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domingo, 8 de julho de 2012

Um point de quatro séculos

Não parece, mas taí um lugar que bomba há 400 anos.

Praça Tiradentes (RJ)/Foto: Marcelo Migliaccio


Se for conhecer, vá numa manhã domingo, de preferência chuvosa, como esta. É aí que ela fica vazia. Não reconheceu? É a lendária Praça Tiradentes, no centro do Rio, onde foi enforcado Joaquim José da Silva Xavier, o mártir da Independência do Brasil, segundo os livros de História. Vítima de um traíra, ele foi condenado à morte ali, não sem antes ter direito a assistir a uma missa numa igreja que está até hoje ali na praça. Que baixo astral deve ter sido aquele dia... uma execução pública deve ser algo que estraga o dia de todo mundo, não só do morto. Por pior que ele tenha sido em vida, matar e ver morrer não é algo que dê prazer a pessoas normais, sãs.



Por falar em Independência, ali está o primeiro monumento erguido no Brasil, em homenagem a Dom Pedro I. Na festa de inauguração, estava presente o filho do homenageado. 

Praça Tiradentes (RJ)/Foto: Marcelo Migliaccio


Olha a pinta do playboy...

Praça Tiradentes (RJ)/Foto: Marcelo Migliaccio

Depois vieram mais igrejas, os teatros Carlos Gomes e João Caetano, os bordéis, os inferninhos, a política, as cabeças-de-porco, enfim... aqui o passado contempla o presente.

Praça Tiradentes (RJ)/Foto: Marcelo Migliaccio

Tem gente usando crack...

Praça Tiradentes (RJ)/Foto: Marcelo Migliaccio

Mas também tem igreja presbiteriana...

Igreja presbiteriana no Rio/Foto: Marcelo Migliaccio

A velha catedral dos católicos chegou bem depois. ali perto do point que é o mesmo há séculos. Cada um com seu domingo...

Coral durante missa na Catedral Metropolitana do Rio/Foto: Marcelo Migliaccio

5 comentários:

  1. Dizem que imagens valem mais que palavras.
    As fotos me atraíram, e acabei lendo os comentários.
    Sergio.

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  2. As fotos estão "comme d'habitude" muito lindas. Uma pena o mal estado de conservação destas esculturas...o tal desleixo carioca, dizem.
    esbe

    Não sou historiador nem pretendo polemizar. Sou apenas um curioso banal que gosta de compartilhar o cadinho que sabe, citando fontes "confiáveis", claro. Á informção está incorreta, segundo o prestigiado Professor Milton, que é historiador, arquiteto e crítico de arte e referência no segmento de guias de turismo, com um vasto conhecimento em educação em museus, ministrando mais de 40 cursos de história e turismo, além de apaixonado pelo Rio de Janeiro e autor vários livros publicados

    Não foi exatamente na Praça Tiradentes, como muitos pensam, que Tiradentes morreu. Tendo nas mãos um mapa da Biblioteca Nacional, datado de 1785-1760, o historiador Milton Teixeira mostra o local exato da execução. Marcado pela palavra “forca”, este ficaria a algumas centenas de metros da atual Praça Tiradentes, mais precisamente no que hoje é a esquina da Avenida Passos com Rua Buenos Aires. Forçado pelas circunstâncias — todos os seus colegas o apontaram como líder do movimento — acabou assumindo o envolvimento. [...] Em sua sentença, a rainha Maria I foi taxativa: dos dez envolvidos, nove seriam presos e um seria condenado à morte. “Claro que sobrou para Tiradentes, que, além de ser o mais pobre entre os dez, ainda era dentista, profissão que parece nunca ter sido vista com bons olhos pelos portugueses”, brinca Milton. [...]

    “Tiradentes nunca teve barba, bigode e cabelão, como costuma ser retratado em quadros e, no momento da execução, estava careca. Mas como a República chegou ao Brasil com um caráter agnóstico, o principal objetivo foi substituir a imagem dos santos pela das figuras pátrias. A de Tiradentes era a que mais se parecia com a de Cristo, porque, enquanto este veio para nos salvar, aquele teria vindo para nos libertar”, diz Milton, lembrando que, depois da execução, o corpo foi esquartejado na Casa do Trem (atual Museu Histórico Nacional) e cada pedaço enviado para lugares onde ele tivesse pregado suas idéias libertárias. Supondo ter contribuído, deixo um abraço.
    Marcos Lúcio

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  3. Adorei! Mas tem uma coisa: num passado nem tão distante, as multidões adoravam ver gente sendo enforcada, decaptada ou queimada na fogueira. E pense que o Coliseu foi o grande teatro Municipal de Roma. É, meu caro, o ser humano é capaz de coisas impressionantes... sou capaz de jurar que teve quem se divertisse com a morte pública de Tiradentes.

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  4. Concordo absolutamente com a Fernanda. Não fiz esta referência para não estender demais os meus sempre caudalosos rsrs textos. E acrescento: a sede de sangue é igual, no passado, no presente (as estúpidas audiências dos BBB's da vidinha boba e os programas violentos evidenciam esta obviedade deplorável) e, quiçá, no futuro. A tecnologia ampliou possibilidades infinitas, mas as alminhas continuam mesquinhas e medíocres, quase sempre. Os clássicos da literatura não me deixam mentir. O "serumano" é quase sempre um desacerto. Costumo dizer que se Cristo tivesse surgido nestes tempos neoliberais estúpidos...não seria crucificado...seria triturado em máquina de moer carne rsrs, no mínimo.
    Abraço
    Marcos Lúcio

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    1. É, cheguei à conclusão que os loucos e perversos são maioria, porque senão o mundo nãp estaria desse jeito. Eles estão no poder...

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