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sábado, 2 de julho de 2011

Minha primeira vez no trem da Central

Corria o pré-cambriano 1977. Aos 13 anos, eu peguei um trem na Central pela primeira vez. O motivo era nobre: assistir ao jogo Fluminense x Madureira no campo do Bangu.

Meu amigo Alemão tinha uns programas exóticos. Gostava de pegar o 107 na Urca pra comer pastel na Central do Brasil. No dia do jogo, ele bem que tentou incluir o pastel no roteiro, queria partir às 11h para um jogo que começaria às 15h. Tudo bem que Bangu é longe, mas nem tanto...

Foi conosco o Patrick, que era Botafogo mas topava assistir até pelada no Aterro.

Entrar naquele trem foi uma descoberta pra mim. O que mais me encantou foi a alça de metal presa no alto do vagão e que o passageiro poderia puxar para baixo para segurar quando viajasse em pé. Sacolejo e a sinfonia de molas, pinos e ferros embalaram a odisséia dos garotos da Zona Sul até nosso destino. Pala janela, eu via um Rio que até então não conhecia.

Chegamos ao estádio Proletário por volta das 13h30. Um sol de rachar. Quando sentamos na arquibancada de seis degraus havia meia dúzia de gatos pingados.

Mas, com Rivelino no time, eu nào tinha dúvidas de que aquilo encheria. Até encher, ficamos nós a torrar sentados naquele cimento quente. Teve preliminar, vimos todinha. E preliminar de juvenis é um saco, porque os garotos erram tudo que têm para errar, afinal ainda estão aprendendo.  Naquela época, se dizia juvenis, não havia essa frescura de juniores, nem de chamar craque de "jogador diferenciado".

Quando alguém xingou um dos garotos que se esfalfavam em campo, um coroa que estava perto de mim protestou:

_ Não xinga esse moleque não porque eu conheço a mãe dele!

E veio o jogo principal. O Flu, apesar de não ser mais a máquina do ano anterior, meteu 5 a 0 no pobre Madura. Ate o Carlos Alberto Pintinho fez gol.

Quando foi substituído, Rivelino saiu ovacionado por todo o estádio de Moça Bonita (nome lindo). Antes de entrar no vestiário, o fantástico craque tirou a camisa e entregou a um garotinho maltrapilho que vagava pela beira do campo.

Naquele instante, todos os 5 mil tricolores invejaram o menininho.

Foi quando alguém atrás de mim sentenciou.

_ O pai dele vai arrumar um troco.



Observado por Doval e Zezé, Luis Carlos tenta o cruzamento naquele Flu x Madureira de 1977

20 comentários:

  1. Eu já vi muitos jogos do Fluminense, em Moça Bonita! Quando era criança, meu pai (América doente) e meu padrinho (Bangu de coração), viviam me levando nos jogos... Bangu, América e Flu, estávamos sempre os 3 juntos.
    Pra gente era mais fácil, pois meu padrinho morava em Todos os Santos e eu e meu pai em Cascadura, estávamos na metade do caminho! Já encaramos muito o trem, mas comer pastel na Central, nunca!

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  2. É, Tatiana, também tive um tio banguense, e dois primos americanos. Sobre o pastel, você nâo perdeu nada...

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  3. Atualmente, estou sedenta por um pastel de feira, bem gostoso... Como moro na França, quando chego no Brasil me esbaldo com nossos quitutes!
    Com certeza vou comer uns pastéis, mas não na Central!

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  4. Pois é,grande Marcelo,

    Moça Bonita era nome de todo o bairro que hoje se chama Padre Miguel. Como dá pra perceber, o bairro que tinha o nome mais bonito do Rio, acabou com o nome mais feio.

    Em tempo, já presenciei um termômetro, desses de rua (ainda existem?), marcar 50 graus em Bangu. Achei que a geringonça estava pifada. Mas depois, um pouco à frente outro marcava a mesmíssima coisa. O asfalto derretia feito um Chicabom ao sol.

    Bração de sempre.

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  5. Dava até pra fritar ovo em tampa de bueiro, né, Rodrigo? Abraço

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  6. amigo, achei muito bacana o teu blog, como sou colaborador/pesquisador do blog do Marcão, tudo sobre o futebol Carioca de 1902 a 1985 interessa muita. A foto deste Flu e Madura em 77 é um espetáculo, como faço para achar aquele teu texto sobre a não invasão de 76? defendi que não houve invasão numa comunidade do orkut e muita gente chegou a mesma conclusão.
    para mim eram 25.000 Corintianos que saíram de SP e mais uns 20.000 frustrados, torcendo contra o melhor do Brasil.
    abração
    Ricardo Ayres

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  7. Oi, Ricardo, sempre consulto o blog do Marcão, principalmente sobre o campeonato carioca de 75, que marcou a minha vida por ter sido o primeiro que acompanhei de perto. O texto a que vc se refere não estámais disponível no JB, mas tem uma cópia dele no endereço http://blogdopaulinho.wordpress.com/2009/09/15/mentira-fiel-nao-houve-invasao-do-maracana-em-1976/

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    1. Marcelo, agora estou preparando o carioca de 52 para o Blog, fiz o de 50 e o de 56 além de um trabalho sobre os clássicos da taça Gb de 1977.
      pergunta, sabes se serão preenchidas as lacunas no acervo digital do Jb ?
      grande abraço

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    2. Não sei, saí de lá em setembro. Valeu

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    3. Aliás, 1977 foi o ano em que mais fui a jogos do Fluminense. Lembro bem dos clássicos daquele campeonato.

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    4. fiz um trabalho sobre os clássicos de 77 com escalações e detalhes sobre os jogos, vc estava naquele Flu 0x2 Bota na estréia do carioca de 77?sou maluco pelos campeonatos antigos, estes campeonatos dos anos 70 foram sensacionais,assim que tiver tempo vou esmiuçar o Carioca de 79 que foi o meu primeiro carioca, vendo agora o Flu no estádio do Bangu, bate aquela nostalgia dos campeonatos dos anos 70.

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    5. Desse com o Botafogo não estou lembrando, mas lembero bem dos dois contra o Vasco. No do primeiro turno (Vasco 1 a 0, Ramon), o Armando Marques anulou um gol lindo do Rivelino de falta alegando que não tinha mandado cobrar. Lembro também do único jogo que o Vasco perdeu, 1 a 0 pro América, gol de Uchoa. Eu ia a muitos jogos do América também...

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    6. se quiser me passe seu e-mail que te mando o trabalho sobre os clássicos de 77

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    7. Valeu, pode mandar para blogrioacima@gmail.com
      Abs

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    8. acabei de mandar,caso não consiga visualizar a formação tática me avise
      abração e sds tricolores

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  8. Padre miguel ainda é lugar de moça bonita.
    Lembro de uma vez que você foi com sua filha no trem e comeu pastel na Central do brasil. Ainda questiono o teor da postagem. Era muito burgues! quem sabe você deveria repetir a dose uma dia desses...

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    1. Acho que só vou repetir quando estatizarem a Supervia... lembre-se de que existe o bom burguês...

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  9. CERTAMENTE OS ANOS 70 FOI DÉCADA DE OURO QUE NÃO VOLTA MAIS.
    SAUDADES DA MÁQUINA, TAMBÉM FUI ALGUNS JOGOS DO AMÉRICA QUE POR SINAL ERA UM BAITA TIME E TINHA UMA TORCIDA NUMEROSA E GUERREIRA.

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  10. É isso aí, Ed, quem viu, viu. Abraço!

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