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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ignorância e burrice

Foto: Marcelo Migliaccio



Ao contrário do que alguns pensam, ignorância e burrice não são sinônimos. Existe o ignorante inteligente e o burro culto.

O exemplo clássico do primeiro tipo é o apresentador Silvio Santos. Não espere dele declarações sobre a obra de Machado de Assis, por exemplo. Mas poucos no Brasil têm o seu tirocínio, sua perspicácia.

O ignorante inteligente não tem estudo, porque, dirão os cristãos, "Deus não dá asa a cobra".

Outro sinal de inteligência em Silvio Santos é o dom da oratória. Coloca qualquer platéia no bolso, seja ela formada por adolescentes e senhoras da Vila Maria. ou por estudantes engajados. Na mansão em que ele mora tem tudo do bom e do melhor, menos um diploma na parede.

Nada a ver com ideologia, não voto em Silvio Santos para nada.

Em contraposição a esse tipo, há o burro culto. Prolifera nas universidades, públicas e privadas. É o professor pós-graduado que deixa à mostra sua falta de estofo quando diz que quando os alunos "trazerem" o trabalho... Ou o aluno que só tira 10 mas não consegue nada na vida além de ser funcionário concursado dos correios.

O burro culto é o que a grande imprensa chama de "formador de opinião", porque aceita os noticiários manipulados que lhe empurram diariamente. Assina um desses jornais que só servem pra embrulhar peixe e forrar gaiola e acha que está se informando... tadinho.

Outro dia encontrei uma caloura universitária decepcionada logo após seu primeiro dia de aula. Segundo ela, a professora, cheia de pompa e diplomas, fez uma afirmação tão absurda e tacanha durante a aula que todos os alunos se entreolharam constrangidos.

Por isso, guardo para sempre na memória os professores inteligentes que tive. Aqueles sim foram mestres de verdade...

Eu disse para a jovem se acostumar e não desanimar, porque iria encontrar muitos professores que não passam de papagaios acadêmicos. Meros burros doutrinados repetindo jargões. Conheço um que decorou as características da poesia parnasiana, cita autores e versos, mas não entende, nem tão pouco sente, nada do que lê.

Uma vez dei uma olhada nos textos exigidos pela PUC para avaliação dos candidatos ao mestrado em jornalismo aqui no Rio. Palavra de honra: não consegui passar da quarta linha em nenhum daqueles calhamaços. É aquele blá-blá-blá teórico e estéril, uma perda de tempo. O que poderia ser dito em um parágrafo leva cinco páginas. E o pior é que, na maioria das vezes, não significa nada. Para mim, que tenho por ofício perseguir a objetividade e a concisão, é uma tortura ler aquilo.

Mas há uma categoria humana que decora esses textos e se torna uma dessas sumidades acadêmicas. O auge de suas carreiras é ser entrevistado num programa de TV para recitar ali a verborragia intragável na qual se tornou catedrático.

Leia também:

O burro e o inteligente

4 comentários:

  1. Quanto à burrice, morro de medo do burro motivado. Sinto saudade dos burros de antigamente, tipos cada vez mais raros de se encontrar nos escritórios, bancos, lojas, consultorias e assessorias de imprensa do nosso Brasil. Acompanhamos a ascensão de um novo tipo de estúpido, que infesta todos os postos de trabalho: o burro motivado. A moda hoje é contratar uma psicóloga gordinha e aparentemente satisfeita com a vida para fazer aquele burro “genuíno”, de antigamente, se tornar um burro que se acha motivado, feliz e – pasmem – inteligente! e podendo chegar ao cargo de chefia ou de presidente, como o Bush.

    Quanto aos inteligentes, morro de medo dos psicopatas que, na maioria das vezes são inteligentes e articulados. Eles podem ser pessoas divertidas, interessantes, conversadoras, preparadas para dar respostas rápidas e inteligentes, de forma convincente contam histórias improváveis, mas de maneira a que o assunto pareça verdadeiro. Eles são muito eficazes nas suas aparências e freqüentemente são charmosos e simpáticos. No entanto, para muitas pessoas eles são muito dissimulados de falsa docilidade, aparentando hipocrisia e superficialidade.

    Psicopatas demonstram uma impressionante falta de preocupação com os efeitos devastadores que suas ações têm sobre os outros. Muitas vezes, eles são completamente sinceros sobre o assunto, afirmando com calma que não possuem nem um sentimento de culpa, não há motivos para pedirem desculpas pela dor e destruição que causaram, não existindo nenhuma razão para eles se preocuparem. Dentre inúmeros exemplos de perversidade, cito apenas um: Hitler, que era inteligente,né???
    Mais um excelente post seu, e excelente foto, também, prezado Marcelo.
    Abraço
    Marcos Lúcio.

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    1. E mais um excelente comentário... "burro motivado"?! Adorrei: é o que mais tem por aí...

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    2. É motivo de lisonja , para este humilde pitaqueiro, um comentário sincero e vindo de pessoa talentosa, inteligente, e melhor: elogiável e queriDa(nnemann). Merci Beaucoup!!!

      Mas não posso deixar de dar os devidos créditos ao dono do "burro motivado" rs...e o link para ler esta imperdível e inesquecível entrevista por ele concedida. Quis comentar isto antes, mas pensei que ficaria excessivo. Obrigado por dar , então, a oportunidade de divulgar para quem ainda não tinha lido esta pérola de entrevista, que tenho como das minhas preferidas. Considero-a "exercício de casa, valendo nota" rs.Bom proveito.

      http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/12528_CUIDADO+COM+OS+BURROS+MOTIVADOS

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    3. São os "burros inteligentes"! Estão por todas as partes. Geralmente têm uma memória fantástica, mas pouca capacidade de raciocínio e lógica. Não criam e nem concluem nada por si. São os papagaios que sustentam (com o apoio de seus admiradores, os "quase burros inteligentes")todas as regras, normas e leis cretinas de comportamento, etc, etc. Há escolas (formais ou não)e mais escolas produzindo essa espécie. E há os malandrões que faturam, e muito, com eles...

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