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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Lágrimas olímpicas

Fabi busca uma bola impossível com o pé no fundo do ginásio. As lágrimas inundam olhos com a mesma rapidez da jogadora de vôlei brasileira.

Mas a sul-coreana Kim tem atuação de Pelé e o Brasil perde o jogo. Numa Olimpíada, a emoção não tem bandeira.

Atletas choram ao ouvir o hino nacional e ver a bandeira do país subindo. Sentimento patriotico que, para muitos, só aflora em Jogos Olímpicos ou numa Copa do Mundo.

Às vezes, numa eleição presidencial.

O choro do esporte que faz bem ao coração. É a essas lágrimas que os médicos se referem como terapêuticas, não àquelas da tristeza, da amargura, tão tristemente mais comuns...

A emoção do judoca jorra pelos olhos, mesmo que a medalha conquistada seja de bronze.

No caso da adolescente lá de Teresina, onde nem tatame havia para treinar, as lágrimas valeram ouro.

E quisera o Homem Aranha ter a força que há no braço de um desses ginastas. Músculos que sustentam posições impossíveis para nós, os mortais não atletas.

Mas, humanos que são, eles também beijam a lona, afinal, não são heróis de história em quadrinhos. São realidade, não ficção.

Na Olimpíada, é a catarse. Foram quatro anos de uma rotina monástica, exercícios à exaustão, nada de festas, nada de noite, nada de farra. Comida racionada, hora para dormir, almoçar, acordar. Cobranças e mais cobranças. Quatro anos de nunca-está-bom. A dor sempre correndo atrás do resultado como se fossem gato e rato.

Na natação, acho que é pior, pois são 20 anos embebidos em cloro. O campeão Ricardo Prado nunca mais entrou em uma piscina depois que encerrou a carreira.

E, na hora H, tudo pode se esvair em um segundo, numa desatenção, num golpe, numa ponta de espada detectada pelos sensores eletrônicos, numa respirada errada no momento crucial da prova.

Quatro anos de sangue, suor e lágrimas podem ir pelo ralo diante de uma esguia cortadora coreana em dia de graça.

_ O mais difícil é ter ânimo para voltar a treinar _ desabafou o campeão de natação Cesar Cielo depois de voltar de Londres sem medalha.

Mas a emoção da vitória é que contagia, arrepia e jogamos junto com esses super-heróis por 16 dias. Um super-herói que pode nem ter as duas pernas, mas recebe a reverência humilde e agradecida do homem mais veloz de todos os tempos.

Nada como cuidar do coração derramando lágrimas olímpicas.

Reprodução/ TV Record


3 comentários:

  1. Por algum tempo cometi a sandice de achar que um corredor utilizando pernas artificiais nao deveria competir com outros corredores ditos normais. Bastou ouvir a opiniao de especialistas, que me mostraram definitivamente o quao dificil eh substituir as diferentes articulacoes das pernas, para eu me convencer que por mais bem elaboradas que sejam, as proteses nunca substituirao milhares de anos de evolucao de nossos membros inferiores.

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    1. Eu também cheguei a pensar que poderia ser mais fácil pra ele, mas realmente não é.

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  2. Por mais que na maior parte das vezes a olimpiada esteja relacionada a alegria, a beleza e a emocao, nao podemos esquecer que as vezes ela eh usada como forma de demonstracao de poder, como no caso das disputas entre os EUA e a URSS, e pior ainda para destilar o odio racial como no ataque terrorista em Munique em 1972. O ataque recente ao templo Sikh nos EUA certamente foi facilitado pelo direito constitucional dos americanos de usar armas, mas certamente tem como causa principal a intolerancia racial, que aflora principalmente nos momentos de frustacao e quando cessam os argumentos. Nos, Marcelo, precisamos estar atentos, pois, essas manifestacoes de intolerancia podem acontecer em qualquer lugar.

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