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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Branco sai, preto fica

O diretor não tem nome de diretor _ Adirley. Nome de diretor é Antonioni, Spielberg, Fasbinder...

Pois é, mas foi esse diretor, Adirley Queirós, o autor de um dos filmes mais surpreendentes que eu já vi. Um incrível misto de ficção científica e documentário. Sem nenhum efeito especial, sem uma explosão, sem um tiro, sem uma mulher nua, e mesmo assim um filme pesado, contundente, profundo, atual e premonitório.

Dois dançarinos da periferia de Brasília que a PM vitimou ao invadir um baile com a cavalaria conduzem a história. Um deles planeja explodir Brasília. De um futuro não menos caótico e dominado pela milícia evangélica, chega um emissário muito louco para reunir provas da violência policial contra os dois ex-dançarinos.

O espectador demora a entrar na história, aliás, é essa história absolutamente fantástica que entranha no público. Mostra nosso presente, passado e futuro sem nenhum retoque e, o melhor de tudo, com atores desconhecidos.

Adirley Queirós, ex-jogador de futebol profissional por 12 anos, foi corajoso e genial. Tanto que o filme ganhou vários prêmios. Como é ótimo e não faz parte do cardápio das grandes empresas, já está em poucos cinemas aqui do Rio _ apenas um na Zona Sul _  e deve sair logo de cartaz.

Corra!

 

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