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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Direito de imagem


Então, ficamos combinados assim: eu vou escrever um livro sobre a sua vida. Quando sair, você vai na livraria, compra e lê. Se não gostar, contrata um advogado e entra na Justiça.

Quem mandou ser um artista de sucesso com milhares de fãs? Quem mandou ser rico e famoso? As pessoas querem saber da sua vida, com quem você vai pra cama, que drogas já usou e como foi aquele dia em que você quase morreu. Ah, a doença da sua mãe e a opção sexual da sua filha também são do interesse público, viu? Chegou a hora de alguém ganhar dinheiro expondo o que você tem de mais precioso e inalienável _ a sua intimidade. Para isso, não hesitará em ouvir seus inimigos ou gente que mal te conhece. Checar? Com quem, se você não vai ser consultado?


Acho que a melhor biografia que eu li foi a do Keith Richards. Escrita pelo próprio, nada tem de chapa branca.

A liberdade de expressão termina onde começam os direitos individuais e a privacidade é um dos mais preciosos entre eles. Mas o STF foi unânime em dizer que o grande circo midiático pode tudo se a grana for boa.

Não se conhece um país ou um povo devassando a vida das pessoas. Pública é a obra do artista, não sua vida pessoal.

Se a biografia é honesta, que mal há em submete-la antes ao biografado ou a seus herdeiros legais.

Já que você vai faturar em cima da fama que alguém construiu com suor e talento, pelo menos seja educado.

Quem escreve isso é um jornalista que não esqueceu as aulas de ética e de direito de imagem na faculdade.

6 comentários:

  1. Se a indenização fosse justa e rápida o problema estaria resolvido. Mas com esse judiciário que a gente tem hoje...

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  2. Agora além das sinalizações "Sorria! Você está sendo filmado!", teremos "Cuidado! Você pode estar sendo biografado!"...

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  3. Falou e disse.Privacidade é fundamental, para quem se respeita. Concordo com o Mario S.Conti: "Quando as biografias mergulham com gosto no lodo do vivido pelo biografado, o edificado é o leitor:até que enfim lhe é revelado que o biografado é feito da mesma lama que ele".Daí o sucesso das biografias. E completa brilhantemente: "Biografias variam de qualidade. Mas elas são sempre complemente, um apêndice à obra(insuplant´vel).É melhor ler "A origem das espécies" e "O capital a qualquer biografia de Darwin e Marx, evidentemente.

    Não consigo entender quando dizem: opção sexual. O que isto significa? Até hoje nao conheci um ser humano que tenha escolhido a sexualidade que possui, seja ela hétero, homo, bi, ou até assexuada. Todos, sem exceções, nos descobrimos com os desejos eróticos a nós impostos, categoricamente, pela natureza, tornando uma característica ou uma condição , jamais uma escolha..Gostaria de conhecer um ser humano optante sexual, mas, parece-me impossível.

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    1. As obras usadas pelo Marcos foram muito bem escolhidas...

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    2. Erros de digitação, corrigidos: complemento, assexuado, etc.

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