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quinta-feira, 5 de março de 2015

Salve-se quem puder

Caiu a última redoma de segurança da burguesia. Assaltos e sequestros dentro dos shopping centers do Rio mostram que nem nos templos do consumo se está seguro. Eis a turba de excluídos tentando te enforcar na janela do carro, como cantou Cazuza, pouco antes de morrer, já há quase três décadas.

Minha amiga, assustada com o arrastão na principal avenida da Barra da Tijuca, diz que quer sair do Rio. Eu pergunto pra onde. As cidades do interior estão piores que as metrópoles. Não há para onde correr.

Para o exterior? Lá nos esperam os terroristas do estado islâmico, com seus punhais prontos para decepar cabeças. E os neonazistas, sempre à espera de um estrangeiro para barbarizar.

Fizeram as UPPs no Rio, uma tentativa de ocupar militarmente as favelas. Sem investimentos sociais para resgatar 500 anos de exclusão, só fizeram desempregar a mão de obra do tráfico, que desceu para o asfalto para assaltar. O ufanismo da imprensa amiga do governador quando fincaram a bandeira do Brasil no alto do complexo do Alemão mostrou-se uma grande piada.

Os mesmos bandidos que fugiram como formigas na pia da cozinha já voltaram. Atacam os policiais militares a tiros de fuzil. Que pacificação foi essa?

A única solução para a criminalidade que cresce em progressão geométrica seria a legalização de todas as drogas e sua venda em firmas legalizadas nas favelas. Mas isso nosso moralismo de fachada jamais permitirá. Se um dia legalizarem, vão entregar o comércio aos grandes laboratórios farmacêuticos e às redes de drogarias.

E salve-se quem puder da bandidagem.


6 comentários:

  1. O Marcelo, querer resolver o problema da violencia com a venda legal de drogas, sinceramente, nao vai resolver nada ou, quando muito, um pouco mas um tao pouco que nao vai aparecer nem em estatisticas. A violencia; o crime - e voce sabe muito bem disso - nunca esteve 100% relacionada com o uso/comercio de drogas. A unica relacao elevada (violencia/crime) refere-se ao controle de pontos, morte de devedores, de quem denuncia, de quem contesta o poder dos bandidos, o "ganho" que um usuario faz para poder voltar e comprar mais, o que continuara fazendo mesmo que a venda seja com nota fical e recolhimento de impostos!

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  2. Ouvindo Johnny Mathis, e pela minha janela observando a LUA que hoje ta cheia. Apesar de todos os problemas a natureza da recados.

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  3. Quando li a respeito dos assaltos nos shoppings, confirmei que minha preferencia em comprar na SAARA é muito melhor mesmo que nas catedrais góticas do consumo.
    Cury

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  4. "A única solução para a criminalidade que cresce em progressão geométrica seria a legalização de todas as drogas e sua venda em firmas legalizadas nas favelas". É , mas aí vai ter que pegar o pessoal do tráfico, requalificá-lo para para que eles passem a ser os atendentes nas bocas-de-fumo legalizadas, afinal experiência no ramo eles têm. Que atividade você acha que o pessoal do tráfico vai passar a exercer depois que eles perderem a exclusividade na venda das, agora, drogas ilícitas? Vão ás pencas ao pronatec para se qualificare, como sugeriu Dilma ao economista desempregado?

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  5. Penso que essa é a merda. Nossos(as) governantes por mais marketing que façam de gente boa, carregam o ranço estigmático da autocracia. Uns e umas se acham os pais e mães da pátria. No fundo mentalidade de reis, rainhas e ditadores e ditadoras. Mas na verdade, se acham abençoados e abençoadas por um poder divino. Merda! Alucinação mística de seres superiores com a propaganda enganosa de líderes da pátria. Merdas oportunistas e irresponsáveis! Querem o poder somente em usufruto próprio. Então, bosta, titica, cagalhão e borrão viram sinônimo. Cara de um, focinho de outros.
    Mas enfim, talvez o dia que templos religiosos e partidos políticos tiverem que pagar impostos com igualdade de tratamento isonômico tal qual outra atividade econômica planejada, comecem a criar vergonha na cara. porque até então qual a diferença entre seitas ou siglas partidárias? Focinho de uns cara de outros. Seis e meia dúzia.
    Enquanto isso, a verdadeira gente da terra, é guerreira, sem usar uniforme ou andar armada. Mas ainda tem uns fardados e fardadas que se acham os únicos e únicas. Delirantes, pois em qualquer país honesto do mundo guerreiros e guerreiras saem da gente da terra, usem ou não uniformes militares e armas, pois essa é só uma peculiaridade da carreira, mas se ficar pesada, pede as contas, pede para sair e não enche o saco esperando tratamento especial.
    A verdade é que não tem estirpe para encaram o batente, seja com galões e uniformes militares ou trajes civis de trabalhadores. Igualmente oportunistas recalcados(as) que querem usar as armas públicas para intimidar quem eles(as) se acham superior. Afrescalhados e afrescalhadas. Bagulhos fardados e fardadas.
    Felicidades e boas energias.

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  6. Há estudos evidentes sobre explosão demográfica-lembrando que quanto mais pobre se é, mais filho se coloca no mundo, infelizmente -salientando que ela é o ponto de partida para o crescimento da violência. Logicamente que violência não é exclusividade da periferia ou das comunidades.
    Alertou sobre as nefastas consequencias, certa vez, o etólogo austríaco Konrad Lorentz, Prêmio Nobel de Medicina de 1973.Ele pensava na inevitável deterioração da qualidade de vida e do convívio entre as pessoas, obrigadas a pelejar às cotoveladas pelos seus direitos de cidadania em ajuntamentos urbanos cada vez mais inchados, onde as asperezas do dia-a-dia cobram de todos e de cada um pesados tributos emocionais, pagos geralmente na moeda da violência.

    Uma família pobre que gera cinco ou seis filhos (os ricos e a classe média possuem, e quando possuem...no máximo dois) , obrigatoriamente necessita, escola, hospital, moradia, alimentação, e depois emprego. Então, o governo usa os impostos pagos pela sociedade para atender as necessidades básicas deles. Portanto, o governo tem que pagar o parto, o leite, o gás, a escola, as bolsas família e estudantes, mas tudo com o dinheiro dos contribuintes. Isso é, o governo gasta uma grande quantidade de recursos para atender o mínimo do mínimo das necessidades destas famílias e ainda não há melhor solução à vista. Naturalmente, assim, a pobreza não vai diminuir e sim vai aumentar. Outra questão séria são os desdobramentos graves desta super população entre as famílias carentes. Crescimento populacional descontrolado traz problemas gravíssimos para o país. As grandes quantidades de filhos e pobreza , com a falta de zelo e consumo de álcool pelos pais colaboram para o surgimento de problemas sociais como violência na família, abuso sexual dos menores, tráfico de drogas. Por sua vez estes problemas saem das favelas e se estendem para a sociedade. Então, de fato, destes focos surgem todos os tipos de violência urbana como: assaltos, prostituição, vandalismo, arrastões e outras coisas. Ainda considero o a falta de planejamento familiar, o maior problema brasileiro, depois da corrupção.É preciso fechar esta torneira, não adianta só enxugar o chão.O ideal é controlar efetivamente a natalidade para que possamos dar conta de diminuir as mazelas que atingem milhões de carentes: a fome, falta de instrução, a ignorância, desemprego, mendicância, estupro, prostituição infantil, as drogas, abandono social, prisão e mortes prematuras. Ninguém é tão idiota a ponto de pensar que não existe violência entre os ricos e a classe média, também, espero...mas como são minoria, fica menos complicado o controle ou a busca de "solução" .

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