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domingo, 12 de junho de 2016

O país do futuro

Todo mundo agora querendo saber se o garoto de 10 anos morto por policiais em São Paulo estava armado. Perícias, reconstituições, exames de balística... havia pólvora na mão do menino mas, como se sabe, é prática comum colocar uma arma na mão da vítima já morta e fazer um disparo para deixar vestígios. A própria polícia reconhece que, na ânsia atestar a legítima defesa dos "homens da lei", o local do crime foi mexido.

Se a criança tiver de fato atirado na polícia, estaremos todos redimidos? Era mais uma "sementinha do mal", dirão os apresentadores fascistas dos programas policiais vespertinos.

E se ela, no entanto, for mais uma vítima do futuro que exterminamos dia a dia por omissão ou conivência? Aí, será melhor esquecer o caso? Como esquecemos convenientemente tantos outros, como o dos PMs do Rio que jogaram de um penhasco dois "menores infratores" que roubavam no centro da cidade.


Foto: Marcelo Migliaccio
Enquanto houver crianças vivendo nas ruas ante a indiferença geral seremos um país sem futuro



4 comentários:

  1. esta foto da criança (ou seria adulto?) dormindo na calçada
    sem perturbar transeunte poderia ser chamada de "momento cristóvão buarque".
    explico.
    antes, bem antes de se deixar seduzir pela crise de "admissibilidade", quando
    governador do df, fez conhecer o nome de cada um das centenas de moradores
    de rua, em especial menores, para encaminhar solução com alguma dignidade.
    outros tempos; pelo menos outro Buarque se manteve na trincheira da defesa
    histórica dos menos favorecidos.

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  2. Antes mesmo de saber que era Stefan Zweig eu já gostava dele por dizer que o Brasil era um Pais do futuro, e sempre critiquei Charles de Gaulle por dizer que O Brasil não é um país sério.
    Diante de tantas coisas que estamos vivendo, aos poucos vou dando razão a De Gaulle e achando que Zweig estava sonhando.

    E continuo achando que a espécie humana está com data de validade expirada e precisa desaparecer e surgir outra mais pura e humanitária.

    Cury

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    Respostas
    1. Ele podia estar falando em coisa de milhão de anos...

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  3. Você disse tudo. Quanto ao Zweig ele podia estar dizendo, lúcida e literalmente que sempre seria o país do futuro, jamais do presente rs. O Caetano Veloso vaticinou que aqui, no Patropi, tudo é construção e já é ruina.

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