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terça-feira, 3 de julho de 2012

A farra na orla

Não sei se o governo estadual terá coragem de tirar os postos de gasolina da Avenida Atlântica, em Copacabana, como vem ameaçando. Houve uma reclamação geral dos usuários e dos donos dos estabelecimentos.

A alegação do governo quanto a questões estéticas é simplesmente ridícula.

Com a ajuda fundamental da prefeitura do Rio, que ignora solenemente a proibição de publicidade na orla marítima, os quiosques à beira-mar se transformaram em verdadeiros painéis de propaganda. Cobram preços abusivos, inclusive para que fregueses que estão consumindo em suas mesas usem o banheiro e, de quebra, anunciam suas marcas à vontade num dos maiores cartões postais da cidade maravilhosa.

É Skol, Coca-Cola, TV Biscoito, Bob`s, McDonald's, todo mundo na farra da propaganda proibida, já que os logos sempre extrapolam os limites dos quiosques, maculando e privatizando a paisagem.

Votei no Eduardo Paes para prefeito. Seu adversário na época, Fernando Gabeira, me decepcionou totalmente como político, além de mostrar muito pouco conhecimento da cidade e da máquina administrativa nos debates. Quando abandonou a bandeira da legalização da maconha, numa jogada oportunista para concorrer a cargos majoritários, a meu ver suicidou-se politicamente. Afinal, foi a esquadrilha da fumaça que o elegeu deputado várias vezes.

Acho Paes um dos melhores enxugadores de gelo que já tivemos na prefeitura do Rio. Pelo menos, demonstra tesão para a coisa. E creio que tem usado bem os caminhões de dinheiro que Lula e Dilma (mais Lula) despejaram no Rio, cujo povo sempre votou na esquerda, primeiro no PDT e depois no PT.

Mas Paes não é amigo da iniciativa privada. É amicíssimo!

Tudo que ele faz tem propaganda de empresa privada no meio. Dane-se se é na praia ou na entrada de um túnel, o que é proibido por lei. Paradoxalmente, nosso entusiasmado prefeito vem tirando outdoors de prédios... vai entender...

Agora, eu me pergunto por que vão tirar só os postos Petrobras da orla de Copacabana. Se é assim, que tirem todas as propagandas dos quiosques. Tem eventos na areia que são meros pretextos para que marcas espalhem sua publicidade por todos os lados. Eventos nada a ver, tipo campeonato de futebol de oito com um pé só...

Ah, a Petrobras é uma empresa pública. É minha e sua, talvez por isso o governador do Estado, Sergio Cabral, esteja querendo tirá-la de lá. Se fosse a Shell ou a Texaco...

A especulação imobiliária já levou a maioria dos postos da Zona Sul, que deram lugar a prédios. Sem os da Atlântica, vai ter fila dia e noite para abastecer.

Além do mais, onde os ciclistas vão encher os pneus de suas bicicletas?

Posto Petrobras na orla de Copacabana/Foto: Marcelo Migliaccio
A Petrobras é nossa!

6 comentários:

  1. Corrija-me se estou errado: As alegacoes para a retirada dos postos sao "estetica" e "seguranca"?
    Era moleque, morava no 290 da Atlantica quando comecaram as obras para a duplicacao da Atlantica (como rolou sacanagem escondida nas falsas dunas...) e, se nao estou errado, ja havia nesse projeto espaco para os postos (que tambem foram instalados no aterro do Flamengo). Nao lembro de qualquer acidente nos postos que ganhasse importancia na midia.
    Agora rola esse papo... MUITO estranho...
    Podem me criticar mas, esteticamente, creio que os postos estejam integrados a obra. Ja criaram raizes; sao parte do todo.
    A falta que farao; os problemas que serao causados aos que necessitam abastecer serao enormes.
    Existe algo nos ceus alem de avioes de carreira!

    Ciclistas: se querem encher os seus pneus, encham o saco das ORtoridades!

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  2. Com certeza não querem tirar os postos para plantarem árvores no lugar. Aí tem coisa...e não é coisa boa.

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  3. "Acho Paes um dos melhores enxugadores de gelo que já tivemos na prefeitura do Rio". Faço minha esta sua bem sacadíssima e lúcida crítica.

    Quanto a existir algo de (bem) podre quanto aos postos de gasolina, não há "dúvida de sombra".
    Marcos Lúcio

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  4. Eduardo Paes é da mesma estirpe de Sérgio Cabral.
    Sabemos que ambos estão fazendo obras no Rio, pena que todas as obras são superfaturadas sem a menor cerimônia.

    Dinheiro o Rio tem, mas está sendo usado de forma duvidosa.
    Não votei neles e não pretendo votar.

    Cury

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  5. O governo do Rio de Janeiro lançou um pacote de obras orçado em R$10 milhões. Os empréstimos que viabilizarão os projetos já vêm sendo negociados há um tempo. Os ataques feitos ao governo terão como resposta obras feitas em todo o estado. O pacote inclui asfaltamento, e a construção de barragens e de nove hospitais.

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    1. Como votei no atual governador, fico feliz em saber.

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