Translate

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Chame o ladrão!



Quando a mais alta corte do país cai nesse nível insustentável de suspeição o que fazer? A quem recorrer? Não basta Temer demitir Jucá, como recriou o MinC, e aí fica tudo bem...

Por que os grandes jornais estão escondendo das manchetes o trecho da gravação em que juízes do STF são apontados como parte ativa do conluio?

A podridão do golpe está exposta.

Mas quem vai fazer Justiça?

Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Dentre as pérolas gravadas:

"MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto."

3 comentários:

  1. Será que alguns incautos de plantão ainda vão continuar negando o GOLPE?

    ResponderExcluir
  2. A imprensa de muitos países deixam a nossa imprensa no limbo, elas retratam exatamente o que está acontecendo por aqui.
    Oxalá que a nossa imprensa fosse mais honesta e menos mentirosa

    Cury

    ResponderExcluir
  3. Compartilhando:Num país sério, o impeachment já teria sido anulado. Por Raymundo Gomes

    Em qualquer país sério, a corte suprema invalidaria o impeachment depois de uma gravação como a divulgada nesta segunda-feira (23) pela Folha de S. Paulo.

    Ali, temos ninguém menos que o segundo vice-presidente do Senado dizendo:

    – Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

    E ainda:

    – Tem que ter impeachment. Não tem saída.

    Não há “contextualização”, não há outra interpretação possível. É o senador Romero Jucá conspirando para derrubar a presidente da República num golpe parlamentar. Se, no já célebre grampo da conversa com Lula, a expressão “em caso de necessidade” foi usada contra Dilma para arguir uma suposta obstrução de Justiça, o que dizer do diálogo infinitamente menos ambíguo que o de Jucá e Sérgio Machado?

    Já é escandaloso o suficiente que Romero Jucá tenha votado a favor da admissão do impeachment na manhã de 12 de maio e, na tarde do mesmo dia, assumido o Ministério do Planejamento. Seria necessária total suspensão de julgamento para acreditar que não é viciado um processo onde um dos votantes tem interesse no resultado da votação, e negocia cargos condicionados a seu voto.

    Agora, tem-se a prova cabal, para quem ainda não fosse capaz de enxergar, de que Jucá via no impeachment de Dilma a salvação para si mesmo e outros políticos. Pedalada fiscal uma pinoia. Só os incautos ainda discutem se a contabilidade orçamentária é a causa real do golpe branco que vitimou Dilma Rousseff.

    A operação, agora, será de contenção de danos. Tentar-se-á isolar Jucá, fazer de conta que a conversa gravada foi um caso isolado. Mais uma vez, só os muito ingênuos podem acreditar que o senador por Roraima, um dos maiores articuladores da política nacional, não manobrou para derrubar Dilma, entrar no governo e sufocar a Lava Jato, viciando todo o processo de impeachment.

    Uma questão secundária, mas não menos importante, é saber por que a Procuradoria Geral da República, se dispunha de um áudio que poderia mudar o curso do golpe, sentou em cima da gravação e só a divulgou onze dias depois do afastamento de Dilma Rousseff. Aí, também, muitas explicações a dar em relação a mais um vazamento oportuno demais.

    A primeira grande crise do governo golpista ilustra um problema criado por aqueles que apostaram na Lava Jato como arma contra o PT: acharam que, depois de aberta a caixa de Pandora, seria possível fechá-la selecionando aquilo que dela escaparia e aquilo que nunca poderia sair. Quem conhece a lenda sabe que, quando Pandora tentou fechar a caixa, só restou uma coisa dentro dela: a esperança.

    Num país sério, Dilma seria restabelecida como presidente diante de um processo de impeachment irremediavelmente viciado.

    ResponderExcluir