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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Por aí

A melhor coisa do jornalismo são as experiências que se tem até o dia em que seu saco estoura. Junte-se a isso meu espírito curioso e as contingências da vida e eis que, puxando um pouco pela memória, percebi que conheci por dentro, nos mais diferentes graus de profundidade, claro, todos esses tipos de ajuntamentos humanos:

Torcida organizada
Igreja católica
Culto evangélico
Centro espírita kardecista
Terreiro de umbanda
Sindicato
Partido político
Templo budista
Narcóticos  Anônimos
Alcoólicos Anônimos
Ioga
Judô
Clube militar
Clube de Futebol
Escola de natação
Boca-de-fumo
Quartel
Centro acadêmico
Grêmio estudantil
Delegacia de polícia
Colégio particular
Escola pública
Universidade
Empresa estatal
Empresa privada
Bar
Redação de jornal
Congresso Nacional
Emissora de TV
Favela
Shopping center
Condomínio de luxo
Clube de rico
Clube fuleira
Visconde de Mauá
Disneylândia
Cracolândia
Avenida Paulista
Show de rock
Feira de São Cristóvão
Central Park
Baixada Fluminense
Trancoso
Escola de samba
Concerto sinfônico
Grupo de teatro

E a conclusão que cheguei é que... são meros ajuntamentos de gente de tudo que é tipo. Só o que muda é o pretexto. Tem sempre o sacana e o gente boa, o problema é que frequentemente eles são a mesma pessoa.

Portanto, a coisa é exatamente como eu vi aos 5 anos de idade, quando entrei pela primeira vez numa sala de aula: é sempre melhor pensar e caminhar sozinho.

14 comentários:

  1. P, meu caro Marcelo, disse tudo!Que bom ver que há capacidade de análise ainda neste planeta! E a razão está bem aí, na sua última frase. Você - e há mais gente! - é como um ET, que acaba de chegar e pensa só com a sua cabeça e sua vida vivida, como referência! É isso que ensinamos ao filhos, esperança de salvação da nossa espécie de primata! Um abraço! AG.

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  2. Pois é meu sábio Marcelo Migliaccio, a partir dessa profusão de humanos e da convivência com os grupos sociais afins, surge a nossa sabedoria...a sua sabedoria..e a vida que segue!

    forte abraço

    C@urosa

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  3. "é sempre melhor pensar e caminhar sozinho.". Não concordo com o "sempre"...às vezes é melhor ter mais alguém para pensar junto com a gente.

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  4. Faltou conhecer a Micareta de Feira de Santana. Ai voce perceberia que tem sempre alguma coisa que pode ser pior...

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  5. ANDAR COM FÉ EU VOU, QUE A FÉ NÃO COSTUMA FALHAR... Torelly

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  6. O Marcelo já percorreu tantos caminhos, deve ser por isso que ele tira leite de pedra.

    Ele se enquadra bem nessa música de Raul Seixas:
    "Tem que ser selado, registrado, carimbado,
    avaliado, rotulado se quiser voar... "

    Cury

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  7. Grande sacada conclusiva... sinal evidente de sagacidade com maturidade, xará! Irretocável e assertivo este ótimo post, na minha modesta avaliação.

    Busco o auxílio luxuoso desta máxima:Errar é humano: mais humano ainda é atribuir o erro aos outros, do Anton Tchekhov, que remete-me a estas duas do Sartre que disse certa vez: “o inferno são os outros”;
    "Cada homem deve descobrir o seu próprio caminho", para matutar...se conseguir...

    Pessoas nos machucam, fazem com que nossos planos não deem certo. Por isso, geralmente pensamos que se não fossem os outros, a vida seria mais fácil...por imaturidade e/ou inexperência, claro!

    Não condicionemos o inferno ou o paraíso aos outros. Assumamos a responsabilidade pelas consequências das nossas ações (ou pela falta delas). Aprimoremos a autoconsciência, melhorando a percepção em relação aos sentimentos e emoções para compreender o que acontece em nossas vidas. Não sejamos, principalmente, o inferno das pessoas. Devemos, sim, ser o exemplo da mudança que esperamos no mundo. Fundamental colocar inteligência (se a possuirmos...sou bem burrinho rs, ou melhor: choros...) principalmente nos nossos afetos. Autoconhecimento sincero e lúcido é (quase) tudo!

    Justamente porque o "serumano" é quase sempre um desacerto, um projeto que ainda não vingou ("alô, marciano...pra variar estamos em guerra"), e por duvidar de quase tudo e todos...é que admiro a escola filosófica cínica, do Diógenes de Sinope (400 a 325 a. C, Grécia), que desprezava as convenções sociais, as conveniências, as aparências, a opinião pública, a moral admitida , os confortos ilusórios da riqueza, os modismos, e ironizava todos aqueles que se submetiam (a grande maioria, "comme d'habitude", e ainda hoje).

    Adotavam , em relação á multidão boiada, um certo amoralismo mais ou menos agressivo e debochado. Para estes sagazes cínicos, o respeito só existia em relação aos que tinham coragem de afrontar o senso comum (sempre medíocre) , aos que não seguiam o rebanho dos alienados e acomodados, enfim, só eram admiráveis as raras (como hoje) pessoas autênticas e francas quanto às suas ações, atitudes e maneira de pensar e sem prejudicar ou fazer, "aozôtros", o mal concreto ou proposital.

    Na atualidade, o cínico _filosoficamente_ seria um "outsider", um fora de esquadro, das normas e padrões, enfim, um ser original, criativo, exceção à regra americanizada e neoliberal, alguém que singularizou-se, que fez a necessária individuação, e levantou os cornos pra fora e acima da manada.
    Abrço
    Marcos Lúcio

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  8. Discordo completamente. É com o "outro" que a gente aprende a ser melhor. E os melhores sentimentos que podemos cultivar no coração vêm em função do amor pelo outro: conviver, amar, doar-se, compartilhar, apoiar e ser apoiado, sentir empatia e compaixão...
    Claro que é ótimo, importante e salutar estarmos sós de vez em quando, pra pensar, pra descansar, pra curtir a própria companhia. Mas não dá pra olhar a espécie humana com olhos tão críticos assim. Inclusive porque a gente faz parte dela.

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  9. Excelente comentário. Oportuníssimo!!!Concordo pletora e radicalmente com a Fernanda Carolina, além de comungar de algumas idéias desta aludida escola filosófica.O outro é que é a nossa medida...com ele nos avaliamos e sem nos comparar, pois igual não existe... se somos melhores ou piores. Ah!...quanta gente ajuda-nos a não errar... errando antes de nós, se somos bons observadores ou aprendizes atentos. Tem gente, infelizmente muiiiiita, que aprende a ser pior com o outro, ou que utiliza o outro para soltar seus demônios...cruzes!!! e ainda com a desculpa esfarrapada: fiz esta crueldade como vingança, hum...como se um erro pudesse justificar outro. Principalmente as pessas mais carentes e imaturas que elegem somente um cristão para jogar todo seu "amor/paixão/eros", concomitantemente com toda sua crueldade. De mais a mais, jamais seremos os melhores juízes de nós mesmos.A autoindulgência é comum em 11 de cada dez "serumano" rs...

    Utilizei de outras palavras, na minha singela contribuição, para digitar algo similar ao pitaco dela, senão vejamos:

    "Por isso, geralmente pensamos que se não fossem os outros, a vida seria mais fácil...por imaturidade e/ou inexperência, claro!"...ainda acrescento: falta de senso crítico, pois não somos o outro por acaso, aliás, tooooooooodo mundo é o outro, só que do outro lado, "marrelógico". Mais um acréscimo: também não sacamos, às vezes,por burrice. Freud já dizia + ou _ assim: o que Pedro maldiz de Antônio, diz mais de Pedro do que de Antônio (as tais e infelizes projeções e transferências). Quando não gostamos ou sentimos ódio de alguém, este alguém nos revela ou nos desnuda ou nos desmascara mais do que supomos. O mundo é um grande espelho.

    Também consta do meu post: "Fundamental colocar inteligência (se a possuirmos...sou bem burrinho rs, ou melhor: choros...) principalmente nos nossos afetos. Autoconhecimento sincero e lúcido é (quase) tudo!".

    É de evidência solar que um "serumano" sem afetos, sem compaixão, sem doação, sem empatia, sem saber compartilhar, sem condições de dar atenção e respeito ao semelhante, etc., sinceramente, perdeu a humanidade e está longe de ser.

    De minha parte e sempre que possível, coloco-me no lugar do outro (dizem que sou bastante altruísta.Sim, é o outro que dá a dimensão das nossas misérias e riquezas espirituais)e procuro utilizar ou praticar pensamentos, atitudes e palavras que definitivamente gostaria comigo fossem utilizados/praticados.

    Aliás, quem não vê ou não percebe a problematizão "dozotro", é psicopata ou nazistóide ou fascistóide, ou estúpido, ou tonto, né não???

    Já disse que adorei este post do Marcelo e acrescento: adoooorei este parecer substancioso da atenta blogueira que, também aqui, lavou a alma.
    Beijão pra ela e abração pra ele.
    Marcos Lúcio

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    1. Desculpe o erro de digitação em: pessoas e problematização.
      Abraço
      Marcos Lúcio

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  10. Mauro Pires de Amorim.
    Percebo isso também. A maioria das pessoas são esteriótipos, fachadas não sendo verdeiras.
    "Tirar onda" virou um "esporte", um jogo e tem muita gente jogando.
    Por mim, tudo bem, quando percebo que jogam comigo esse jogo, jogo também de volta, afinal, quem eu verdeiramente sou, interessa somente para mim e para quem eu considere merecedor(a) desse conhecimento.
    Afinal, antes só, do que mal acompanhado e se for para conviver com pessoas esteriotipadas, falsas, que se divertem em representar papéis canastrões só para tirar onda com sua cara, que recebam de volta o mesmo sarro tirado, o mesmo tipo de energia emanada. Gente desse tipo, só sabe ser assim e assim proceder.
    E alguém em sã consciência vai querer algum tipo de relacionamento mais profundo com uma pessoa dessa?
    Felicidades e boas energias.












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  11. Quando não está enaltecendo o PT , o Marcelo é simplesmente sensacional...!!! está fazendo falta aqueles seus textos sobre o cotidiano do Rio, centro, zona sul ,zona norte...etc...
    Marcos Pinto - RJ

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  12. Ele também é sensacional quando enaltece o trabalho sério e ético de muitos políticos, que por acaso são do PT ou PSOL (ou outro partido), e dificilmente são do PFL/DEM ou do PSDB de Fernando Henrique.

    O bom político transcende qualquer partido.

    Cury

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  13. Concordo com o Cury até certo ponto, pois, a não ser que ele esteja considerando um bom político aquele que defende ao extremo seus partidários e simpatizantes, independentemente do que ele defende. Desta forma poderíamos considerar que existiam bons políticos no Partido Nazista, por exemplo? Portanto considero impossível desvincular a imagem de um político do seu partido, pois, por mais que partidos sejam Instituições frágeis em nosso País, qualquer um deles tem seu conteúdo programático o qual deve ser seguido pelos seus membros e no caso de um Partido Nazista, por exemplo, não dá para considerar bons políticos aqueles que foram os mais eficientes, digamos, em limpeza étnica. Da mesma forma, não tenho como considerar bons políticos aqueles que são contra as medidas de avanço social, diminuição abrupta do tamanho do Estado, políticas de reparação, defesa do ambiente, entre muitas outras coisas que partidos da linha "DEMO" insistem em ser contra.

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