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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tapando a onda fascista com a peneira

Vivemos uma onda fascista em muitas frentes e a violência contra a mulher é só uma delas. Nossa presidente foi xingada de puta num estádio lotado para um jogo de Copa do Mundo transmitido para 5 bilhões de pessoas no mundo. 

Nosso Judiciário atua de forma fascista, perseguindo uma corrente política e poupando outra. A imprensa age da mesma forma. Nosso Legislativo foi aquilo que se viu na votação do impeachment. Tudo isso está ligado. 

O governo golpista não escalou uma única mulher no ministério. Acabou com a representação dos negros no Executivo. Sua secretária para os Direitos da Mulher é contra o aborto até em casos de estupro.

O esporte que mais cresce em popularidade consiste em arrebentar a cara do oponente caído, o que contraria todos os princípios das artes marciais. 

Gays são desrespeitados, crianças agredidas e abusadas, idosos espancados. O interesse da mídia, que difunde a cultura da violência, é reduzir a questão a este caso da adolescente que teria sido violentada por vários homens numa favela. O jornal da direita do Rio hoje já jogou o estupro da jovem para o canto da primeira página. Como satisfação a seus leitores, diz que "pena para estupro deve aumentar". Acha que isso vai contentá-los como quando se propõe a diminuição da maioridade penal sem discutir as causas da cada vez maior crueldade entre adolescentes infratores. 

Vivemos tapando o sol com a peneira.

5 comentários:

  1. Recado muito bem dado. Falou e disse. Reproduzo fala do Marcelo Freixo, por considerá-la , neste caso, pertinente:
    MARCELO FREIXO a respeito do nefasto psicopata BOLSONAZI- Sr. Presidente, o fascismo foi derrotado no Plenário desta Casa hoje. O fascismo foi derrotado! Plenário que já foi do Congresso Nacional, para se fazer homenagem a alguém reconhecidamente defensor da ditadura civil e militar, alguém que fez recentemente homenagem a um dos maiores torturadores da História do Brasil, os Deputados em protesto saíram do Plenário, porque não concordam que o espaço da democracia, que o espaço do Poder Legislativo seja dedicado a um fascista. É uma derrota política do fascismo no Rio de Janeiro. É importante. E que isso incomode.

    Quero dizer, Sr. Presidente, que tenho amplo respeito à democracia e à diferença e o fascismo não se inclui aí, porque o fascismo representa a eliminação da diferença.

    É necessário que o Deputado estude o mínimo de História para saber que o fascismo eliminou a democracia em diversos momentos da história, de diversos países. O fascismo não está dentro do campo da diferença. O fascismo representa o fim da democracia e a eliminação dessa diferença, por isso ele tem que ser derrotado nesta Casa. Inadmissível!

    Tenho amplo respeito por quem defende uma economia mais liberal, porque tem valores políticos, econômicos e sociais divergentes, isso está dentro da democracia, o fascismo não. O fascismo dialoga com a homofobia, o fascismo dialoga com o racismo, dialoga com o preconceito contra a mulher, e são inúmeras as declarações desse Deputado derrotado hoje nesta Casa.

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  2. Como o estupro, pela evidente violência é uma forma de fascimo, considero oportuno reproduzir este artigo que destaca violência da classe política contra os mais fracos

    O jornal espanhol El País desta quinta-feira (2) traz um artigo que trata sobre um assunto bastante falado neste última semana: o estupro. Da vergonha do estupro sexual já se escreveu tudo, por conta da tragédia sofrida pela adolescente do Rio nas mãos de um pelotão de machos violentos. Existe, entretanto - destaca o jornal - outro tipo de estupro, que não deve ser esquecido neste momento, e que é vivido pelo Brasil. Suas vítimas não são unicamente as mulheres, mas milhões de cidadãos, diz o texto.

    O artigo de Juan Arias para El País fala sobre a violência imposta pela classe política à parte mais fraca da sociedade, que se sente uma vítima impotente diante das suas corrupções e atropelos. Segundo a reportagem, a mulher, na sociedade machista, é, real e simbolicamente, objeto de violência – e não só sexual –, vítima dos prejuízos atávicos que, desde as cavernas, a considera inferior e submissa ao poder masculino. Existem, entretanto, outras categorias de pessoas igualmente violentadas física e moralmente fora da esfera sexual.

    Manifestantes realizam ato em frente ao STF contra as arbitrariedades e misoginia da justiça brasileira
    Manifestantes realizam ato em frente ao STF contra as arbitrariedades e misoginia da justiça brasileira
    Como descreve o texto, a palavra estupro procede do latim stuprum, que significa desonra, vergonha pública. No sentido jurídico, simboliza “emprego da força contra alguém mais fraco”, compreendida a violência sexual, mas não só. Na raiz indo-europeia, estuprar significa golpear. Se estupro, originalmente, indica a força exercida contra alguém mais fraco, sempre que a classe política, através de suas instituições, usa a força contra os marginalizados está cometendo um estupro moral coletivo.

    Nesse sentido, ressalta a publicação espanhola, todas as feridas sociais produzidas pelas crises econômicas, as violências policiais, geralmente contra pobres e negros, as mentiras que enganam a boa fé das pessoas humildes e a corrupção que impede melhoras na educação, na saúde e na cultura são também um estupro.

    Isso deveria servir também de alerta para dizer não a esse outro estupro moral e coletivo ao qual as práticas políticas machistas das velhas panelinhas de caciques, sem distinção de ideologias, condenam o tecido mais frágil da sociedade. O estupro moral, social e político pode, às vezes, doer e até matar, tanto ou mais que o da carne.

    São vítimas de estupro os milhões de desempregados, os jovens sem futuro, as mulheres que, mesmo quando mais preparadas que os homens, ganham sempre menos que eles, conclui El País.

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  3. Naõ resisti à tentação de compartilhar rs:

    Como a garota do Rio, Dilma foi também vítima de estupro coletivo. Por Paulo Nogueira


    Ainda é possível reparar a terrível injustiça cometida contra ela
    Ainda é possível reparar a terrível injustiça cometida contra ela
    Como a garota do Rio, Dilma foi também vítima de estupro coletivo.

    Há algumas diferenças, no entanto.

    Uma é que os homens que a brutalizaram estavam certos da impunidade. De Eduardo Cunha a Aécio, de Caiado a Gilmar Mendes, de FHC a Alckmin, dos irmãos Marinhos a seus fâmulos nas redações, dos complacentes ministros do STF aos deputados e senadores que disseram sim, de Jucá a Renan, de Moro aos delegados da PF, de Temer a Cristovam Buarque – todos sabiam que o crime não teria castigo, porque representavam a plutocracia que domina e achaca os brasileiros.

    Outra diferença é que mulheres ajudaram no estupro. Um exemplo notável é Marta Suplicy. Eleita por milhões de pessoas que jamais aprovariam o impeachment, Marta ajudou no estupro de que foi vítima Dilma com seu comportamento indecente. É como se ela gritasse aos homens que violentavam Dilma: “Não parem, não parem, não parem”. E eles não pararam, para alegria infame de Marta.

    Outra mulher presente ao estupro foi a ministra Rosa Weber. Ela conseguiu, depois do suplício a que Dilma foi submetida, intimá-la a dizer por que ela anda dizendo que o estupro foi estupro.

    Uma terceira mulher relevante no ataque feroz foi a advogada Janaína Paschoal. Ela foi paga pelo PSDB de FHC, Aécio e Serra para produzir a peça de impeachment afinal aceita pelo principal estuprador, Cunha. Isso quer dizer: ela pretensamente legitimou o estupro. E acompanhou tudo ensandecida.

    De Janaína pode-se dizer que vibrou, como se tomada por uma entidade do mal, com o que os homens fizeram com Dilma. A seu lado, na vibração incontida em que arremessava a cabeça para cá e para lá, estava um nonagenário que se revelou um câncer, uma metástase, uma zika para o Brasil, Hélio Bicudo.

    Marina também incentivou os estupradores, com a torcida para que eles pegassem Dilma. Não esqueçamos disso: a participação de Marina. Mulheres cúmplices no jornalismo foram muitas, de Míriam Leitão a Eliane Cantanhede, de Dora Kramer a Cristiana Lobo.

    Como Dilma sobreviveu é um mistério. Quer dizer, um mistério relativo. Para quem sofreu torturas dos militares por tanto tempo em masmorras, nenhuma violência é insuperável.

    Os brasileiros têm uma chance, ou uma obrigação, de reparar o horror perpetrado pelos estupradores.

    Basta devolver a Dilma o que lhe foi roubado no estupro, e punir seus estupradores, um a um.

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  4. A burguesia fede, já dizia o poeta, muitos coam mosquitos e engolem camelos.
    Que falta faz o CIEP !!!

    Cury

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