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terça-feira, 29 de março de 2016

Elas por elas

Luciana Genro está contra Dilma. Diz que nada ameaça a ordem institucional. Empresta sua aura de esquerda ao golpismo. Vai ser a primeira a se ferrar num eventual governo PSDB-PMDB. E ela sabe disso. O negócio dela é ser sempre a voz dissonante. É neste governo de esquerda e será no de direita.

Na verdade, Luciana encarna a liderança das mulheres machistas. Deveria estar com Dilma nem que fosse só por ser mulher como ela.

É bom lembrar que os homens só começaram a ofender moralmente a presidente (no estádio, inclusive) depois que viram as mulheres vomitarem contra ela os piores impropérios. Foram essas mulheres as primeiras a chamar Dilma de vaca e de outros nomes piores. Pareceu mais recalque, dor de cotovelo, tudo menos política.

Lamento muito essa atitude de parte das mulheres porque elas sabem muito bem o quanto é difícil sobreviver num universo dominado pelo macho, como é a política. A mulher é diferente, pensa diferente, enxerga diferente, tem outro tempo de ação. Mas nenhuma das muitas que se colocaram de pronto contra a presidente pareceu se lembrar disso. Não se trata de feminismo mas de se colocar no lugar da outra. E nem é preciso ser apoiar seu governo, bastaria não compactuar com essa campanha para afastar do cargo uma pessoa sob a qual não pesa nenhuma acusação de crime de responsabilidade ou improbidade.

Ainda mais na política, cheia de ratos experientes. Dilma foi engolida, como, aliás, tantas outras governantes pelo mundo foram. Algumas, como Margareth Thatcher, só se deram bem porque foram mais cruéis que os homens quando se tratou de exclusão.

Por isso eu acho que se primeira mulher a presidir o Brasil cair dessa forma, vai doer mais nelas do que em nós.

Foto: Marcelo Migliaccio

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu, Theo Lima, concordo plenamente com tuas palavras. É impressionante o número de mulheres machistas, que alimentam o machismo com todos seus matizes de proto-fascismos, de todas as formas possíveis e acham tudo isso muito bonito, excitante até. Que lamentável. As loucas não se dão contam que alimentam as serpentes que se voltarão contra elas próprias. Sendo mais claro: estão criando seus próprios, presentes e futuros assassinos. Venho observando o quanto de misoginia existe na mulher brasileira - e mesmo que como professor de História eu me sinta tentado a explicar esta misoginia como um resultado ainda vivo dos séculos de opressão aos quais elas foram submetidas, algo também me diz que há aí um componente de perversidade, de conservadorismo, de autoritarismo, de crueldade mesmo, além da inveja natural em todos os humanos que compensam suas infelicidades, frustrações, auto-castrações na tentativa de derrubar, diminuir, deletar os seres que voam, que saem do chão, que colocam "os cornos acima da boiada". É uma pena que uma mulher como a Luciano Genro que até tinha a minha admiração antes de ler esse post, tenha perdido a capacidade de DISCERNIR, de separar o joio do trigo, de não conseguir perceber o quanto de jogo político, luta monstruosa pelo poder, machismo e todos os fascismos de mãos dadas se escondem através deste slogan medíocre, esgarçado de tão usado em toda a história do Brasil, chamado "Luta contra a corrupção". Mesmo sem ser um religioso de carteirinha sinto vontade de repetir as palavras do Cristo: "SEPULCROS CAIADOS! FARISEUS! FALSOS! HIPÓCRITAS! São todos como sepulcros pintados de branco por fora mas contendo só podridões por dentro!"
    Mas, não acabarei meu texto num tom tão sombrio, um laivo de esperança me aqueceu repentinamente.
    O Brasil parece ter ouvido o grito de Cazuza e mais do que nunca está mostrando a sua cara. Não fosse, talvez este acontecimento, eu com certeza teria Luciana Genro como uma possível opção. Mas, O BRASIL ESTÁ MOSTRANDO A SUA CARA, graças a esta palhaçada, SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER.
    Theo Lima (professor de História).

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  3. Sou professor de história, estudei e estudo história diariamente e posso te garantir com fontes fidedignas que ESTE FILME NÃO TEM NADA, ABSOLUTAMENTE NADA DE ORIGINAL. A única mudança são as roupas e o cenário, MAS O TEXTO, com algumas modificações vocabulares, É O MESMO. A MESMA HISTÓRIA E O MESMO TEXTO para derrubar (dar o GOLPE) na monarquia (independente de seus defeitos e qualidades), O MESMO TEXTO E A MESMA HISTÓRIA para O GOLPE DE 30, o MESMO TEXTO E A MESMA HISTÓRIA para Carlos Lacerda e a UDN (OS COXINHAS DA ÉPOCA) ESBRAVEJAREM E BABAREM contra Getúlio Vargas, O MESMO SE REPETINDO contra Juscelino Kubitschek (imaginem vocês, foi acusado de ideias comunistas também), novamente a farsa volta contra João Goulart (desta vez pra valer, ). João Goulart, latifundiário Rio Grandense Sulista, riquíssimo... porém, com ideais humanístico-sociais que logo, aos olhos DA DIREITA BABONA da época, foram classificados como ideais COMUNISTAS. Goulart FOI, COMO FORAM TODOS OS OUTROS, INCLUINDO D. PEDRO II, TAMBÉM TACHADO DE CORRUPTO. Não sei como não taxaram D. PEDRO II DE COMUNISTA...(o conceito ainda não estava tão famoso)... mas penso eu que com certeza a PRINCESA ISABEL deve ter sido acusada pelas esquinas de ficar do lado dos negros por estar “dando para algum “negão”. Sabem qual era a principal acusação contra todos esses governos? CORRUPÇÃO. CORRUPÇÃO. E agora o mais importante: Sempre os EDUARDOS CUNHAS e DELCÍDIOS das diversas épocas é que faziam as acusações e presidiam os tribunais de acusação. E os MOROS de plantões (existem em todos os períodos históricos) usavam todos os meios sujos possíveis para arrancarem material, "provas" para seus inquéritos.Onde estavam vocês, tão preocupadas com CORRUPÇÃO, DURANTE TODO O GOVERNO DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, com todas as acusações e denúncias de roubalheira a cada privatização realizada? O mensalão foi inaugurado em seu governo, primeiro para eleger o Eduardo Azeredo como governador tucanalha, em Belo Horizonte e, depois, exatamente para que a reeleição do neoliberal príncipe da Privataria Tucana, o FHCínico, fosse possível (coisa 100% comprovada). COMO VOCÊS TÊM ESTÔMAGO PARA SUPORTAR EDUARDO CUNHA AINDA PRESIDINDO O SENADO E ORGANIZANDO A BANCADA DO IMPEACHMENT? A única palavra que me vem para definir tudo o que sinto dessa palhaçada que essa direitalha retrógrada, reacionária, conservadora organiza agora para detonar toda a possibilidade de um Brasil que vem, verdadeiramente, fazendo melhorias para seu povo menos favorecido, é uma só:CINISMO. Meu sentimento é um só: NOJO, ASCO.

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    1. Excelentes suas intervenções bem fundamentadas, professor Theo. Vou compartilhá-las, posso?

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  4. Brasilia está cheia de deputados e senadores safados, maus-caráteres e machista !!!
    Impeachment liderado por um bandido como Cunha é golpe.
    Cury

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  5. É inquietante demais quando sabemos muito bem aonde toda esta histeria tão bem conduzida pode nos levar. Triste do país, do povo que se divide num "FLA -FLU" de embriagados, alucinados. Uma pequena dica de sanidade seria independentemente de para qual time você esteja torcendo, você observasse quem são teus COMPANHEIROS DE TORCIDA.
    Theo Lima (Professor de História)

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  6. Sem negar seus lúcidos e oportunos argumentos, tento compreender o comportamento inadequado (um psiquiatra diria outra coisa rs) da Lulu. Parece que ela não engoliu a derrota, ao disputar a presidência com a Dilma. E faz um estúpido gol contra.

    “Engana-se quem pensa que as mulheres se ajudam só porque são do mesmo gênero”, diz a historiadora e estudiosa do universo feminino Mary Del Priore. “Elas competem por tudo, a diferença é que algumas jogam limpo e outras não.”

    “Falar mal e fazer fofoca são comportamentos comuns entre mulheres, que desde meninas agem de tal forma, na escola, contra as colegas”, comenta o psiquiatra Antônio Flávio Testa, professor da Universidade de Brasília (UnB). “Isso acontece porque, diferentemente dos homens, que geralmente partem para a porrada, elas internalizam, remoem, permanecem magoadas.Mas o que move as mulheres a se comportar dessa forma? “Inveja, ciúme ou competição”, diz Testa. “Em geral, as amizades vão bem até que uma se sinta ameaçada pela outra.” Ele explica que a competição é mais forte entre as mais novas, mas com a maturidade, muitas relações tendem a se acertar e a se tornar mais éticas.

    Dizem que há mulheres que conseguem ser amigas uma vida inteira.

    Uma boa quantidade de pesquisas tem sido feita sobre a competitividade do sexo feminino. A revisão da literatura, de Tracy Vaillancourt, constatou que as mulheres, de modo geral, expressam uma agressão indireta para outras mulheres, e que esta agressão é uma combinação da “auto-promoção”, que as fazem parecer mais atraentes, e da “difamação das rivais”, que basicamente é ser escrota com as outras mulheres.

    Existem duas principais teorias do porquê as mulheres serem competitivas de maneiras agressivas indiretas. A psicologia evolutiva, que utiliza a seleção natural para explicar os comportamentos, diz que elas precisam se proteger (leia-se: seus úteros) de danos físicos, por isso a agressão indireta as mantém seguras enquanto diminuem a autoestima das outras mulheres. A psicologia feminista afirma que usam esta agressão indireta para internalizar o patriarcado. Como Noam Shpancer escreve em Psychology Today “quando as mulheres consideram os homens como um prêmio, como uma fonte de força, valor, realização e identidade, elas são compelidas a lutarem entre si pelo prêmio”. Em resumo: Quando o valor feminino está vinculado às pessoas que as podem engravidar, elas se voltam umas contra as outras.

    As pesquisas dizem que as mulheres são compelidas a nivelar o campo de jogo por qualquer meio necessário para se certificarem de que têm o melhor material genético, mas uma vez que isso já não é mais um motivo de preocupação real nas suas vidas modernas, a competitividade se tornou um pouco mais privada ou disfarçada.

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