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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Só Pensa em Dinheiro Futebol Clube

Os atletas brasileiros tiveram ótimo desempenho na Olimpíada de Londres. Foram 17 medalhas, um recorde. Três ouros (só em Atlanta, 96, tivemos mais, cinco). As duas que igualariam ficaram pelo futebol e pelo vôlei masculino.

Tivemos medalhas inéditas no pentatlo moderno, no boxe e na ginástica. Nunca pensei que um brasileiro venceria chineses nas argolas. Fomos muito bem em vários outros esportes, mesmo não chegando no pódio.

Se lembrarmos que em Barcelona (92) ganhamos apenas três medalhas no total, a evolução em duas décadas é flagrante.

E ainda tivemos grandes atletas que perderam por detalhes, como a saltadora de vara que envergou com o vento. Ou como Diego Hipólito, que caiu na hora H. Foi crucificado, mas astros de outros países também vacilaram. Isso é do esporte. É do ser humano.

E aí não demorou a surgir na mídia aquela visão capitalista empresarial. Um jornal do Rio publicou balanço criticando o desempenho brasileiro. A alegação é de que foram investidos mais recursos no último quadriênio que no anterior e disputamos menos finais que em Pequim (2008). O velho vício brasileiro de procurar sempre um judas para malhar. Nisso nossos comentáristas são mestres. Pode ser que essa análise pessimista tenha a ver com a troca de emissora com exclusividade de transmissão, afinal, o referido jornal pertence ao grupo que perdeu os direitos depois de décadas transmitindo os Jogos.

Lembro que na primeira semana dos Jogos já havia gente trombeteando que esse era o nosso pior desempenho na História...

Acho que tem a ver também com essa visão tecnocrata que tomou conta dos corações e mentes. Matemáticos cartesianos tomaram para si a prerrogativa do juízo final sobre todas as coisas. São os novos senhores do bom senso, imagine, sempre com suas planilhas em mãos!

Se o custo benefício não for positivo, não presta, não valeu.

Esquecem o lado humano do esporte. Esquecem todas as lágrimas derramadas pelos nossos atletas, todos os dramas vividos nesses 16 dias. Não consideram as milhões de crianças por este Brasil afora que foram influenciadas positivamente pelo exemplo dado nas quadras, campos e ginásios londrinos (tanto pelos que venceram quanto pelos que perderam).

Segundo o filósofo Quincas Borba, personagem do grande Machado de Assis, "ao vencedor, as batatas".

Mas acho que as batatas, fritas, com bastante colesterol, devem ficar para esses idiotas da objetividade numérica. Eles que se fartem delas.

9 comentários:

  1. E tem mais Marcelo. Sao os mesmos que viviam reclamando que o Pais nao investia no esporte, ai quando resolve investir...O nadador Tiago Pereira, que andou falando mal de suas colegas da natacao, tambem disse que o governo nao investe no esporte, mas eh patrocinado pelos correios ha quase uma decada!!!

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  2. Queria ver as empresas privadas e o governo investindo pesado na educacao das nossas criancas. Queria ver essas criancas ganhando medalhas de ouro em ciencias, matematica, historia, portugues, geografia, etc.
    Mas, como sabemos, isso nao da retorno...

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  3. Queria dar parabéns a Record que deixou a "outra" de lado e transmitiu sozinha os jogos olímpicos de Londres.

    Para a "outra", quanto pior, melhor.
    Mas não foi bem assim que aconteceu.

    Cury

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  4. É isso mesmo...devemos agradecer à Maurren Maggi pela sua desclassificação ainda na fase inicial,apesar de ter recebido patrocínio de atleta de ponta, ou ao Hipólito por viver se esbaldando nas noitadas e depois enfiar a cara no chão.Devemos é execrar os marajás do boxe e a menina do pentatlo que trouxeram medalhas a praticamente custo zero.

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  5. Recebi este comentário que repasso por considrá-lo lúcido (ou não?).
    Lugar de atleta (e de todos os jovens, aliás...) é na escola. É assim que os chineses, norte-americanos, sul-coreanos, britânicos, russos e alguns outros povos tornaram-se grandes vencedores nos Jogos Olímpicos. A lacuna atlética em nosso sistema educacional revela seus gargalos quanto à qualidade. Não basta oferecer vagas a todos os que procuram o ensino público. É preciso avançar na qualidade, e isso implica não só o conteúdo curricular e a excelência pedagógica mas, também, a preparação para a vida, a sociabilização, hábitos saudáveis e saúde preventiva, para os quais o esporte é elemento de grande importância.
    Na economia altamente competitiva na qual vivemos, não se pode exigir das empresas que invistam mais do que podem em modalidades esportivas que não lhes trarão retorno. Assim, para que o Brasil não tenha destaque internacional apenas em esportes como futebol e vôlei e em casos isolados inerentes a patrocínios esparsos e ao esforço pessoal de um ou outro atleta, é necessário qualificar nosso processo educacional.Para isto, inclusive, é necessário melhorar substancialmente o salário _tão aviltado_dos professores (assim atrai gente qualificada e de alto nível para o magistério/educação de excelência: a alma e a base de qualquer país que pretende progredir eficientemente), e com programas sérios de reciclagem dos mesmos, posto que muitos deles, estão, eventualmente, ensinando mal ou errado, porque assim aprenderam, como desdobramente desta baixa qualidade de ensino vigente e evidente, nas últimas décadas.
    Marcos Lucio

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  6. A Yane do pentatlo recebia o bolsa-atleta por ser considerada atleta de alto rendimento. Nesse caso ela deve ser execrada ou festejada???

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  7. Marcelo, cada caso é um caso. Essa Fabiana Murer deve ter algum problema psicológico. Até naquela história de Pequim q fizeram com ela já não estou acreditando. O caso da Mauren é diferente, ela estava com lesão e tentou fazer o melhor. A questão é que não podemos jamais exigir medalha (todo mundo quer, mas só três levam), mas podemos exigir que os caras tenham pelo menos o rendimento que os levou p/lá. Fazer um tempo pior que nas eliminatórias brasileiras é inaceitável. Ter condescendência com quem fica em twitter o dia inteiro na Vila Olímpica e depois cai de bunda no chão não pode ser aceito, seja na Alemanha, ou seja na Somália...

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