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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A milícia do bem?

Era tanto assalto, até com morte a facada, que uma confraria de empresários (da Federação do Comércio do Rio) enfiou a mão no bolso e criou uma força armada (mais uma!) para tomar conta de duas áreas nobres de lazer do Rio _ a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Aterro do Flamengo _ e também de 20 ruas do Méier, na Zona Norte. Vale lembrar que as duas primeiras já eram fartamente policiadas pela Guarda Municipal e pela PM, o que não inibiu os constantes roubos de celulares, carteiras e bicicletas.

Surgiu então na paisagem essa... milícia do bem (seria isso?) formada por policiais militares da reserva e por jovens que recentemente completaram o serviço militar obrigatório. Recebem carros e uniformes dos empresários, que também lhes pagam. São 363 homens na empreitada. Os assaltos, de fato, diminuíram drasticamente neste primeiro momento, mas...

Sou favorável a qualquer medida capaz de evitar que me encostem uma faca no peito, porém algumas particularidades desse novo policiamento poderiam ser melhor esclarecidas à população.

A quem essa nova força armada responde? Se houver algum problema com suas ações, um abuso de autoridade, uma violência desmedida por exemplo, quem se responsabiliza? Pezão e o secretário de Segurança Beltrame? O Estado? Ou os empresários que a sustentam? A quem caberia uma eventual reparação judicial de danos?

Outra dúvida é se esses homens armados podem pedir identificação aos cidadãos nas ruas. Você é obrigado a mostrar seus documentos a eles? Que amparo legal isso tem? Até agora, eles sempre são vistos abordando gente humilde, na maioria moradores de rua. Checam se o desvalido não tem pendência na polícia por meio de um aplicativo de celular, revistam seus bolsos furados em busca de armas brancas ou drogas. Já o pessoal da elite que desfruta das áreas de lazer está, para eles, acima de qualquer suspeita...

Muita gente _ mas muita mesmo _ acha que foi uma grande idéia de Pezão e Beltrame. O governo do Rio contratou milhares de novos policiais nos últimos anos e os assaltos não diminuíram, pelo contrário. Não há um lugar da Zona Sul carioca para onde se olhe que não se aviste um PM ou guarda municipal. Mesmo assim, ninguém se sente seguro. E, se o governo não consegue nem colocar médicos e material hospitalar nas unidades de saúde, teria dinheiro para continuar aumentando suas forças policiais? Claro que não. Aí entraram em cena os mecenas da segurança.

Cabe perguntar por que esses empresários não investiram na sucateada rede de saúde? Seria porque o sistema de saúde privado é uma mina de dinheiro?

Agora que os empresários e sua milícia entraram em cena, realmente está mais seguro pedalar no parque do Aterro e na orla da Lagoa. Mas é óbvio que os assaltantes estão agindo em outros lugares, nas ruas adjacentes, por exemplo. Você dá sua pedalada e, quando está voltando para casa... créu!

Há muito o governo do Rio vem perseguindo a mancha criminal como o Tom persegue o Jerry nos desenhos animados. 

E, como todos sabem, o Tom só se ferra.

Foto: Marcelo Migliaccio




3 comentários:

  1. Outro dia eu passei por uma dupla desses "policiais" de moto andando a 20km/h na Lagoa, dei uma buzinada para eles abrirem passagem ou andarem mais rápido, eles me olharam com uma cara de poucos amigos, mas me lixei para eles.
    Qualquer dia estarão fazendo blitz e tumultuando ainda mais o tão caótico trânsito da Cidade.
    Cury
    P.S. Li outro dia que o Governo deveria tratar a imprensa como um partido de oposição. Concordo plenamente !!

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  2. Se isso existe, existe porque a policia, que existe para cuidar das leis, nao existe...
    Nao acho isso certo mas, ponderando, isso eh o refexo da ineficiencia do oficial.

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  3. Só pra esclarecer, nem para a policia nenhum cidadão é obrigado a mostrar documento de ientificação.

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