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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Estigma de má-fé

_ Aaaaah... você é petista…

O vaticínio costuma encerrar qualquer discussão política. Com esse rótulo, o interlocutor, quase sempre alguém de direita, teleguiado pelo noticiário viciado da grande imprensa, encontra uma maneira de tapar os ouvidos para os argumentos de quem vê progressos no Brasil pós-2002, ano da primeira eleição de Lula para a Presidência da República.

A intenção é inibir aquele que pensa diferente e que tem argumentações mais lógicas.  Tratá-lo como um xiita, um fanático é mais fácil do que contestar os indicadores econômicos e sociais que lhe dão razão. Querem que as pessoas tenham vergonha de defender o programa de governo que acreditam estar dando certo. Pura má-fé, que é a essência do preconceito e da discriminação.

Bolas, um bando de fanáticos não faria o PT ganhar democraticamente as três últimas eleições presidenciais. Quem elegeu e reelegeu foi o povo brasileiro, o povo mais pobre, cuja vida melhorou. Estigmatizar quem defende o governo mostra o profundo desprezo que a elite brasileira tem pelo povo, povo este que assiste as novelas, bebe a cerveja e calça as Havaianas que os empresários produzem.

Uma coisa é defender um governo eleito, outra é defender uma ditadura militar, como fizeram muitos desses impérios de mídia que aproveitaram o período de arbítrio para estender seus tentáculos e estabelecer seus monopólios.

Rotular é uma maneira fácil e conhecida de discriminar alguém. É como simplesmente tachar uma pessoa de maluca, drogada, suburbana, bicha, crente ou puta. Estabelece uma difrerença moral imediata, uma pretensa inferioridade do alvo daquela pecha, relegando-o ao limbo social.

Na mesma esteira estão os "ismos" com que a mídia costuma classificar fenômenos de massa e políticos carismáticos que despertam grande admiração popular. Lembra do "getuilismo", do "brizolismo". Pois agora surgiu o "lulismo", termo que os comentaristas de aluguel adoram usar para agradar seus patrões.

O normal para as grandes corporações que monopolizam a difusão da informação no Brasil é odiar os políticos e não admirá-los. Como se ser honesto e fazer um governo com aprovação de 80% da população fosse uma aberração, uma chaga.

Não se houve falar no cabralismo, nem no paesismo, embora o governador e o prefeito do Rio gozem de toda a benevolência e boa vontade por parte da rede de TV de maior audiência. A impressão que eu tenho é que Cabral e Paes fazem parte do quadro de funcionários da emissora, tal é a intimidade da parceria. Os comentaristas dos telejornais parecem ser porta-voz das administrações estadual e municipal, a quem dão todo o espaço para se desculpar pelo fracasso das UPPs e pelo caos no trânsito, por exemplo.

Do outro lado, o estigma. Toda a manifestação popular em favor do governo federal é mostrada como se fosse um ato petista. Se alguém aplaude a presidente Dilma na rua, logo um repórter cérebro de minhoca escreve em seu bloquinho que trata-se de um "militante".

Militante é o cacete! É um cidadão brasileiro exercendo seu direito de gostar do governo que a mídia insiste em denegrir diariamente, 24 horas por dia, por não perdoar-lhe o pecado da divisão de renda. É só enaltecer os feitos do governo _ entre eles respeitar a prisão de membros do alto escalão mesmo que sem provas até para alguns renomados juristas conservadores _ para ser olhado como um cleptomaníaco contumaz.

Nunca ouvi falar em FHCzismo, muito menos em bushismo. Mas toda hora ouço ou leio que o castrismo e o chavismo são tumores que consomem a Humanidade.

E quando tentam, paradoxalmente, transformar algum ícone de direita em fenômeno popular, a coisa não dura muito, como mostram os finados malufismo e janismo. Maluf e Jânio eram apenas líderes políticos estriônicos e demagogos a serviço da concentração de renda. Por isso não tiveram vida longa na ótica da História. Hoje, o número de malufistas em São Paulo deve ser menor que a torcida da Portuguesa de Desportos.

O povo só ama de verdade aqueles que lhe fazem bem, que melhoram suas vidas de alguma forma. Enquanto eles não pisarem na bola, a massa irá com eles, sem dar bola para rótulos e preconceitos.



7 comentários:

  1. Se me perguntam se sou petista digo que não, mas afirmo que já fui inclusive filiado. Se alguém tenta me difamar (denegrir é tornar negro) por conta disto eu simplesmente respondo que se você não estava no PT, no PC do B, PCB (não essa coisa vendida chamada hoje de PPS) ou PDT na década de 80 certamente você estava na ARENA ou PDS apoiando a ditadura militar. Por isso fico a vontade para reconhecer os avanços do governo petista, assim como para criticar seus erros e enquanto não aparecer algum partido que possa fazer melhor é PT de novo.

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  2. Eu sempre fui fã do PDT de Brizola e Darcy Ribeiro, mas depois que Lula assumiu a presidência e fez o desemprego e o analfabetismo cairem, e a vida dos brasileiros melhorar, passei a admirar o PT, e com Dilma no poder, minha admiração aumentou muito.

    Vida longa a eles e também a Fidel Castro, um ícone a ser seguido.

    Quanto a esses jornalistas de M. torço para eles pegarem um câncer na língua. (ops ! ).

    Cury

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  3. Em tempo:
    Acabei de ler no JB online om ótimo texto intitulado Rio de Janeiro - do passado de construção ao presente de destruição. Vale a pena dar uma olhada.
    Cury

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  4. Marcelo, isso é verdade de ambos os lados, frequento o blog do Nassif e o pessoal é histérico quando se critica o governo. Votei no Lula duas vezes (repetiria) tranquilamente, e votei na Dilma. Sou funcionário federal (ela certamente é melhor pessoalmente p/mim do que o Aecio ou o Eduardo), mas vou te falar, esse governo tá muito fraco. Acho que o Lula tinha uma noção de ir pisando na água p/ver até onde era seguro. Nossa atual equipe econômica não é ruim. É uma calamidade. Você tem razão de dizer que a mídia tem má fé, mas com o Lula ninguém dava ouvidos.

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  5. Seu post é irretocável e assertivo. É evidente a histeria anti-pt ou a PTfobia. POis eu uso FHCzismo (lembra até nazismo ), Serrismo, PSDBismo, Aecismo, etc. Destaco , dentre outras, esta verdade:"Rotular é uma maneira fácil e conhecida de discriminar alguém. É como simplesmente tachar uma pessoa de maluca, drogada, suburbana, bicha, crente ou puta. Estabelece uma diferença moral imediata, uma pretensa inferioridade do alvo daquela pecha, relegando-o ao limbo social". O pior é que isto dá margem (in)consciente ou é fomento para a agressão ou até mesmo assassinatos , linchamentos, etc, justamente porque a má-fé, "que é a essência do preconceito e da discriminação", casada com a intolerância, geram o combustível ou o estopim mais eficaz para o império da violência.

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  6. Mauro Pires de Amorim.

    Bem vou ser sucinto e objetivo, mas a maior cagada do PT foi ter se aliado com o PMDB.

    Alguém se lembra das eleições do final da década de 70, quando mesmo no regime da Santíssima Redentora, a Arena tomou uma lavada nas urnas do MDB?

    Pois bem, o processo de abertura política em rumo a democracia começou a ganhar força ali, até porque, o Brasil daquela época dos gabolas de caserna, escoteiros com divisas de general, almirante e brigadeiro, que pendiam muito mais para puxa-sacos de gabinete, mercenários e oportunistas, tal qual a Arena, partido da situação.

    Então, os escoteiros da Redentora, a bicha divina, resolveram fazer o processo de abertura política, já que administrativamente, economicamente e politicamente, o país estava jogado nas trevas, nas mãos de uns doidivanas fardados, sendo a mesma merda fracassada que é hoje e a esquerda festiva de socialistas de maciota que se encontrava no MDB, resolveu mediante contribuição ($$$$) acolher os mercenários da pátria e vira casaca da Arena.

    Esse foi o princípio do fim da deformação ética e de caráter do MDB. E depois que todos esses agentes infiltrados da bicha divina entraram no partido e por isso não foram perseguidos nem pelos grupos secretos terroristas escoteiros, pois o presidente-general avisou que iria "prender e arrebentar", pois o país já estava fodido e mal pago e o grande plano era infiltrar os corruptos travestidos de cordeiros arrependidos, para que, com base na teoria de que o órgão mais sensível de quem não tem força de caráter, é o bolso. Com isso os Che Guevara de tablado e dunas do barato, fumaram esse cachimbo, tendo um trabalho de erguer uma Uganda pela frente e transformar num país moderno, mas viajandões e delirantes em Paris, Londres, Amesterdam, Berlin, Bruxelas, Berna, Basel, Zurich e Lousane. E picados pela mosca azul do hedonismo de grandões com dinheirão no bolso. Transformaram a vergonha na cara numa ética gaga, digna de uma Lady, numa étitica.

    Esse foi o princípio do fim de qualquer esperança, pois as gerações futuras teriam que limpar a cagada das gerações passadas, tal qual como se cuidassem de esclerosados e esclerosadas com incontinência e que, cagam, mijam, peidam e arrotam, quando bem lhes dá vontade e saem rindo, se achando demais.

    O pátria tá nua, arrombada, fodida e mal paga e o pior, ninguém aqui tem a menor moral para falar mal do outro, pois são tão babacas quanto.

    O plano deu certo! Fodeu-se o Brasil!

    Felicidades e boas energias.

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