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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Dessa vez, era lagosta!

O garçom disse que elas vieram do Espírito Santo e o mineiro bonachão garantiu que eram de um criadouro


Ja contei aqui a história da última lagosta de Copacabana, que, descobri depois, nem era lagosta, mas uma cavaca, parente próximo muito menos saboroso e valorizado que o nobre crustáceo.

Pois, em pleno domingão de Carnaval, eu topei com a verdadeira, a legítima. E não era uma só não, eram muitas, claro, já sem vida, trazidas para um restaurante da orla onde seu filé grelhado, com acompanhamentos à escolha do freguês, custa 50 reais.

A visão me chocou. Não sou natureba, nem vegetariano. Como carne de porco, peixe, boi, frango, mas confesso que me chocou.

Fiquei a contemplar aqueles lindos espécimes, a imaginá-los caminhando no fundo do mar com sua carcaça dourada e suas antenas gigantes. Que belo animal... e pensar que já abundou na costa brasileira.

_ Essas devem vir de criadouro _ interrompeu minha viajem ao fundo do mar um mineiro bonachão que passava com a mulher.

_ É, aqui em Copacabana não tem mais _ tabelei com ele.

_ Isso é uma delícia. Com molho branco... hummm _ disse o gorducho das alterosas, na certa passando os dias de folia no Rio.

A patroa (dele) nem parou para um dedo de prosa, passou direto. Ignorou a mim e aos crustáceos reluzentes ao sol carioca e entrou direto no hotel. Talvez estivesse apertada, pensei, ou então de saco cheio do marido.

_ Mas eu comi uma vez e não achei grandes coisas, acho que prefiro camarão _ contei ao turista, que queria mais conversa.

_ Ah, então foi mal preparada. Eu, quando faço, tiro tudo, só deixo o filezinho.

_ Essas antenas devem ser boas com cerveja gelada... _ salivei.

Quando o oceanógrafo e gourmet mineiro falou nos criadouros, fiquei aliviado e decepcionado ao mesmo tempo. Por um lado, me confortava pensar que aquelas criaturas não tinham sido apanhadas no mar, mas veio também a tristeza por elas quase não existirem mais em seu habitat natural.

Hoje, acho que só há lagostas em número considerável na costa do Rio Grande do Norte. Vi num documentário que, lá, homens se arriscam com uma mangueira improvisada ao recolher as armadilhas deixadas nas profundezas para capturar lagostas.

Alguns pescadores até morrem nesse trabalho insalubre e ilegal. Outros ficam paralíticos. Já entre as lagostas apanhadas, nenhuma escapa. Em breve, só haverá em cativeiro. E olhe lá...

4 comentários:

  1. Eu sou vegetariano. Mas mesmo antes de ser, jamais comi lagosta, por asco. Tem aspecto muito semelhante a uma gigantesca e marítima barata, com sua cor marrom, sua carapaça externa, suas várias patas e longas antenas. Argh!!! A propósito, o sumiço delas de seus habitats naturais são apenas mais uma das atrocidades que diariamente os homens cometem contra os animais. Menos mal que pelo menos em criadouros ainda existem. Tantas outras espécies da fauna já foram irremediavelmente perdidas!... Agora, só mesmo nas fotos...

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    1. É, Bernardo, essa imagem da barata gigante também me ocorreu...

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    2. melhor mais sobra para os amantes de marisco e dos prazeres da vida, eu prefiro a lagosta com um bom vinho fresco entretanto tru delicia t lá com o teu tofu e as tuas sementes e ervas...

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  2. Lamento informar que as pobres lagostas tem que se virar para, finalmente, cair num prato com ou sem acompanhamentos. Isso porque criar lagosta nao eh economicamente viavel: Confinadas, uma acaba querendo comer a outra (se fosse no sentido que voce imaginou seria otimo pois estariam se reproduzindo mas...) e, para que chegue a um tamanho comercial sao necessarios 5 a 7 anos (essas da foto parecem ainda mais velhas). O bom eh que botam ovos aos milhares. Desses, algumas centenas acabam em pratos. Existe um programa no estado do Maine onde lagostas femeas sao isoladas ate que soltem os ovos e esses, quando "pipocam" sao jogados ao mar. Sao mais de 100.000 filhotes que jogam ao mar e desses apenas alguns chegam aos 5/7 anos de vida (alias, esta semana um pescador no Maine pegou uma com mais de 15 Kg. A vovo lagosta posou para umas fotos e foi devolvida ao mar! Guarda essa foto. Mais alguns anos e voce podera dizer que fotografou um animal extinto...

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