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quinta-feira, 20 de março de 2014

A cidade do Floriano


Agora que um bando de fascistas de extrema direita se une a idiotas do Facebook numa marcha para pedir a volta da ditadura militar foi bom visitar de novo Florianópolis (SC), onde o general Figueiredo, último presidente do arbítrio, levou uns cascudos do povo que não aguentava mais tanta corrupção, repressão e privilégios.


Reprodução


Foi aqui mesmo o entrevero, na casa onde nasceu o poeta Cruz e Souza, um filho de escravos que usou as palavras como poucos numa época em que a língua portuguesa ainda não havia sido assassinada pelaos dialetos do "vc" e do "kkkkk" na internet.

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A casa está lá, firme e forte, espero que nào à espera do próximo general biônico pronto para derramar sangue e encobrir escândalos...

Foto: Marcelo Migliaccio


De que será que esse pessoal que vai marchar em São Paulo no sábado têm saudade?

Foto: Marcelo Migliaccio


Voltando a falar de coisa boa, é uma delícia caminhar pelo centro desta que deve ser a última capital brasileira ainda habitável, com suas casinhas que lembram a colonização açoriana transformadas em pequenas e simpáticas lojas.

Foto: Marcelo Migliaccio


Aqui, Havaí não tel "H"e é o time mais querido pelos habitantes da ilha que não torcem pelo Figueirense...

Foto: Marcelo Migliaccio


E por falar em figueira, olha ela aí, a estrela-símbolo da cidade, na praça central, emoldurando a viagem dos turistas argentinos.

Foto: Marcelo Migliaccio


É bom viajar, conhecer gente com uma outra cabeça...

Foto: Marcelo Migliaccio


E ouvir os sons locais, como o violão poderoso do velhinho que canta Raul Seixas na porta do mercado municipal. Será que Raul não morreu e vive aqui escondido por um capuz?

Foto: Marcelo Migliaccio


Não, não é ele. No repertório, também Fevers, Rita Lee e Zé Ramalho, com o agradecimento a quem lhe deixa uma moeda feito à moda Fábio Junior: "Brigadu!".

Foto: Marcelo Migliaccio 


Eu disse a única cidade habitável e agora faço uma ressalva. As águas das praias estão poluídas, até mesmo em ilhas distantes, onde repousam os canhões dos fortes de outrora e reinam hoje as escunas recheadas de turistas, despejando seu óleo no mar que já foi mais azul.

Foto: Marcelo Migliaccio


Negócios, meu amigo, negócios... aqui tem engarrafamento de escunas

Foto: Marcelo Migliaccio


Voltando ao centro da cidade, mais música, agora sertaneja, com a dupla de pai e filho e seus acordes estridentes. Também, com esse amplificador alimentado à bateria...

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas pára gente pra ouvir. Gente que já ouviu poucas e boas nessa vida.

Foto: Marcelo Migliaccio


Em Santa Catarina, o sol sempre encontra uma fresta pra nos lembrar que sem ele não dá.

Foto: Marcelo Migliaccio


E a dupla de dois não dá um tempo. Dedilha e canta alto no meio da praça do mercado.

Foto: Marcelo Migliaccio


E assim, Tião do Mato e Zé do Rancho vendem seus CDs ao mesmo tempo em que pisoteiam a gramática com botas de caubói.

Foto: Marcelo Migliaccio


Meu Deus! Melhor correr para uma das igrejas seculares.

Foto: Marcelo Migliaccio


Onde uma imagem de madeira às vezes é a última esperança.




Uma esperança vã em Santa Catarina.

Foto: Marcelo Migliaccio







12 comentários:

  1. Bacana suas fotos e igualmente seus comentários acerca de seu trabalho. Mas mudando um pouco de assunto, alguém viu o argumento de defesa do militar da época da toda poderosa Redentora acerca do sumiço apos consequente tortura do Rubens Paiva? Pois bem, o gabola pijama alegou que estavam lutando uma guerra. Fala sério! Porque, mesmo que estivessem, as instituições militares brasileiras são tão despreparadas e trapalhonas enquanto funcionarios públicos que acho o argumento digno da Incrivel Armada de Brancaleone. Vou explicar porque. O Brasil não é signatario da Convenção de Genebra Para Tratamento A Prisioneiros de Guerra desde 1949? Sim. O aludido tratado internacional não foi consubstanciado enquanto lei nacional sancionada na integra nos mesmos termos pelos Poderes Executivo e Legislativo por meio do Decreto Legislativo 35 de 12/08/1949? Sim. Portanto, tornou-se lei nacional vigente até hoje. E nessa legislação deorigem convencional internacional não estão previstas a tortura e a execução sumária, muito pelo contrário, sendo considerados crimes imprescritíveis e consequentemente sem direito a fiança, por serem considerados a exortação do hediondo que uma tropa oficial enquanto agentes do Estado podem cometer. Portanto, esse pijama da Redentora das forças armadas brasileiras abriu a boca para falar merda para ele mesmo, pois diante de um tribunal digno, ele seria condenado por suas próprias palavras. Mas no Brasil, sabe como é, o Presidente do Supremo se acha o herói da redenção, o Batman brasileiro. Mas como um simples advogado, afirmo, esse argumento de que o Brasil durante os anos da Redentora, vivia em estado de guerra é delírio, bad trip de quem ingeriu uma parada alucinógena da pior espécie e agora tem que pagar por seu vício. O pior é que a mesma cartilha de instrução dessa época, continua regindo as novas gerações de militares desde lá. Tudo com os cumprimentos do big brother da Escola das Américas, hoje, Organização Para Segurança do Hemisfério Ocidental, em Fort Benning, Columbus, Geórgia, EUA e que de 1949 a 1984 funcionou lá, mudando-se para o Panamá depois disso, e que formou cerca de mais de 60 mil militares latino americanos, preparando o terreno para as ditaduras militares na América Latina, tendo suas cartilhas de instruções e treinamentos traduzidas em cada um desses paises e usadas até hoje como "bíblia sagrada" nos meios de formação militar em vários países latino americanos.

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  2. A pergunta que não quer calar. Afinal de contas, a Lei da Anestia, da época do governo redentor Figueiredo, serve como argumento para beneficiar a quem? Porque perante a comunidade internacional, principalmente para os países signatários da Convenção de Genebra Para Tratamento a Prisioneiros de Guerra, ja que alega-se que lutavam uma guerra, criminoso é quem tortura e executa sumariamente, nas encolhas, dando sumisso no cadáver. O argumento é válido para os chamados subverssivos urbanos e rurais desse mesmo regime redentor e mesmo para nos tempos democráticos, toda vez que o sentido de lutar uma guerra for usado pelos detentores do poder.

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  3. Para completar esse excelente texto do Marcelo, acesse o link abaixo e leia outro excelente texto com frei Betto:

    http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=25675&cod_canal=53

    Cury

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  4. Tenho ótimas lembranças de Floripa (o trigo)e péssimas informações/memórias do nefasto período da ditadura (o joio). Os países de primeiro mundo - justamente por isto- não viveram sob o manto corrupto e violento das estúpidas ditaduras.
    Marcos Lúcio

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  5. Sempre as fotos, ilustrando e mostrando. Assim que acabei de ler o texto, fui procurar a biografia do poeta Cruz e Souza.

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  6. Fala, Marcelão! Essa foto dos pescadores está linda!!! Onde é?

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  7. Gente com outra cabeça e pelo visto muitos piolhos...

    Torelly

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  8. Oi Marcelo,
    Uma pausa para se sentir bem.
    Muito bom!
    E outra para tentar entender a ideia da maldita marcha, incompreensível e sem noção.
    Beijos,
    Um amigo meu disse que a gente precisa fazer a felicidade com pequenas coisas.
    Beijos,
    Sandra
    Eu estava viajando. Voltei.



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  9. Em Abril estarei por lá! Só fiquei um pouco triste com a notícia de que as praias estão poluídas!

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    1. Algumas ainda se salvam, vale se informar com os locais. Abraço

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