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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Golpeachment, o retorno

Cada um tem o herói que merece. O dos golpistas que não sabem perder quatro eleições seguidas chama-se Eduardo Cunha. Pedalada não é corrupção, todos os governos recorrem a elas. Cassar Dilma com base nisso é golpe sim.


Quebrar a ordem democrática é fácil.

Bastam meia dúzia de parlamentares sem vergonha, outro tanto de pilantras togados, uma imprensa tendenciosa, empresários saudosos da escravidão e um povo embotado por overdose de telenovelas.

A eles se juntam os omissos, que ficam em cima do muro, vomitando regra e criticando o mar de lama midiático enquanto o circo pega fogo.

Claro, o impeachment é previsto na Constituição, mas a Carta Magna também diz que a lei vale para todos. Pedalada fiscal é crime? Então que se prendam todos os ex-presidentes vivos e mandem os mortos de volta ao purgatório para uma revisão da pena celestial.

O que essa gente, que sempre votou em notórios corruptos, não perdoa no PT nada tem a ver com corrupção (ressalvando-se que a presidente é honesta). Não perdoam é que se alimente o povo, coloque-se seus filhos na escola, porque um faminto iletrado aceita qualquer salário de fome, aceita ser submetido pelo dono do Porsche a condições de trabalho aviltantes.

Lembra do que essa mesma turma fez com o presidente que criou as leis trabalhistas? E com o que tentou fazer reforma agrária em 1964?

Quando eu tinha 8 meses de idade, houve um golpe, apoiado pelos mesmos que agora querem rasgar meu voto ou por seus pais. Lembro que até o Sheik de Agadir caiu do cavalo. Quando a ditadura caiu de podre, eu já tinha 21 anos e nordestinos caçavam lagartos para não morrer de fome.

Restabelecer a ordem democrática leva décadas. Custa muitas vidas, exacerba a exclusão social, camufla e turbina ainda mais a corrupção. Divide o país ao meio e derrama sangue na bandeira.

Você, que está comemorando a chantagem de um verme contra um governo eleito limpamente, com certeza vai se arrepender um dia.



Essa capa do Jornal do Brasil é do último ano da ditadura militar. A foto fantástica é de Delfim Vieira

5 comentários:

  1. Para mim, qualquer um que apoie um bandido, seja por que motivo for, é tão bandido quanto ele!

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  2. Peraí, dizer que ela foi eleita de forma tão suja quanto outros presidentes, tudo bem. Mas que foi eleita limpamente só um cara muito apaixonado pra dizer isso...

    Também não acredito que Dilma tenho posto 1 centavo no bolso, mas isso não basta, um governo não é formado só pelo presidente.

    É lógico que a oposição está sendo oportunista, mas como você bem disse, o avanço da democracia exige sacrifícios. Se não houver punição por um crime porque outros que cometeram no passado não foram punidos, nunca haverá avanço... O PT deixou brecha (muito grande!) pra isso.

    Também não podem se queixar da mídia. No primeiro dia de governo Lula e Dilma estavam sentados na bancada do Jornal Nacional. Nunca se passou tanta verba de publicidade pra globo quanto nos governos do PT (foram bilhões)...

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  3. Li numa coluna de um jornal semana passada que Pedro Simon, um dos poucos políticos que prestam, disse que em 85 lamentou muito quando Tancredo morreu e não levou Sarney junto.
    Cury

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  4. A grande questão não é o fato de ser um crime que todos cometerem e por isso ninguém merece punição. A questão é alguma coisa que nunca foi crime de repente passar a ser. Aí é mudar a regra do jogo com o jogo em andamento e isso não é salutar para a democracia. Mas supondo que realmente seja crime: A lei do imptima é clara quando fala em erro cometido no EXERCÍCIO do mandato, que por si só derruba o argumento dos golpistas. Outrossim, como Ciro Gomes acaba de lembrar, o vice Temer enquanto interino assinou diversas vezes as supostas "pedaladas" e nesse caso se valesse teria que ser para os dois. Portanto golpistas, relaxem, pois não vai rolar...

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  5. Irretocável e oportuníssimo. Nada a acrescentar, nem a excluir. Mais uma prova de que a oposição golpista é pior do que a situação "periclitante" rs.Ruim com Dilma, pior sem ela...

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