Translate

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O ódio nosso de cada dia

Sinceramente não entendo todos estarem chocados com o artigo da colunista que odeia pobres. É o que mais vejo por aí. Seja na zona sul do Rio, no interior de São Paulo ou no Lago Sul em Brasília. Esse pensamento está disseminado, a rejeição da classe média devoradora de novelas aos programas sociais do governo é só uma das formas como se expressa no dia a dia. 

Em que mundo vocês, que se dizem chocados, vivem? Quantos fascistas como ela encontram espaço na nossa grande imprensa? São nossos formadores de opinião... E ninguém viu esse ódio nos olhos do Aécio Neves?


Não denota ódio a forma com que os concessionários de barcas, trens, ônibus e metrô tratam a população? E esses trabalhadores braçais debaixo de um calor de 50 graus sem um boné que seja fornecido por seus patrões? 


O pior é que trata-se de uma via de duas mãos porque os pobres, mesmo aqueles obrigados por dever de ofício à submissão, também odeiam a chamada classe dominante branca. Assaltantes que estão matando suas vítimas mesmo sem reação são outra expressão desse ódio, sentimento dominante nas sociedades doutrinadas pelo consumismo, individualismo, racismo etc. Me parece tarde pra reverter tamanho abismo entre as classes. Não há programa social que dê conta. Não há polícia que chegue depois de tão duradoura e ferrenha exclusão social. A educação também não faz frente para reverter o quadro.


Desculpem o pessimismo, mas vai piorar.

7 comentários:

  1. Não quero uma direita mortadela nem tão pouco uma esquerda caviar, quero igualdade para ricos e pobres, sem essa de elevador social e de serviço nos prédios das madames ricas.
    Hoje chamam as empregadas domésticas de secretárias, mas a tratam com o mesmo desprezo que sempre trataram.
    Fico revoltado quando vejo uma pessoa pobre ser destratada porque é pobre, não consigo ficar quieto sem reação.
    Já arrumei inimigos no meu prédio porque, como síndico, mandei retirar as placas "Social" e "Serviço" nos elevadores do prédio e pedi numa reunião para que jamais proíbam seus empregados de subirem no elevador A ou B.
    A francesa rica e pedante da cobertura ficou fula da vida, mas teve que engolir.
    Cury

    ResponderExcluir
  2. Realmente não tem programa social que dê conta. Ontem mesmo (e quase sempre), vi em Copacabana três meninas moradoras de rua - não se pode falar mendigo, segundo os cânones politicamente "corretos" do cínico e excludente neoliberalismo - grávidas e empurrando carrinho com crianças dentro. Como assim? Fábricas ambulantes de "crianças que já nascem com cara de abortadas"?Ainda considero a gravidez irresponsável,depois da corrupção na política, o maior problema social do Brasil, posto que cruel perpetuador desta eterna e indesejável mazela.Lógico que pobres têm direito à vida, não é disto que estou cogitando . É preciso fechar, urgente e cirurgicamente, esta torneira de reprodução leviana e de progressão ilimitada.Ter muitos filhos é especificamente comportamento ignorante dos pobres. Diga-me quantos filhos possui e direi sua condição social (com raríssimas exceções).O AINDA NECESSÁRIO bolsa família é um recurso imediato que não soluciona o problema, mas impede, em muitos casos, que jovens roubem as bolsas das famílias da classe média e alta, na melhor da hipóteses.

    Quanto ao ódio e/ou violência, "os cidadãos tantas vezes conduzidos a exigirem a punição de jovens infratores precisam entender que esses jovens se tornam infratores também porque assistem ao mau exemplo que grassa nas classes financeiras dominantes, subtraindo recursos que deveriam estar sendo aplicados na melhoria de políticas públicas impunemente", ou, pior, eles estão levando a máxima neoliberal ao pé da letra: os meios justificam os fins ou estão competindo ferozmente com as armas - literalmente- que possuem, para , desesperadamente, conseguirem "seu lugar ao sol". Real e infelizmente, está ficando cronicamente inviável.

    ResponderExcluir
  3. Parabéns, Marcos Lúcio! Faço minhas tuas palavras. Assino embaixo.
    Theo Lima

    ResponderExcluir
  4. Permita - me discordar do Marcos, mas o maior problema do Brasil é a desigualdade social levantada pelo Marcelo e tanto a corrupção quanto a gravidez irresponsável são consequências da necessidade de retroalimentacao do sistema e da falta de educação respectivamente. E já que a onda é discordar, como otimista que sou, discordo também do Marcelo, pois, se é difícil resolver a situação através de programas sócias, talvez seja o único jeito, portanto temos que insistir.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Justamente por isto, Clistenes, se você ler com MAIS atenção, eu disse que O AINDA NECESSÁRIO BOLSA FAMÍLIA..Ainda não há solução tapa-buraco melhor.Então você discordou concordando, né? rsrs.Abraço

      Excluir
  5. Valeu, professor Theo...sei que o senhor, sempre que possível, fundamenta ou ampara ou potencializa suas inteligentes idéias em fontes bibliográficas prestigiadas...assim o elogio fica mais relevante.Abraço.

    ResponderExcluir
  6. O que me incomoda, Marcelo, é o cinismo escancarado que estamos vivendo, tipo: "Sou fascista. Assumo. E daí?"
    Se não nos indignarmos com estas matérias, se apenas a desconsiderarmos como mais um esgar da direita histérica, melhor será fecharmos os olhos.
    Concordo com os que se posicionaram contra a matéria da mocinha, seja "direita mortadela ou esquerda caviar" (adorei as expressões!). isto demonstra que ainda não chegamos ao fim do poço e ainda podemos respirar.
    Abraços fraternos de sua sempre admiradora,
    Wanda Rodrigues

    ResponderExcluir