Translate

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O gado carioca

É impressionante a passividade do brasileiro, em especial do carioca, quando se trata da tortura diária que sofrem nos transportes de massa.

Passageiros das barcas para Niterói enfrentaram ontem filas de duas horas, na chuva, depois de um cansativo dia de trabalho. Frequentemente, embarcações velhas e mal conservadas ficam à deriva na Baía de Guanabara. Não têm radar, denunciam os usuários. A outra opção ao péssimo serviço prestado pela concessionária é ir de ônibus, pela Ponte Rio-Niterói, pagando os altos preços das passagens. Agora, a mesma administradora das barcas vai administrar o pedágio da ponte... absurdo. O gato tomando conta da sardinha.

Pagar R$ 2,85 por uma passagem de ônibus para ir de Botafogo a Ipanema, por exemplo, é outro absurdo do sistema de transportes no Rio. Aí, o governo vem falar do bilhete único, que nada mais é do que o próprio governo, ou seja, nós, pagando às milionárias empresas de ônibus a diferença da tarifa mais barata. O empresário não perde nunca. Ou tira direto do nosso bolso, ou mama no governo, às custas dos nossos impostos.

Do metrô nem é bom falar. Volta e meia dá pane e os passageiros ficam presos entre uma estação e outra. Na Linha 2, as composições são velhas e quentes. A superlotação maltrata os usuários em toda a cidade. Hoje, um funcionário foi encontrado morto no canteiro de obras da Linha 4, que vai esburacar Ipanema e Leblon quando deveria chegar à Gávea pelo Jardim Botânico. Para piorar, a mulher do governador é advogada da concessionária. Surreal, mas o carioca aceita tudo.  

Isso para não falar dos neuróticos profissionais do volante, os motoristas de vans e táxis, que andam como loucos e simplesmente não param em sinal vermelho, colocando em risco passageiros, outros motoristas e pedestres.

E os trens? Anteontem, passageiros ficaram uma hora presos dentro de um vagão fechado em sem ar condicionado. Um inferno. Mulheres saíram carregadas, pessoas se arriscaram caminhando pelos trilhos. E a concessionária se fingindo de morta. Só esta semana, duas pessoas morreram atropeladas por composições, em São Cristóvão e na Central. Uma delas era funcionária da Super Via, empresa que administra os serviços.

Fiscalização do governo? Tem uma tal de Agetransp, a quem caberia apurar e punir as concessionárias, mas ela só abre os procedimentos, nunca fecha...

Tudo isso se repete quase mensalmente.

Até o prosaico bondinho de Santa Teresa sucumbiu. Depois de anos de abandono e falta de fiscalização, um acidente horrível deixou vários mortos. Saiu de circulação depois disso. Apontado como responsável, o secretário de Transportes continua no cargo.

E o carioca aceita tudo.

15 comentários:

  1. Parece comigo mas eh tragico...
    Sao varios os usuarios que criticam e apresentam sugestoes que ninguem escuta.
    Enquanto isso, os "responsaveis" atuam como se o transporte publico no RJ fosse a coisa mais organizada do mundo...

    ResponderExcluir
  2. Enquanto isso, os vestais do PT e seus adoradores acham o máximo quando Dona Dilma e seus incompetentes assessores econômicos empurram mais e mais carros goela adentro da tal nova classe média, com o único intuito de irrigar as burras dos metalúrgicos do ABC, covil do mafioso-chefe do clã.É lógico que justificativas espúrias como aquelas para a formação da quadrilha do mensalão vão abundar nos comentários dos fanáticos e xiitas adoradores da cleptocracia ptista.Mas aí ....bem....ou é caso de miopia crônica ou de mau-caratismo.Ou as duas coisas!
    Cyro Gondim Pereira.

    ResponderExcluir
  3. É verdade, Marcelo! De todos os problemas elencados, acho que os mais fáceis de resolver seriam os do metrô. Nossas estações são ótimas se comparadas com as européias e americanas: são amplas, iluminadas etc. Já a superlotação dos vagões em horários de pico, e a malha de alcance restrito e com expansão lenta...

    Mas o que poderíamos fazer para mudar esses problemas todos? Você fala da passividade do povo, mas qual atitude prática um cidadão comum pode fazer para contribuir a mudar isso?

    Tirando o poder de escolher os representantes (sempre buscando descobrir o menos pior, já que nunca há um "o melhor"), não vejo algo além que esteja ao nosso alcance...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mobilização e protesto nas ruas costumam funcionar em outros países... mas aqui ninguém se revolta. O brasileiro médio tem vergonha de protestar.

      Excluir
  4. Todos nós sabemos que esse pessoal da Agetransp não faz nada em prol da população que paga seus altos salários e suas mordomias !!

    È notório que o secretário de transportes Júlio Lopes não entende nada de transportes, só o Sérgio Cabral não vê que a praia do o ex dono do CEL (centro educacional da Lagoa) é outra.

    Lembro-me quando Ronaldo Cesar Coelho, um ladino banqueiro (Banco Multiplic), foi nomeado por Cesar Maia para ser secretário de Saúde, sua gestão foi cheia de denúncias e escândalos.

    Se nós tivéssemos sidos colonizados pelos franceses, a coisa seria diferente para esse pilantras que nos governam.

    Cury

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quase fomos colônia da Holanda...ñ adiantaria nada. Nossa política de drogas é piada de brasileiro para os lusitanos. drumm

      Excluir
    2. VAMOS TODOS AO SURINAME VER A BELEZA QUE OS CABEÇAS CHATAS APRONTARAM POR LA... Torelly

      Excluir
    3. Guiana francesa idem outra beleza de porcaria

      Excluir
  5. Talvez se o padrão dos protestos mudasse...Se feito nas vias, mídia joga povo contra povo. Lembrando q a lei do ficha limpa nasceu de iniciativa popular. drumm

    ResponderExcluir
  6. Voces que estao reclamando do transporte coletivo no Rio, onde nasci e cresci, nao fazem ideia do que eh o transporte coletivo em Feira de Santana. Ha 10 anos atras quando ainda vivia no Rio lembro-me de muitas vezes ir para o centro ou sair a noite de onibus. Em Feira isso eh impossivel por que o transporte publico nao existe. Quem acha o carioca passivo nao conhece o baiano. Os mesmos que sofrem nos pontos sem ao menos um abrigo do Sol, devem eleger o mesmo prefeito do Demo que governou Feira por 8 anos e deixou a cidade desta forma e ainda elegeu o sucessor, que hoje eh seu inimigo mortal apenaspor querer se reeleger. Assim vou acabar achando que carioca, apesar de tudo reclama de barriga cheia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aí em Feira tem pelo menos uma coisa boa: o Fluminense

      Excluir
  7. O Fluminense daqui eh tao bom quanto o sistema de transporte local...

    ResponderExcluir
  8. Mauro Pires de Amorim.
    Concordo que protestar de forma civilizada seria a melhor saída, pois protesto violento, abriria o precedente para que os mesmos governantes que esculhambam as funções estatais, joguem a polícia e forças de segurança municipais contra os protestantes e no final das contas, ainda posem diante da mídia como injustiçados atacados por "marginais".
    Nossa experiência democrática é muito recente em relação à prática cultural em nossa política de se esculhambar o Estado, usando a função e cargo público em benefício próprio e de seu grupo de apoio, esteja este dentro do Estado ou em empresas privadas.
    O "impeachment" ou impedimento de Fernando Collor de Mello ocorreu há 20 anos, logo no mandato do 1º presidente da república da era democrática, já que, tanto Tancredo Neves como José Sarney, foram eleitos no sistema da "Redentora" e quem acabou realmente governando foi Sarney. O processo dos crimes cometidos por Collor na presidência da república está
    "engavetado" sem julgamento há 3 anos no gabinete da ministra do STF, Carmem Lúcia.
    Relembrando essa época, acabei de re-ler pela internet, entrevista datada de 17 de março de 1993, concedida por Pedro Collor em Miami, EUA, ao correspondente do Jornal do Brasil em Washington, capital daquele país, Teodomiro Braga, contando os feitos toxicômanos, adúlteros e espiritualistas-religiosos do 1º casal e nessa entrevista, Pedro Collor, denunciante do esquema de governo do então presidente e seu irmão, relata também, entre outras particularidades, que Júlio Lopes fora um dos amantes de Rosane naquela época.
    Assim, conforme afirmei anteriormente no princípio desse comentário, em nosso país, usar o poder estatal em proveito próprio e de quem apoia o mandatário, faz parte da cultura política e coibir-se tal prática afim de amadurecer o sistema democrático faz parte de nosso processo histórico.
    Felicidades e boas energias.

    ResponderExcluir