Translate

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Desabamento: alguém no banco dos réus?

Desabamento no Centro do Rio/Foto: Marcelo Migliaccio


A Polícia Federal indiciou sete pessoas pelo desabamento de três prédios no Centro do Rio em janeiro. Dezessete pessoas morreram soterradas e os corpos de outras cinco nunca foram achados. A perícia concluiu que uma obra no nono andar do maior dos edifícios, absurdamente, retirou colunas de sustentação. Não havia engenheiro responsável, o síndico foi omisso na fiscalização e até plantas falsas foram enviadas à prefeitura. O pessoal da empresa queria que as instalações ficassem bonitinhas e funcionais...

A tragédia só não foi maior porque os prédios caíram por volta das oito da noite. Se fosse em horário comercial os mortos seriam contados às centenas. Uma total falta de consideração com o próximo e de escrúpulos dos responsáveis irresponsáveis, e mais: a certeza da impunidade que caracteriza todo brasileiro, está no inconsciente de todos nós e no DNA da nação. Dessa vez, pelo menos, a impunidade terá uma desculpa esfarrapada: o maior dos edifícios que caíram, ironicamente, chamava-se Liberdade.

Se bobear, só os dois peões de obra que derrubaram as colunas a marretadas irão em cana.

O inquérito vai ser enviado agora à Justiça e é aí que a porca torce o rabo (e que a sociedade torce o nariz).

O time de indiciados já entra na batalha dos tribunais com um alento. Se condenados, sua pena pode ser convertida em ações não prisionais.

Ou seja: os culpados pelas 22 mortes têm a chance de, se condenados, prestarem serviços comunitários ou pagarem cestas alimentícias. Sugiro pizzas.

Nosso Código Penal e nossa Justiça, ao lado do ainda pouco investimento na educação pública, são os maiores entraves ao desenvolvimento do Brasil.

Leia também:
Charlie Chan e o desabamento

10 comentários:

  1. Mas por que isso? O crime está sendo considerado culposo?

    ResponderExcluir
  2. Mauro Pires de Amorim.
    Concordo plenamente contigo!
    O pior, é que, assim como o Bateau Mouche IV (31 de dezembro de 1988), o mestre arraes e piloto do barco, que também morreu no acidente, juntamente com as 54 outras pessoas que estavam à bordo, é que foi inicialmente responsabilizado.
    Claro, dentro da mentalidade cínica brasileira, peão, que não tem "calda para uma capa", algo típico de fidalgo(a) e que vive de vender seus conhecimentos e habilidades como força de trabalho, é que tem que ser culpado!
    Ser "empresário(a)", é o novo título de fidalguia, que serve para afago e aceitação da banda parasitária, apodrecida e moribunda da sociedade brasileira. Empresariar qualquer negócio no Brasil, é considerado uma dádiva divina, uma atividade caritativa com direitos pré-julgadores de méritos e aura equivalentes às
    santidades.
    Portanto, tomem muito cuidado os(as) hereges que ousarem levantar acusações contra o santo nome de qualquer empresário(a), em função de sua divina proteção! Quanto ao resto da cidadania, bem o resto é o resto.
    Triste mentalidade socialmente cultivada e arraigada no nosso gênese histórico. Somos uma república de Estado democrático de direitos de fachada, pois desde 1889 até os dias de hoje, ainda carregamos ranços sócio-institucionais da monarquia absolutista.
    Penso que isso se deva, pelo fato de nossa república de Estado democrático de direitos, ter sido cerceada de evoluir continuamente pelos períodos de governos de modelos ditatoriais, portanto autocratas e que em muito se assemelham aos modelos monárquicos absolutistas.
    Será que as ditaduras de 1930 e 1964 que tivemos no Brasil, durante esse período de 1889 até os dias de hoje, não foram formas de contra-ataque, com a participação de forças nacionais de nossa sociedade e história, realizado em conlúio com forças internacionais, em função do temor crescente das perdas de privilégios que a evolução republicana ao Estado democrático de direitos acarretaria em relação aos modelos e mentalidades sociais autocratas?
    Felicidades e boas energias.

    ResponderExcluir
  3. "Se bobear, só os dois peões de obra que derrubaram as colunas a marretadas irão em cana."

    BINGO!!!

    ResponderExcluir
  4. Teia de aranha. Essa seria a melhor definicao para o emaranhado de leis, muitas sem sentido, outras que se sobrepoem, algumas que se contrariam. Leis que sao feitas (ou aprovadas) pelos nossos grandes deputados e senadores rabos-presos que tudo fazem visando o bem do... proprio ou do amigo. Ao povo, as favas (ou o joio).
    Qualquer cidadao fica enojado quando descobre que a policia promove uma demorada investigacao, encontra suspeitos, apresenta provas, detem individuos e esses, rapidamente, saem por forca de um habeas corpus. Tambem se enoja ao ver que um advogado que chegou a se ministro da justica aceita defender filho de bilionario ou contraventor implicado em uma teia de corrupcao. Claro, advogado existe para defender pessoas mas, convenhamos, se esse advogado chegou a ocupar o cargo de ministro da justica deveria, ao menos, ponderar e rever o caso antes de aceitar defender pois, embora seja possivel, eh imoral. Tendo aceito, jogou no lixo o seu passado (e abocanhou um monte de dinheiro, boa parte de origem dubia...)
    Enquanto isso, as cadeias ficam superlotadas de pobres pois esses tiveram apenas o "direito" de terem nascido para servir sem reclamar. Para sorrir mostrando a boca desdentada quando o amo e senhor passa a caminho do seu iate, da sua fazenda, da sua Ferrari...
    Alguem acredita que se alguem for condenado esse alguem sera uma pessoa que detinha o poder de mando ou sera um peao que martelava?
    Brasil dos poderosos. Nada mudou ou se mudou, foi tao pouco que passou despercebido. Seguem as reunioes secretas onde discute-se favorecimento; corrupcao; maracutaias. As declaracoes do Gilmar Mendes sao assustadoras pelo conteudo. Tanto quanto as informacoes dadas pela policia federal no caso Cachoeira. Diferentes mas tao proximas. Tao sujas e repugnantes!
    Mas eles, senhores do poder, discutirao em um ambiente limpo e confortavel, com direito a agua mineral e cafezinho servido por desdentados. Discutirao, discutirao enquanto o tempo passa e joga o tema para o esquecimento quando entao ordenarao aos desdentados que preparem as pizzas, com as quais estao tao familiarizados.
    Pobres peoes. Vao sofrer as consequencias das ordens dadas sem escrupulos. Dadas por ganancia. Esses nao terao direito a uma fatia da pizza. Vao ter que fazer como hienas: comer merda e sorrir!

    ResponderExcluir
  5. O apedeuta -borderline, não satisfeito, com sua exclusão do mensalãoe cassação de mandato, se julgado, quer transformar o julgamento , pelo STF, numa enorme pizza, como á que nos empurrou goela abaixo, em seus oito anos de desgoverno anômico.


    Antonio Carlos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Antonio Carlos, aconselho você a pesquisar sobre a história de Gilmar Mendes antes de tirar suas conclusões. Quanto à revista que publicou a "denúncia", nem é bom falar... É bom lembrar que Nelson Jobim negou a tal conversa. Mas se você prefere acreditar, tudo bem.

      Excluir
    2. Bem disse o Sen. Cristovam:
      "Cristovam Buarque ‏@Sen_Cristovam: Grave.Ou mentiu G.Mendes,ou N.Jobin está mentindo,ou Lula tenta dar um golpe, controlando CPI e ameaçando STF."
      Todas as 3 opcoes sao pessimas, sendo mais criticas a 1a. e a 3a. Mas todas vao contra a democracia e os poderes estabelecidos. Uma afronta ao cidadao, a Nacao!

      Excluir
  6. No caso do bonde de Santa Tereza, não imputaram culpa a nenhuma autoridade,
    Infelizmente no Brasil, quem tem dinheiro fica impune.

    Data venia seu juiz, isso é um absurdo

    Cury

    ResponderExcluir
  7. Aqui a justiça é cega ou míope somenta com os pobres, pois ela tem excelente visão-olhos de lince_ e totalmente direcionada para -até INJUSTAMENTE-favorecer ou aliviar a barra pesado dos ricos. Et la nave va!!! Que Deus se apiede de nós.
    Marcos Lùcio

    ResponderExcluir