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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Chacina de menores agora é de maior

Ontem, a chacina da Candelária deixou de ser menor de idade, Já se vão 21 anos desde que três policiais militares mataram oito meninos que dormiam nas proximidades da imponente igreja, no Centro do Rio. Na época, eu trabalhava num prédio vizinho e, como jormalista, cobri os desdobramentos do fato _ da repercussão internacional às manifestações de apoio aos PMs, afinal, os jovens mortos pertenciam a um grupo que praticava assaltos naquela área.

A verdade é que os policiais receberam muito apoio da população, o que não evitou que fossem condenados, tempos depois, a dezenas de anos de prisão. Acho que os três já estão até soltos, já que nossa Justiça não gosta muito de manter criminosos na cadeia.

Logo agora, me deixaram impressionado as imagens dos dois PMs levando para o alto do morro do Sumaré dois garotos, de 14 e 15 anos, que também roubavam pedestres na Avenida Presidente Vargas, onde fica a Candelária.

_ Vamos lá pra cima?

_ Descarregar a arma um pouquinho...

_ Jogar eles lá de cima.

Esse foi o diálogo gravado pela câmera do painel do carro da polícia, com os dois PMs em primeiro plano e os garotos trancados na caçamba, lá atrás. Rindo, os policiais levavam os infratores para a morte. O que chocou mais foi que aquilo parecia um processo corriqueiro, um ato banal, que não provocava sequer um sobressalto na respiração tranquila dos PMs.

O que pareceu é que os policiais estavam acostumados a fazer aquilo. O choro dos garotos evidenciava essa impressão. Sabiam que suas breves existências estavam chegando ao fim.

_ Já tá chorando, nem comecei a bater ainda _ diz um dos policiais a um dos garotos quando o carro para no alto do penhasco.

Sei que muita gente, muita mesmo, muita gente de prestígio até, acha que os policiais agiram certo. Mas, para azar dos exterminadores fardados, um dos garotos sobreviveu a dois tiros e eles agora estão presos. Não por muito tempo, sabe-se.

Centenas de menores continuam chegando ao mercado de assaltos todos os meses. Filhos de famílias desestruturadas, mães adolescentes, garotos que a escola pública sucateada não tem competência para segurar. Cedo se tornam assaltantes. Só no Rio, nos últimos cinco meses, foram 3 mil menores apreendidos.

Cedo, eles acabam caindo dentro da máquina de enxugar gêlo, que funciona a todo vapor no morro do Sumaré mas nem assim dá vazão à quantidade de crianças que o nosso sistema, gerador de tantos bilhões ao ano, não protege nem educa.



11 comentários:

  1. Correto: Governo (leia-se todos: Federal, Estadual, Municipal) tem que investir - E MUITO - na educacao em tempo integral e proteger (e nao eliminar) criancas. Sao criminosos? Sim mas por consequencia da miseria, violencia, falta de tudo, onde vivem. De condicoes para que possam ser algo na vida e serao. Aos governos, basta fazer o que tem que ser feito mas eh ignorado...

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  2. Mauro Pires de Amorim.

    A questão é que a sujeira e podridão é muito maior que se apregoa ser e as sociedades humanas são bem mais apodrecidas, pois esse caso veio à tona.
    Quantos outros casos similares devem ter ocorrido ou até mesmo estarem ocorrendo enquanto escrevo essa mensagem?
    Pois é, mas se não forem noticiados e tornados públicos. Como ficaremos sabendo?
    A violência, o desprezo, a opressão e privação são marcas de um mundo e sociedades que peidam e arrotam "desenvolvimento", "evolução" e "modernidade". Propaganda para babaquara acreditar, pois o ser humano continua sendo o mesmo macaco xexelento que odeia o próximo gratuitamente, pois seguindo a mentalidade de macaco xexelento, odiar o próximo gratuitamente dá status com a macacada fedorenta.
    Hoje, o Porta-Voz do Estado de Israel chamou a diplomacia brasileira de anã, nanica. Isso porque o Brasil declarou que a ofensiva israelense em Gaza está causando mortes desproporcionais. A conversa fiada do teocrático Estado israelense é que a ofensiva militar em Gaza é para punir o Hamas. Ocorre que, muito mais civis, dentre os quais, crianças, mulheres e idosos estão morrendo, sendo privados de infraestrutura de vida por conta dessa ofensiva israelense, mas enfim, Israel é um estado teocrático calcado em uma doutrina divina arcaica de cerca de 7.000 anos passados, mas se acham o único biscoitinho do pacotinho. O povo escolhido por Deus para dominar o planeta.
    Já vimos na história esse papo de povo superior, povo escolhido, raça suprema e isso sempre acaba em maluquice e merda. Para isso existe a história, para que possamos aprender com os erros do passado e não os cometer novamente no presente nem no futuro. O problema é que o ódio ao próximo induz uma arrogância megalomaníaca e isso induz a insensatez e desumanidade, fazendo com que sociedades inteiras apoiem tais atos, preferindo-os ao sincero e honesto estender de mão e sorriso gentil com o próximo.
    Felicidades e boas energias.

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    1. Corretissimo,mas o maior problema é que em outubro nós a sociedade que prefere o sorriso e o aperto de mao verdadeiro estara obrigado pela falsa democracia a avalizar todo esse sistema apodrecimo e sem amor no coração

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    2. Mauro Pires de Amorim.

      Bem, sempre podemos nos manifestar nas urnas, inclusive votando nulo. Sei que a burocracia exige estarmos em dia com a sistema eleitoral, mas podemos também não votar, justificar, caso se enquadre nesse caso ou até mesmo nos dirigirmos ao cartório eleitoral de nossa zona e seção e pedir a guia para pagar a multa por não termos votado. São as alternativas que nos restam para fugir da justificativa da mesmice que alega ter votado em quem considerou "menos pior".
      Enfim, vivemos num país onde partidos políticos e candidatos arrotam e peidam discursos democráticos, calcado num modelo legislativo e legal de cunho ditatorial, autocrático e onde a legislação político-partidária e eleitoral praticamente induz o cidadão-eleitor a obrigatoriamente comparecer ao pleito, justificar ou pagar multa, ou seja, exige uma satisfação do cidadão quanto aos eventos eleitorais. Resquícios de uma legislação de um sistema ditatorial onde o cidadão tem que reverenciar a burocracia, pois a burocracia é mais importante que a cidadania. Algo de mentalidade totalitária por parte do sistema, dizendo que o poder estatal constituído é tudo e as pessoas, nada, pois ao poder constituído, tudo devem, inclusive reverências nos mínimos atos, pois essa mentalidade burocrática do poder estatal constituído tudo quer saber e tudo pretende controlar do cidadão, até os mínimos detalhes. O Estado brasileiro sofre de uma psicose obsessiva burocrática pelo controle absoluto sobre a cidadania, demonstrando uma desconfiança em relação a essa.
      Com isso, a atual legislação político partidária e eleitoral, em função dessa obrigatoriedade de prestação de contas do cidadão, praticamente garante uma reserva de mercado para a atividade político partidária e eleitoral. Não é de se estranhar que a atividade política partidária no Brasil tenha se transformado num grande balcão de negócios onde candidatos e siglas partidárias são oferecidos como produtos ao consumidor tal qual produtos são oferecidos em balcões e prateleiras do comércio, pois tanto os partidos políticos e candidatos sabem dessa obrigatoriedade de reserva de mercado para consumi-los e assim, precisam evoluir menos, ficando muito mais no comodismo e maciotas do que teriam que fazer se tivessem que conquistar o cidadão e fazê-lo sair de casa se este tivesse o poder de optar em comparecer às urnas e não ficar atualmente se justificando ou pagando multas perante a ordem burocrática.
      É por essas e outras que considero o sistema político brasileiro algo arcaico, de mentalidade estrutural arcaica, ultrapassada, apesar de todos os peidos e arrotos que se dão em enaltecimento às inovações tecnológicas do sistema.
      Felicidades e boas energias

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  3. É demasiado desumano.Infelizmente estes garotos são frutos, quase sempre, das desastradas reproduções irresponsáveis que tornam-se, assim, um celeiro ou fonte inesgotável de produtos humanos cruelmente "descartáveis" para o mercado do assalto. Se para a classe média já é difícil boas escolas e empregos, com a tecnologia enxugando cada vez mais voraz e ilimitadamente os postos de trabalho...o que resta para eles, além disto? Quase nada. É mais do que urgente um eficaz controle de natalidade para as classes menos favorecidas, para que elas tenham o mesmo número de filhos dos mais favorecidos, ou seja, no máximo dois.Assim a torneira seria fechada e não precisariam mais enxugar o chão da pobreza.

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    1. Apóio há muito tempo o controle da natalidade, mas é um tabu tremendo por aqui e em muitos outros lugares.

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    2. Mais do que tabu...é uma camuflada intenção de explorar a mão de obra mais do que barata que os pobres possibilitam, mantendo assim os novos escravos em seus trabalhos subalternos ou considerados inferiores e muito mal pagos, evidentemente.Sem contar que os postos de trabalhos "inferiores" não comportam o excedente da mão de obra baratíssima...que cresce em progressão geométrica incontrolável e insustentável.Aos incontáveis excedentes, resta o "atrativo" do crime e/ou violência. Felizes dos rejeitados que conseguem escapar desta trágica sina, por milagre ou sorte.Se a Igreja é contra o controle de natalidade para as camadas desfavorecidas, p.ex., ela é cínica e nada confiável ao, p.ex., não incentivar o seu oposto: induzir os mais abastados a terem pencas de filhos, sabedora de que seria um despropósito até porque, nestes tempos tecno(i)lógicos, quanto menos filhos, mais possibilidade de acúmulo de riqueza. Não por acaso, não conheço famílias abastadas com mais de dois filhos. Quando têm três, é por azar ou falha no dispositivo do controle de natalidade- estourou a camisinha kkk- , obviamente. Crianças só deveriam chegar ao mundo em condições no mínimo razoáveis de sobrevivência. Considero injusto e desnecessário o sofrimento delas, enquanto pobres, por conta das precariedades totais e não só pela abominável fome. Nada contra a pobreza e sim contra o sistema capitalista voraz e explorador que a engendra.

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  4. Quando alguém se diz a favor dessas mortes, eu uso o seguinte exemplo:
    Saulo perseguia a Igreja, entrava nas casas e arrastava homens e mulheres para a prisão, só por serem cristãos. Dizem que ele até matou em nome do Sumo Sacerdote e de sua ideologia..
    E se os cristãos matassem Saulo, hoje a bíblia não teria as muitas cartas que ele escreveu em favor do cristianismo, após sua mudança de vida.
    Essas pessoas que apoiam esses crimes, com certeza apoiariam que um dos maiores apóstolos de Cristo morresse, sem dar chance de arrependimento e mudança de vida dele..
    Estou coim Titãs quando canta:
    Polícia para quem precisa. Polícia! para quem precisa.de polícia.
    Cury

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  5. e tem um candidato por aí q declara ser a favor de baixar a idade para responsabilizacao criminal, e gosta tambem de aeroporto familiar.
    ainda nao entendi o nexo, mas como do po viemos e a ele retornaremos, quem sabe, algum
    dia fica todo branco ou claro ou ...

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  6. Sem dúvida nenhuma o Brasil precisa melhorar muito nesse e em vários outros aspectos, mas a avaliação de órgãos internacionais como a ONU e até artigos acadêmicos (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0304387811000538 ou http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/19439342.2013.861501?journalCode=rjde20#.U7HiUy9gNNh) mostram que o Brasil está no caminho certo na adoção de programas sociais de diminuição da pobreza. Portanto, também neste aspecto defendo a continuidade deste governo, até por que as opções que foram apresentadas estão mais preocupadas em resolver problemas de mobilidade urbana familiar, construindo aeroportos particulares, que com o bem estar da população em geral. Defendo o planejamento familiar e não o puro e simples controle de natalidade, para não termos algo parecido com o que acontece com a China onde as pessoas são punidas quando tem mais de um filho. Como já foi dito aqui a educação é sempre o melhor caminho, mas não necessariamente utilizando prédios como os famosos "Brizolões", pois quem já foi professor de ensino fundamental no Rio de Janeiro, como eu, sabe que por mais que a ideia em si tenha sido boa, a execução deixou muito a desejar.

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