilo e deploro qualquer tentativa de desqualificar 2015. Eu só não diria que foi um grande ano porque terá 365 dias como todos os outros. Mas foi o ano em que a democracia brasileira resistiu a várias tentativas de golpe comandadas por um conluio entre picaretas notórios, analfabetos políticos e fascistas, estes últimos recém-saídos do armário em que se esconderam desde o vexame de Fernando Collor de Mello na Presidência.

Não, o Estado Islâmico e seu terror não nasceram em 2015. A essa turma que tornou a praia um inferno com seus arrastões não foi negada educação só neste ano. As barreiras de Mariana não foram negligenciadas e mal fiscalizadas apenas no momento em que se romperam. Nossos maiores corruptos, de longas carreiras políticas, já estão por aí há décadas.

Como sempre acontecerá, morreu gente legal (e também uma infinidade de pilantras). Mas também nasceu gente boa e outra infinidade de futuros energúmenos.

Foi um ano como outro qualquer, só que a nossa decadência como sociedade fica cada dia mais flagrante, a exclusão vem ganhando há tempos a queda de braço contra os programas sociais dos governos. Os recursos naturais estão se esgotando dia após dia (e continuamos fazendo apologia ao sexo na mídia, um programa de controle de natalidade às avessas).

De mais a mais, a seleção brasileira não levou de sete de ninguém neste ano. E, pelo menos, começaram, ainda que timidamente, a questionar o poder da detentora dos direitos de transmissão sobre o futebol brasileiro.

Salve 2015, afinal, ainda estamos aqui pra contar a história.

4 comentários:

  1. Os empresários e os Políticos presos em 2015 prefeririam que esse ano nunca existisse, como também a cúpula da Fifa.
    Valeu 2015, espero que as muitas coisas boas que ocorreram continuem em 2016.
    Cury

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  2. A lamentar, algumas decepções com pessoas que até então eu tinha em boa conta, mas que não resistiram ao menor sinal do recrudescimento do fascismo e embarcaram na onda do golpe. Até amigos antigos me surpreenderam e eu me senti muitas vezes como se estivesse lidando com a Marina Silva: totalmente traído.

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  3. Parabéns Marcelo
    Qualquer governo tem 1000 coisas para acertar e...1000 coisas para errar é parte da vida,ao final do governo mantendo ou tirando a governança instalada exercitamos nosso direito e responsabilidade.
    Abraços José

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  4. O melhor de 2015 foi a saída do armário de todos os fascistas, reacionários, analfabetos políticos, golpistas, enfim, toda a patuléia que não tem o menor pudor em eibir seus shows de alienação, agressividade e violência. Ato contínuo, foi o enterro definitivo do brasileiro gente boa, "cordial".

    No livro seminal, Raízes do Brasil, publicado em 1936, o historiador Sérgio Buarque de Holanda já DENUNCIAVA o problema da cordialidade manifesta na esfera pública. Isso porque o tipo cordial – uma herança portuguesa reforçada por traços das culturas negra e indígena – é individualista, avesso à hierarquia, arredio à disciplina, desobediente a regras sociais e afeito ao paternalismo e ao compadrio, ou seja, não se trata de um perfil adequado para a vida civilizada numa sociedade democrática. E até hoje este problema persiste e recrudesce, tornando um país insolúvel.

    A questão é lançada logo na abertura do capítulo que aborda o homem cordial. “O Estado não é uma ampliação do círculo familiar”. “Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição.” Para o homem cordial, no entanto, há uma extensão natural entre os dois planos. A atitude se manifesta até na linguística, “com o nosso pendor acentuado para o emprego de diminutivos”. Se tal expressão já existisse, Buarque de Holanda certamente teria falado no “jeitinho brasileiro”, manifestado principalmente no impraticável levar vantagem em tudo ( lei de Gérson?!...credo!). Se não for revertido o tal jeitinho, através da educação para crianças, jamais seremos uma nação digna e viável...lamentável.

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