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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A Ferrari e as casas de barro

Percorrendo o interior de Alagoas e vendo as condições em que esse povo vive, não sei por que, mas lembrei da Ferrari, do Lamborghini e do Porsche do Fernando Collor de Melo, eleito senador por esse estado tão pobre, de uma gente humilde que te encara completamente desarmada, pessoas de uma simplicidade e de uma ingenuidade quase indígenas. 


Foto: Marcelo Migliaccio

É incrível mas quanto mais miserável é a gente de um lugar, mais opulência ostenta a confraria de grandes milionários locais. Talvez esse contraste gritante explique o fato de Alagoas ter o maior índice de homicídios do país. Só vou acreditar na tal "meritocracia" quando as oportunidades de educação e o acesso à saúde forem iguais pra todos desde o nascimento. Usar essa palavra tucana antes disso é ignorância ou má fé.


Foto: Marcelo Migliaccio

Essa favela na capital alagoana chama a atenção de um carioca acostumado a ver a miséria apeada para o alto dos morros. A Grota do Índio fica num vale, um vale dos horrores produzido pela concentração de renda durante séculos. A menos de um quilômetro dali, fica o shopping center mais luxuoso de Maceió.


Foto: Marcelo Migliaccio

A fome tira a dignidade, acaba com a autoestima. Faz a pessoa pensar que nasceu mesmo para sofrer... e que a única alternativa é a Igreja Universal.


Foto: Marcelo Migliaccio

Na estrada para o interior, fazendas e mais fazendas com canaviais intermináveis. Os cortadores de cana pedalam ou caminham por muitos quilômetros para penar horas e horas com a foice debaixo de um sol escaldante, Se for bom de braço, pode ganhar até R$ 50 por dia. Só para comparar, um servente de pedreiro no Rio ganha diária de R$ 90.


Foto: Marcelo Migliaccio

Aqui vivem brasileiros que talvez nunca tenham ouvido falar de Renan Calheiros e do próprio Collor, que um dia representou o sonho de dias melhores num dos maiores contos do vigário da História.


Foto: Marcelo Migliaccio

Matar a fome é o primeiro passo na direção da justiça social. Graças a Deus, e ao Bolsa Família, vi muitas crianças indo e voltando da escola. São elas a esperança de um futuro que não repita o passado.


Foto: Marcelo Migliaccio


E que não se vote mais no colecionador de Ferraris, Lamborghinis e Porsches...

Carros de Collor apreendidos e depois devolvidos






6 comentários:

  1. Essa triste realidade brasileira a maioria desconhece, principalmente uns babacas que ficaram com a fuça na janela batendo panela hoje nos bairros de classe média e alta.
    Ao invés de bater panela, deveriam encher um prato de comida e descer para matar a fome de um ser humano que não teve oportunidade na vida, bastar dar uma volta no quarteirão para encontrar um desses desassistidos.
    Cury

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  2. É Marcelo... você, mais do que ninguém, sabe o que é a tal da desigualdade social e concentração de renda e terra em NOSSO país... Aqui nas Geraes o Vale do Jequitinhonha é o passaporte para muito polítiqueiro safado... Aí em cima, vi em Maceió, que bastam somente 15 metros da largura de um asfalto vagabundo dividir o espaço entre um Resort e casebres de pau-a-pique que serviam e servem de moradia(?) para os empregados do Resort dormirem - se é que conseguem dormir.... Basta observar, na hora que o avião levanta vôo, que o aeroporto está cercado por um canavial imenso - de um Canavieiro obeso e opulento... Ou seja, usamos espaços ilhados pela concentração secular de terras... É na região que mais sofre pela concentração de renda que esta mesma concentração é mais concentrada - óbvio ululante, como diria um jornalista? É Marcelo... "ser" brasileiro, trabalhador, pagador de impostos (e de promessas) é exercer o que temos de melhor: a esperança. Não a espera cândida e órfã. Mas a certeza que, um dia - qualquer que seja este dia e demore o quanto vá demorar - o que é NOSSO ainda vamos usufruir... Para cada reticência, respiro fundo na esperança de encontrar a Paz de espírito que todos temos direito, pois 58 anos de vida - muito bem vivida, mexida e remexida no meio dessas desigualdades - é e foi muito pouco tempo para ver as mudanças que almejei para um mundo melhor.... Espero ter sido um bom pai de 3 filhos que serão - com certeza - melhor que eu para este mundo que está por acontecer ainda.,,, Paz e Luz para você...

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  3. Alguém sabiamente falou a muitos anos atras: Não acabaras com a pobreza, destruindo a riqueza!
    Esta situação tão bem relatada e retratada pelo Marcelo, em nada difere do Maranhão dos Sarneys e de tantos outros Estados miseráveis deste Brasil a fora. Talvez o Paulo Cesar não saiba, ou finja que não, mas esta mesma classe media Paulista, gentilmente chamada de coxinhas pelos petralhas,são responsáveis pela geração de empregos que por conseqüência pagam impostos que sustentam os demais Estados.

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    1. Classe média paulista não gera emprego, só serviu de massa de manobra para a Fiesp fomentar o golpe e conseguir depois a extinção dos direitos do trabalhador.

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  4. Quem gera emprego então? Vc ainda continua a falar em golpe? Qual golpe? O golpe aplicado contra os trabalhadores dos Correios pelo apadrinhados do Pt? O golpe do BNDS financiado Cuba, Venezuela etc? Ou o golpe aplicado pelo Guerreiro do povo brasileiro com suas lorotas? O que o Paulista não aguenta mas e levar nas costa um bando de políticos vagabundos e demagogos! A esquerda caviar vai ter que aprender a trabalhar! Chega de mamar nas tetas do governo! Os trabalhadores não aguentam mas pagar tantos sindicatos, que sô servem para enriquecer seu diretores! Chega de demagogia barata.

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    1. Aprender a trabalhar? A Fiesp entende de mamar nas tetas do governo. E quem coleciona mais escândalos que o PSDB ou os governos militares. Sai fora, fascista.

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