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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sem graça

Foto: Marcelo Migliaccio
Por que os políticos gostam de macular as paisagens?

Nunca consegui achar graça nas coisas que o Millôr Fernandes escrevia ou desenhava. Não achava ele o gênio aclamado pela turma do Pasquim. Talvez seja um problema de geração, porque o humor muda com o passar do tempo. Como dramaturgo e escritor, desconheço suas realizações, o que deve ser outra falha minha.

Mas ainda menos engraçado que o Millôr é o estado em que se encontra o monumento em sua homenagem fincado no Arpoador, o cantinho mais bonito do Rio. Além de manchar o cartão postal de Ipanema, a estrutura está toda enferrujada. Achei a iniciativa da prefeitura um absurdo, nem que Millôr fosse uma unanimidade aquele monstrengo ali se justificaria. Mas políticos adoram se perpetuar nas placas...

Foto: Marcelo Migliaccio
Belo monumento à ferrugem




Certamente um gênio da administração municipal achou que a estrutura de ferro criada por Jaime Lerner, bem ali, entre duas praias (Arpoador e Diabo) resistiria ao vento e à intensa maresia. Ou então ele usou aquele velho artifício dos administradores públcos brasileiros: primeiro, usa-se material de segunda categoria superfaturado a preço de primeira. Como a coisa logo se deteriora, porque é vagabunda, o administrador tem a chance de promover outra concorrência para a obra de restauração.






7 comentários:

  1. Uma das piores e mais imperdoáveis verdades do Patropi:"primeiro, usa-se material de segunda categoria superfaturado a preço de primeira. Como a coisa logo se deteriora, porque é vagabunda, o administrador tem a chance de promover outra concorrência para a obra de restauração". Ou seja: malandragem, corrupção, esperteza, safadeza e/ou mau-caratismo. Não por acaso, o Caetano disse, com propriedade: "aqui... tudo é construção e já é ruína". Bingo! Triste e execrável realidade.
    Marcos Lúcio

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  2. Mais uma "obra" desnecessária para os cariocas.Como se joga dinheiro no lixo, com facilidade !!
    Sou utópico quando penso que o Brasil deveria importar da China o tratamento que dá aos corruptos.
    Sei que é sonho, mas a nossa vida seria muito melhor, se a TV decidisse fazer o bem.
    Cury

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  3. Esta é a forma não inteligente - para ser politicamente correta - de responder a questão filósófica "Qual é a tua obra?"

    A Baleia do Imperador foi mais resistente à ferrugem e menos prejudicial ao cartão postal.

    Certamente que o Monumento Millor vai dar uma engrossada no caldo do orçamento da secretaria municipal de conservação.

    Sentar no banquinho vai custar caro ao contribuinte

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  4. Marcelo, também me indignei com essa chapa de aço enferrujada que além de enfeiar, faz barreira na nossa visão. Mais uma agressão física à nossa cidade. Vamos derrubá-la na marra? É só marcar dia e hora. André Guimarães.

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    1. Não vale a pena sujar as mãos, logo ela vai virar pó...

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  5. Mauro Pires de Amorim.
    KKKKKKKKKKKKKKKK. Muito bom seu texto e a malandragem do superfaturamento citado por você, procede, principalmente porque, obra de arte não pode ser avaliada apenas pelo material usado em sua construção, afinal existe todo um trabalho de concepção junto e isso possuí um valor, que embora seja subjetivo, acaba virando $$$$$$ objetivos, principalmente com o aval de "especialistas".
    Outra malandragem comum da política no que tange as obras públicas é ser relapso com a manutenção, chegando ao ponto de quase deixar cair, para assim, diante do perigo da demora, o "periculum in mora", consegue-se um aval de urgente, urgentíssimo, para não perder o "prazo da salvação" e assim, dispensa-se a licitação, tendo-se o aval para o critério de escolha da melhor competência diante do preço, também segundo o relatório de "especialistas".
    Este segundo caso do capítulo do Manual de Malandro Político-Administrativo Público Brasileiro que cito, faz-nos entender o porque das obras para a Copa do Mundo de Futebol estão atrasadas e porque, certamente o caso do atraso, irá, certamente se repetir para a realização dos Jogos Olímpicos.
    Tudo pelo amor ao "periculum in mora", tudo para fazer bonito e não perder o prazo, claro.
    Enquanto isso, a Rússia, país que não é de primeiro mundo ainda, mas que organizou as Olimpíadas de Inverno de 2013 em Sochi e que vai ser país organizador da Copa do Mundo de Futebol em 2018 e Copa das Confederações de Futebol de 2017, as obras estão mais adiantadas do que as nossas. Mas tudo isso deve-se ao fato dos russos serem mais concretos do nossa argamassa. KKKKKKKKKKKKKKKKK.
    Concordo que a escultura em homenagem ao Millôr Fernandes é quase inexpressiva, insossa, parecendo um tampão de ferro para cobrir buraco na rua que foi recortado, mas ao menos, o Millôr não foi nocivo à pátria, tal qual o marechal do pescoço emperrado que paira soberbo no Leme, em frente ao forte. Essa estátua desse marechal deveria ser vendida para o ferro velho para depois ser retalhada e virar material reciclado.
    Felicidades e boas energias.

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    1. Mauro Pires de Amorim.
      Complementando meu escrito anterior, digo que, adoraria registrar o momento dos txuchucos e txutchucas, órfãos da Redentora, todos devidamente aparamentados com seus argumentos de sifilíticos mentais e usando fraldões como antepara dos momentos em que se borram e se mijam, choramingando pela ida da estátua de herói para o ferro velho, afim de ser retalhada e vendida como material reciclado.
      Aliás, boa parte da estagnação e da cultura de atraso de nosso país, deve-se a esses santinhos de caserna das rodinhas e clubinhos da sagrada família militar. Grandes guerreiros e guerreiras que sequer sabem a diferença entre o capacete e o penico. Colocam o penico na cabeça e saem fanfarronando e arrotando grandeza, tal qual a reunião para a parada da incrível armada de Brancaleone.
      Felicidades e boas energias.

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