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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Aqui e agora

A polícia do Rio identificou como Xaropinho o autor do disparo que matou, em novembro de 2011, o cinegrafista da Rede Bandeirantes Gelson Domingos, durante uma operação policial na favela de Antares, Zona Oeste do Rio. Agora, equipes fazem incursões na comunidade para tentar prender o assassino.

A Bandeirantes, em seus noticiários, trata o caso como se o bandido tivesse matado o profissional de imprensa intencionalmente, o que, claramente, não ocorreu. Como mostra o vídeo gravado pela câmera do próprio Gelson, ele se posicionou imprudentemente atrás de um dos policiais militares que trocavam tiros com os traficantes de drogas. Na época, o Sindicato dos Jornalistas do Rio culpou a Band, mas acho que cabe a cada um dos profissionais preservar-se, afinal nenhum canal obriga ninguém a fazer nada que coloque sua vida em perigo, pelo menos não explicitamente.

É fácil avaliar os riscos que o cinegrafista corria naquele momento, já que uma bala endereçada ao PM armado de fuzil poderia, evidentemente, atingi-lo, como infelizmente aconteceu. Na verdade, o triste episódio deve servir de lição a todos os profissionais de imprensa, repórteres e cinegrafistas, que acompanham esse tipo de operação. Mesmo com coletes a prova de balas (o de Gelson foi perfurado pelo tiro) não devem arriscar a vida dessa forma.

A Bandeirantes, assim como todas as outras redes, deve orientar melhor suas equipes, elaborar normas de conduta seguras e zelar para que sejam cumpridas, já que muitos jornalistas esquecem os riscos quando estão na adrenalina da busca da notícia.

Só falta dizerem, como a Globo fez no episódio em que Tim Lopes entrou numa favela com uma micro-câmera, sem o menor aparato de segurança, e acabou descoberto e morto, que o assassino atentou contra a liberdade de imprensa, contra a democracia etc... uma total deturpação do episódio para aliviar eventuais responsabilidades penais como empregadora. Depois do fato, a emissora adotou regras muito rígidas de conduta e fez de Tim Lopes quase um mártir.

Portanto, meus colegas jornalistas, cuidem de si, porque arriscar a vida desse jeito é um crime que não compensa.

10 comentários:

  1. Respostas
    1. Concordo. Fiquei intrigado com aquelas paradinhas esbranquiçadas...acho que são fantamas maconheiros. Drumm

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  2. Acho que rola uma pressãozinha para que o cinegrafista chegue o mais perto possível da realidade para dar uma "encorpada" na matéria quando ela for exibida nos telejornais. É como se não bastasse ele apenas informar o que está ocorrendo e narrar os fatos, pois isso seria pouco, seria "sem graça". Quando dá certo, tudo bem, vira uma baita matéria, todo mundo comenta e a emissora reprisa umas 300 vezes em todos os seus telejornais. Agora, quando dá errado, aí a gente já sabe o que acontece. Penso o seguinte: ali é briga entre bandidos e policiais, e os dois lados estão preparados para aquela situação, qualquer um que não seja bandido ou policial não tem que estar ali.
    Marcelo, você que é do "ramo", sabe se rola mesmo esse tipo de orientação quando um cinegrafista sai para cobrir esse tipo de "evento"?. Algo do tipo "olha, chegue o mais próximo possível, para a gente não ficar atrás das outras emissoras na cobertura dos fatos?"

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  3. Essa pressão é velada, pois tudo é comparado no dia seguinte. Quem tiver as piores imagens fica mal com seu chefe. Então o próprio profissional já tenta sempre algo mais por conta própria, para não levar bronca depois.

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    1. Entendi. E ai daquele que não voltar com fotos ou vídeos do fogo cruzado.

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    2. hummmm...Já vi esse filme antes: os profissionais adoecem porque querem segundo muitos empresários. Fazem horas extras porque querem, ninguém obriga é o que dizem. Não obrigam explicitamente, mas impõem metas impossíveis de serem alcançadas na já forçada jornada de oito horas. André Angelo

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  4. De pleno acordo com o blogueiro. Ademais, de todas as estúpidas guerras, esta é a mais estúpida de todas. Deveria era ser boicotada pela imprensa.

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  5. Esqueci de assinar: cometi o comentário "...de todas as estúpidas..."

    Drumm

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  6. http://www.youtube.com/watch?v=GYHMC_itckg

    A socidade de castas mundial. Os executivos apenas mudam de lugar.

    Como pode um pensador livre obedecer cegamente?

    Nenhum tem de cinza me parece claro o suficiente.

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  7. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VD9f8DgA1iU

    Um dos meus pontos de vista. Tenho divergências, assim como tenho da voz da alma lavada. Assim como tenho de você. Meu entretenimento é de outra faixa etária.

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