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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A TV (e não a internet) é a cloaca do mundo

É comum a gente ouvir alguém dizer por aí que a internet é a cloaca do mundo, um templo de besteiras onde imbecis de todos os tipos vomitam suas verdades. Acho que confundiram as bolas, pois isso se aplica à televisão e não à web. A TV, sim, é onde se massifica o que a raça humana tem de pior.

Na internet, pelo menos, temos a parte boa, que é justamente aquilo que a TV não mostra, censura por interesses dos grupos políticos e econômicos que a controlam. Imbecilidade na internet divide espaço com inteligência, é possível escolher entre ambas. Já na televisão, onde estão as coisas e as pessoas legais?

A internet é um campo aberto à disseminação de boatos? Sim, mas eles são desmentidos, diferentemente da desinformação maquiavélica dos telejornais. Na web, nós mesmos nos encarregamos de desmentir as inverdades. No mundo televisivo, tiveram que criar uma lei para isso e, mesmo assim, o espaço do desmentido nunca é o mesmo dado antes à calúnia, à injúria, à difamação, à manipulação.

Os radicais, de direita e de esquerda, encontram espaço na grande rede, é verdade. Na televisão, porém, reina o pseudo-liberalismo, falsamente inofensivo, dissimuladamente ardiloso e oportunista. E não adianta mudar de canal, porque a confraria joga unida.

Crimes bárbaros, imagens horrendas? No computador, temos sempre a opção de não clicar; na TV, de repente, um desses programas policiais fascistas estraga nosso dia sem a menor cerimônia, inclusive sem querer saber se há crianças na sala. A web ensina a fazer drogas e bombas? Sim, se você quiser. Já a televisão introduz precocemente a vontade de beber álcool com anúncios de cerveja o dia inteiro.

Bancos, montadoras de automóveis, grandes produtores rurais, redes de supermercados, donos de hospitais e laboratórios, entre outros tubarões mandam nas emissoras de TV. As redes sociais não têm dono, igualam peixes grandes, médios, pequenos e miúdos dentro dos limites de uma postagem padrão.

Nos blogs, no Facebook etc temos toda a diversidade humana, da besta ao bestial. É só escolher. Na TV, nos impingem Ratinho, Faustão, Luciana Gimenez, Datena, João Kléber, Luciano Huck, Marcelo Rezende, Xuxa...

São eles que educaram e educam as bestas da web.

Na TV, só dá opinião quem for papagaio do patrão. A rede social é democrática, basta se conectar e dar seu pitaco. Quem gostou, gostou, quem não gostou bloqueia e pronto. Ninguém precisa passar pela seleção do Big Brother para participar da festa no ciberespaço.


É fato que muita gente usa as redes sociais para fingir que é um personagem idílico de novela das oito, no entanto muitos outros dizem sem rodeios o que pensam e o que sentem. Na TV não há o contraponto, tudo é fake, todos representam personagens, sempre.

A internet é revolucionária justamente por ser um ringue autêntico; a TV dedica-se a embotar o telespectador com sua previsibilidade doentia, seu eterno jogo de cartas marcadas, sua indigência mental crônica, seu mercantilismo sem limites. Onde a televisão coloca suas garras nada mais viceja. Veja o futebol e o carnaval, por exemplo. Viraram eventos televisivos sem alma, o povo foi banido, as agremiações perderam sua essência.

A televisão persegue determinados políticos e protege outros. Na internet é cada um por si. Na TV, só tucanos reinam; na web, para cada Bolsonaro há um Jean Wyllys, para cada FHC, um Lula; para cada Ronaldo Caiado, um Eduardo Suplicy.

Na internet, todos nós temos voz. Na TV, só temos olhos e ouvidos.


Foto: Marcelo Migliaccio




8 comentários:

  1. Sou do tempo que Cid Moreira pedia para tirar as crianças da frente da TV pois as cenas que viriam eram fortes para elas.
    Ainda existe as emissoras que agem como partido de oposição ao PT de Lula e Dilma.
    Cury

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  2. Aconteceu hoje comigo:
    Fui ao posto do Detran pela 3ª vez tentar fazer a vistoria do meu carro, a Globo estava fazendo uma reportagem lá e me pediu para dar um depoimento sobre a greve dos funcionários do posto, falei que era a 3ª vez que estava indo tentar a vistoria, e que precisava do documento novo para trabalhar com o carro, no final disse a frase: "O Estado age como inimigo do cidadão" a reporter pediu para eu não finalizar com essa frase, pois a entrevista seria ao vivo e a chefia dela poderia não gostar da frase. Fui censurado pela Globo.

    A entrevista está no link
    http://globoplay.globo.com/v/4752405/

    P.S. Minha participação é nos 4 minutos e 25 segundos da reportagem
    Cury

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    1. Antes a censura era feita na redação pelo chefe, hoje começa na rua, com o repórter...

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    2. Eles fazem um "ensaio" com o entrevistado antes de entrar ao vivo, para não sair algo que eles não gostem !!
      Cury

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  3. Não à toa, D. Dilma e asseclas defendem a aprovação do marco regulatório da Internet...

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  4. Mais um texto irretocável.Nota 10! Prefiro não comentar, pois tenho ojeriza à telê e não a vejo há mais de 40 anos (só quando é inevitável). Os Titãs, com muito realismo, foram categóricos:
    "A televisão me deixou burro, muito burro demais".Bingo!

    O genial Federico Fellini pontificou ou deu o veredicto mais lúcido a respeito desta maldita rs:"A televisão é um espelho onde se reflete a derrota de todo nosso sistema cultural". Só resta parabenizar você e ele,pelos pingos nos is e jotas televisivos.

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  5. Marx: a maneira de pensar de uma sociedade tende a ser a maneira de pensar da classe que a domina. E quem domina tem em mãos os meios de comunicação.
    Cury

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