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sábado, 5 de julho de 2014

Por que não prenderam o colombiano?

Foi um crime. O colombiano que atingiu Neymar pelas costas, com uma joelhada na coluna vertebral, deveria ser autuado por lesão corporal grave. Não entendo por que um crime cometido durante uma partida de futebol não é punido na justiça comum. Zúñiga não deveria ter ido para o hotel depois do jogo, e sim para a delegacia. Foi lesão corporal grave e dolosa!

Fico imaginando o drama do Neymar. Até anteontem estava correndo, driblando, chutando, andando de iate. Agora está numa cama e mal pode se mexer por causa das dores. Rico, mas quebrado.

Isso é o futebol. Isso é a vida.

Outro drama: morreu o avô do lateral Marcelo, simplesmente o homem que o criou e fez os maiores sacrifícios para levá-lo ao Fluminense ainda criança. Marcelo é um craque, mas, como disse o técnico da Argentina: "um grama de neurônio pesa mais que cem quilos de músculos". Sábio homem.

O Brasil jogou bem, pela primeira vez nesta Copa, teve meio de campo. Também jogou com raça, porque ninguém ganha da Colômbia, do Uruguai ou da Argentina sem raça. Do Chile ainda vai... mesmo assim quase perdemos.

Queimei a língua. Tinha colocado Davi Luiz na minha lista de perebas, mas com aquele gol de falta, ele passou a ser craque. Assim é o futebol, de perna-de-pau a craque num segundo. E queimar a língua é inerente a esse esporte imprevisível. A contradição é a tônica no buteco, na banca de jornal da esquina. Ninguém sabe nada, mas todo mundo dá palpite. Cada um tem um veredito, uma sentença sobre o que quer que diga respeito ao esporte bretão.

Viva Davi Luiz, meu ex-pereba.

Nunca vi um chute daqueles, de chapa, com a parte interna do pé, de tão longe e com tanta força. Normalmente se bate de chapa um pênalti, curta distância, mira certeira no canto. Mas de 30 metros, aquela pancada, a bola não girou na própria circunferência, foi o chamado canudo. E com uma parábola genial que a fez entrar no ângulo quando todos pensamos que passaria por cima do gol.

Viva Davi Luiz. Um golaço!

E eu fico aqui, feliz da vida e com a língua queimada.

Ah, tem alemão levantando a taça no Leme. Vão ter que passar por cima do Brasil na terça...

Foto: Marcelo Migliaccio
Campeões das caipirinhas, eles já são...

3 comentários:

  1. A mordida do uruguaio Suares pode até ser perdoada, mas esse golpe pelas costas, de forma covarde e sem chance de defesa poderia acabar com a carreira do Neymar.

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    1. A mordida, reincidente, deve ser coisa da fase oral. Com Neymar foi agressão mesmo.

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  2. Para não pagar mico rsrs, pois não entendo e não vejo futebol, embora esteja torcendo ao meu modo, com camiseta alusiva, bandeira, etc., pois sou brasófilo e patriota, faço minhas as palavras do talentoso blogueiro e compartilho este texto inspirado que recebi.Em tempo: sou ignorante em zilhões de questões, não somente em futebol.

    Por Renato Maurício Prado|

    Neymar será como El Cid. E seu topete, nosso penacho

    Ainda dói na nossa alma a covarde joelhada de Zúñiga. Não creio na inocência do truculento colombiano. Não aceito suas desculpas. Neymar não merecia isso. Nós não merecíamos. A Copa não merecia. O futebol não merecia.

    Privar a principal competição esportiva do planeta de uma de suas estrelas mais brilhantes — e logo o craque da seleção local — foi um crime hediondo. Digno de punição mais severa que os nove jogos e quatro meses impostos ao “vampiro” Luisito Suárez. Mas duvido que “dona Fifa” faça algo.

    Que se danem, pois, o maldito Zúñiga, o escorregadio Joseph Blatter e seu fantoche Jerôme Valcke. A partir de agora, Neymar será o nosso El Cid.

    Tal e qual o bravo cavaleiro espanhol que, morto, liderou, a cavalo, os seus guerreiros na batalha contra os mouros, em Valência, a inspiração do nosso moicano nos guiará nesse final de Copa.

    Em cada passe de Oscar, a partir de agora haverá o talento do jovem craque criado na Vila Belmiro; em cada chute de Fred ou Hulk, a sua pontaria; em cada cobrança de falta de David Luiz, a sua precisão; em cada defesa de Júlio César, a sua energia; e em cada desarme de Fernandinho e Paulinho, a sua garra incansável.

    Todos seremos Neymar, de agora em diante. Do campo às arquibancadas. Das telinhas das casas e apartamentos aos telões dos restaurantes e das “Fun Fest”. Da ponta das chuteiras dos jogadores ao âmago do nosso coração.

    Não teremos medo porque, de corpo presente no estádio ou não; ele estará conosco, em espírito, no gramado. E a cada dificuldade, é do seu rosto de menino que nos lembraremos. E é nele que nos inspiraremos para buscar soluções. Criativas e geniais. Como as que ele habitualmente encontra.

    Nélson Rodrigues costumava dizer que, quando orgulhoso, o brasileiro se sentia como um dragão da independência, de espora e penacho. Pois digo agora que, desde o diagnóstico da fratura na coluna de Neymar, todos passamos a ter um número 10 às costas e com ele desfilamos, imponentes, de topete moicano e cabelo descolorido na alma. E é assim que iremos à luta.




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